segunda-feira, fevereiro 22, 2010


As sociedades humanas não podem subsistir sem o exercício do poder. Há sempre o poder enquanto domínio para que os grupos possam viver organizadamente e sem violência. Anselmo Borges. Professor Universitário (Coimbra).

domingo, fevereiro 21, 2010

X-Terras da raia de Portalegre: A organização partidária na Monarquia Constitucional



A organização da vida partidária no Distrito de Portalegre durante a Monarquia Constitucional, baseava-se na construção de uma rede de influências cuja finalidade era estabelecer uma rede de interesses capaz de garantia a vitória nos diversos momentos eleitorais que ocorriam no distrito. De um modo, geral essa teia de relações dependia de um pequeno grupo de cidadãos locais em perfeita conexão com os partidos nacionais. Aliás está íntima ligação entre os poderes locais e nacionais, nos permite verificar uma harmonia entre os resultados nacionais e os locais. Entre 1881 e 1910, o Distrito de Portalegre foi sempre pró - governamental, assim entre 1881 e 1886, as vitórias nos círculos nacionais e distritais foram sempre favoráveis ao Partido Regenerador, entre 1905 -1906, predominou o Partido Progressista. Os períodos de não coincidência ocorreram entre 1897-1900, quando o Partido Progressista governava o País e o Regenerador o distrito. No século XX, o Partido Regenerador voltava a ser a maior força do distrito, com excepção da cidade de Elvas, que era progressista por influência dos comerciantes que dominavam a vida política. Aliás desde “Ultimato Britânico - 1890”, que o distrito estava dividido e se o Partido Regenerador era a força dominante, a cidade de Elvas era a força que liderava os Progressistas, a qual se juntava as vilas de Ponte Sor, Nisa, Alter do Chão e Gavião. Todavia em finais do século XIX não existia uma organização partidária propriamente dita já que as formações políticas continuavam a ter como estrutura básica o apoio quase exclusivamente de matriz familiar, no caso de Elvas, o Comércio de Elvas, na época caracterizava assim os Progressistas: “Os agrupamentos políticos em Elvas, que não regulam pelo número de sujeitos que se podem permitir a honra de receber em sua casa meia dúzia de parentes e amigos, arvorando-se logo ali um chefe de uma facção”. Esta situação era extensível à forma de organização partidária por todo o distrito, numa época em que as formações políticas não obedeciam à estruturação dos partidos modernos e muito menos correspondiam a partidos de massas formados por militantes sujeitos a uma estrutura nacional já que na verdade só davam sinais da sua existência quando eram convocadas eleições gerais ou municipais. Entre os partidos existentes no Distrito, o Partido Progressista foi sem dúvida aquele que mais progrediu do ponto vista organizacional uma vez que antes do final do século XIX já tinha os seus centros de reunião nas duas cidades e nas principais vilas da região e eram os seus chefes políticos que escolhiam ou exerciam influência sobre os candidatos locais e controlavam com alguma facilidade a imprensa regional. O Regenerador, mais centralista, com sede em Lisboa e que determinava quem seria os candidatos a deputados em cada região. Na cidade de Portalegre, como sucedia também na de Elvas, era a classe dominante formada por indivíduos com maior poder económico e com reconhecido prestígio social que se afirmavam na vida política. Por outro lado, os programas e os objectivos das forças políticas das cidades e vilas, situadas a norte do Alentejo estavam perfeitamente definidos segundo os interesses dos grupos sociais na vida pública das suas respectivas localidades, quer se tratasse do Partido Regenerador, Progressista ou Histórico, partido residual mas com alguma força em determinadas localidades mas jamais uma força política vitoriosa.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Sabia que ....?


O artista belga Wim Delvoye está a ser motivo de polémica em França onde apresentará uma exposição que abre ao público amanhã no Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Nice e que apresenta sete porcos tatuados. Estes porcos foram levados por Wim Delvoye para uma fazenda perto de Pequim, na China. Onde foram tatuados denúncia os defensores do bem-estar animal. Na exposição: "O artista utiliza o animal como se fosse um único objecto. O sofrimento que a tatuagem, foi feita sob uma anestesia leve e não envolve o sofrimento dos suínos. Embora a abordagem do artista pode ser visto como perturbador ou provocador, no entanto serve para levantar o debate sobre a questão da exploração animal "Diz o site do museu.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O pensamento do Dia....


"Todas as coisas «boas» foram noutro tempo más; todo o pecado original veio a ser virtude original. O casamento, por exemplo, era tido como um atentado contra a sociedade e pagava-se uma multa, por ter tido a imprudência de se apropriar de uma mulher (ainda hoje no Cambodja o sacerdote, guarda dos velhos costumes, conserva o jus primae noctis). Os sentimentos doces, benévolos, conciliadores, compassivos, mais tarde vieram a ser os «valores por excelência»; por muito tempo se atraiu o desprezo e se envergonhava cada qual da brandura, como agora da dureza. A submissão ao direito: oh! que revolução de consciência em todas as raças aristocráticas quando tiveram de renunciar à vingança para se submeterem ao direito! O «direito» foi por muito tempo um vetitum, uma inovação, um crime; foi instituído com violência e opróbrio". Friedrich Nietzsche, Filósofo.

Sabia que? ..... Os retratos de Caravaggio



Foi hoje apresentado ao público no Museu Reginal de Messina, um conjunto de retratos de Caravaggio, cultivados em diferentes fases da sua vida, as quatro figuras representam os pastores na temática da “Adoração”. Esta hipótese é defendida pelo superintendente do Museu do Polo Roman, Vodret Scarlett, um grande estudioso de Miguel Ângelo, e que há muito vem trabalhando em colaboração com a Unidade de Carabineiros para a Protecção do Património Artístico, de acordo com as suas metodologias de reconhecimento de rostos, todos os retratos representam o próprio Caravaggio. "Para Caravaggio, a presença de seu retrato na pintura torna-se quase uma espécie de assinatura", defndeu Vodret Scarlett

terça-feira, fevereiro 16, 2010

O Pensamento do Dia...


Adicionar imagemTodos os homens se devem deixar matar pelas suas ideias, mas todos aqueles que levem os homens a morrer pelas ideias de outros são considerados criminosos! .... Henri Musil, Escritor, Romancista.

4.3 -Elvas Portuguesa: Os novos poderes: O Poder Espiritual



A época moderna foi decisiva para a implantação de um novo conceito de poder exercido pelas elites militares e religiosas independentemente dos poderes públicos instituídos pelo poder Central. De facto, a criação da figura do Governador da Praça Militar de Elvas e do Bispado de Elvas, determinou uma nova era nas relações institucionais e políticas com a Coroa. Ao mesmo tempo que o poder local embora autónomo dependia agora de três poderes públicos, da Coroa, do Bispado e do Militar, este último de resto não só incidia sobre o contingente militar, mas também sobre os civis que estavam sobre à sua jurisdição. A figura do alcaide, determinante na organização da vida local deixa de ter fundamento e a representação concelhia, encontra na Câmara de Elvas a sua voz ainda que abafada pelos novos poderes instalados primeiro pelo Bispado depois pelo comando militar da Praça de Elvas. O Bispado, criado pela Bula Sper Cunctas, outorgado pelo Papa Pio V, determinava uma nova circunscrição religiosa no continente português mas a única com jurisdição colonial, de facto, a realidade da Sé de Elvas era uma realidade artificial que tinha como finalidade a incorporação da diocese de Ceuta e alguns municípios que então pertenciam à diocese de Évora, como era o caso dos concelhos de Monforte e Arronches. Esta nova realidade só por si engrandeceu a nova cidade portuguesa, com uma nova elite aristocrática titulada e com uma formação académica ímpar na vida local. Na verdade o primeiro dos vinte e quatro bispos de Elvas, D. António Mendes de Carvalho era doutorado pela Universidade de Paris, considerado um homem de misericórdia, pela prestação, apoio e solidariedade aos mais pobres sendo conhecido como o “Pai dos pobres”. Foi também na sua vigência que Portugal perdeu a sua independência, tendo o Bispo inicialmente afirmado o seu patriotismo, porém acabaria por reconhecer os direitos e pretensões de Filipe II de Espanha ao trono português, mas não abandonou os que se opunham a união ibérica e nomeadamente o Alcaide Mor, António de Melo que viu a sua vida em perigo, quando as forças militares espanhóis estavam já concentradas junto do aqueduto, dos poços e de outros pontos chaves da cidade, mas foram muitas as figuras de reconhecimento que viveram no palácio episcopal da urbe elvense com a responsabilidade e fausto que tal cargo determinava. Como eram os casos dos Bispos de Elvas que desempenharam o cargo de Inquisidor Mor do Reino, como os bispos oriundos de uma das famílias de maior prestígio no Antigo Regime, os Matos e Noronha, nas pessoas de D. António (1571-1561) cuja entrada em Elvas foi notada pelo seu amplo coche forrado a veludo, puxado por quatro cavalos cujos freios estavam rematados por metais preciosos e D. Sebastião (1625-1634). D. António embora reconhecido pelo “povo” na forma como organizou o combate à peste de 1600, não era todavia popular e ficou célebre pela indiferença a que votou a D. Teodósio, Duque de Bragança não marcando a sua presença nos actos públicos e privados, a que não faltaram as autoridades locais e a fidalguia da cidade. Entre ambos, há que referir a passagem de outro inquisidor mor, D. Rodrigues da Cunha que conviveu com a classe política favorável a permanência da unidade ibérica, nomeadamente Cristóvão de Moura e o Marquês Castelo de Rodrigo, vice-rei do reino. Aliás, o último inquisidor mor do Reino, D. José Joaquim Coutinho também exerceu a sua vigência na cidade transfronteiriça nas últimas década da monarquia absoluta. Por oposição, ao Bispo do absolutismo, destacou-se D. Frei Joaquim Meneses de Ataíde, o Bispo do Liberalismo que exerceu funções entre 1820-1828, fundador da loja maçónica da Liberalidade em Elvas com o Governador da Praça em 1818, Thomas Wiliam Stubbs e que contou sempre com o apoio do seu companheiro da Ordem, Manuel da Santa Tecla outra figura do liberalismo elvense. O bispo Menezes Ataíde chegou a deputado do reino, na Câmara dos Pares e foi adversário da facção miguelista acabando por partir para Gibraltar durante o seu curto período de exílio. Outros nomes não podem ser ignorados na regência do Bispado de Elvas, D. Lourenço de Távora, oriundo da nobreza tradicional com influência na vida política nacional e indiferente à fidalguia inconformada e nacionalista, bem diferente foi D. Manuel da Cunha (1646-1667), que fora arcebispo de Lisboa e figura de destaque na época da Restauração, as suas intervenções nas Cortes foram marcadas pelo seu patriotismo e pela sua posição anti - ibérica que continuava latente em certos sectores na velha aristocracia. Não deixa de ser curioso o facto de uma parte dos Bispos de Elvas, terem no seu currículo a passagem pela Inquisição ou por dioceses coloniais como a de Pernambuco ou do Funchal, cujas rendas eram mais proveitosas para a sua dignidade, mas ao mesmo tempo a diocese de Elvas, era a mais importante na raia nacional, mesmo antes da sua extinção, o carácter administrativo, burocrático e espiritual ainda era muito representativo, de facto quando D.Frei Ângelo da Boa Morte, último Bispo de Elvas quando toma posse do Bispado conta como Dignitários recrutados no Alto Clero, o Bispo, o Chantre, o Arcediago, o Mestre Escola e o Tesoureiro Mor, o cargo de Deado estava vago. Dos treze Cónegos estavam em função onze, os Quaternários eram seis, os Beneficiados eram doze e as Capellanias eram dezasseis ou seja cerca de meia centena de clérigos constituíam o séquito do Bispado. A este grupo de clérigos juntava-se as diversas ordens religiosas num tempo em que o poder espiritual era uma das razões do prestígio alcançado por Elvas no contexto das cidades onde a defesa da soberania nacional era um ponto de honra (Continua).

domingo, fevereiro 07, 2010

O pensamento do Dia...


Morre-se de amor. Também se morre dessa doença cruel e implacável, que a sociedade moderna criou e parece não estar muito preocupada em exterminar - o desprezo pelos outros....Escritor.

X-Terras da Raia de Portalegre: Introdução à vida política.



A organização partidária na época da regeneração (1850-1910) no Distrito de Portalegre: - De um modo geral, podemos afirmar que a organização e, inclusive, o funcionamento dos partidos políticos estiveram sempre em relação directa com o protagonismo muito apreciável exercido por um conjunto de intelectuais, mais evidente na cidade de Portalegre e recrutados nos grupos sociais e económicos, o mesmo se verificou na cidade de Elvas, mas que sempre dependeu da vontade dos políticos da capital. Observamos também que relativamente aos diferentes actos eleitorais ocorridos durante a monarquia constitucional, as eleições para o Congresso dos Deputados eram as que mais entusiasmavam a classe política da região, o grosso das listas era constituída pelas personagens mais importantes de Portalegre e Elvas, sendo as vilas a de Avis e Niza as que maior importância tinham na selecção dos candidatos, a este nível administrativo. De um modo geral se tratavam de “lavradores” ricos, que constituíam a elite social das cidades, todavia os letrados como os advogados, seguida de outras profissões caracterizadas por uma formação escolar prolongada era o caso dos médicos e dos professores. O exemplo mais representativo, foi sem dúvida alguma o Doutor José Francisco Laranjo, Professor Catedrático de Direito que foi eleito várias vezes deputado da nação, tratando-se de um estratega e responsável por diversas vitórias do Partido Progressista no território norte alentejano. Estas personagens, cuja influência na vida local era intensa e notável e só por si suficiente para assegurar a sua eleição para deputado ou da força política em que se integrava ou apoiava, eram os caciques. O termo “cacique”, utilizado com muita frequência na linguagem política, se incorporou pela primeira vez no léxico político português em 1886 graças a Oliveira Martins, para classificar as pessoas consideradas influentes. Em termos mais precisos, foi a partir de meados da década de 1880-1890, quando a expressão “cacique” começou a ser utilizada com uma certa frequência, sobretudo nas folhas da imprensa, para fazer menção ao posicionamento político mantido pelos “influentes”, entrando definitivamente tal expressão da linguagem política comum. Segundo, Henri Mendras, os caciques eram, por definição, uns notáveis locais que detinham simultaneamente, o “poder interno e externo”, numa colectividade determinada. No Distrito de Portalegre, habitualmente, o seu poder político não acostumava ultrapassar as fronteiras do seu concelho onde tinham residência e a maior parte da sua riqueza ou fortuna. Todavia, em alguns casos como na cidade de Portalegre, estes notáveis, em função do seu poder social muito amplo, da sua posição económica (de domínio sobre a terra), dos seus pergaminhos familiares (títulos aristocráticos) ou simplesmente, do seu prestígio e reconhecimento social (advogados, professores e médicos), exerciam uma notável influência nos concelhos vizinhos que podiam inclusivamente possuir algumas propriedades. Em Elvas essa influência dos grandes proprietários de terras aos concelhos vizinhos de Arronches e Campo Maior era uma realidade indiscutível. Fruto de estas circunstâncias o êxito eleitoral dos maiores partidos do distrito, o Regenerador e o Progressista, estava directamente relacionado com a capacidade do “cacique” em recrutar os seus membros, Silveira de Sousa é da opinião que nesta época: “A esmagadora maioria da população portuguesa não era deste ou daquele partido, era do partido a que pertenciam fulano ou sicrano que dominavam as malhas da influência local, negociando com eles de forma pragmática o seu voto de apoio”. [ Continua].

domingo, janeiro 31, 2010

O Pensamento do Dia...



Grande arte é saber corrigir a tempo, oportunamente, abrindo uma porta; sem esmagar a pessoa mas ajudando a superar o erro. Quem sabe fazer esta distinção não deve ter medo de ter opinião nem cai na ratoeira de se calar dizendo que é tolerante. A tolerância é com as pessoas, não com os actos. Vasco Pinto Magalhães, Padre Católico.

Os Dias da Nossa Civilização...


A ideia de liberdade não era palavra vã na cidade do Porto, onde a Revolução de 1820, tinha determinado o fim do Antigo Regime. Da cidade invicta, o protesto tornara-se constante há medida que se assistia à deterioração da vida pública e o primeiro deputado republicano eleito em Portugal, representava então a capital do Norte, tratava-se do Dr . José Joaquim Rodrigues de Feitas. A questão do Ultimato Britânico foi entendido pelas gentes do Norte como uma desgraça nacional e o desagrado foi evidente numa cidade onde a colónia britânica por via dos negócios do Vinho do Porto, era a mais representativa em Portugal. Nestas circunstâncias históricas e políticas, a Revolução de 31 de Janeiro de 1891, como primeira tentativa de derrube da monarquia portuguesa, deve ser observada no contexto das nobres tradições libertárias da cidade. O movimento quando saiu à rua é de natureza militar mas a base ideológica, estava subjacente num Directório Civil constituído pelo: advogado Augusto Mateus Alves da Veiga, pelos jornalistas José Pereira de Sampaio (Bruno), Santos Cardoso e João Chagas, pelo actor Miguel Verdial, pelo padre João Pais Pinto, pároco de São Nicolau .O comando operacional (militar) estava nas mãos do capitão António Amaral Leitão, do Regimento de Infantaria nº10 e no alferes Augusto Rodolfo da Costa Malheiro, de Caçadores nº9. O movimento portuense era acompanhada com expectativa pelos conspiradores e nomeadamente pelo Directório do Partido Republicano, uma vez que o triunfo a norte seria acompanhada pela marcha para sul para libertar a capital. Todavia, a Infantaria nº10 quando avança para a rua faz tardiamente com seis horas de atraso já a madrugada estava a findar e o êxito dos revoltosos também … . Uma hora depois às 07h00 da manhã, o Dr. Alves Veiga, proclamava a República e divulgando o nome dos conspiradores a uma multidão que tinha esperança nas palavras que então ouvia, de um futuro melhor. Todavia, as forças féis irrompiam pela Rua de Santo António até à Praça da Batalha, o fogo abria-se sobre a multidão, mortos e feridos caíam no solo, a população fugia… a revolução estava condenada ao insucesso, as centenas de mensagens telegráficas chegavam à Coroa e ao Ministério, entre elas a da Câmara Municipal do Porto, testemunha ocular da tragédia das gentes do Porto, mas seu o 31 de Janeiro

sexta-feira, janeiro 29, 2010

O pensamento do dia ...


Tirania e liberdade não se podem considerar isoladas, mesmo se, vistas temporalmente, se revezam uma à outra. Não há dúvidas de que se pode dizer que a tirania suprime e aniquila a liberdade - mas, por outro lado, uma tirania só pode ser possível, quando a liberdade se domestica e se volatiliza no seu conveito vazio. O ser humano tende a confiar no aparelho político ou ainda a submeter-se-lhe, quando devia haurir das suas próprias fontes. O que é uma falha em imaginação. Escritor e filósofo.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Publicações: Dentro de horas a apresentação da Elvas Caia....



Dentro de algumas horas, a Revista Elvas Caia, será apresentada ao público a edição nº7 referente ao ano de 2010, sendo uma vez mais uma iniciativa da Câmara Municipal de Elvas, no âmbito do Saber e da Cultura. A presente edição apresenta vinte artigos divididos em quatro secções: História, Memória e Património; Literatura e Linguística; Ciência e Tecnologia e Ciências de Educação. A maioria dos artigos são assinados por Doutores, três mestres, dois licenciados, três militares e um cidadão elvense que se dedica há investigação no âmbito da História Local. Os autores da presente edição, por grau académico e temática são os seguintes: Doutor Jorge Fonseca (Escravos e Libertos Séc. XVI); Oficiais do exército português: José Albino Galheta Ribeiro, João António Matos Barreto, Manuel João Rodrigues Martins (Périplo pelo desconhecido da muralha seiscentista de Elvas); Mestre/Doutoranda, Sofia Salema (Conservação dos rebocos exteriores da Igreja Nossa Senhora da Assunção); Licenciado/Mestrando, Nuno Grancho, (O convento da Nossa Senhora dos Remédios, da Ordem de S.Paulo em Elvas – diálogo fragmentadas); Doutor Pedro Avillez (Cronologia heróica do tenente –general Jorge Avillez (1785-1845): a carreira militar de um militar no Portugal no final do séc. XVIII, a ascensão da nobreza rural e o fim do Antigo Regime; Professora Doutora, Pilar Rodríguez Flores (Badajoz: Beneficiênia y sanidad (1874-1923); Professor Doutor, Arlindo Sena (Notas históricas: sobre a I República); José Manuel Martins (Listagem dos Brasões de Elvas). Licenciada/ Doutoranda, Patrícia Alexandra Cruz Lopes ( Sim Senhora Padra! Pela ordenação de mulheres). Licenciada /Doutoranda, Maria da Conceição Vaz Serra Cabrita ( Aliança Peninsular; Professora Doutora, Ana Belén García Benito (Locuções relativas à bebida: análise etnolinguística de uma identidade articular(espanhol/português): Professora Doutora, Silvia Amador Moreno, Actitudes Linguísticas en Elvas) ; Professora Doutora, Verónica Sánchez Ramos ( La presencia de frontera luso-española en Carolina Coronado y Enrique Díez –Canedo). Graça Pinheiro Ribeiro (Escola Superior Agrária de Elvas), A ameixa “Rainha Cláudia verde”: benefícios do seu consumo e estudo do efeito da utilização de películas na qualidade sensorial durante a conservação em frio): Professor Doutor Francisco Mondragão Rodrigues , Luís Menezes e Hugo Janeiro (Avaliação da adaptação de 9 variedades de oliveira conduzidas em sebe às condições edafoclimáticas de Elvas – Resultados preliminares) ; Orlanda Póvoa e Noémia Farinha (Escola Superior Agrária de Elvas) (Etnobotânica no Alentejo, estudo de caso: coentros e poejos). Professor Doutor, Juan de Dios Martinez Agudo, Juan Dios de Martínez Agudo /Professora Doutora, Maria Guadalupe Castillo Benitez-Cano, (La gramatico al servicio de la comunicación, um medio y no un fin en sí misma; Professor Doutor, José Gomez Gálan ( Exempleo de la imagem mediante médios audiovisuales en la enseñanza del tiempo histórico; possibilidades en el âmbito de educación infantil y primaria) e Licenciada, Elisabete Fiel (As bibliotecas Escolares na Escola de Hoje).

domingo, janeiro 24, 2010

4.2.- Elvas Portuguesa:- II. A Demografia na modernidade




Na continuidade da nossa reflexão sobre a demografia da modernidade, terminamos hoje, a análise sobre os dados relativos ao período da Monarquia absoluta, que apresenta as mesmas dificuldades para a época medieval, uma vez que a estatística enquanto instrumento do poder político é uma realidade do Estado Liberal. Assim o tratamento dos dados demográficos continua a ter uma forte componente local e determinada pelos registos paroquiais. Todavia a cidade de Elvas, a partir de meados do séc. XVII ganhava um nova dimensão do ponto de vista administrativo e político, estava muito longe da organização municipal que marcara a vida política e institucional nas últimas décadas do século XVI, tinha crescido em termos de efectivos relativamente à época de Quinhentos mas era agora uma cidade fortalecida pela sua dimensão militarizada e eclesiástica, de facto o tempo dos alcaides mores tinha acabado e a nova autoridade política e institucional era exercida por uma nova personagem o Governo da Praça, que traria ao longo da segunda metade do séc. XVIII, alguns filhos segundos da nobreza titulada de Portugal para direcção dos destinos de Elvas. No tempo em que muitos elvenses de todos os estados sociais circulavam pelas terras do império colonial português e depois Ibérico, na qual a diocese de Elvas se destacava das restantes nacionais, uma vez que era o único Bispado com jurisdição em terras coloniais. Não podemos ignorar que a constituição do Bispado de Elvas se justificou como forma de integrar a população de Ceuta espiritualmente, de resto, a única razão para a sua existência e posteriormente desaparecimento, pois tratava-se de uma circunscrição jurídica artificial. Todavia o crescimento populacional até meados do séc. XVII não acompanhou a realidade nacional, numa época em que as estimativas para a população portuguesa são variáveis segundo as propostas de vários historiadores que revelam valores que variam entre 1.3 e 2 milhões de habitantes, mas que demonstram uma expansão demográfica inquestionável. Em Elvas, ao longo do século XVII a população apresenta uma irregularidade permanente, assim se considerarmos, o cronista da época João Casão a população elvense no início da década de 1570 aproximava-se dos 3.500 vizinhos, em números efectivos, estaríamos a falar de população de cerca de 14.000 habitantes. Que nos permite outra conclusão interessante do ponto de vista histórico, a mudança do comportamento da população elvense, que se desloca do espaço rural para a nova cidade ao longo da sua metade do séc. XVII. De facto em 1573, segundo a contagem de fogos mandada fazer pelo monarca, D. João III, o número de vizinhos não ultrapassava os 1.916 vizinhos ou seja a população da cidade cresceu mais de 50% em meio século, uma realidade impossível de ter credibilidade considerando, as vagas epidémicas e os episódios de cercos e de guerra, que marcaram essa época, mesmo considerando que a cidade era a uma porta aberta para a Europa, mas isolada no contexto regional pelos caminhos e pelos incentivos económicos, um monopólio da “classe mercantil” em grande parte na posse dos cristãos novos de Elvas e Badajoz, os primeiros de resto já tinham casas de morada na Rua dos Mercadores na capital portuguesa e alguns deles estavam já envolvidos no tráfico internacional. O que se verifica na prática é que o número de vizinhos do concelho de Elvas em 1573 na sua totalidade situava-se em 2.354 vizinhos incluindo as zonas rurais o que significa que uma parte da população rural se fixou na cidade e se houve crescimento demográfico foi relativo e não expansivo que é uma realidade da demografia contemporânea. Todavia os números de Rui Casão são discutíveis considerando que o cronista elvense, Aires Varela que afirma que no início da Guerra da Restauração, a cintura da muralha de Elvas era capaz de proteger 3.000 vizinhos e esta afirmação é incontestável, uma vez que a descrição dos aglomerados populacionais do Bispado feita por António Novais refere 2.500 vizinhos. Numa análise documental com base nos registos de baptismos entre 1532 e 1660, nas freguesias mais representativas (Sé, S. Salvador, Alcáçova e São Pedro), verificamos que a partir de 1612 o seu número decresce em 50 % e é uma tendência que marcou o comportamento demográfico da população local desde meados do séc. XVI. O número de casamentos também apresenta o mesmo comportamento com taxas menos expressivas, mas com quedas médias de 8% a partir do início do séc. XVII. As taxas de mortalidade disparam na ordem dos 50% entre finais do século XVI e só na década de 1630 recuperam a normalidade. Ou seja, a caminho do século XVIII a cidade está em plena recuperação demográfica, a população civil chegava aos 10.000 habitantes, mas a cidade era também um espaço de aquartelamento temporário e permanente quando a conjuntura europeia ameaçava os interesses nacionais, em meados do século iniciava-se o processo de militarização da praça com a presença constante de efectivos militares a população chegava aos 17.000 efectivos e atinge o seu máximo temporariamente nas vésperas das Guerras Peninsulares, quando um contingente militar de 31.200 efectivos se concentrou na cidade de Elvas. Assim a época de Setecentos foi caracterizada pelo regresso de alguns funcionários régios, clérigos e outros que serviram o Império Espanhol, foi o tempo de sarar as feridas abertas pelas guerras da Restauração, as mortes geradas pelos surtos epidémicos e voltar em busca da prosperidade do solo elvense, ainda ao abandono, com áreas de mata e floresta, que se prolongará por mais de um século e meio, na cidade dos olivais que circunda o perímetro urbano e fortificado. Mas apesar de tudo a cidade de Elvas, recuperou parte da sua população e quando se chegava aos fins do séc. XVIII o seu número de fogos ultrapassa os 2.500 de vizinhos, um pouco mais do número de efectivos populacionais existentes em meados do séc. XVII sendo de longe a área com mais concentração de habitantes em todo o Alentejo, mais de 30 habitantes por Km2 segundo o Doutor António Hespanha. Em termos de prestígio institucional e político, a cidade de Elvas atingia o primeiro Banco das Cortes desde 1641, onde estavam sentados os procuradores de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Santarém, os efectivos populacionais continuavam a ser decisivos para a elaboração do plano das Cortes, mas a chegada da Nobreza funcionalista de algumas casas aristocráticas portuguesas a categoria de Governadores da Praça Militar de Elvas do Forte da Graça, na centúria seguinte e o currículo dos Bispos de Elvas, alguns com passagem no Tribunal da Inquisição e nas principais dioceses do Império Colonial tornavam a cidade um espaço de referencia do estado moderno, absoluto e burocrático.(CONTINUA).

O pensamento do Dia...


Não sei o que acontecerá quando formos todos funcionários aureolados pela organização de aparências que acentua a satisfação dos privilégios. A aparência vai tomando conta até da vida privada das pessoas. Não importa ter uma existência nula, desde que se tenha uma aparência de apropriação dos bens de consumo mais altamente valorizados. Há de facto um novo proletariado preparado para passar por emancipação e conquistas do século. As bestas de carga carregam agora com a verdade corrente que é o humanismo em foco — a caricatura do humano e do seu significado. Augustina Bessa Luís, Escritora.

quarta-feira, janeiro 20, 2010



"A leitura é uma conversa com os homens mais ilustres dos séculos passados"


René Descartes, Filósofo.