terça-feira, abril 06, 2010

Cenários de Hoje das Batalhas de Ontem


Alseia: - Situa-se a 70 Km de Dijon e foi cenário da Batalha de Alesia em 52 aC. e foi decisiva para a vitória das legiões romanas sob comando do imperador, Júlio César sobre uma confederação de tribos gaulesas.

Poitiers: - Campo de batalha situado a 20 Km de Poitier, onde Carlos Magno venceu as forças muçulmanas chefiadas por Al Gafiki em 10 de Outubro de 732 . O ocidente assumia de novo a liderança da Cristandade.

Waterlloo – Aqui se desenrolou o último capítulo das batalhas Napoleónicas que sacudiram o mundo desde 1803. Uma coligação de 100.000 homens, enfrentou durante três dias as forças napoleónicas que foram obrigadas a bater em retirada, em 18 de Junho de 1815 . Hoje sobre o campo de batalha se identifica a escultura de um leão comemorativo que simboliza a vigilância sobre a distante cidade de Paris.

Verdun – Em Fevereiro e Dezembro de 1916, nestes cenário verdejante e selvagem, ocorreu uma das maiores batalhas da I Guerra Mundial entre alemães e francese, num cenário sangrento e de morte, onde cerca de 200.000 vidas povoaram o campo de batalha.

Normamdia – 6 de Junho de 1944, nas suas praias (cinco) a norte de França, ocorreu o célebre dia D que marcou a libertação da Europa das potências nacionalistas do Eixo.

segunda-feira, abril 05, 2010

4.3. -Elvas Portuguesa: "Os Governadores Operacionais - 1640-1668"


Quando se analisa a longa lista dos Governadores da Praça Militar de Elvas, destaca-se desde logo o tempo dos “Governadores Operacionais”, que compreendem um conjunto de personalidades que tiveram postos de comando, que ultrapassaram a mera actividade burocrática ou de chefia como foram uma grande parte da Nobreza de Portugal, que em determinados períodos da história militar em Elvas desempenharam a sua missão nesta praça fronteiriça. É certo que a conjuntura política e militar, determinou que os Governadores da Praça entre 1640 e 1668, fossem homens com currículo operacional e desde logo o primeiro governador, o capitão mor, D.Álvaro de Ataíde que após a passagem por Elvas actuou em vários cenários da chamada “Guerra da Aclamação”, foi sem dúvida o primeiro supervisor ao serviço da Coroa da edificação das muralhas que iriam definir a linha fortificada da praça abaluartada de Elvas, mas seria Matias de Albuquerque que terminaria o seu mandato, numa época em que a guerra de assédio, implicava por vezes a paragem temporárias nas obras em favor da defesa das populações. Por isso mesmo o Governador interino de Elvas, convocava a população para a defesa da cidade numa época em que a mesma estava protegida ainda por parte das velhas muralhas  medievais e por uma parte da nova muralha que já apresentava traços da forma abaluartada mas longe ainda de possuir todas as baluartes, nesta época, apenas os presidiários não foram convocados para a milícia de Matias Albuquerque que chefiou a primeiro saque português na Extremadura no assédio a Alconchel (1641). A paz relativa e a ameaça constante continuava a justificar a presença de Governadores com experiência da prática bélica, D. Joane Mendes de Vascocelhos, chegava a Elvas em 1643, depois da sucessão de três governadores militares virados para a prevenção e não para a guerra, novamente as hostes nacionais respondiam aos assédios castelhanos. O novo comandante militar avança sobre de Badajoz, derrota a cavalaria das forças inimigas na atalaia de Úveda e envolve-se em guerra aberta na ponte velha de Badajoz, mas recuando para os arredores entre o dia 9 e 13 de Setembro, avança sobre Valverde que se rende porém a 29 de Setembro e com necessidade de abastecimento regressa a Elvas, após outros assédios e respectivas rendições ao longo de meados desse mês das localidades de Alconchel, Figueira de Vargas e Villa Nueva de Freso. O seu sucessor, D .Miguel de Azevedo, governador da Praça em 1644, resiste com dificuldade aos assédios espanhóis que entram de rompante por toda a raia Caia. Uma vez mais o tempo é de guerra e novo Governador, da nobreza de sangue, o Conde de Alegrete, Matias de Albuquerque acaba por estancar a ofensiva castelhana e da defesa passa ao ataque, contra os exércitos de Terracusa, a vitória em S.Vicente , localidade situada nas proximidades de Albuquerque, mostrando a eficácia do exército luso, perante um exército espanhol diminuído pelos recrutamentos para a Guerra da Catalunha. Mas, o Marquês de Terracusa, não desarma e no Inverno do mesmo ano, cerca Elvas com cerca de 12.000 homens ocupando toda a área do outeiro do Casarão dispondo de uma coluna de abastecimento e procurando ao mesmo tempo dominar a área circundante a partir da edificação de uma pequena fortificação. As várias investidas sob comando de Matias de Albuquerque, a norte da futura praça militar que já contava com oito baluartes determinou o levantamento do cerco a Elvas. O governador militar ainda antes da saída da cidade para o Cargo de Governador de Armas do Alentejo, propôs a Câmara e à Coroa o reforço da defesa da cidade com a proposta da edificação de três atalaias a dos Sapateiros (Vila Fernando); Vila Boim (na herdade da Atalaia que pertenceu à Casa de Bragança) e das Largateiras. Estas e as que se seguiram seriam destruídas pelo exército de D. João da Áustria em 1663 no cerco a Elvas. De resto o período que se segue de relativa paz e o governador Manuel Freire de Andrade entre 1646 e 1650, é sem dúvida o responsável pelo fim das obras militares em Elvas e projecta as três atalaias que foram edificadas no Caminho de Elvas e Estremoz, cujas propriedade e gado eram motivos de assalto sempre que a cidade era assediada. A década de cinquenta passa com normalidade e a sua praça abaluartada leva os seus governadores militares ao anonimato. Mas a ameaça persiste e o estacionamento de forças espanhóis na Praça Militar de Badajoz, eram notícias em Portugal. Novamente Joanne Mendes Vasconcellos volta ao comando da Praça e os campos agrícolas de Elvas, Vila Viçosa e Mourão foram arrasadas, a guerra eclode no Alentejo e Joanne Mendes Vasconcellos derrota o Conde San German em Mourão, mas os assédios e os conflitos bélicos não param. Em 1958, outro Governador da nobreza de armas, presta serviço em Elvas, trata-se do General André de Albuquerque, que morrerá em Elvas na batalha das Linhas de Elvas, antes porém cobrira-se de glória no combate de Assumar em Arronches e no cerco de Badajoz obrigado a retirar pelas hostes do Conde Ossuna toma o Forte de S.Miguel onde foi hasteada a bandeira nacional. Todavia seria, D. Sancho Manuel, o governador militar à data do Cerco e Batalha das Linhas de Elvas, no comando das hostes militarizadas da cidade com o apoio, solidariedade e sofrimento do Terceiro Estado elvense (burguesia + povo),. O ciclo das “Governadores Operacionais”, terminaria com a paz assinada com a Espanha em 1668, mas D.Jerónimo D´Autoguia nomeado em 1660, com a desconfiança natural de quem fazia a guerra continuava a centrar as suas preocupações na reparação e manutenção das fortificações e da sua capacidade de abastecimento e nesse contexto mandou regular uma nascente de água que devia abastecer o Forte de Santa Luzia, com o apoio intermédio de um novo sítio ou lugar, anexo à Praça nascia um reduzido aglomerado o Rossio da Fonte Nova. Era o fim de uma era de guerra permanente do qual o Cerco e Batalha das Linhas de Elvas foi o acontecimento central numa série de assédios que marcou os tempos da Restauração da soberania nacional.

quinta-feira, abril 01, 2010

De 10 de Abril a 23 de Maio será possível contemplar directamente o Santo Sudário em Turim, depois da intervenção com vista à sua conservação a que foi submetido em 2002. Todavia se está a pensar visitar o Museu da Semana Santa, é imprescindível fazer uma reserva antecipadamente já que se espera simplesmente milhões de visitantes. No ano 2000 foi registado o um número recorde de três milhões de pessoas em 40 dias. A visita é gratuita e durante a Ostentação do Lenço só será visível de longe. No domingo 2 de Maio, o Papa Bento XVI, estará em Turim e celebrará missa na praça de San Carlo em Turim. De realçar ainda, que o Museu, propõe ao visitante uma informação completa sobre as investigações da Semana Santa, recolhendo e difundindo, os aspectos históricos, científicos, de devoção e artísticos: O Museu Della Sindone, situa-se na: Via Domenico, 28 -10122 Torino – Tel +39 (0114365832). Mas há poucas horas, foi inaugurada a exposição: O Corpo de Cristo, o Rosto da Arte” e que deverá se manter em exposição no Palácio Venaria Real , também em Turim até ao mês de Agosto. Segundo a organização, trata-se de uma viagem centrada no corpo  e no rosto de Cristo com toda a carga do sofrimento físico e mítico, a partir de um conjunto de representações dos pintores de referência do Renascimento e Maneirismo,  Italiano, como Frei Angelo, Belini, Rubens, Mantgena entre outros Mestres. 

quarta-feira, março 31, 2010

Museu do Louvre lidera desde 2007 o Raking dos mais visitados do Mundo.

O Museu do Louvre foi o museu mais visitado em 2009, com 8,5 milhões de pessoas, de acordo com a lista de publicações de arte britânica The Art Newspaper . Em segundo lugar está o British Museum, com 5,5 milhões de visitantes, seguido por Metropolitan de Nova York com 4,8 milhões de euros. Fora do “top 10” entre os museus mais visitados, destaca-se o National Gallery (4,78 milhões) e o Tate Modern (4,74 milhões), ambos de Londres, o National Gallery of Art, em Washington (4,6 milhões), Centro Pompidou (3,5 milhões) e Musée d'Orsay , Paris (3 milhões) e Museu Nacional da Coréia em Seul (2,7 mmilhões) A publicação também compilou uma lista das exposições de maior sucesso durante a temporada 2008/09, que é de três amostras de arte japonesa em exposição em museus nipónicos.A exposição titulada o “Ashura e as obras-primas do templo Kohfukuji” foram as mais visitadas, no Museu Nacional de Tóquio, com cerca de 16.000 visitantes por dia. Os “Tesouros da Shosoin”, no Museu Nacional de Nara, com 14.965 visitantes por dia, e os Tesouros da Colecção Imperial Museu Nacional de Tóquio, com 9,473, ocupam o segundo e terceiro respectivamente. A lista continua com uma exposições de sucesso como: a dedicada a Picasso no Grand Palais, em Paris, outro a Kandinsky, no Centro Pompidou, em Paris e uma a Joan Miró no MoMA, em Nova York. A exposição dedicada ao artista suíço Pipilotti Rist no MOMA e Tesouros da Monarquia de Habsburgo, National Art Center de Tóquio, ocupam os lugares finais do "Top 10". É de salientar que a exposição do grafitt, britânico Banksy  no Museu de Bristol foi objecto de 4.000 visitas por dia e  situa-se entre as 30 obras mais populares da temporada artística de 2010. De realçar que é a primeira vez que o Museu de Bristol surge nesta lista com a referida exposição. O Museu do Parado na 9º posição foi o mais visitado na Península Ibérica e em Portugal o Museu Nacional dos Coches mantêm-se como o museu mais visitado em Portugal ...

terça-feira, março 30, 2010

Keneth Doover, o maior historiador da época clássica, já não está entre nós.



Sir Kenneth Dover,  faleceu aos 89 anos, foi uma figura académica que se destacou no estudo do pensamento, da literatura e do grego clássico. Poucos conseguiram igualar a qualidade dos seus estudos, em especial o rigor do seu pensamento filológico, histórico e cultural. A sua obra tornou-se conhecida pelo grande público, devido à publicação de um estudo inovador a “Homossexualidade na Grécia Antiga (1978)”, que então foi considerada pela crítica como inovadora e polémica. Para tal Kenneth Dover, utilizou como fontes documentais, as evidências registadas nos processos de acusação do tribunal de Atenas, as centenas de registos pictóricos incrustados nos vasos de cerâmica da antiga Grécia e outras referências históricas, mitológicas e filosóficas referentes a época clássica. A síntese desta vasta investigação permitiu a construção de uma teia convincente de práticas sociais e sexuais na Grécia Clássica e que foi determinante para uma nova abordagem sobre os estudos actuais centrados nas culturas sexuais ancestrais a partir da década de 1980, no qual um dos maiores historiadores – Michel Focault – se deixou influenciar. Todavia, Dover não suportava a ideia de que esta obra se tornasse na sua bibliografia de referência e nem sequer achava graça que a mesma se tivesse se tornado uma moda nos meios universitários com uma multiplicidade de teses que seguiam a sua metodologia. De facto, a sua obra “Popular Morality (1974)”, que se centra no estudo de reconstrução do sistema de valores dos Gregos no séc. IV com base nas estratégias argumentativas utilizadas pelos oradores da cidade e das assembleias de cidadãos, foi e é sem dúvida uma trabalho de investigação ímpar, insuspeito e que nos permite reconstruir os gregos com o realismo e não com o idealismo, que marcou alguma historiografia clássica. A sua carreira académica foi consagrada como historiador e especialista da língua grega, vários prémios e bolsas de estudo no âmbito da sua área de investigação, concedidos pela Oxford University onde se doutorou. O seu currículo académico é infindável mas a sua popularidade na sociedade inglesa está devidamente identificada com as suas oratórias em temas clássicos e não só na BBC.

domingo, março 21, 2010

X-Terras da Raia de Portalegre: "Os tempos da iniciativa republicana".

Durante a primeira república (1910-1926), o Partido Democrático ( P.R.P.) se afirmou, como o partido, mais representativo da região tal como de resto se verificou em todo o País. O P.R.P., não era mais que o Partido Republicano Português, que se foi reorganizando ao longo da década de 1910 de forma mais complexa e tinha como sustentáculo à sua existência, as chamadas comissões representativas de distrito, paróquia e município dependentes em todos os casos de um Directório que coordenava a acção política do partido. No norte Alentejano o Partido Democrático apresentou-se muito cedo aos actos eleitorais como um vencedor potencial devido, em certa medida, ao facto de uma parte representativa de antigos monárquicos, alguns deles filiados nos partidos clássicos (Regenerador e Progressista), se tornaram após a implantação do regime republicano em quadros do jovem partido Democrático. O exemplo mais significativo foi sem dúvida o de D. José Pais de Vasconcelos e Abrantes, que pertencente às elites da vila de Avis na última fase da monarquia constitucional, primeiro como uma referência do Partido Progressista e depois como uma das personalidades regionais com influência no Partido Regenerador e um dos defensores de João Franco que era visto com alguma desconfiança entre as várias facções monárquicas. A verdade é que nas primeiras eleições republicanas, o monárquico de Avis apresentava-se como Deputado do Partido Democrático pelo círculo de Elvas. Todavia, não podemos deixar de referir que entre os novos vultos do movimento republicano no Distrito de Portalegre se identificavam novos dirigentes alguns dos quais de tornariam figuras de primeira linha na política nacional. Por outro lado, a capacidade de oratória, foi durante a I República uma das condições marcantes da vida política e determinante para o êxito eleitoral dos republicanos nos vários actos eleitorais que se sucederam durante quase duas décadas de vigência da I República. Mas se alguns dirigentes monárquicos aderiram ao partido ganhador do antigo regime, outros nomeadamente dirigentes partidários, deputados e governadores, pura e simplesmente abandonaram a vida política. No foi contudo o caso da vila do Gavião, que trinta e seis hortas depois da queda da monarquia, o administrador do concelho, os vereadores e os empregados da câmara municipal e uma parte considerável das figuras com influência na vida local aderiam ao Partido Republicano. Na cidade de Elvas o processo de adesão ao Partido Republicano, se desenvolveu de forma moderada e as adesões quando ocorreram das figuras com maior protagonismo da cidade foram acontecendo ao longo dos três primeiros anos da vida Republicana. Assim só por volta de 1913 encontramos como membros do Partido Republicano, algumas famílias com poder económico e influência social, na Comissão Republicana da cidade. Esta situação que se manifestava um pouco por todo o País era comentada pelo “Correio da Manhã” de 12 de Dezembro de 1910, que deixava claro que a República precisava dos caciques para se consolidar:"(…) A república terá de bater à porta do cacique (…) oferecer a estrada, promover a ponte, negociar o despacho, e até virar uma boa canada na tasca ou na adega, para satisfazer a convenção social”. (Continua).

domingo, março 14, 2010

4.3. Elvas Portuguesa - "O Tempo dos Governadores"

A época dos governadores na História Política e Institucional da cidade de Elvas, foi uma consequência de uma Nação que pegou em armas para a recuperação da soberania nacional. E neste contexto conjuntural, a instituição do “governador” como protagonista da nova realidade justifica-se no âmbito da estruturação da defesa nacional e de espaços ou teatros de guerra, que necessitavam de ser ocupados, com vista às práticas de defesa, ocupação e ofensiva. De facto a cidade de Elvas, pela sua posição geográfica detinha um papel fundamental na defesa da entrada dos exércitos inimigos pela raia e por outro, do Alentejo como espaço aberto e de vastos planícies, permitia o avanço das forças de assédio as terras de fronteira, prática ocasional durante as guerras da Restauração. Assim a edificação de espaços militares como a Praça Militar e o Forte de Santa Luzia, se justifica nesta estratégia de defesa regional que estava depende de uma jurisdição militar que reconhecia no Governador o chefe militar, a capacidade de gerir o recrutamento, o aprovisionamento, o financiamento e a estratégia em tempo de guerra. Tratava-se de um personalidade militar, militar e titulada ou simplesmente titulada, no último caso, estava subjacente o princípio do privilégio e não propriamente o acto de mérito funcional. No caso da Praça Militar de Elvas, a nomeação dos governadores ao longo da época moderna, esteve sempre subjacente o interesse nacional, de tal forma que é possível observar, a presença de militares com experiência militar nos períodos de maior evidência de uma ofensiva inimiga e quase sempre caracterizada pela presença de militar de forma efectiva, com todos os problemas recorrentes de recrutamento e mobilização na modernidade. Diferente de outros momentos em que a presença militar era quase inexistente até que o conceito de modernidade não estava organizado na existência de um exército regular e permanente. Na época Moderna ao longo dos séculos XVII e XVIII, encontramos vinte cinco cartas de nomeação para Governador da Praça Militar, mas a documentação militar até 1789 refere mais três : trata-se do Conde de Jerónimo da Autoguia, um aristocrata/militar que desempenhou a função de governo interino em 1661 e de Francisco de Mello (1644) que deverá ter substituído num tempo muito curto D. Miguel de Azevedo. E, Gil Vaz (1664) que deve ter sido o governador militar e não o Conde Freire, que apenas esteve alguns dias em Elvas para comandar as tropas que seguiam para a capital, todavia faltam provas documentais para fundamentar o nome de Gil Vaz. A geração da Restauração marcou os primeiros vinte e oito anos da Praça Militar de Elvas e foram dezoito os governadores. O primeiro nomeado em 1640-1641, foi o capitão-mor, Álvaro de Ataíde, a própria patente de comando, remete-nos para o período medieval onde o capitão dirigia o serviço de hoste militar. Mas as condições da Guerra da Restauração marcaram definitiva a época dos governadores, porque a defesa da soberania nacional estava na capacidade de evitar o avanço das tropas castelhanas e numa fase imediata evitar a queda das praças da raia, Estremoz, Elvas, Arronches e o castelo abaluartado da Vila de Campo Maior. Entre 1641 e 1650, contam-se mais de dez nomeações, onde se identifica um autêntico desfile de heróis das Guerras da Restauração, como D. Sancho Manuel, Conde de Vila Flor com experiência de guerra aberta na Península itálica, na Flandres e no Brasil ou André de Albuquerque Ribeira Fria, herói nas campanhas do Brasil e do combate de Arronches em 1653. Mas outros nomes da aristocracia/militar portuguesa marcam a 1ª época dos governadores da Praça: D. João da Costa, Conde de Soure; Manuel Freire de Andrade, o prestigiado teórico militar, Joanne Mendes de Vasconcellos e D.João de Mscarenhas, Conde de Sabugal. Por último uma referência a D. Manuel Freire de Andrade, que foi nomeado por três mandatos :1646, 1657 e 1650, tendo sido o responsável pela primeira gestão dos recursos da Praça Militar de Elvas e anexos e que mais tempo ocupou no comando da Praça após a Restauração de Portugal (continua).



quinta-feira, março 11, 2010

Sabia que .... Caravaggio é o novo ídolo norte-americano

Um estudo levado a cabo, pelo historiador de Arte, norte-americano Philip Sohm chegou à conclusão contra todas expectativas, que Caravaggio é o pintor do momento na sociedade norte-americano. Segundo o referido académico, Caravaggio assume hoje a figura do anti-herói moderno na medida em que no estudo realizado acabou por destronar Miguel Angelo o grande mestre do Renascimento Italiano. As suas representações tornaram-se tão banais que estão em toda a parte e em espaços tão banais como aeroportos, segundo Philip Sohm o Bacchus ou a cabeça de Caravaggio, é provavelmente uma moda que ofusca temporariamente a obra impar dos frescos da Capela Sistina, Miguel Angelo.

quarta-feira, março 10, 2010

X - Terras da Raia do Distrito de Portalegre:- As figuras de influência política na época da Regeneração

A partir e meados da década de 1860 e nos primeiros anos da de setenta na cidade de Portalegre, uma das personalidades com influência na vida política era sem dúvida, Diogo Fonseca Acciaioli Coutinho de Sousa Tavares. Tratava-se de um portalegrense de origem nobre cuja actividade em defesa dos interesses da sua terra e dos grupos sociais populares contribui para que se tornasse num político com uma notável notoriedade entre os sectores menos privilegiados da cidade capital do distrito, segundo J.A.Gordo: “O povo acompanhava-o, incondicionalmente, para onde fosse ou quisesse ir em matéria eleitoral”.Como resultado da sua popularidade, tornou-se uma das figuras mais importantes do Partido Progressista, sendo inclusive um elemento decisivo na eleição do Doutor José Francisco Laranjo, para deputado pelo distrito, numa época em que o Partido Regenerador era a força política dominante. Todavia, a vitória do prestigiado académico nas eleições para a Câmara dos Deputados estava directamente relacionada com a existência de um grupo de personalidades dotadas de prestígio social e influência económica, nomeadamente nas cidades de Portalegre e Elvas, onde os respectivos círculos eleitorais eram quase sempre decisivos na eleição dos deputados do distrito. Nas vilas, por vezes essas figuras influentes eram também decisivas na contagem dos votos, não por ser o local de residência dos grandes proprietários do distrito, mas pelo simples facto de aí possuírem parte do seu vasto património agrário. Era o caso das vilas de Marvão e de Arronches, no caso particular desta última, era muito significativa a percentagem de trabalhadores rurais que estavam por razões de natureza social e económica, dependentes de  figuras como Diogo da Fonseca Acciaioli ou Luís Xavier de Barros Castelo Branco. O primeiro, Diogo da Fonseca Acciaioli, era morgado da Lameira, um núcleo próximo de Portalegre e uma personagem com vasta experiência política e que apoiou em diversos actos eleitorais os partidos, Histórico e Progressista. Sendo uma das figuras cujo apoio foi decisivo para a primeira eleição do Doutor José Frederico Laranjo em 1878. Esta estratégia política montada em volta das figuras de referência foi característica dos principais partidos com implantação regional e que de certo modo já demonstramos na nossa reflexão. No partido Regenerador pontificava, personagens como o Vigário Geral da Diocese, o Dr. José Andrade de Sequeira, natural da vila de Alpalhão, cujo prestígio e influência social se concretizou com base no desempenho de cargos como de Professor do Seminário de Portalegre, na década de 1860 ou de Vigário Geral, no período de 1875-1879. Outros regeneradores de referência na vida política e social do distrito ligados à administração estatal na sua condição de governadores civis, foram o Conselheiro Cândido Maria Cau Costa que seria nomeado Governador em duas ocasiões, a primeira em 19 de Setembro de 1878 e a segunda a 23 de Abril de 1881. O Conde José Avilez, figura de relevo da velha aristocracia portalegrense, mais conhecido pelo “Conselheiro”, cujo empenho e influência foi determinante para as várias vitórias eleitorais na vila do Gavião do seu partido. O Visconde de Reguengo e Cidrais, D. Adolfo Juzarte Rolo, descendente da família dos Costas Juzartes cujas origens com o título de Conde remonta ao séc. XVI. (Contínua)

sábado, fevereiro 27, 2010

4.3. ELVAS PORTUGUESA: Os novos poderes, a afirmação crescente dos Militares (1).

O poder militar enquanto força institucionalizada afirma-se em Portugal durante a época Moderna, atingindo a sua profissionalização como um exército organizado e moderno, em finais do séc. XVIII. Em Elvas a presença militar acompanha esse longo processo de organização e administração militar, a estrutura medieval assente nas milícias marcou a primeira centúria da modernidade, uma vez que a lei de Dezembro de 1570 na sua essência continuava a ter por base as milícias urbanas como elemento determinante para a existência de uma força militarizada (uma tropa) capaz de actuar em caso de necessidade. O comando supremo mantinha-se na posse do alcaide-mor ou seja, as milícias locais dependiam do enquadramento militar proposto pela governança local. Assim e durante quase um século, a defesa do território concelhio e do seu termo, dependia da gratificação do poder local em matérias como o pagamento das bandeiras, tambores, pólvora e chumbo e de forma ocasional os seus oficiais e meirinhos. Esta forma de exercício dos poderes militares era uma tarefa concelhia e logo uma função exercida pelo poder civil e assim foi, sem contestação até finais do século XVI. Nas Cortes de Tomar de 1580, quando o perigo espanhol era uma realidade mais que aparente, os estados sociais opuseram-se à existência de um serviço militar que afastasse os lavradores do aumento das suas culturas. A animosidade dos “povos” foi uma característica dominante e o enquadramento militar era quase inexistente e determinado quando o perigo da soberania recomendava a necessidade de convocação das milícias armadas. No caso particular da vila e sobretudo, da cidade, uma vez que essa categoria administrativa é confirmada na modernidade, a sua situação geográfica numa zona tradicional de invasão foi determinante para que o serviço militar com todas as limitações estivesse minimamente organizado. Mas o esboço de uma incipiente administração militar ficava definida com o regimento de fronteiras [29.8.1645], que cria entre outras instituições a Vedoria, que em Elvas como nas comarcas de fronteira fazia a supervisão da administração militar, do ponto vista das tropas e da logística militarizada que a concentração militar exigia. A realidade mudava radicalmente na vida institucional e política, da cidade raiana, era o tempo dos governadores cuja imposição se foi ampliando relativamente às autoridades civis no âmbito da jurisdição onde o conflito entre poderes foi evidente, mas sempre favorável aos militares há medida em que a tropa permanente se torna num exército moderno profissionalizado fruto das propostas do Conde Schaumburg-Lippe. Era o tempo dos Governadores militares cerca de trinta e três até ao início da Época contemporânea, quarenta e cinco até ao fim do Antigo Regime. (Continua)

segunda-feira, fevereiro 22, 2010


As sociedades humanas não podem subsistir sem o exercício do poder. Há sempre o poder enquanto domínio para que os grupos possam viver organizadamente e sem violência. Anselmo Borges. Professor Universitário (Coimbra).

domingo, fevereiro 21, 2010

X-Terras da raia de Portalegre: A organização partidária na Monarquia Constitucional



A organização da vida partidária no Distrito de Portalegre durante a Monarquia Constitucional, baseava-se na construção de uma rede de influências cuja finalidade era estabelecer uma rede de interesses capaz de garantia a vitória nos diversos momentos eleitorais que ocorriam no distrito. De um modo, geral essa teia de relações dependia de um pequeno grupo de cidadãos locais em perfeita conexão com os partidos nacionais. Aliás está íntima ligação entre os poderes locais e nacionais, nos permite verificar uma harmonia entre os resultados nacionais e os locais. Entre 1881 e 1910, o Distrito de Portalegre foi sempre pró - governamental, assim entre 1881 e 1886, as vitórias nos círculos nacionais e distritais foram sempre favoráveis ao Partido Regenerador, entre 1905 -1906, predominou o Partido Progressista. Os períodos de não coincidência ocorreram entre 1897-1900, quando o Partido Progressista governava o País e o Regenerador o distrito. No século XX, o Partido Regenerador voltava a ser a maior força do distrito, com excepção da cidade de Elvas, que era progressista por influência dos comerciantes que dominavam a vida política. Aliás desde “Ultimato Britânico - 1890”, que o distrito estava dividido e se o Partido Regenerador era a força dominante, a cidade de Elvas era a força que liderava os Progressistas, a qual se juntava as vilas de Ponte Sor, Nisa, Alter do Chão e Gavião. Todavia em finais do século XIX não existia uma organização partidária propriamente dita já que as formações políticas continuavam a ter como estrutura básica o apoio quase exclusivamente de matriz familiar, no caso de Elvas, o Comércio de Elvas, na época caracterizava assim os Progressistas: “Os agrupamentos políticos em Elvas, que não regulam pelo número de sujeitos que se podem permitir a honra de receber em sua casa meia dúzia de parentes e amigos, arvorando-se logo ali um chefe de uma facção”. Esta situação era extensível à forma de organização partidária por todo o distrito, numa época em que as formações políticas não obedeciam à estruturação dos partidos modernos e muito menos correspondiam a partidos de massas formados por militantes sujeitos a uma estrutura nacional já que na verdade só davam sinais da sua existência quando eram convocadas eleições gerais ou municipais. Entre os partidos existentes no Distrito, o Partido Progressista foi sem dúvida aquele que mais progrediu do ponto vista organizacional uma vez que antes do final do século XIX já tinha os seus centros de reunião nas duas cidades e nas principais vilas da região e eram os seus chefes políticos que escolhiam ou exerciam influência sobre os candidatos locais e controlavam com alguma facilidade a imprensa regional. O Regenerador, mais centralista, com sede em Lisboa e que determinava quem seria os candidatos a deputados em cada região. Na cidade de Portalegre, como sucedia também na de Elvas, era a classe dominante formada por indivíduos com maior poder económico e com reconhecido prestígio social que se afirmavam na vida política. Por outro lado, os programas e os objectivos das forças políticas das cidades e vilas, situadas a norte do Alentejo estavam perfeitamente definidos segundo os interesses dos grupos sociais na vida pública das suas respectivas localidades, quer se tratasse do Partido Regenerador, Progressista ou Histórico, partido residual mas com alguma força em determinadas localidades mas jamais uma força política vitoriosa.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Sabia que ....?


O artista belga Wim Delvoye está a ser motivo de polémica em França onde apresentará uma exposição que abre ao público amanhã no Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Nice e que apresenta sete porcos tatuados. Estes porcos foram levados por Wim Delvoye para uma fazenda perto de Pequim, na China. Onde foram tatuados denúncia os defensores do bem-estar animal. Na exposição: "O artista utiliza o animal como se fosse um único objecto. O sofrimento que a tatuagem, foi feita sob uma anestesia leve e não envolve o sofrimento dos suínos. Embora a abordagem do artista pode ser visto como perturbador ou provocador, no entanto serve para levantar o debate sobre a questão da exploração animal "Diz o site do museu.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O pensamento do Dia....


"Todas as coisas «boas» foram noutro tempo más; todo o pecado original veio a ser virtude original. O casamento, por exemplo, era tido como um atentado contra a sociedade e pagava-se uma multa, por ter tido a imprudência de se apropriar de uma mulher (ainda hoje no Cambodja o sacerdote, guarda dos velhos costumes, conserva o jus primae noctis). Os sentimentos doces, benévolos, conciliadores, compassivos, mais tarde vieram a ser os «valores por excelência»; por muito tempo se atraiu o desprezo e se envergonhava cada qual da brandura, como agora da dureza. A submissão ao direito: oh! que revolução de consciência em todas as raças aristocráticas quando tiveram de renunciar à vingança para se submeterem ao direito! O «direito» foi por muito tempo um vetitum, uma inovação, um crime; foi instituído com violência e opróbrio". Friedrich Nietzsche, Filósofo.

Sabia que? ..... Os retratos de Caravaggio



Foi hoje apresentado ao público no Museu Reginal de Messina, um conjunto de retratos de Caravaggio, cultivados em diferentes fases da sua vida, as quatro figuras representam os pastores na temática da “Adoração”. Esta hipótese é defendida pelo superintendente do Museu do Polo Roman, Vodret Scarlett, um grande estudioso de Miguel Ângelo, e que há muito vem trabalhando em colaboração com a Unidade de Carabineiros para a Protecção do Património Artístico, de acordo com as suas metodologias de reconhecimento de rostos, todos os retratos representam o próprio Caravaggio. "Para Caravaggio, a presença de seu retrato na pintura torna-se quase uma espécie de assinatura", defndeu Vodret Scarlett