quarta-feira, maio 13, 2009

O Aqueduto das Amoreiras algumas dúvidas suscitadas pela documentação


História Local: Foi até a construção do Aqueduto das Águas Livres em Lisboa, edificado em finais do séc. XVIII, o maior aqueduto português e o mais notável da sua época considerando outros obras públicas da mesma tipologia edificadas em Coimbra, Tomar e Vila do Conde. A razão da sua edificação, tem sido justificada pelo facto de em finais do séc. XV, o chamado “Poço do Alcalá” provavelmente do período islâmico não se encontrar em condições de servir a população da então Vila de Elvas. Todavia esta questão merece um reparo, primeiro o dito poço continuou em funcionamento durante pelo menos mais um século, em segundo os representantes às Cortes de Évora de 1498, os elvenses Álvaro Pegado e João Rodrigues d’Abreu, nas suas petições propuseram a reparação do dito poço, o que foi atendido pelo rei de D. Manuel I, que concedeu à câmara de Elvas, o direito da cobrança de lançar o chamado real de água. Que segundo a documentação, seria para as ditas reparações e não para as obras do aqueduto, como mais tarde se viria a verificar. Um outro documento, do A.M.E. refere que durante mais alguns anos se investiu nas referidas obras do Alcalá, sendo assim jamais a mais importante obra pública quinhentista portuguesa se iniciou em 1498 como se encontra registada numa vasta bibliografia sobre esta obra. De resto, este problema foi levantado no século XIX pelo escrivão da Câmara João Viegas, sobre a data do início da construção que não foi a de 1498. Outra questão que vale a pena questionar é sobre o nome do arquitecto que travou o risco do aqueduto, que também não sabemos quem foi com rigor documental que a história como ciência social exige, com tudo e como sabemos esta obra é atribuída ao mestre régio Francisco de Arruda, mas o primeiro documento que se refere à presença deste mestre em Elvas é datado de 27 de Julho de 1537, no qual el-rei D. João III manda à cidade de Elvas, Francisco de Arruda para verificar a maneira como se poderá fazer a obra. Considerando esta afirmação, podemos até responder à primeira questão as obras da “Amoreira” iniciaram-se pelo menos trinta e nove anos mais tarde que a data que lhe é tradicionalmente atribuída. E neste contexto, Francisco de Arruda foi de facto o projectista do aqueduto, da mesma época um documento do A.N.T.T., transcreve de forma clara e inquestionável, que a primeira campanha construtiva do aqueduto de Elvas, foi dirigida pelo arquitecto militar da fortaleza do Restelo. Ora, a fortaleza do Restelo não é mais nada menos que a Torre de Belém e o seu projectista foi Francisco de Arruda.

Assim e nesta perspectiva, o que se destaca é sem dúvida o papel da Coroa em dotar a nobre vila de Elvas, que apresentava então um crescimento demográfico notável de um equipamento que então era específico das cidades do reino ou seja a possibilidade de elevar a nobre vila de Elvas a cidade, era clara até pelo facto de nesse período outras obras utilitárias então se desenvolviam como a construção da futura Sé, a nova Casa da Câmara ou a nova praça, que foi projectada de forma circular e assim se manteve até aos inícios da época contemporânea.

Outras curiosidades alimentam a construção do Aqueduto, como a possibilidade da sua destruição durante a Guerra da Restauração para a construção de uma ampla baluarte onde hoje se situa o redente do Cascalho ou a proposta quase anedótica de D.João V que face às despesas com as obras e manutenção do Aqueduto, propunha a chegada de água à cidade através de um amplo repuxo, que foi contestado pela Câmara de Elvas, que em carta de 6 de Junho de 1709, justifica a importância e necessidade desta obra. As fases de construção, as dificuldades de elevação da última arcada que durou mais de uma dezena de anos, a falta de meios económicos para construção e manutenção do aqueduto ou os roubos constantes de água dos canos do aqueduto, são outras histórias que a história do aqueduto devia contemplar. Postado Por Arlindo Sena

terça-feira, maio 12, 2009

Castelo do Marvão





O Castelo de Fronteira na Guerra Medieval.

História na raia Ibérica: - O Castelo como máquina de guerra nos assédios medievais  - O cenário da guerra  medieval nos fins da Idade Média privilegiado em toda a fronteira portuguesa de Norte a Sul , tinha como palco  central o Castelo que era sem dúvida o meio mais eficiente na prática da guerra ,quer em toda a Península Ibérica quer no Ocidente Medieval . Esta realidade bélica , o Castelo não é apenas uma arma defensiva, ela é também uma base extraordinária para a guerra ofensiva e na medida  em que a guerra de fronteira é uma guerra de conquista de posições  . Eis um exemplo desse tipo de guerra : “...antes de iniciar o cerco de Elvas, ao mandar abastecer Badajoz , Albalá , Jaraicero e Almocir com grandes quantidades de pão e trigo e cevada , necessários ao aprovisionamento das gentes e de armas     a partir desses castelos, deveriam invadir Portugal “ [1]  Porém foi na guerra defensiva que o Castelo provou ser quase inexpugnável , segundo Garcia Fitz : “ Qualquer fortificação bem abastecida , ainda que tivesse poucos defensores e com clara desvantagem em armas , tinha muitas  possibilidades  de manter-se frente a uma pressão exterior [2] .Os cercos foram a prática de guerra mais utilizada na fronteira do Caia e Guadiana . As fontes revelam-nos sistematicamente nos fins de Idade Média , em Elvas , e mais para interior das margens do Guadiana , os cercos a Vila Viçosa , importante também em acções  ofensivas pela sua posição estratégica de “ fazer correr “ os seus “ exércitos “ , numa faixa bem determinada entre o Alandroal e Estremoz , não está posta de parte a sua intervenção em terras do Sul como Terena ou Reguengos , e é provável que tal acontecesse atendendo que o fronteiro mor de Vila Viçosa , o Conde Gonçalo de Azevedo era simultaneamente o fronteiro mor de Moura no fim do Séc. XIV . A importância desta vila no palco da guerra medieval é incontestável     “ quem vençesse e ouvesse a praça ligeiramente cobriria os logares cercados[3]Mas a defesa de longa fronteira , foi também possível em função de um conjunto de modificações que ocorreram nas primeiras fortificações acasteladas do início da reconquista cristã portuguesa ao longo da raia . Na região do Caia em Elvas   ,  as alterações às novas exigências de guerra atingem o auge em finais do Séc. XV ; em Barbacena (Elvas ) a nova gramática bélica marca esta nova fortificação a caminho do Norte Alentejano ; ao contrário de Campo Maior, onde a edificação mandada erigir por D. Dinis em 1310 só será alterada com a introdução  do fogo de artilharia na segunda metade do séc. XVII , as suas altas muralhas e a sua forma compacta explicam a longa longevidade desta construção bélica . Na região do Guadiana , o Castelo do Alandroal  mantém a estrutura inicial do Séc. XIV , o seu papel na logística da guerra é deveras importante, mas como teatro de operações não se encontra nas frentes mais avançadas  , papel esse pertencente a Elvas e Juromenha e na retaguarda a Vila Viçosa . Na época de transição quase até ao aparecimento da pólvora e da sua aplicação na guerra aberta , destacamos a área das fortificações da actual região dos mármores , o Castelo de Estremoz , cuja Torre de Menagem funcionou como autêntico “ paiol” de apoio logístico  à guerra de assédio  e provavelmente[4] / pontualmente como reforço de armas através da cavalaria de ginetes ( ligeira ) aos locais de cerco . Não menos importante e o melhor exemplar das inovações e transformações, é o Castelo de Évora –Monte , salientando-se o Paço Fortificado , que se inscreve numa fase de transição pirobalística  e finalmente o Castelo de Vila Viçosa , de planta quadrada , do início do séc .XVI,  do qual se destacam os torreões cilíndricos de entrada e o profundo fosso que rodeia toda a estrutura do edifício anunciando uma nova era, a do fogo. Porém, numa época em que o Castelo constitui um elemento fundamental, considerando  que a Guerra Medieval  de um modo geral como vimos, se caracteriza como uma guerra de assédios , os exércitos que põem cerco têm alguns objectivos determinados . Nesta perspectiva,  para além da pressão psicológica sobre a população cercada, cuja atitude era de resistir e padecer , tratava-se também de destruir os seus recursos económicos e ao mesmo tempo estabelecer as condições de acesso ao Castelo , cujo assédio  se  podia fazer através da  aproximação das muralhas , utilização de engenhos e abertura de cavas e minas , esta última prática muito utilizada , através da qual o inimigo pretendia abrir  as portas da população sitiada e permitir o avanço dos invasores , por isso mesmo a vigilância das portas ou mesmo a sua abertura era um acto temido e sagrado  :     dabrir as portas tiinha moor cuidado que de rrezar as matinas [5]  . Mas os meios de assédio a um Castelo eram vários e com objectivos bem determinados :  


                      Quadro nº1 – Engenhos e máquinas de assalto


        Mas, como defendemos  ao logo do presente texto , o castelo como máquina de guerra afirmava-se através das suas capacidades defensivas e quase sempre com sucesso. As mais comuns eram : Do lançamento do alto das ameias e das torres , com grande intensidade chuveiros de viratões e de setas [12] [13]; simultaneamente , os sitiados lançavam também sobre os assaltantes e as suas máquinas de guerra fabricadas em madeira , uma vasta gama de projécteis e de materiais inflamáveis , uma técnica em que os estrategos da guerra medieval recomendavam tal como : Cristiano Pisano , Frei de D.Alonso ou Gil Roma. Se na guerra medieval , o Castelo teve um papel fundamental, as armas e o equipamento da cavalaria , da infantaria e da artilharia  tiveram um papel singular como veremos .     
       


[1]Cof.Arnaut ,1962,pp.462-474
[2] Garcia Fitz, Ob.Cit . pp.52
[3] ibid,CDJ,I ,Cap.XXVII,p.323
[4] Provavelmente porque a Guerra campal não foi prática nas guerras do Caia/Guadiana .Mas tornar-se-á umas das práticas no séc.XVI e XVII , quando Estremoz tem um ainda um papel fundamental na logística de guerra, nomeadamente na frente do Caia . Postado por Arlindo Sena
[5] ibid , Cap.CLIII ,  pp.256-257
[6]  Fernão Lopes , Ob,Cit. Cap.CLXIX,pp.360 :
Lê-se “aviam de hir muy notauees escudeiros escolleytos per el-Rey, não por linhagem de fidalgaduia , mas per conhecimentos de boons homeens darmas “ 
[7] Fernão Lopes,Ob.Cit.Cap.CXXXVIII,P.282
[8] Luis Moral Tejada , Ingeniería Militar en las crónicas catalanas, Ob,Cit. PP. 29
Sobre  as  dificuldades  de acesso ao castelo atravás de torres móveis afirma : “ Si hay um foso que
salvar , éste habría de ser rellenado o bien se tendrá de ser rellenado o bien se tendrá una especie de carriles sobre los que passe el castell “ de fusta . 
[9] Joao Gouveia Monteiro , Ob.Cit.pp 348
[10] Fernão Lopes , Ob.Cit , Cap.CXXXV,276-277
[11] Álvaro Soler del Campo,La evolución del Armamento,pp.55
[12] Este processo só era eficaz com base num treino intensivo e organizado , devido a duas razões : sucesso relativamente ao alvo e valor económico dos projécteis em acção.
[13] Foi  desta  forma  que  Fernão  Pereira  ( irmão de D.Nuno Álvares Pereira ) encontrou a morte num dos cercos a Vila Viçosa

  Objectivo
Meios ou engenhos de assédio

1.       Alcançar as muralhas de um castelo como forma de intervir com sucesso .


A ) Através de escadas:  considerada forma mais
clássica para permitir a respectiva escalada . Pretendia-se através da escalada intervir com sucesso ou expulsar os guerreiros que defendiam as ameias .[6]. As escadas deviam ser  à altura da muralha e resistentes . “ D.João I na tomada de Campo Maior serviu-se de uma escada por que as cavas estavam atupidas ”[7]. Em 1388 , durante um cerco o Campo Maior , uma das escadas de assalto a uma das torres, quebrou na altura em que a colocavam em posição de assalto a uma das torres . Sem dúvida que esta forma de aceder ao Castelo ou Praça  sitiada era   perigosa .
B ) Através de Torres móveis ou Castelos de madeira : já conhecida na Antiguidade ,  se a torre móvel vencesse os obstáculos [8] do próprio solo , e se conseguisse  aproximar-se ou abordar as muralhas , a praça  ou o Castelo ficavam imediatamente em perigo. Nestas estavam por vezes incorporados outros meios com vista à entrada no espaço cercado . No pavimento médio da torre por vezes , seguia uma ponte levadiça , que era lançada ao advarve permitindo a entrada dos assaltantes . Segundo J . Gouveia Monteiro , este tipo de torres foi utilizado em toda a Idade Média mas sem o recurso à ponte levadiça[9] e na Crónica de D. João I , há referências a este engenho durante o séc.XIV[10] . No pavimento inferior da torre podia incorporar-se um aríete ou carneiro ou transportar guerreiros com o fim de picar o muro , com vista ao seu derrube e entrada das forças invasoras  .
C ) Utilização do aríete /carneiro : Era uma máquina composta por um grande mastro de madeira em forma abobadada . Através do manejo das correntes e das cordas , os assaltantes faziam avançar e recuar uma grande viga , imprimindo-lhe um movimento de vaivém através do qual se esperava o derrube da muralha.
2. Utilização de engenhos que serviam para arremesso de projécteis aos espaços cercados , castelos e fortalezas
Tratava-se de máquinas por dois fortes pilares , unidos por um duplo ou quádruplo grupo de cordas , entre as quais era colocada uma viga , fazia-se um buraco em forma de colher , ou então associava-se uma funda ; colocava-se aqui uma pedra , e feito isso , aliviava-se rapidamente a viga , o que projectava o míssil numa rota parabólica . Este invento dos engenhos de contrapeso é atribuído aos hispano-mouros da Andaluzia e provavelmente também aos mouros da Sicília .[11] O trabuco considerado  mais eficaz que os engenhos de torção e também menos cómodo , podia ser construído no próprio local de operações . Este engenho que não dependia da torção de cordas , mas sim do súbito desprendimento de cordas , destacava-se pela sua capacidade de destruição .Esta máquina , que funcionava na base do contrapeso , permitia o lançamento de materiais pesados  normalmente pedras  (por vezes podia ser um barril contendo material inflamável). O tiro deste engenho , permitia o projéctil desenhar uma curva parabólica , como de um bomba de um morteiro moderno . Relativamente a este tipo de engenhos com o mesmo objectivo bélico , utilizou-se o “ Trabuquete“ , a “bifa” e o “tripancio “
3. Abertura de cavas e minas com vista a entrar na Praça ou Castelo sitiado ou fazer desabar algumas das suas estruturas, ex:muralhas .
O método mais clássico , conhecido desde a época dos romanos consistia , era através da escavação de túneis profundos de maneira que fosse possível passar por baixo dos fossos e atingir as muralhas . Duas atitudes eram possíveis : atingir o interior do espaço sitiado e abrir a porta principal , permitindo uma invasão de surpresa ou então proceder ao derrube de uma lanço de uma muralha ou mesmo de uma torre , colocando  nas fundações de um muro , procedendo-se depois há sua queima com matéria inflamável.

segunda-feira, maio 04, 2009

O divino uma das obras primas, de Luís Morales

O retábulo da Sé e a obra do Maneirista Luís Morales



História Local - A história do grande retábulo da Sé de Elvas está relacionada directamente com o término das obras do referido espaço arquitectónico iniciadas em 1537, considerando que o Bispo D. António Mendes de Carvalho, pretendia coroar aquele ciclo de obras com uma peça retabular monumental, coincidindo ainda com a concessão da Bula Papal "Super Sanctas " que criava o Bispado de Elvas. Para tal e ao contrário do que passou com os mestres pedreiros das principais obras das arquitectónicas de Elvas quinhentista, o pintor escolhido para tal obra não foi um pintor da capital nem da corte régia, mas da cidade vizinha de Badajoz. O que até se compreende, uma vez que Luís Morales era já então um pintor de nomeada e com obra conhecida na região raiana, como pintor de retábulos entre eles o de Arroyo da Luz, da Igreja matriz de Alconchel ou de São Domingos de Évora. O retábulo da Sé que cobriu a Capela Mor até 1734 altura, em que é retirado quando ocorre a remodelação daquele espaço e que deu lugar a actual capela Barroca era constituída por doze painéis, três deles foram identificadas em 1944 pelo Marquês de Lozola, na sacristia da Igreja do Colégio e as outras três, identificadas pelo Prof. Dr. Victor Serrão, nas reservas do Museu Municipal em 1983. O conjunto retabular era disposto provavelmente de cima para baixo e da esquerda para a direirta da seguinte forma: Busto de Cristo ( diâmetro de 260 mm. desaparecido); Busto da Virgem (260mmm) desaparecido; numa segunda linha: Sant`Ana e São Joaquim (1970x970mm) ; Nossa Senhora da Conceição (1770x1440mm) e Anunciação (1025x1700); na terceira linha: Grupo escultórico cromado (Morte da Virgem) , tamanho não referido à luz da documentação; na quarta linha (Visitação), 1680x1630 mmm) e Adoração dos pastores (desaparecido), na quinta linha, Apresentação ao Templo (1700x1650 mm) e a Adoração aos Magos (1740x1600mm). O retábulo era rematado pela Predela Partida (desaparecidas). Das seis tábuas conhecidas, desta obra prima que custou na época ua fortuna, avaliada num valor superior a mais de 1.000 ducados, destaca-se as seguintes características: A Anunciação, representa um excelente desenho da figura da Virgem, pintada a tons magenta e violáceos, de finos cabelos louros, enquanto que o Anjo Gabriel é representado segundo as regras tradicionais; O encontro de Sant´Ana e São Joaquim na Porta Dourada, encontra-se num estado degrado e mutilado como efeito de utilizações várias; no painel a Visitação destaca-se o cromatismo quente, a qualidade superior do desenho, a expressão figurativa e a forma eficaz de representação do vestuário e dos tecidos soltos; A apresentação do Menino do Templo, segue o modelo comum nas obras de Morales onde o valor figurativo das figuras é variado do ponto vista qualitativo; O painel da Adoração aos Magos, destaca-se pelo carácter pedagógico da representação e finalmente o painel de Nossa Senhora de Assunção, que deveria coroar o retábulo e que se econtra igualmente em mau estado. Eis pois a obra monumental de um dos maiores pintores do maneirismo espanhol ou melhor o pacense Luís Morales, que deixou a sua marca em Elvas, hoje visível nos painéis da sacristia da Igreja do Salvador, a saber a Adoração aos Magos, a Visitação e a Apresentação no Templo. Postado por Arlindo Sena

Robin dos Bosques era um ladrão vulgar?


Notícias com  História - A história do lendário Robin dos Bosques que roubava aos ricos para dar aos pobres que se encontram referenciadas em numerosas baladas ou romances populares britânicos pelo menos desde o século XV , tem sido motivo de estudo e debate, contudo entre os medievalistas britânicos não há acordo sobre a sua existência e alguns historiadores consideram que a personagem de Robin dos Bosques não é mais do que o resultado da fusão dos relatos das vidas de diversos bandoleiros, entre eles o Monge Eustaquio ou Fulk Fitz Warin. Porém este debate parece esgotado com o achado do Doutor Julian Luxford da Universidade de St. Andrews, que descobriu por um mero acaso um documento que se encontra conservado no Colégio de Eaton, Oxford, que confirma a existência de Robin dos Bosques,  que identifica a existência de Robin Hood como um bandido, que viveu nos tempos do rei Eduardo I, em finais do século XIII e que é descrito numa perspectiva negativa  gozando segundo a referida fonte, da simpatia da Igreja de Nottingham nem do xerife daquela cidade com quem estava frenquentemente em conflito. Por último de referir que o referido historiador britânico nos seus estudos não conseguiu em nenhum momento comprovar a existência do bando de Robin dos Bosques, nem a floresta de Sherwood como base para as suas operações de saque, que a Sétima Arte, tanto publicitou. Postado por Arlindo Sena.      

quinta-feira, abril 30, 2009

Carta Geológica de Portugal - 1879 de Nery Delgado


Joaquim Filipe Nery, um notável geólogo e paleontólogo elvense e de Portugal.

Biografia /História Local : -Joaquim Filipe Nery da Encarnação Delgado nasceu em Elvas no dia 26 de Maio de 1835, quando seu pai o Tenente-Coronel José Miguel Delgado desempenhava a função de Governador militar do Forte de Nossa Senhora da Graça . Em 1844 entrou para o Colégio Militar, continuando os seus estudos na Escola Politécnica. Em 1856, já graduado com o posto de sub-tenente de engenharia, trabalhou no Ministério das Obras Públicas onde pertenceu à comissão encarregue de estudar as medidas a tomar, contra as inundações do Mondego . Entrou para a "Comissão Geológica" em 1857 como adjunto do engenheiro militar Carlos Ribeiro tendo assumido a direcção deste organismo de 1882 a 1908. Deixou uma obra científica notável, tendo a sua actividade incidido sobretudo no estudo dos terrenos paleozóicos e ante-paleozóicos de Portugal, sobre os quais publicou importantes trabalhos que ainda hoje, volvidos mais de 100 anos sobre a sua edição, continuam a ser de leitura obrigatória. Ocupou-se, além disso, de problemas de geologia aplicada e de estudos de pré-história .Em 1867 foi publicado o seu primeiro estudo "Da existência do homem no nosso solo em tempos mui remotos provada pelo estudo das cavernas". Um dos aspectos mais importantes dos trabalhos de campo de Nery Delgado foi a descoberta da fauna câmbrica de Vila Boim, constituída por trilobites e outros fósseis que foram por ele descritos e classificados, sendo a cronologia então estabelecida (Georgiano) ainda hoje se mantêm. A sua obra fundamental , talvez a mais conhecida, é a monografia entre o Sistema Silúrico de Portugal. Trata-se de um estudo exaustivo, contendo listagens de fósseis, mapas e cortes geológicos. Nery Delgado começa por apresentar uma introdução histórica sobre o sistema silúrico do país, seguida de estudo de estratigrafia paleontológica do mesmo sistema, partindo da bacia hidrográfica do Mondego, passando às bacias do Tejo, do Douro e, finalmente do Guadiana. As amostras litológicas e paleontológicas recolhidas por Nery Delgado encontram-se depositadas no Museu do Instituto Geológico e Mineiro. No domínio da geologia os seus trabalhos de campo foram efectuados em pareceria com o engenheiro militar Carlos Ribeiro nas prospecções hidrogeológicas com vista ao abastecimento de água a Lisboa em 1857, e, em 1868, por solicitação do Instituto Geográfico, publicou com Carlos Ribeiro um estudo sobre a arborização geral do país, cuja utilidade continuou a ser reconhecida no século XX. Na área da arqueologia, os seus trabalhos mais significativos são o estudo das grutas da Cesareda que descreveu em 18867, e da gruta da Furninha, Peniche, 1880. A descrição e morfologia desta última foram apresentadas no Congresso Internacional de Arqueologia e Antropologia Pré-Históricas, realizado em 1880. Na vida púvblica exerceu os mais altos cargos públicos, tendo-lhe sido confiados numerosos cargos honoríficos, como a sua nomeação ao Conselho dos Monumentos Nacionais. Representou Portugal no Congresso Internacional de Paris (pré-história) e nos Congressos Geológicos de Bolonha, Londres e Zurique. No de Paris foi distinguido pelos seus trabalhos científicos, facto este que viria a repetir-se em Filadélfia em 1876, no âmbito da publicação de trabalhos científicos foram editados cerca de uma centena e meia das suas investigações e trabalhos de campo, dos quais destacamos a seguinte bibliografia:

• Nery Delgado, Noticia Acerca das Grutas da Cesareda, Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1867; Carlos Ribeiro; Nery Delgado, Relatorio acerca da Arborisação Geral do Paiz, Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1868.• Nery Delgado, Terrenos Paleozoicos de Portugal. Sobre a Existencia do Terreno Siluriano no Baixo Alemtejo (Memoria Apresentada à Academia Real das Sciencias de Lisboa), Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1876.• Carlos Ribeiro; Nery Delgado, Carta Geológica de Portugal (escala 1:500 000), 1876 • Nery Delgado, “Apontamentos para servirem de base ao estudo do projecto de abastecimento de aguas da villa de Figueira”, Revista de Obras Publicas e Minas, 10 (1879), 269-277.• Nery Delgado, Estudo sobre os Bilobites e outros Fosseis das Quartzites da Base do Systema Silurico de Portugal, Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1886.• Nery Delgado, Estudo sobre os Bilobites e outros Fosseis das Quartzites da Base do Systema Silurico de Portugal, Supplemento, Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1887.• Nery Delgado, “Chronica: Jazigos de Marmore e Alabastro e grutas respectivas dos concelhos de Vimioso e Miranda do Douro,” Revista de Obras Publicas e Minas, 19 (1888), 81-89.• Nery Delgado, Fauna Silurica de Portugal. Descrição de uma nova forma de Trilobite, Lichas (Uralichas) Riberoi, Lisboa, Comissão dos Trabalhos Geologicos de Portugal/Typographia da Academia Real das Sciencias, 1892.• Nery Delgado, “As Aguas de Bellas. Reflexões acerca do artigo ‘As Aguas de Lisboa’, publicado no vol. 24 d’esta ‘Revista’”, Revista de Obras Publicas e Minas, 25 (1894), 72-81.• Nery Delgado; Paul Choffat, Carta Geológica de Portugal (escala 1:500 000), 1899• Nery Delgado, Système Silurique du Portugal. Étude de Stratigraphie Paléontologique, Lisbonne, Imprimerie de l'Académie Royale des Sciences, 1908 e Nery Delgado, Terrains Paléozoïques du Portugal. Étude sur les Fossiles des Schistes à Néréites de San Domingos et des Schistes à Néréites et à Graptolites de Barrancos (Ouvrage Posthume), Lisbonne, Commission du Services Géologique du Portugal/Imprimerie Nationale, 1910
Terminou a carreira militar no posto de General de divisão que atingiu em 1899. Foi homenageado com a grande cruz da Ordem Militar de S. Bento d'Aviz, comendador da Ordem de D. Isabel a Católica, oficial da Ordem da Legião de Honra, oficial da Ordem da Coroa de Itália e com medalhas em todas as exposições internacionais nas quais o Serviço Geológico estivesse presente. Foi membro correspondente na Academia das Ciências de Lisboa em 1875 e passou a membro efectivo em 1884. Foi vice-presidente da aula das ciências matemáticas, físicas e naturais e presidente da comissão da redacção do jornal dessa aula. Viria a falecer na capital do reino em 3 de Agosto de 1908 quando há cerca de uma década se encontrava já afastado da vida pública e científica. Postado por Arlindo Sena.

quarta-feira, abril 29, 2009

Land Art



segunda-feira, abril 27, 2009

O trajecto histórico da Herdade na História de Elvas



História Local :- Do ponto vista histórico o conceito de herdade perde-se no tempo, há quem encontre na "Villa Romana" e na sua "pars rústica", a sua origem e por extensão a base da denominação do "monte alentejano". Todavia, quando se considera os fundos documentais da vila e mais tarde cidade de Elvas, encontramos as primeiras referências para o período de povoamento e aproveitamento económico da vila de Elvas. De facto, a primeira carta régia, que utiliza a designação de herdade é uma confirmação dada à Ordem de Alcobaça em 7 de Maio de 1259 ou seja, a primeira doação de uma herdade é provavelmente do início de meados do séc. XIII. Considerando ainda que uma das primeiras herdades da referida ordem a de Fonte Enossa estão referenciadas no testamento de João Paes Salzedas como doadas por carta régia em 3 de Abril de 1258. Ao longo do período medieval as doações sucedem-se a alguns membros da aristocracia de Portugal e Local, como são os casos dos Aboim. Na época Moderna, D. Álvaro, da Casa de Bragança é o primeiro aristocrata do reino a receber uma herdade e no final do Antigo Regime uma elite domina a propriedade concelhia como são os casos da Casa de Bragança e de Cadaval ou do Conde de São Martinho. A partir de meados do século XIX a herdade é fonte de riqueza e elemento determinante para a formação de novas elites económicas, de facto na lista de maiores contribuintes de Elvas entre 1880-1890, apenas o comerciante José Nunes da Silva, não constitui a sua riqueza com base na herdade. José Miguel Barreto era o maior proprietário com morado na cidade e António Bagulho, o maior proprietário oriundo de uma vila rural. Porém o esboço das primeiras Casas Agrícolas com base na herdade estavam já criadas antes do fim do século XIX como era as casas dos primeiros grandes lavradores após a Reforma de Mouzinho da Silveira: António Bagulho (1864); Adelino Gonçalves (1867) ou Francisco Lobão Rasquilha (1879). A transição para o século XX foi determinante para o alargamento das áreas de exploração agrária, correspondente a um aumento da propriedade e ao aparecimento de novos proprietários alguns dos quais antigos arrendatários, numa época em que a paisagem agrícola era ainda marcada por « ... extensos matagais de carrasco, piorno e outros arbustos silvstres». A partir de então e até final da década de 1960, a posse herdade tornou-se um sinal de elitização social e de desenvolvimento local, considerando como:


- Um sinal de prestígio social e nesse contexto os comerciantes e os "doutores", os médicos, procuravam adquirir esse tipo de propriedade como forma de se inserir nas elites económicas.


- Factor de criação de emprego, de uniformização e nivelamento social, uma vez que a maioria da população encontrava a sua subsistência no trabalho rural.As expectativas das classes populares, variavam entre a guarda fiscal e a vida militar.


-Elemento determinante na produção cerealífera e na economia nacional após as reformas agrícolas de 1883 e a Campanha do Trigo de 1929.


Sem dúvida que a herdade e os seus protagonistas não se esgotam, mas o papel da herdade como motor da economia elvense e nacional não deve ser ignorado na sua História. Postado por Arlindo Sena.

sábado, abril 25, 2009

A irrequietude artística de Rosso Fiorentino


História e Cultura das Artes/10º ano de escolaridade - A obra maneirista de Rosso Fiorentino: - Giovanni Batista di Lacopo, conhecido por Rosso Fiorentino, foi aluno de Andrea Del Sarto e manifestou desde cedo uma vontade de independência relativamente aos módulos formais clássicos. Na Virgem com o Menino e Santos para Santa Maria Nuova, retoma o esquema do século XV do retábulo do altar, mas anula o sentido de profundidade espacial pondo no mesmo plano as figuras, caracterizadas por rostos que parecem possuídos, corpos com volumes facetados e mãos aduncas. Uma explicação ruptura dos cânones clássicos surge na Deposição de Volterra ( figura acima representada), onde Fiorentino exacerba a expressividade das figuras, sublinhando a tensão dramática do evento e organizado, em linhas quebradas e dissonantes, uma composição em que tudo vive numa dimensão não naturalista: a luz irreal, a compacta faixa de céu no fundo, as cores violentas sem efeitos de claro-escuro e as expressões caricatas dos rostos. Do mesmo período é o Anjo Músico, fragmento de um retábulo representado provavelmente uma Virgem com o Menino. Na pintura Moisés Defende as Filhas de Jetro, é óbvia a intenção de imitar os modelos de Miguel Ângelo para levar ao extremo as pesquisas formais do mestre. Antes de partir para Roma, Rosso realizou o Casamento da Virgem, obra que revela o desejo de reinterpretar a tradição clássica de Rafael e dos artistas florentinos. Postado por Arlindo Sena

sexta-feira, abril 24, 2009

O 25 de Abril de 1974


História de Portugal - O dia 24 de Abril caminhava para o fim, faltavam cinco minutos para as vinte e trinta minutos, quando o som da rádio nacional mais ouvida, emitia a canção Grândola Vila Morena. De prevenção há algumas horas, as forças militares compostas em quatro zonas de comando (Lisboa e sectores: norte, centro e sul), iniciavam o primeiro Golpe de Estado militar após o 25 de Maio de 1926 que tinha como objectivo a capital, no plano geral das operações o Major Otelo Saraiva de Carvalho deixava bem claro que considerava " a cidade de Lisboa como o fulcro de toda acção, visto que é nela que se concentram os poderes legais e os objectivos remuneradores para o cumprimento da missão e para as missões consequentes". Pela manhã, as notícias eram conhecidas em Elvas, com entusiasmo e ao mesmo tempo com apreensão, a rádio nacional era o meio privilegiado com notícias como estas: " As forças armadas desencadearam, na madrugada de hoje uma série de acções com vista a liberdade do País e do regime que há longo tempo o domina". Mas a noite seria mais histórica para dois elvenses que participaram no anúncio da aventura democrática, José Manuel Carapinha Brilha e Martinho José Coelho Jesus, que faziam parte da coluna militar do RPC liderados pelo capitão Salgueiro Maia, que de Santarém partiram para a capital, durante a madrugada, ocupando sucessivamente o Terreiro do Paço, subindo ao Carmo onde aceitaram a demissão do Prof. Dr. Marcelo Caetano, Presidente do Concelho. Aos poucos o movimento emprendido pelas forças armadas, chegava a Elvas, a cidade tornava-se movimentada e patrulhada por inúmeras viaturas militarizadas, entre elas os Jipes da era dos aliados do pós 2ª guerra mundial, o tempo corria depressa e as vozes da liberdade faziam-se sentir um pouco por todo o lado, onde a esperança e apreensão eram sentimentos próprios de quem não entendia o que se passava. O fim da estruturas do regime de censura e repressão, situados respectivamente na Praça (PIDE-DGS) e no Largo de S. Domingos (Legião) denunciavam a mudança que alcançou o ponto mais alto com a comemoração do 1ºMaio quando o povo de Elvas saíu de forma expansiva à rua. Postado por Arlindo Sena

A Guerra civil de Espanha na raia de 1939


História Local - 24 de Abril de 1939, a violência na cidade de Badajoz tinha cessado à pouco mais de vinte dias quando um grupo de autoridades locais, civis e militares visitaram a actual capital da Extremadura. Em Elvas, as forças militares estacionadas na cidade voltavam a capital, como também os vários jornalistas que de Elvas faziam as suas reportagens sobre os acontecimentos de Badajoz nomeadamente o Rádio Clube Português, a partir da informação que era recolhida na raia. De resto seria uma coluna automóvel organizada pelo Rádio Clube a primeira a entrar com fins humanitárias em Badajoz via Elvas em 1939 , " ... que na sua longa viagem de Lisboa - Badajoz, transportava donativos em géneros, agasalhos e mendicamentos. As camionetas alinhadas por distritos e levando à frente o de Lisboa, estendiam-se pela estrada fora numa fila interminável que atingia alguns quilómetros. Esperava-se anciosamente a entrada em Badajoz (...) Havia talvez uma hora que ali estavamos quando de Elvas nos chegou o barulho de potentes aviões. (...) Eram aviões portugueses das nossas forças aéreas que para nós se dirigiam". Mas dos dias da guerra registam-se momentos de contrariedade e de solidariedade, se a denuncia junto das autoridades espanholas e a entrega de prisioneiros, alguns dos quais foram eliminados na Praça de Touros da cidade, há momentos de solidariedade e de humanidade que não podemos deixar de referir. Como por exemplo.


- O papel dos lavradores com propriedades na raia, que protegeram alguns dos que fugiam do clima de terror.


- A acção humanitária dos contrabandistas que traziam a salvo algumas crianças a pedido dos seus familiares.


- A convivência de alguns funcionários públicos com alguns exilados, como os médicos locais que não denunciaram os tratamentos feitos no hospital de Elvas, a um coronel republicano e ao governador Civil de Badajoz na época, que tinham mandatos de captura.


- O papel anónimo dos elvense, foram muitos que ofereceram a sua solidariedade, como por exemplo, a Senhora Isabel (assim referida num documento oficial), que evitou que um cabeleiro extremenho encontrado na cidade e vivendo clandestinamente em sua casa, fosse detido e enviado para Badajoz em função dos pedidos que fez junto de algumas figuras influentes na vida política local.
"São sem dúvida registos que a HISTÓRIA das relações fronteirizas não pode ignorar num acontecimento em que Portugal declarou a sua neutralidade mas na prática, tomou partido das forças da falange na medida em que a existência de um regime republicano, democrático ou socialista em Espanha era uma ameaça ao estado autoritário e nacionalista que definia a base júridica do Estado Novo, cujo princípio anti-comunista saiu notavelmente reforçado após a Guerra Civil de Espanha".


Dos dias da guerra na documentação oficial, regista-se ainda os movimentos das forças militarizadas na Rua da Cadeia e as constantes subidas dos elvenses aos pontos mais altos para testemunharem os bombardementos sobre a cidade de Badajoz. Postado por Arlindo Sena

sexta-feira, abril 17, 2009

A Igreja do Salvador, um monumento que não o é ?

História e Cultura das Artes - Leitura formativa 10º ano de escolaridade/História Local - " Uma das edificações mais significativas da arquitectura religiosa do período moderno na cidade de Elvas, é sem dúvida a Igreja do Salvador, mais conhecida pela igreja do Colégio e que apesar da sua notoriedade não se inscreve na lista de imóveis elvenses classificados com a designação de Monumento Nacional. Este espaço arquitectónico integrado no conjunto monumental do Colégio dos Jesuitas edificado durante a segunda metade do séc. XVII e aberto ao público a 17 de Agosto de 1692, iniciou a sua construção com o lançamento da primeira pedra a 4 de Julho de 1679, apresentando como características dominantes as formas e estruturas que predominaram na Igreja Jesuítica nacional se considerarmos as suas linhas construtivas : - A planta - cuja fórmula sai da igreja gótica alentejana de forma rectangular, apresenta uma só nave com cobertura de abóbada de berço, com transepto bem marcado, ladeada pela capela mor e por duas capelas laterais profundas, nas naves distinguem-se duas capelas laterais de cada um dos lados , dando ao espaço interior uma dimensão alargada e transformando a mesmo numa autêntica igreja salão, do qual se destacando-se dois púlpitos (em mármore branco e preto) que determinavam a descentralização do culto a partir do altar principal, seguindo o modelo da Igreja de São Roque (Lisboa), ainda que sem a capacidade inventiva do templo lisboeta. Todavia no traço da planta da Igreja do Salvador de Elvas, está subjacente uma maior proximidade com o modelo das igrejas jesuíticas algarvias, o que é absolutamente normal considerando que o traço da referida igreja atribuída ao jesuíta Bartomoleu Duarte, que desenhara no início da sua década de 1660 a Igreja do colégio de Portimão que por sua vez foi deveras influenciada pela igreja da Companhia de Jesus edificada em Faro. A Fachada principal - que se eleva no prolongamento do colégio onde se acolhiam os Padres da Companhia Jesus, é caracterizada pela verticalidade que caracteriza o modelo jesuíta e o maneirismo que de resto está inerente no modelo das frontarias das Igreja da Companhia de Jesus, contudo a simplicidade é o elemento dominante com três portais clássicos (sendo o maior o central onde se identifica um frontão interrompido, um medalhão com uma inscrição referente à fundação régia). O segundo e terceiro andar, marcados por duas ordens de janelas em cada secção superior, o último andar é rematado por um frontão pronunciado. Na fachada destaca-se duas torres tal como em S.Vicente Fora, S. Lourenço no Porto ou na Sé Nova em Coimbra, que são limitadas pelas pilastras que separam as mesmas do corpo central do frontespício". Postado por Arlindo Sena




terça-feira, abril 07, 2009

Manuel Rodrigues Coelho, Um músico da Modernidade

Biografia - Época Moderna:- Nascido em Elvas em 1555 e faleceu provavelmente em Lisboa em 1635. Destacou-se como compositor e tocador de harpa entre finais do séc. XVI e as primeiras décadas do séc. XVII. Completou os seus estudos na Sé de Elvas, tendo iniciado a sua actividade musical como organista na Sé de de Badajoz entre 1573-1577, numa época em que a nação portuguesa estava integrada no Império Espanhol. No início do séc. XVII, exerce de forma efémera essa actividade na Sé de Elvas durante o ano de 1602 que termina na mesma função na Sé de Lisboa e que exerce até 1604 quando finalmente é designado para organista /tangedor da Tecla da Capela Real no período de 1604-1633, exercendo ao mesmo tempo a função de capelão de Sua Majestade. A sua obra de referência é sem dúvida, "Flores de Música para o Instrumento de Tecla", constituindo o primeiro livro, com música para tecla e harpa, impresso em Portugal, em 1620 pela oficina lisboeta de Pedro Crasbeeck., e foi dedicada a sua Majestade Rei Filipe III de Espanha, como se observa no frontespício da mesma que apresenta ainda a curiosidade de apresentar ao centro as armas dos reis de Portugal e uma inscrição que confirma a licença do Santo Ofício da Inquisição para a sua circulação em todo o Império. De realçar que esta obra, conheceu novas edições algumas das quais no séc. XX e entre elas, a que marcou o início da Colecção Portugaliae Música, editada em 1954 por Macário de S.Kastner. A sua música reflecte um estilo novo nascido da transformação da estética musical própria da transição da Renascença para o Barroco e faz dele um dos grandes contrapontistas do seu tempo. A sua obra de resto continua a interessar os académicos, como são os casos do brasileiro, Prof. Doutor Marcelo Bruno de Rodrigues de São Paulo ou da investigadora Edite Rocha, que preprara o seu doutoramento na Faculdade de Letras de Salamanca sobre a obra notável de este ilustre músico elvense. Finalmente de salientar que o nome de Manuel Rodrigues Coelho, em Elvas está associado à designação da Academia de Música de Elvas, perpetuando a sua memória e a sua obra. Postado por Arlindo Sena

segunda-feira, abril 06, 2009

Uma acção de solidariedade e fraternidade da sociedade elvense

História Local- No Verão de 1883, a Espanha preparava-se para a mudança de regime, todavia essa tentativa golpista, só ocorreu nas regiões da Catalunha, Rioja e Extremadura, quando vários regimentos militares procuraram mudar o curso da História de Espanha mesmo sem os apoios o envolvimento inicial de todas as forças militares e regionais para a revolta republicana no Estado vizinho. De resto, o insucesso organizativo dos republicanos, era demais evidente e os próprios monárquicos sabiam considerando que até o próprio presidente do Governo Práxedes Mateo Sagasta, avisado pelas quatro da madrugada da acção dos militares, simplesmente afirmou: "Pero, ? nadie les ha dicho que no son horas de hacer la Revolución ?" . Ao mesmo tempo que em Badajoz os regimentos nº9 de cavalaria, nº 41 de Infantaria e uma Companhia de Artilharia, ocupavam no dia 5 de Agosto os Paços do Concelho atirando pela janela fora o retrato de D. Afonso II. Porém os revoltosos sob comando do Coronel de Infantaria Ascencio Vega, em menos de vinte e quatro horas eram obrigados a partir para o exílio uma vez que uma coluna militar dirigida pelo General Ramón Blanco, dirigia-se para Badajoz para sufocar a acção militar. E neste contexto, que a cidade de Elvas entrava na história do levantamento militar de 1883 em Badajoz. De facto, os revoltosos caminhavam em direcção ao Caia procurando exílio em terras portuguesas, em número de 600, em fila, a pé e desarmados, recebidos pelas autoridades militares, caminharam até Elvas, um periódico local dava a notícia: "Elvenses! já sabeis, em virtude de uma revolução malograda, entram nas vossas muralhas centenas de homens, que como vês, têm pais a quem respeitar, mães a quem dedicar os extremos afectos, filhos a quem desejar felicidades infinitas, amigos a quem deixar muitas saudades, recordações queridas, que nunca se apagam, acolheios, abraça-os, dá-lhes o que puderdes, sobretudo hospitalidade, que nunca faltou entre portugueses aos que por acaso ou infelicidade, não tiveram choça ou fortuna". Os dias que se seguiram são descritos pela documentação oficial como de tristeza e de tragédia, para muitas famílias de Badajoz que entravam pela porta de armas para se despedir dos seus filhos e maridos, uma vez que o futuro dos revoltosos seria a emigração para a América Latina. A 9 de Setembro de 1883, a cidade monárquica e patriótica de Elvas, preparava-se para ver partir os conspiradores espanhóis disfarçadas à civil, acompanhados à Estação do Caminho de Ferro, pelo Regimento de Infantaria nº4 em direcção à capital do reino com apoio dos emigrados espanhóis radicados em Lisboa. Cerca de três anos depois alguns dos exilados deixavam as suas ideias nos periódicos locais, entre eles destacamos, José Garcia, António Giménez e Adolfo Vasquez, os dois últimos radicados em Paris e conhecendo a realidade portuguesa e a difusão e afirmação do ideário republicano e não esquecendo a atitude solidária e fraterna, dos elvenses escreviam " O povo portugês é bom e generoso, e esse acolhe-o fraternalmente, mas se o povo é bom, o governo é mau, porque é covarde e indigno". Postado por Arlindo Sena

domingo, abril 05, 2009

Um Congresso : Europa, 1939 - o ano das catástofres

História em reflexão: - Setenta anos depois, o Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (www.cccb.org.), nos próximos dias 22/24, organiza um debate onde deverão estar presentes alguns nomes da referência da historografia mundial, que deverão reflectir sobre o que significou para a Europa o ano de 1939, já que marcou em simultâneo o fim da Guerra Civil de Espanha e o início da Segunda Guerra Mundial. Os temas em debate serão: Os direitos nos regimes fascistas e democráticos; As esquerdas face aos regimes fascistas e a guerra e os exílios europeus. Postado Por Arlindo Sena.

Os taxis na batalha de Marne

História Universal/ Época Contemporânea - Durante os primeiros dias de Setembro de 1914, em plena I Grande Guerra, as tropas alemãs chegavam a Marne situada a este de Paris. No dia 6 do começava a campanha militar contra as forças militares francesas, que necessitando de colocar na frente de batalha cerca de 4.000 reservistas, foi determinado pelo Governador da capital francesa (Paris) , que fossem reunidos o maior número de taxis para essa acção de transporte. Entrava dessa forma na guerra, o fabricante Renault cuja marca foi fundada em 21 de Dezembro de 1898, mas pouco tempo depois dos acontecimentos de Marne, especializava-se no fabrico de abundante material militar, nomeadamente camionetas, camiões, ambulâncias e o famoso tanque F17 que segundo alguns especialistas seria essencial na vitória aliada. Postado por Arlindo Sena

terça-feira, março 31, 2009

Ruy de Andrade, O último Presidente da Câmara Monárquico

História Local /Época Contemporânea/Biografia : - Nascido em Génova no dia 1 de Junho de 1880, o Doutor Ruy de Andrade, foi de facto o último presidente da Câmara de Elvas antes do triunfo do regime republicano em 5 de Outubro de 1910. Destacou-se como académico, político e teórico nos estudos agronómicos cuja formação ao mais alto nível concretizou com a sua tese de doutoramento apresentada no âmbito das Ciências Agronómicas na Universidade de Paris e com o reconhecimento académico no âmbito dos seus trabalhos de investigação na mesma àrea recebeu o título de Doutor Honoria Causa pela Universidade de Madrid. [Alguns realizados em experiências pioneiras no processo de modernização da agricultura portuguesa na sua herdade de Fontalva (Barbacena)] Na vida política, destaca-se a sua participação na vida política local, regional e nacional. Assim a sua presidência pela Câmara de Elvas foi marcada pelos novos ventos que o país vivia, de facto a 9 de Janeiro de 1908 realiza-se o primeiro comício republicano em Elvas e Bernardino Machado, um dos vultos da História da I República em Portugal, afirmava que a república era a solução para Portugal e dois meses depois era comstituída a primeira Comissão Republicana Elvense que continuava a ser uma cidade agrícola e comercial e sem dúvida a mais dinâmica do Distrito de Portalegre. De realçar ainda que Ruy de Andrade mais conhecido pelo Conde de Barbacena, tal como os seus amigos Dr. João Pinto Bagulho e António Cidraes, liberais democráticos, que o desenvolvimento da instrução pública era fundamental para o progresso de Elvas. Todavia as dificuldades económicas atravessava uma vasta faixa da população rural em nítida expansão desde a última década de 1890 fruto da primeira campanha cerealífera promovida pela Monarquia Constitucional. Todavia durante os dois primeiros anos da experiência republicana, o Doutor Ruy de Andrade e o seu pai Alfredo de Andrade foram vítimas dos excessos revolucionários do novo regime, de facto a sua propriedade e os seus criados foram vítimas dos excessos gerados pelas greves rurais que ocorreram na primeira semana de Janeiro de 1911 em Santa Eulália e que levaram à ocupação de parte das suas terras e à queima de searas do referido Conde no Verão do mesmo ano. Esta adversidade entre o povo de Barbacena e o Conde só seria finalmente ultrapassada quase quatro anos depois durante a vigência de Pimenta de Castro. No plano regional, revelou-se quase sempre como próximo dos interesses governamentais, sendo deputado por Arronches durante a última fase da Monarquia quando aquela vila era identificada com os valores republicanos. Durante a fase inicial do Estado Novo foi uma personagem importante junto dos corredores governamentais no sentido de obtenção de melhorias locais para a cidade de Elvas e para a Vila de Campo Maior. No plano nacional de destacou-se no período político de 1921 e 1925, como dirigente da Causa Monárquica para tal reside algum tempo na capital, participando em actividades de conspiração contra a República e no Parlamento como deputado manteve a adversidade ao regime que acaba por aceitar após o triunfo da Ditadura Militar. Em Elvas, vive nas décadas de 40 e 50, período em que escreve e publica as suas obras de referência: "O Cavalo Andaluz (1937); "Garranos (1938)" , "Elementos para a História da Coudelaria de Alter, 1947-1959", entre outras pequenas publicações de matriz agrícola, disponíveis aos leitores interessados na Biblioteca Nacional de Lisboa. Faleceu em 20 de Dezembro de 1967, na capital este verdadeiro elvense de coração que apenas nasceu em Itália nos finais do século XIX. Postado por Arlindo Sena.

sábado, março 28, 2009

Os bandos nobiliárquicos na raia do Elvas e Olivença.

Hisória Local/Época Medieval :- A fronteira como espaço de passagem ao longo da sua história coincidiu com a prática do contrabando, todavia quando se analisa os processos organizados pelos alcaides de sacas da cidade de Elvas e da vila de Olivença, um aspecto desde logo se identifica, a prática do contrabando, mas com a originalidade de a mesma estar sob a organização e acção de uma aristocracia residente e até funcionalista em função dos cargos que detinham ao seviço da coroa. É neste contexto que se destacam os chamados "bandos nobiliárquicos", que tem como centro de operações a Vila de Olivença e a sua associação para práticas marginais centradas no contrabando de gados, mercadorias e armas. O roubo de gado (especialmente de cavalos) é de resto uma prática muito comum da aristocracia oliventina, que em fins do séc. XV associava alguns nobres da vila de Elvas. Assim e na última década do séc. XIV podemos identificar três bandos nobiliárquicos os Gama, os Lobo e os de Manuel de Melo, que segundo a documentação da Chancelaria de D. João II, (nomeadamente o Livro 12 - ANTT), regista cerca de 61 casos de práticas de marginalidade e violência, registadas judicialmente, sendo 55% dos actos praticados pelos Gama, 28% pelos Lobos e 17% pelo bando Manuel de Melo. De realçar também que vários casos relatos referem o confronto entre os diversos bandos em operações de marginalidade que se executaram em paralelo. Entre os fiugras da nobreza raiana destacamos, no grupo dos Gama: Bento Fernandez, castelhano morador em Alconchel, Cristovão Faleiro, escudeiro, Fernão Vaz, criado de Vasco da Gama, João Gama, escudeiro, João Gonçalves, cavaleiro da casa "del rei" . Nos Lobo: João Lobo, escudeiro, Fernão Zorro, acusado de tentar assinar D. Manuel de Melo, Lopo Esteves, cavaleiro del rei e acusado por um judeu de nome Belhamy do roubo de uma arca, com objectos no valor de quatro mil reis, Lourenço Galego, da nobreza Oliventina, vassalo do rei, exiliou-se em Castela após ter sido acusado de ferir o elvense Fernão Gil do grupo dos Melo. Nos Melo: Afonso Lourenço, escudeiro; João Castanho, escudeiro, João Lopes, natural de Oilvença mas viveu em diversos momentos no termo de Elvas, pertenceu aos três bandos em três momentos diferentes e foi acusado pelo alcaide de sacas de Olivença, para além dos crimes de roubo de dormir frequentemente com mulheres castelhanas, Lopo da Gama, criado de Manuel de Melo, rompeu com o seu grupo familiar mas acabou por ser alvo da justiça régia acusado de tentar eliminar Manuel de Melo, Lopo Lobio, outro elemento de um bando rival que se distinguiu como "operacional" na passagem de gado para Catelo . João Roiz Cabicalvo, cavaleiro e operacional de Manuel Melo foi detido em Castela, acusado de passar a raia com cerca de duzentos e cinquente carneiros. Em 1490 era um dos homens de confiança de Manuel de Melo. De realçar ainda que o parentesco familiar foi a base determinante para os conflitos gerados entre os três bandos e quase sempre provocado por Manuel de Melo, que era o alcaide de OLivença e pai do alcaide de Elvas, Rui de Melo, que não aceitando o controlo do alcaide sacas de Olivença e Terena, Vasco dda Gama, acabou por entrar em "guerra aberta" com a família Gama, a partir das pressões da Coroa feitas por Álvares de Moura que era seu cunhado. Assim em fins do século XV, os Gamas conseguem o apoio dos Lobos nestas "batalhas" familiares em que a Lei não fazia sentido para os bandos nobiliárquicos que estavam simplesmente à margem da lei. Apesar da violência gerada em terras de fronteira, perturbando a paz e o sossego no eixo Olivença, Elvas e Badajoz, o perdão acabou por beneficiar os sessenta e um componentes dos vários bandos por um perdão efectuado por carta régia por D. Manuel I, de 25 de Julho de 1501, que de resto se testemunha na sua 26º Linha quando se lê em "português medieval" : "Nos el Rey e princepe fazemos saber quantos este noso aluara vivera que quando concertamos amizades dos cavaleiros, escudeiros, lhes perdoamos todas as suas culpas comtamto que nom fosem causas de mortes, com a qual condiçom os fazemos amigos e lhe demos certo tempo pera das ditas causas virem tirar seus perdões". Postado por Arlindo Sena

quarta-feira, março 25, 2009

Os administradores do Concelho de Elvas ou o símbolo do Centralismo

História Local : - O triunfo do Liberalismo em Portugal não impediu a construção de um estado forte tal como foi o "Estado Absoluto", todavia criou nas várias cidades e vilas de Portugal formas de poder que de forma simultânea servia ao mesmo tempo os interesses do governo central e os interesses locais. Essa forma de intervenção manifestava-se através de uma autoridade administrativa que não era mais que o Administrador do concelho, cujas funções na prática era exercidas paralelamente com a liderança da câmara, entre as mesmas podemos citar: "executar as deliberações da câmara municipal; realizar as operações de registo civil; exercer funções de polícia e de manutenção deordem pública; realizar a superintendencia das escolas e assegurar o regulamento dos mancebos para o exército". A primeira eleição para o administrador de Elvas ocorreu em 25 de Setembro de 1835, depois de um complexo sistema eleitoral que elegeu o primeiro administrador Manuel Rodrigues Silvano por um período de dois anos, numa época em que a cidade Portalegre por influência do Partido Regenerador e depois Progressista procurava se afirmar como o primeiro centro político do Distrito situação que se concretiza durante o período de governo de Fontes Pereira de Melo e que justifica a sucessão de administradores oriundos da aristocracia portalegrense a partir de meados do século XIX. Assim o regresso dos elvenses na qualidade de administradores do concelho ocorre já no século XX, quando o municipalismo proposto pelo Partido Republicano Português e depois Partido Democrático, favorece a eleição dos naturais de cada localidade entre os quais José Barroso Dias, homem ligado à banca, primeiro à Companhia de Crédito Predial Português e ao Banco Luso Espanho, por duas vezes nomeado para o cargo de administrador do concelho nos períodos de 1917-1919 e 1920-1922. No período republicano, desempenharam este cargo de natureza centralista e ao serviço do Poder Central durante a Primeira República uma autêntica dinastia de elvenses de referência o aristocrata Júlio Botelho de Alcântara (1911) , o advogado Raul Carlos da Silva Rebelo (1915-1917), o capitão José Jacome de Santana da Silva (1919) o capitão João Miguel Simões (1922), o único elvense natural de uma vila rural que ocupou um lugar de referência durante a Primeira República e o irmão do Dr. João Camoesas, Ministro da República, Augusto Camoesas o último administrador entre 1924-1926. Postado por Arlindo Sena.

sábado, março 21, 2009

O Comendador da Ordem de Avis, Miguel Santos

História Local - Biografia - Miguel Francisco da Conceição Santos, Nasceu na freguesia de Assunção, em 16 de Maio de 1884, numa família de poucos recursos, destacando-se como militar e político. Como militar o seu percurso foi de facto brilhante, começando como voluntário no Regimento de Caçadores nº4, em 30 de Julho de 1900, a partir de então obteve as seguintes patentes militares: Alferes (1907) ; Tenente (1911); Capitão (1916) ; Major (1928) ; Coronel (1940) e Brigadeiro (1943) . Com funções de comando foi destacado a 22 de Maio de 1915 para a 7ª Companhia de Circunscrição Sul, da Guarda Fiscal e nesse âmbito iniciou a chefia da secção de Elvas, uma semana antes tinha participado na revolta contra Pimenta de Castro. Esta passagem pela sua terra natal seria marcada pelo gosto pela actividade política, filiando-se no partido democrático elvense e iniciando a sua colaboração no semanário local a Fronteira. Quase um ano depois era uma das figuras de referência do Partido Republicano Democrático de Elvas, sendo orador principal na sessão de inauguração do retrato de Afonso Costa na sede local. Em 1919, estava de regresso a Lisboa e em Maio participa nas operações militares contra os resistentes monárquicos da "Monarquia da Norte". Com o regresso do País à normalidade foi nomeado Comissário Geral dos Abstecimentos (1919-1923) e uma vez mais não se esqueceu dos elvenses, não hesitando prestar ajuda ao seu amigo republicano Dr. Raul Rebelo e Provedor da Misericórdia de Elvas, com um vagão de açucar. Em 1926 desempenha o último cargo de nomeação política o de adjunto da Secretaria da Presidência da República, porém deixaria em definitivo os corredores da intriga política, voltando aos quartéis. Em 1933 como resultado dos serviços prestados à Pátria foi condecorado pelo Estado Novo com a comenda da Ordem Militar de Avis e em 1939 na patente de Coronel obteve o comando militar da Cidade de Beja. Aos 56 anos e ainda antes de atingir o topo da sua carreira militar como Brigadeiro, inicia uma nova etapa o de professor nos cursos de promoção a Major e Coronel. Fica aqui mais uma referência para os grandes de Elvas. Postado Arlindo Sena