
quarta-feira, julho 29, 2009
1.10 - As principais ruas medievais segundo as fontes documentais da Alta Idade Média

sexta-feira, julho 24, 2009
1.9. Elvas Portuguesa - O limite urbano na primeira fase de fortificação da vila de Elvas
Primitivamente e considerando a reprodução do Castelo de Elvas segundo Duarte Armas, o modelo da primeira fortificação da vila de Elvas, era de inspiração quadrangular dos quais só encontramos cinco outros modelos tipo na época medieval, como são os casos de Penha Garcia, Sabugal, Almeida, Alpalhão e Castro Marim. Com excepção dos castelos de Sabugal e de Alpalhão, tinham em comum a sua posição estratégica como fortificações de primeira linha. Trata-se inicialmente de uma pequena fortificação não ultrapassando os 200 metros de extensão e com panos de muralha que não atingiam uma altura superior aos 10 metros. No século XIII, o monarca D. Dinis introduziu à construção inicial um conjunto de inovações defensivas e construtivas ao nível dos torreões, abobadamentos e matacães. Na centúria seguinte e desde 1361, o espaço acastelado estava limitado por uma cava, espécie de escavação semelhante a um fosso que circundava provavelmente parte do castelo numa época em que a barbacã (espécie de barreira ou obstáculo) cobria as áreas mais sensíveis do espaço fortificado, nomeadamente da alcáçova e prolongando-se pelas portas dos Mártires, dos Banhos e de S. Francisco. Ou seja, o castelo da reconquista cristã estava então inserido num espaço mais amplo e fortificado e que correspondia a grande cerca fernandina iniciada pelo monarca D. Afonso IV .Todavia o ciclo das inovações específicas do castelo gótico, como o caso da Torre de Menagem do Castelo de Elvas datada de 1488, era edificada na posição de canto e adossada à própria muralha e não como era tradicional nos castelos românicos no centro isoladas das muralhas, a nova posição favorecia a generalização de sistemas de tiro vertical. Os matacães foram outra inovação gótica, espécie de aberturas que permitiam o despejo de projécteis destinados a bater o embasamento das torres e o acesso às portas. Ainda durante a baixa Idade Média assistiu-se a edificação da Torre Hexagonal e a cisterna na fase de transição para a “guerra de fogo” ou pirobalística. Mas o plano defensivo da vila de Elvas, estava traçado e sinalizado com as suas vinte e duas torres, mantendo - se quase sem transformações durante quase as duas primeiras centúrias da Época Moderna. O aglomerado populacional da vila e mais tarde cidade, no séc. XVI e na primeira metade do séc. XVII, concentravam-se inicialmente em torno da segunda cintura árabe já incapaz de manter uma população em franco crescimento, que no séc. XIV e XV crescia em torno das vias que desembocavam na Porta Real ou Olivença, para este e oeste da mesma. Ainda que as casas construídas em tijolo e cal, com traves e tabuados de madeira e telha, situadas no termo da Rua de S. Francisco se confrontavam a norte e a sul com áreas baldias, pomares, hortas e mesmo com algumas plantações de olivais. No início de quinhentos o casario e as novas ruas proliferavam em torno dos eixos das vias que se articulavam com as onze portas medievais: Porta de Banhos, de Badajoz, Mártires, Olivença, Évora, S. Pedro, S. Francisco, Enforcados, S. Martinho, Templo e Hospital. E o espaço não ocupado pela presença humana limitava-se a um conjunto de propriedades ou parcelas de terras em torno da Igreja, convento e mosteiro de São Domingos. (Continua – Postado Arlindo Sena). segunda-feira, julho 20, 2009
1.8.Elvas Portuguesa. A defesa e as primeiras obras materiais
Mas a defesa do reino continuava a ser uma prioridade da Coroa portuguesa, mesmo quando algumas povoações e localidades apresentavam já um franco desenvolvimento. Como tal na paisagem natural do território nacional e em especial no litoral e na linha de fronteira de Norte para sul, era interrompida pelos solares e pelos castelos edificados no cimo dos montes e das colinas, protegendo as zonas e áreas mais sensíveis a qualquer invasão de terra ou mar que fosse uma ameaça à soberania nacional. Em muitos casos como o de Elvas, essas colinas correspondiam a zonas de ocupadas desde a Idade do Ferro, como foi o Castro de Vitória onde se implantou o primeiro centro administrativo ou militar o castelo medieval. Numa época que a sua disposição no espaço pretendia a médio ou mesmo longo prazo, estabelecer uma rede de castelos articulados em redes locais, regionais ou mesmo nacionais, de forma a melhor cumprirem a primeira das suas funções. De facto, a política de fortificação da raia só é visível, constante e programática desde finais do séc. XIII quando o monarca D. Dinis não só reforça a primeira linha de castelos de fronteira como também é neste período que existe uma estratégia declarada de fortalecer o espaço do território português, recentemente reconhecido pelo Tratado de Alcanices. Todavia não podemos ignorar, que as décadas que decorrem após a assinatura do referido tratado são de paz permanente, considerando que o referido diploma também estabelecia um longa trégua de quarenta anos em que os monarcas de Portugal e Castela deviam ser “verdadeiros amigos de amigos e inimigos de inimigos”. Assim se em finais do séc. XIII, a zona nevrálgica da Beira estava já consolidada, o mesmo não se observava em certas áreas do Alentejo, como Arronches , Ouguela e alguns castelos do Guadiana, mesmo tratando-se de fortificações de primeira linha. Na verdade a proliferação de documentação sobre o reforço da linha dos castelos de raia Alentejana só é visível e constante ao longo do período de 1350-1450, numa época em que ameaça à soberania nacional era evidente e constante. Em Elvas esse período foi vivido com apreensão pelos responsáveis pelos poderes públicos e uma vez que era necessário reforçar as estruturas e adaptá-las à inovação da guerra, considerando que as últimas modificações introduzidas na época pelo alcaide - mor Álvaro Pereira como sejam as torres de menagem, os torreões e os matacães só por si não garantiam a modernidade do castelo gótico face às novas ameaças da guerra. As queixas dos vizinhos e moradores de Elvas ao rei no tempo do Alcaide Álvaro Pereira, sucediam-se como a revindicação de uma “adua para a cava de Elvas”, necessária para a protecção das operações de cerco, chegava à corte em 16 de Julho de 1361. Dezassete anos depois, o alcaide - mor Gonçalo de Martins, observava a velha muralha remodelada pelo monarca D.Dinis, com apreensão de tal forma que a nova cerca foi edificada por iniciativa dos habitantes de Elvas, a partir de uma taxa de 140 soldos que não incluía os "carretos de cal e as braças de pedra”, considerando que apesar da documentação referenciar o conhecimento de D. Afonso IV não existe qualquer indicação documental sobre o seu "patrocínio". Os preparativos para guerra reforçaram as condições de fortificação do Castelo de Elvas, mas ao longo do século XIV e XV, novas aspirações tinham os moradores que encontravam no castelo tardo - gótico a sua protecção para os constantes assédios que destruíam as culturas e a dieta alimentar da população, de resto uma constante na época Medieval e Moderna. Num período em que as caravelas sulcavam pela Costa Ocidental Africana, os representantes de Elvas às Cortes de Lisboa de 1448 e o alcaide-mor da nobre vila de Elvas, D. Jaime, filho de D. Pedro , davam conhecimento às cortes da construção de uma Barbacã (uma barreira interior) , que teria sido construída entre 1443/1447 ?, sem conhecimento régio, pelo anterior alcaide-mor, Diogo Lopes de Sousa (1443-1448) que voltava a repor a defesa do castelo uma vez que a antiga barbacã teria sido mandada destruir pelo Mestre de Avis como forma de permitir a rendição do Castelo quando Fernando Álvares Pereira, então alcaide do castelo negociava a entrega de Elvas a D. Beatriz de Castela, durante a Guerra da Independência. As últimas obras de reforço de muros e dos castelos tardo-góticos do Alentejo datam de carta régia de 27 de Janeiro de 1443, beneficiando as povoações de Castelo Vide, Marvão, Elvas, Alandroal, Terena , Noudar e Mértola, no caso de Elvas há considerar a doação da quantia de 3.000 reais para a reparação das obras Castelo que foram entre entregues ao mestre ou responsável da obras (?) , Gonçalo Martins de Fonte de Alva (Continua). Postado por Arlindo Sena sábado, julho 18, 2009
A Apolo XI e a exploração lunar.

quinta-feira, julho 16, 2009
1.7.Elvas Portuguesa. A noção júridica do espaço e a sua organização .

terça-feira, julho 14, 2009
Entre o mito e a realidade ...
Notícias da Memória: - O célebre assassino londrino, Jack O “Estripador” que matou cinco prostitutas em 1888 e que jamais foi referenciado ainda hoje sustenta algumas hipóteses e dúvidas sobre a sua identidade. De referir que ao longo da investigação policial dos seus crimes, foram identificados cerca de 175 suspeitos sem que as autoridades policiais tenham chegado a qualquer conclusão. O último suspeito identificado como tal, foi o pintor impressionista Walter Richard Sickert, segundo uma hipótese lançada pela escritora Patricia Cornwell na sua obra “Retrato de um assassino -2003”. Agora a historiador norte-americano, Andrew Cook volta a estudar esta personagem enigmática com a apresentação da sua obra o “Caso Cerrado”. Que segundo o referido historiador, os cinco crimes que abalou a capital inglesa, não foi cometido pelo mesmo indivíduo e que tal cenário foi inventado pelo jornal Star ainda que as investigações policiais estavam longe de concluídas. Andrew Cook, sustenta a sua tese a partir da tiragem extraordinária de 230.000 exemplares que o caso suscitou na opinião pública e da falsa carta dirigida ao jorrnal, que segundo o historiador norte-americano foi escrita por Frederick Best um repórter do Star. A pergunta que hoje se formula e se Jack Estripador, existiu mesmo. Postado por Arlindo Sena1.6. -Elvas Portuguesa. O povoamento e as actividades comerciais
domingo, julho 12, 2009
1.5 - Elvas Portuguesa - O povoamento e os recursos económicos.
Após dois séculos de povoamento da vila de Elvas, a paisagem agrícola era ainda natural e selvagem, constituída por brenhas de urzes, giestas, medronheiros e muitas heras. E, em grande parte, composta por bosques de sobreiros, azinheiras e pinheiros mansos. Nas últimas décadas do séc. XIII, o centeio, a cevada e a aveia preenchiam os campos de cultivo e a sua plantação fazia-se sobretudo em pleno inverno, de resto a mistura dos cereais era então usual como forma de obter o pão. Na época de Trezentos e pelo estudo do rol de propriedades podemos afirmar que as searas, as vinhas e os olivais, marcaram os primeiros recursos agrícolas da vila nova criada por D. Sancho II. Mas a importância da produção cerealífera é mais evidente nos séc. XIV e XV, uma vez que a documentação refere ainda o milho painço e a aveia, como produções agrícolas que integravam a dieta alimentar da população e dos gados, que eram exploradas no termo de Elvas onde se situavam os moinhos e as atafonas. Não faltava o azeite, o vinho e o vinagre. O foral Manuelino, testemunha a riqueza da produção pecuária identificando a existência de bois, ovelhas, cabritos, gamos, cervos, porcos, cavalos, mulas, galináceos e perus. Permitindo ao mesmo tempo a exploração de produtos derivados como o leite, o queijo e o mel. [O “gado ao vento” isto é, encontrado sem pastor ou proprietário era de direito real determinando que a sua existência fosse conhecida das autoridades como forma de identificação. Se tal não se verificasse era considerado furto]. Mas a dieta alimentar do elvense medieval integrava não só a carne, o leite, o mel, os ovos, mas também as hortaliças, os alhos secos, as cebolas, a fruta [as castanhas, as ameixas, figas, uvas, laranjas, cidra e melões] , etc … O que nos permite aceitar a existência de pomares e de granjas nas herdades elvenses, mas com as devidas reservas em função da documentação coeva, que não menciona essas formas de exploração económica. Nas actividades manufactureiras, a existência dos artesões ou mais exactamente dos mesteirais está identificada desde a fundação de Elvas, como era o caso dos Oleiros que estavam isentos de portagem, a menos que se tratasse de louça de barro vidrada ou não. Os ferreiros trabalhavam o ferro maçudo ou moído, os latoeiros concebiam os seus objectos e recipientes para uso doméstico, em latão , cobre e estanho e tinham como concorrentes os marceneiros que fabricavam louças de pau e outros equipamentos domésticos como arcas e tonéis. E por último não podemos deixar de referenciar os curtidores que fabricavam as peles com a aplicação na confecção do vestuário. Os sapateiros, os tecelões e os pescadores (de àgua doce) uma vez que as outras espécies eram exteriores ao concelho, eram outras actividades mesteirais que marcaram o quotidiano medieval da vila de Elvas. Postado por Arlindo Sena sexta-feira, julho 10, 2009
1.4. -Elvas Portuguesa - O povoamento e a propriedade laica
De facto, as cartas de doação ao longo dos séc. XIII, XIV e XV, beneficiaram de uma forma particular, os grupos sociais privilegiados nomeadamente alguns nobres terratenentes como era o caso particular de D. João de Aboim, alguns ricos homens que tal como uma aristocracia funcionalista se foram fixando em terras do Caia. Na verdade, este último grupo de funcionários régios, acabaram por beneficiar das doações frequentes da Coroa que ocorreram ao longo da segunda metade do séc. XIII, em termos de quantidade e qualidade das áreas a “colonizar”. É nesta perspectiva que podemos identificar uma série de doações a alguns senhores da corte, como por exemplo a localidade de Barbacena, a D.Estevão Annes que era então apenas o chanceler del-rei D. Afonso III, na documentação podemos ler: “Concebo et confirmo vobis Stephano, dilecto ac fideli meo cancellario, pró muito bono et fideli serviço, quod mihi a longis retro temporibis fecistis, hereditadem meam de Barvacena, qui est in termino de Elvis, quam vabis concilium de Elvis, per meum consensum dedit”. Aliás a distribuição de terras por um núcleo mais vasto de aristocratas em terras do concelho de Elvas só é evidente a partir do século XV quando é possível identificar um maior número de grandes proprietários constituídos pelos diversos membros das famílias: Pessanha, Barbudo, Pegado, Segurado, os Melo entre outros, cuja posse fundiária identificava-se com a herdade e não como a quintã, propriedade característica na região Entre -Douro e Minho e que de certo modo corresponde à realidade regional alentejana. No caso das grandes herdades doadas a D. João de Aboim ou a D. Estevão Annes, trata-se de grandes domínios fundiários cuja finalidade de ocupação e colonização, mobilizou um conjunto de “povoadores” que permitiram a fixação de numerosos famílias nessas propriedades cuja dinamização contribui para a sua evolução do ponto vista jurídico, tornando-se vilas como a de Elvas geradora da fixação, povoamento e colonização das áreas agrícolas envolventes e com potencialidades agrícolas. No caso, da herdade de Barbacena em cerca de dezassete anos o seu estatuto jurídico evolui de um estatuto privado a público, como resultado exclusivo da sua dinamização económica, uma vez que entre os moradores de Barbacena identificava-se as mais variadas profissões nomeadamente os cavaleiros e escudeiros, mas também os almotacés, os mercadores, os pescadores e os homens de fora vinham com frequência nomeadamente para a venda de azeite. Outra forma de ocupação, povoamento e exploração económica do concelho de Elvas, foi feita através do aforamento de bens variados da Coroa, da Igreja e da aristocracia de posse, tratava-se de bens materiais como casas e tendas normalmente propriedades da igreja, as paróquias do Salvador e de Santa Maria eram os principais proprietários deste tipo de imóveis. Ou mais corrente, terrenos, courelas, de reguengos (terras régias) na primeira centúria da existência da vila de Elvas. Durante o século XIV e fruto de uma maior dinamização económica e aumento do espaço desbravado, aumenta o número de aforamentos com fins exclusivamente agrícolas feita por casais e por duas ou três vidas, como as herdades, mas sobretudo de propriedades de olival e de vinha que disputam os campos de cereal que marcam as primeiros arroteamentos no solo elvense(continua). Postado Arlindo Sena quinta-feira, julho 09, 2009
1.3 - Elvas Portuguesa - O Povoamento e o papel das ordens religiosas
sas no território, recém conquistado justificava-se no âmbito da organização económica das novas vilas portuguesas. E o facto de algumas propriedades pertencerem às ordens de Alcobaça e de S. Domingos denunciam essa estratégia da Coroa Portuguesa. No caso, dos domínios pertencentes à Ordem de Alcobaça, as já referidas herdades situavam-se fora do seu couto, mas a sua importância na economia do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça não nos parece que eram pouco significativas se considerarmos que durante o período medieval, a documentação refere várias deslocações dos funcionários da Ordem às terras do Alto Alentejo, nomeadamente a Avis e a Elvas. O que se compreende uma vez que no domínio alcobacense que se situava entre a região de S. Pedro e a Lourinhã e para o interior entre a Serra dos Candeeiros e Rio Maior, os monges exerciam não só exerciam a sua autoridade, como cobravam impostos e detinham o monopólio da vida económica. Os cereais e azeite, foram provavelmente as culturas que marcaram a exploração económica nas terras do Sul de Portugal, de uma instituição religiosa que não desprezava o labor económico. Mas se a Ordem de Alcobaça, foi fundamental no povoamento do Centro do País e uma verdadeira escola para as actividades agrícolas e outras anexas, a Ordem de São Domingos que se radica em Elvas após meio século de vida em Portugal considerando a sua origem no sul de França (Toulose), acabará por ter uma acção significativa na vida económica e social da vila elvense, considerando a sua vocação para a clausura, não impediu a sua aproximação com a realidade terrena e com os fiéis na sua obra de salvação das almas cristãs. A presença da Ordem de S. Domingos em Elvas foi marcada pelo facto curioso de a Coroa, conceder duas cartas régias quase consecutivas para a doação de um terreno a referida ordem mendicante para a construção de um mosteiro, uma datada de 16 de Março de 1266 e outra de 1 de Maio de 1268. O certo é que os monges já exerciam funções de culto na Ermida de Santa Maria dos Mártires desde 1867 por carta régia de 20 de Fevereiro de 1267. E o seu património material foi aumentado significativamente por várias doações de particulares que percorrem o século XIV e XV, tais como: a herdade de Alvernaz (Caia) de Dona Margarida Aires ou a herdade de Segóvia de Dona Margarida Vaz. Ou outras doações, como a doação de peças de pratas ou numerário, como por exemplo, as 1.000 dobrais que foram determinantes para as primeiras obras das naves da igreja de S. Domingos em 5 de Fevereiro de 1349. Para além das dádivas dos féis e dos viajantes que passavam pela sua hospedaria, contava-se algumas receitas provenientes da exploração de algumas propriedades e parcelas de olival. Todavia numa época de organização, estruturação e povoamento da vila de Elvas, o papel das ordens religiosas não foi tão dinâmico como no Norte e Centro do País, do ponto vista da exploração económica quando se compara com a acção de povoamento da primeira nobreza de Portugal que por terras da raia se fixou(Continua). Postado por Arlindo Sena quinta-feira, julho 02, 2009
1.2. Elvas Portuguesa - A reconquista e o povoamento.
A Carta foral, concedida a Elvas em Março de 1229, como primeiro documento orientador da história administrativa da vila recentemente conquistada, tinha uma finalidade bem determinada “ povoar Elvas que havia conquistado aos Serracenos”. O que se compreende no contexto, de que a nova vila portuguesa era então o posto mais avançado a Sul do Tejo e a partir de então substituía em definitivo a posição de Évora como base para as campanhas militares que ocorriam em terras de fronteira. Com a Carta Foral, estavam criadas para o reforço dos efectivos populacionais uma vez que a população cristã, na maioria moçárabe só por si não era capaz de manter o espaço recentemente conquistado pela Coroa portuguesa. E criava-se ao mesmo tempo um conjunto de obrigações e de benefícios favoráveis para a normalidade da vida concelhia, já que este diploma fixava os impostos a pagar, as composições e multas a impor aos delinquentes, assim como privilégios e encargos a uma comunidade em formação e diversificada de cavaleiros vilãos, vizinhos, homens de fora, judeus, mouros, etc. Igualmente fundamental na vida da vila de Elvas nos séculos XIII, XIV e XV, foram sem dúvida a presença das ordens religiosas em solo elvense, que dividiam a propriedade com os cavaleiros vilões que eram os detentores das maiores fortunas individuais, aqueles de que em grande parte dependia a segurança da comunidade em caso de ataque militar e, finalmente, como resultado de tudo isto, aqueles que monopolizavam e perpetuavam num grupo fechado as magistraturas da administração local. Todavia, há que referir que sendo Elvas o concelho urbano medieval que em termos de contribuição militar era dos mais importantes da fronteira do Sul de Portugal com cerca de 50 a 80 besteiros efectivos nas tropas do alcaide, segundo o rol de besteiros de conto de 1422, não foi durante a reconquista uma “base” para as ordens religiosas - militares, assim para além do interesse espiritual foi sobretudo a função económica que caracterizou a igreja na região nos princípios da nacionalidade. De facto oito anos, após a primeira carta de doação a um nobre, surgem uma sucessão de cartas régias em favor de duas ordens religiosas fundamentais na vida económica da vila, a Ordem da Alcobaça e de S. Domingos, em ambos os casos, a sua acção está relacionada com a exploração económico, no caso da Ordem de Alcobaça que recebe da coroa as herdades da Fonte Ensossa e Mata da Alcavariça e outros bens fora do seu termo, para José Mattoso afirma mesmo que o modelo de exploração da dita ordem seguia um modelo de uma verdadeira empresa agrícola. No caso, da Ordem de São Domingos a sua implantação na vila de Elvas era uma consequência da vontade régia que por carta régia[1] concede uma série de privilégios desde a concessão de um espaço para a edificação do seu mosteiro ainda antes da licença eclesiástica do Bispo de Évora para a fundação da referida edificação como sede da Ordem que então desenvolvia as acções e o culto religioso na Ermida de Santa Marta dos Mártires. (Continua)1.1. Elvas Portuguesa - A reconquista cristã e o povoamento

terça-feira, junho 30, 2009
Elvas Portuguesa - 1. A reconquista cristã
domingo, junho 28, 2009
Cidade Velha - Cabo Verde - Património Mundial
Património em Notícia: O processo de candidatura da Cidade Velha, situada a 15 quilómetros a oeste da Cidade da Praia e primeira capital de Cabo Verde, foi motivo de análise e aprovação pelo comité da UNESCO para o Património Mundial, em reunião do passado dia 22, na cidade de Sevilha e que determinou a sua homologação no dia de ontem, 28 de Junho de 2009. A classificação do referido bem patrimonial incorpora a chamada Cidade Velha ( no qual se destaca um pelourinho com coluna torça e com acesso por escada, seguindo os modelos do século XVI, hoje visíveis em Elvas e no Funchal) e o Forte Real de São Filipe.E é o resultado de uma notável intervenção da equipa coordenada pelo nosso mais representativo arquitecto português, Siza Vieira, que coordenou a equipa que em 1999, iniciou a intervenção de conservação e restauro da Fortaleza Real de São Filipe, num processo integrado que atingiu a excelência no plano da recuperação da Cidade Velha. De realçar ainda que todo este processo de restauro e conservação foi financiada pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional. O que se deve compreende uma vez que esta antiga fortificação portuguesa, a Fortaleza Real de São Filipe foi edificada durante a Dinastia Filipina após os sucessivos ataques e assaltos do corsário inglês Francis Drake (entre 1578 e 1585), visando a defesa da Cidade Velha e do seu ancoradouro. As obras foram iniciadas em 1587 e concluídas em 1593, mas, em 1712, foi novamente tomada de assalto, desta vez por corsários franceses, que, em seguida, saquearam violentamente a cidade, incendiando-a. A fortaleza acabaria por ser reconstruída na segunda metade do século XVIII. De realçar ainda que a relativa rapidez de classificação da candidatura de Cabo Verde se deveu à cooperação desenvolvida pelo governo de Cabo Verde, junto da diplomacia internacional, incluindo a portuguesa e a espanhola, à qualidade do seu plano de gestão hoje fundamental no processo de classificação e da equipa técnica. E apenas, mais um pormenor, a sua geografia não europeia, que é desde logo uma grande vantagem sobre as candidaturas europeias que devido a sua “multiplicidade” ficam sujeitas a critérios de rigor marcados necessariamente pela exigência e restrição. Por último há que registar neste processo o empenho do Dr. Mário Soares, que dirigiu uma carta pessoal ao Doutor Koichiro Matsuura, director geral da UNESCO, para a Ciência, Educação e Cultura, segundo as nossas fontes. Postado por Arlindo Sena. quinta-feira, junho 18, 2009
A Primeira Imprensa de Elvas- 1850-1899

terça-feira, junho 16, 2009
A função das atalaias na defesa de Elvas
História Local - As obras e as edificações militares que chegaram até aos nossos dias são identificadas como as defesas de Elvas, todavia e ao longo da história militar de Elvas, destaca-se as chamadas atalaias. A sua origem remota ao período árabe e consta nos registo da História de Roma, como é o caso da Atalaia de Segóvia, utilizada por Sertório nas acções de guerrilha com as legiões romanas, aliás, esta é uma das mais antigas atalaias documentadas e que de resto foi escavada pela Doutora Teresa Gamito, na década de 80 do século passado. Durante a Idade Média, tal espaço foi motivo de um encontro entre os alcaides mores de Elvas e Campo Maior, respectivamente Gil Fernandes e Paio Marinho, como referencia a Crónica de D. João I. Durante a época Moderna as atalaias de Font ´alva e da Bolsa, já são referenciadas no reinado de D. João II, mas a operacionalidade das mesmas estão devidamente identificadas durante a Guerra da Restauração e a maior parte delas chegaram ao século XX em mau estado de conservação. Enumerando as principais atalaias entre a modernidade e Contemporaneidade, identificamos cerca de uma dezena e oito das quais na cartografia militar. Nesta perspectiva destacamos: - As Atalaias do Guadiana – Que nas primeiras décadas do século XX apresentavam pequenos troços de muralha e uma torre de alvenaria constituída por três atalaias: A de Stº Ildefonso, na linha das atalaias de Nossa senhora de Ajuda e de Torre de Bolsa. A Torre de Bolsa e da Alferófia eram as mais avançadas em direcção do território espanhol. Das referidas atalaias do Guadiana, a mais recente datada para 1758, denominada da Enxara, situava-se na estrada real para Badajoz, formava uma pequena fortificação, guarnecida por seis infantes e por uma guarda a cavalo no período diurno. A documentação refere o uso de um “facho grande” e de alguns tiros de aviso, quando havia notícia da presença castelhana em terras do Caia. A Atalaia da Torrinha a Norte do Forte de Graça protegia o avanço para o sopé do monte onde mais tarde se edificou o respectivo forte e que constituía um ponto fundamental para o bombardeamento da cidade, mas a Norte e a meio caminho para Arronches identificava-se a Atalaia do Brito. Melhor documentada a Atalaia dos Sapateiros, situada na antiga estrada de Estremoz/Elvas era fundamental na vigilância das posições das colunas militares durante as Guerras da Restauração. Nas suas proximidades situava-se a Atalaia de Vila Boim, datada de 27 de Abril de 1498, edificada a partir de alguns materiais de uma pequena fortificação medieval. Estas atalaias, situadas em pontos altos, na sua maioria situava-se em estradas militares secundárias, com funções de patrulhamento e vigilância, de protecção às gentes que nas suas proximidades labutavam nos campos e ainda como posto de sinalização, utilizando o fogo, à noite e o fumo de dia, para avisar a população urbana da entrada de qualquer povo invasor em território nacional. De resto a documentação assinala, que à sinalização das atalaias, o Governador da Praça, mandava disparar várias peças de artilharia como meio de recolha de homens e dos gados fora dos seus baluartes. Postado por Arlindo Sena. sexta-feira, junho 12, 2009
Borba, a cidade mais recente da planície

quarta-feira, junho 10, 2009
A cartografia militar no dia de Portugal

terça-feira, junho 09, 2009
Uma comunidade da ciência judaica de fronteira
História Local e Regional : - No Alto Alentejo, pelo menos desde fins do séc. XIV, estavam em crescimento alguns núcleos populacionais de origem judaica, das quais as chamadas Ruas Novas contribuíam para um novo traçado, como são exemplos, a então Vila de Elvas ou as vilas próximas desta, como eram os casos particulares das vilas de Estremoz e Vila Viçosa. Na centúria seguinte, Castelo de Vide, Campo Maior, Sousel e Fronteira tornavam-se outros núcleos de população judaica em função das constantes fugas de inúmeras famílias que face à violência da inquisição Espanhol, mais cruel que a Portuguesa, determinava a procura dos espaços da raia de portuguesa como locais de refúgio por excelência. Nesse contexto, Campo Maior e Elvas tornaram-se importantes “centros de recepção” dessas populações em fuga: em Elvas o número de fugitivos aproximou-se dos 10.000, que apesar de tudo estava longe do número de fugitivos do número atingido em locais mais a Norte do País, como Miranda que atingiu o triplo do número de refugiados daquela ainda vila raiana da região do Caia. Na comuna de Elvas em tempo de exílio judaico em 1444, José Verdugo, ficava isento de prestar serviços ao concelho e os cirurgiões Rabi Sabi e Ordenha,tinha permissão para viver entre os cristãos, tal como Meir Cuélar; o mesmo sucedia com o boticário Abel Alfarim e com o mercador Samuel Monção , tal como a maioria dos médicos (cirurgiões) de Elvas. Mas a integração e reputação da comunidade judaica junto à cristã, era significativa junto daqueles que tinham como ofício a prática da ciência, nomeadamente a cirurgia que tinha os principais centros em Évora, Elvas, Fronteira e Crato. Se Évora era o principal centro científico pelo número de cirurgiões e físicos e pela sua qualidade, sendo conhecidas alguns apelidos de famílias conhecidas pelo seu êxito no ofício da medicina como os Abeacar, Navarra e Pinto, outros tinham no seu espaço físico outros homens de ciência em regime de dependência como Mestre João, Moisés e Eléazar: Outras localidades deviam o seu espaço de ciência à presença de um ou mais elementos da comunidade judaica, como, por exemplo, Portalegre, Montemor-o-Novo, Vila Viçosa, Campo Maior e Olivença. Todavia não podemos ignorar que a importância científica das populações do Alto Alentejo, está deveras ligadas aos movimentos de exílio da pressão da Inquisição Espanhola. De facto, o número de cirurgiões e de físicos foi de tal forma significativa que por carta régia de D. Afonso V se estabelecia ainda antes de meados do séc. XV que todos aqueles que exerciam os ofícios considerados deviam de ser novamente reexaminados sob pena de prisão ou outra a aplicar. Nesses contextos políticos – legislativos, foram muitos os cirurgiões e físicos, judeus muitos deles identificados um pouco mais tarde como cristãos-novos, que atravessaram a fronteira luso-espanhola, prestaram provas na Corte, como foram os casos de Moisés Vinho, morador em Badajoz e de Mestre Álvaro de Elvas, que tinha desde sempre exercido o seu ofício em terras castelhanas. Postado por Arlindo Sena. sábado, junho 06, 2009
Comemorações do Dia D - 65 anos depois


Notícias com História - Em França há poucas horas os líderes das principais potências ocidentais comemoraram o 65º Aniversário do Dia ou da Invasão da Normadia, cujos acontecimentos inciaram-se na madrugada do dia 6 de Junho de 1944, na Normandia, três divisões aerotransportadas são lançadas nas proximidades nos de Caen e de Carentan, iniciava-se a libertação da Europa dos aspirações das potências do Eixo. O desembarque de 6 de Junho de 1944 constitui a maior operação anfíbia de todos os tempos. Um primeiro escalão de 50.000 homens são agrupados numa imensa armada e conduzidos, uns por mar em grandes lanchas, outros por ar (planadores e pára-quedas em três divisões aerotransportadas) e dotados de material considerável (1500 blindados, 3000 canhões, 13.000 veículos). O desembarque foi protegido na retaguarda por uma frota de 500 navios de guerra (entre os quais seis couraçados, 23 cruzadores, 148 contratorpedeiros) e por uma força aérea também de 500 unidades. Para iludir as forças militares nazis acerca do verdadeiro local do desembarque, fazendo-os acreditar que o ataque principal se realizaria na costa de Pas-de-Calais, os estrategas aliados montaram uma operação de propaganda: o Plano Fortitude. Por fim, a infra-estrutura de Overlod é acompanhada de dois portos artificiais, rebocados através da Mancha e carregados na costa em Arromanches e Saint-Laurent-Sur-Mer, e ainda de um oleoduto submarino destinado a encaminhar o combustível da ilha de Wight para Port-en –Bessin. A operação – Inicia-se com o desembarque das tropas dos Estados Unidos, Britânicas e Canadenses, apoiados por uns 14.000 bombardeiros, que formaram um “escudo protector” sobre a frota e as tropas em terra. Ao fim da tarde, as tropas aliadas colocaram no campo de batalha cerca de 150.000 homens num raio aproximadamente de 15 Km. Antes porém já os aliados tinham previamente destroçado as vias de comunicação que podiam reforçar as forças alemãs. Nestas condições as forças do eixo revelaram-se impotentes na defesa das suas posições, perante uma força aérea, cerca de cinquenta vezes superior ao potencial nazi, que tornaram a “Baluarte do Atlântico” , que os estrategas do Reich consideravam impenetrável daí a negação de apoio às suas tropas nos primeiros dias do assalto dos aliados. Postado por Arlindo Sena .

