sábado, junho 26, 2010

5.1-As obras públicas da modernidade: o período Filipino e a expansão urbana...

No período Filipino a cidade continua a crescer ao ritmo do aumento demográfico e novas ruas renovavam geografia urbana: a Rua dos Quartéis (1580), aberta para a recepção a entrada de Filipe II de Espanha e respectiva Corte; a de Álvaro Borracho (1582); do Castelo (1564); dos Chilões (1578); do Forno (1586) onde se situava os fornos da cozedura de pão; do Amado (1594); do Botafogo (1594); do Casqueiro (1597); a Rua da Judiaria Velha, foi renovada e desde inícios do séc.XVII , torna-se conhecida pela Rua de João Olivença, que advém do nome do Meste das Moças; a dos Gallegos (1596), que dará lugar mais tarde a das Alcoutinhas; de Afonso Gil (1605); de Braz Annes (1605), a Travessa de Bernardo Amaral (1607), situava-se junto ao antigo Arco do Relógio; dos Azevedos (1612 - em homenagem a uma família aristocrática da cidade, trata-se de reconstrução da antiga rua de Monteróio; de António Machado, conhecido fidalgo da cidade (1612); de Aires de Abreu (1613); Ana Fernandes (1626); de João da Ponte; do Chafariz Fora (162?); de Rua Manuel Gomes Estaço(1627) em homenagem ao padre da igreja paroquial da Sé; a de Rua Mendo Allonso Resende (1627) e a do Rolo (1628). Nesta perspectiva, a expansão construtiva do burgo elvense, levado a cabo pelo Império Espanhol, durante os primeiros vinte anos de domínio filipino, não ficou só marcado pelo aparecimento de novas ruas, como mandou ampliar outras e mudou o estrutura apertada da área medieval como vias de ligação como travessas e becos. E foi sem dúvida nenhuma a época da definição da estrutura da cidade elvense que acabaria por permanecer na sua essência sem grandes alterações até ao início da época moderna. Mas a obra colossal da cidade depois do impasse por falta de meios financeiros, continuava a ser uma prioridade, um novo tributo era colectado e dirigido aos tendeiros que faziam feira trienal na Rossio da cidade num espaço situado a sul do futuro aqueduto. Essa provisão estaria em vigor durante cerca de cinco anos, todavia e antes de nova paragem, a câmara procurou que todos os estratos sociais da cidade participassem com a sua contribuição na obra da Amoreira e nessa perspectiva, por carta municipal o Bispo D. António Mendes de Carvalho, o município pretendia saber qual a verba ou contribuição que o Bispado poderia disponibilizar. Contudo a mudança da conjuntura institucional e política, marcada com a perda de independência lançou o debate na cidade, o alcaide mor, António Melo considerava que a defesa da cidade era mais importante que a continuidade da obra e defendia o aproveitamento das suas estruturas para fortificar a cidade, mas o derrube de parte das estruturas do aqueduto era uma questão problemática, porém a população não aceitava esta solução de bom grado em função do esforço e do sacrifício financeiro de duas gerações que estavam comprometidas com a construção do maior aqueduto que então se construía na planície alentejana e no país . De resto, as motivações patrióticas de António de Melo não seriam acompanhadas pelo resto da população, considerando que a mesma iria aclamar pouco depois, Filipe II de Espanha que enviou D. Pedro Velasco, para negociar com os representantes do poder local a sua entrada da em Elvas, nesse encontro as autoridades municipais deram conhecimento da necessidade da continuidade da obra da coroa assumir o financiamento da obra. Ao mesmo tempo era decidido pelo poder local que os fundos do aqueduto para as obras de fortificação voltavam a ser dirigidos para a sua finalidade inicial. Mas na verdade a obra continuava parada e a correspondência entre o município e a coroa mantinha-se até que Filipe I de Portugal, nomeia por carta régia de 12 de Novembro de 1598, Manuel Sequeira Novais como superintendente do aqueduto e a base de sustentação económica para as novas obras, continua a ser o imposto real de água cujo valor tributário é agora dobrado relativamente o valor em vigor entre 1580-1598. Finalmente a fábrica do aqueduto (estaleiro das obras), recomeçava os seus trabalhos de continuidade da obra e até por volta de 1606, sendo essa primeira fase marcada pela recuperação dos troços do aqueduto que se encontravam danificados e nessas circunstâncias, a câmara de Elvas promulgava em postura um conjunto de penas a aplicar a quem destruísse voluntariamente ou não, os troços já edificados, essas penas incluíam o degredo para África e uma serie de penas pecuniárias. No início do primeiro quartel do séc. XVII o aqueduto atingia na sua parte mais alta cerca de 24m, uma conquista para os mestres pedreiros da época, alentejanos e extremenhos, já que desde a segunda metade do séc. XVI, a questão da elevação da obra era o principal desafio que o projecto enfrentava. Não é indiferente esta conquista à presença do terceiro mestre-de-obras na direcção do aqueduto, na pessoa de Pero Vaz Pereira, arquitecto da Casa de Bragança. Mas outros mestres de referência estiveram na cidade, numa época em que o objectivo era já fazer entrada da água na cidade e em direcção à fonte da Misericórdia pela sua posição adjacente ao hospital. O principal seria Luís Gabriel, mestre-de-obras da cidade de Lisboa, mas seria o arquitecto Diogo Marques o responsável por esse projecto, sendo o quarto arquitecto em funções desde o inicia da obra da Amoreira e o responsável pelas primeiras obras de reparação e manutenção do aqueduto, já centenário ou quase e nesse contexto a caída de arcadas era uma realidade e um desafia para os construtores. As polémicas sobre a gestão dos fundos de financiamento do aqueduto, das reparações e manutenção, marcam a vida quotidiana nos trabalhos do aqueduto, mas no dia 22 de Junho de 1622, há festa na cidade a água da Amoreira chega à Fonte da Misericórdia. Uma vez mais o arquitecto da Casa de Bragança, era consultado nas obras de apoio e anexas o Chafariz da Madalena (1622) concluído logo após a fonte da Misericórdia, outras obras da dinastia filipina foram as: Fonte da Cadeia (1625); Fonte de S. Lourenço (1626); Fonte de S. Vicente (1628); Fonte de S. Domingos (1629) e Fonte do Quartel (1630).Terminava assim um dos períodos áureos da planificação urbana da cidade que por força da União Ibérica, tornou-se uma cidade cosmopolita e mercantil e uma das poucas cidades portuguesas que beneficiou durante as primeiras quatro décadas (1580-1620), dos bons ventos que então sopravam de Espanha. Continua.


sábado, junho 19, 2010

5.1- As obras públicas da modernidade: As últimas obras da dinastia Afonsina em Elvas

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Quando, a cidade de Elvas fez o seu 22º aniversário a classe política local tinha finalmente a sua sede que se erguia no lado oposto à futura Sé de Elvas ou seja os poderes temporal e espiritual, estavam consagrados em torno da grande Praça de D. Manuel, circular e em terra batida e onde se edificavam em seu torno as primeiras casas nobres da fidalguia elvense. Sem data determinada e adjacente à Catedral de Elvas, edificava-se o pelourinho da cidade símbolo do poder judicial, provavelmente de meados de quinhentos, mas de matriz manuelina e seguindo o modelo de outros pelourinhos da época como os dos arquipélagos de Cabo Verde e Madeira. Definidos com base estrutural num fuste cilíndrico, decorada por esferóides com capitel prismática e rematado por uma pequena esfera. O conjunto está hoje assente num pedestal de cinco degraus de base poligonal. Mas a história da cidade como a de Portugal estava prestes a conhecer uma nova etapa da sua vida como realidade política e institucional, percorria-se os últimos trinta anos da Dinastia Afonsina e de Portugal como estado – nação sem o peso de tal designação que caracterizaria os estados nacionais na época liberal. A cidade continuava a se definir as grandes artérias da cidade: estruturava-se a Rua dos Albardeiros (1587), tratava-se de uma via profissional que dava acesso à Porta de Évora; mais a norte a Rua de André Lopes Garro, os Garro eram uma família distinta da cidade e esta via permitia o acesso ao Paço Episcopal (corresponde à actual Rua de São Francisco). De acesso ao Castelo, era inaugurada a 16 de Agosto de 1564, a rua do mesmo nome. Outras vias são registadas, mas o ritmo de construção era muito menor do que se tinha verificado até meados do séc.XVI, a Rua da Alagoa, Rua do Cano, Rua Domingos Fernandes, Rua das Caras, Rua Gabriel Mendes Rua, Heitor de Silas, Rua João Pote e a Rua dos Quartéis da Corujeira (1577). A grande obra da cidade voltava a ser notícia em 1571, o reinício das obras da Amoreira, o aqueduto continuava isolado da cidade e contava já com uma estrutura construtiva de oitocentos arcos. No final do mês de Janeiro, D. Sebastião concedeu um alvará para o reinício das obras, o período de preparação para o reinício foi longo e só seis meses depois e dois dias, o mestre-de-obras, da Coroa, Afonso Álvares, chega a Elvas com a missão de traçar um novo plano e concluir as obras do aqueduto. Uma das primeiras propostas, feitas pelo prestigiado arquitecto da Coroa à Câmara municipal, consistia num lançamento de imposto fiscal sobre toda a população como fundamental para o pagamento das obras que deviam ocorrer. Apesar do peso das contribuições, os elvenses aceitavam o esforço, mas a conjuntura política seria madrasta para o desenvolvimento das obras do aqueduto. O desastre de Alcácer Quibir e a perda de independência determinaria nova paragem até 1598, entretanto e para defesa de Elvas a Câmara Municipal de Elvas, através do seu Alcaide-mor, António de Melo propunham que os fundos monetários do aqueduto fossem canalizados para as obras de reforço das fortificações.





sábado, junho 12, 2010

5.1. As obras públicas da Modernidade: a proliferação de obras civis e a paragem das obras do Aqueduto.


A cidade a caminho de meados do século XVI tinha se transformado num autêntico estaleiro de obras, no interior do burgo de matriz medieval, iniciava-se timidamente o rompimento de novas ruas, ainda que a sua explosão construtiva só se torna evidente durante a segunda metade do séc. XVI numa época que as obras da futura Sé estavam concluídas e o aqueduto que tinha já um troço de 6 Km, mas o ritmo de construção era lento por falta de apoio da Fazenda Rel. No centro urbano, novas ruas eram abertas nas freguesias urbanas: na Alcáçova, a da Mateirôa, a do Fidalgo em homenagem a Fernão Pinto, Rua João Vaz de Pousada (outro cavaleiro, que denuncia também a nobreza da freguesia pela etiqueta aristocrática dos seus membros), do Tavanco, a Rua dos Lagares (que identifica a existência deste tipo de unidades produtivas) e o Adro da Igreja de Santa Maria dos Açouges, estava já concluído. Na freguesia do Salvador , concluía-se a do Espírito Santo (1548), antes de meados do século XVI e a pequena travessa utilizada pelos padres do Salvador tomava o nome de Manga Corta. Em, S. Pedro o número de residências aformoseavam-se à volta da nova rua de Fernão Pinto e que tal como a de João Quental foram planeadas ainda antes da elevação da vila de Elvas a cidade. Todavia, seria a partir de meados do século XVI que o ritmo de construções no interior da cidade atingiu um notável desenvolvimento permitindo a canalização da mão-de-obra, após a conclusão das obras da futura Sé para estas obras municipais que foram correntes ao longo de todo o século, de facto o maior templo da cidade a Igreja Nossa Senhora da Praça ou Nossa Senhora da Assunção, estava já concluído no fim da década de 1530, ainda que a sua consagração com espaço religioso tenha sido feita em 1537 com as obras por terminar. Mas esta obra apesar da complexidade da estrutura da sua cobertura sob direcção de Diogo Mendes durou menos de duas décadas e foi acompanhada na fase final por Francisco de Arruda, que concebeu o plano arquitectónico da mesma. Em 1542, eram retomadas as obras do Aqueduto com uma única finalidade ligar o Vale de S.Francisco, onde se encontrava o estaleiro das obras da edificação e o vale do Rossio, tratava-se de uma etapa construtiva de grande complexidade, uma vez era necessário criar formas de sustentação aos diferentes alçados constituídos por várias fileiras de arcada, necessários para a elevação das massas que por sua vez seriam determinantes para a circulação da água potável que devia circular pelas paredes dos canos. Nesse âmbito o contraforte no remate e os contrafortes coluna seriam as soluções encontradas por Francisco Arruda que continuava com residência na urbe elvense. Com o aproximar de meados de Quinhentos, a questão financeira continuava a ser um problema fundamental no financiamento da obra, discutindo-se na correspondência real e do município se o aumento de imposto real, então passava a ser quebrado para as obras do aqueduto devia de ser aumentado, o que não se conhecendo a vontade popular segundo a documentação, significava o agravamento do custo de certos produtos importantes na dieta alimentar como a carne, o peixe e o vinho. Esta questão arrastou-se durante quase um ano, com o dito real de água em vigor segundo as novas condições e um novo, em vigor no inicio do Outono de 1544, quebrado em moeda de 2 rs., que devia completar o orçamento para a obra do aqueduto. Este imposto fiscal na teoria jamais devia ter sido transferido para as obras do aqueduto uma vez que se tratava de um fundo para a conservação e manutenção das atalaias e reparação das fortificações, mas cuja aplicação não se prova por fonte histórica. A falta de verbas para o progresso das obras do aqueduto eram evidentes em 1548 a obra parava por longo tempo cerca de vinte e dois anos. Por várias razões  podemos citar, na correspondência entre a coroa e o município,  referências à suspeita de desvio dos fundos do aqueduto pelos corregedores do concelho, as dúvidas relativamente a Pedro Borges são inquestionáveis e as desconfianças em relação a Francisco Rodrigues são evidentes, por parte da Coroa. Ao mesmo tempo, o monarca suspendia o ordenado do Mestre visor das obras do aqueduto, Diogo Mendes face ao impasse em que a obra se encontrava praticamente parada, e com custo para a Fazenda Real de 6000 rs. Os gastos com reparações constantes face à queda de algumas estruturas não consolidadas e a da inconsciência de alguns anónimos era outro problema que se tornava evidente após dezanove anos de construção em pleno. A partir de 1559 a correspondência entre o poder central e local, desaparece das fontes de arquivo quando o município propunha novos mestres pedreiros para a direcção das obras do aqueduto. Mas o interesse pela continuidade da obra do aqueduto, acabou por ser renovado pela acção de D. Sebastião por Carta Régia de 25 de Janeiro de 1571, que ao contrário da rainha regente D. Catarina mostrou-se indiferente aos pedidos regulares do município elvense.

sábado, junho 05, 2010

5.1- As obras públicas da Modernidade: a 1ª fase da construção do Aqueduto das Amoreiras.


Mas se a construção do Aqueduto das Amoreiras é a maior obra pública de iniciativa real edificada na modernidade, a verdade é que a iniciativa da sua construção encontra a sua génese na acção municipal, se considerarmos que os procuradores de Elvas às Cortes de Évora de 1498, foram atendidos no sentido da obtenção de uma verba necessária para a reparação do Poço do Alcalá e nesse contexto foi autorizado o lançamento do imposto real de água, que incidia sobre três fundamentais na dieta alimentar da população local: a carne, o peixe e o vinho. Assim tal imposto, ao contrário do que refere a historiografia tradicional, não foi cobrado inicialmente para as obras de edificação mas para a reparação do estado de ruína em que se encontrava a antiga fonte de abastecimento da vila ( o dito poço árabe) e sendo assim também as obras da construção do aqueduto não se iniciaram no ano das Cortes de Évora em 1498. E não temos dúvida em afirmar que a mesma não ocorreu na década seguinte, uma vez que só em 1529, as fontes históricas referem as primeiras preocupações no modo como se devia gerir as verbas extraordinárias que o município iria dispor para a sua construção, ao mesmo tempo que a iniciativa municipal passava a ser controlada pelos poderes públicos, na medida em que a superintendência das obras ficavam sob o controle dos corregedores da comarca. Num esforço construtivo épico com mais de uma dezena de etapas que terminam praticamente no séc. XIX, onde não faltaram mestres pedreiros da região, portugueses e extremenhos, ao fim ao cabo uma mão-de-obra que não se limitou a uma força trabalho disponível na vila e depois cidade. Contudo, antes de 1537 as obras do Aqueduto são raras, espaçadas e os proventos económicos insuficientes, a correspondência entre a Coroa e a Câmara, também deixa transparecer a ideia que não existe um projecto para levar a água da Amoreira à cidade. E foi neste contexto, de indefinição que em 27 de Julho de 1537, o monarca D. João III anuncia ao município elvense que enviará, o seu mestre-de-obras Francisco de Arruda para que veja essa obra da Câmara. Todavia, o pedreiro real vem à cidade no seu décimo aniversário com uma função de fiscalizar o rol de obras que a nova cidade apresentava no seu reduto, caso do açougue, das casas da câmara, da igreja nova, das cadeias, do chafariz da cidade e do referido aqueduto. Esta viagem a Elvas de Francisco de Arruda seria bastante proveitosa para os cofres municipais, já que o mesmo recomendaria ao monarca, novos meios financeiros, uma vez que o imposto real de água era insuficiente para a obra em curso. Para tal, sua majestade autorizou as autoridades locais a aplicação de determinadas penas pecuniárias para obtenção de meios financeiros tal como a venda das propriedades de domínio municipal, identificadas na documentação como canadas e objecto de venda com alguma regularidade nos anos de 1537 e 1538, como se observa nas fontes notariais. A primeira etapa, construtiva corria de vento em pompa entre a fonte de Amoreira e o outeiro de S. Francisco até cerca de 1542, numa extensão de 6 Km e já sob direcção do Mestre Francisco de Arruda que tinha fixado residência temporária na cidade e gizava um plano para levar água à cidade, mas notícias do roubo de água por particulares através do rompimento da canalização da obra em progresso começava a ser um problema para a direcção das obras e para tal pediu-se à Coroa a nomeação de um visitador, o que não foi concedido, mas Diogo Mendes, que dirigia as obras da Igreja Nova (futura Sé) passava a acumular essa função. Mas uma vez mais o financiamento pesava na alçada dos seus responsáveis, o recurso o cofre dos órfãos de Elvas e depois das comarcas de Estremoz e Portalegre foram determinantes para o avanço da obra. (Continua).

segunda-feira, maio 31, 2010

A universidad da Extremadura reforça o número de Cursos de Verão sobre Portugal


Uma vez mais, os Cursos da Universidad de Extremadura vão privilegiar Portugal na linha de Cursos de Verão de 2010. Nada menos de que três, destacando-se o curso “Documentación del Património Cultural Inmaterial en Extremadura y Portugal”. O curso que é dirigido pelo Profª. Doutora, Maria Isabel Martinez e reunirá um conjunto de especialistas na área da documentação histórica e patrimonial, assim como todos aqueles que têm como linha de investigação os temas de fronteira . Entre os vários especialistas, contam-se figuras como o Doutor, Chad Casty da Iowa Satate University e Westy Weaver da Satate University de Nova York.; “ O impacto social, e económico y cultural del Fútebol – La candidatura Ibérica”, dirigido pelo Prof.Doutor D.Miguel Cardenal Carro e “La cultura de España y Portugal en América en tiempo de Carlos V”, dirigido pelo Prof. Doutor Migual Angel Hernandez. Não deixa de ser importante esta aposta da Universidad da Extremadura numa época em que cada vez mais os projectos fronteiriços com reconhecimento e qualidade científica situa-se hoje todos a norte da Linha do Tejo.

quinta-feira, maio 27, 2010

5. Introdução - A política de obras públicas do Estado Moderno.

A cidade que cresceu e se desenvolveu durante a época Moderna ao contrário do que ocorreu na Europa da sua época, não se expande a partir de uma nova urbe. Ou seja, o espaço que acolhe os novos efectivos populacionais ainda se insere na cintura amuralhada medieval definida pelas 3ª e 4ª linhas de muralhas e tal situação não deve causar qualquer admiração na medida em que mais tarde o mesmo sucedeu com a muralha seiscentista que nos finais do séc. XIX, ainda integrava espaços vazios ou ocupados com hortas e pomares, ou seja ainda longe da sua capacidade efectiva. De resto a muralha da modernidade não se edificou por questões demográficas mas por razões belicistas determinadas pela tipologia que a artilharia determinava desde fins da Idade Média no Ocidente. Do ponto vista construtivo o ritmo das obras que marcam o devir das construções públicas na nova cidade, têm um cariz marcadamente urbano e civil. E algumas delas, são anteriores ao novo marco institucional e jurídico ou seja, ocorrem durante os últimos anos da vila raiana, o que não é nada de anormal bem pelo contrário, demonstra a estratégia da Coroa em criar um pólo de desenvolvimento económico nas proximidades de fronteira a exemplo do que ocorria em Espanha. Na verdade o monarca, D. Manuel, muito antes da promulgação do foral já teria recomendado à vereação do concelho de Elvas, para que fosse encontrado um terreno e que se fizesse o seu devido embelezamento, tratava-se de planificar a futura praça central. Entretanto, as primeiras obras do aqueduto das Amoreiras eram levantadas fora das muralhas nos últimos anos da notável época quatrocentista, numa período em que a população deslocava-se e crescia,  radicando-se nas urbes em expansão demográfica como era o caso da vila de Elvas. Se na verdade o crescimento da população em finais do séc. XV não justificava uma nova ordenação do espaço, o consumo e abastecimento de água parece ter sido uma prioridade da Coroa no âmbito de uma estratégia que era de elevar e promover a nova urbe no contexto regional, já que apenas a cidade Évora se mantinha como a única circunscrição urbana a Sul de Portugal. Mas não restam dúvidas também que o acto de edificar uma obra singular como um aqueduto, se inseria num plano de obras públicas que obedecia a uma requalificação e promoção da vila elvense. Senão vejamos, ao contrário do que afirma a história tradicional, o Poço árabe do Alcalá estava longe de estar esgotado, de resto a documentação nega essa realidade, já que o dito poço continua a ser utilizado ao longo dos séc. XVII e XVIII, e quando pela primeira vez correu água pelo aqueduto, o mesmo estava longe de por si só abastecer a cidade. Por outro lado, embora não haja uma referência exacta, ao mestre que projecta a linha construtiva do aqueduto, também não há dúvidas, considerando as fontes históricas que se trata de Francisco Arruda, já que o mestre que trabalha em Elvas nos primeiros anos do séc. XVI é o mestre das obras da baluarte do Restelo nada mais que a Torre de Belém e esse é Francisco Arruda. O que reforça a nossa tese que a elevação da cidade de Elvas é um projecto devidamente preparado e por isso mesmo são os mestres pedreiros de el-rei que se fixam na vila fronteira nas duas construções marco da época: o aqueduto das Amoreiras e a futura Catedral de Elvas, cuja estrutura construtiva inicial se insere na dinâmica construtiva do Gótico Final.

quinta-feira, maio 20, 2010

4.4.-Elvas Portuguesa: os estratos sociais marginais.

A existência de escravos libertos em meados do séc. XV nas regiões de fronteira era uma realidade devidamente comprovada pela documentação, mas à medida que avançamos para a modernidade o escravo de origem africana encontra-se perfeitamente registado, em documentos tão banais como os registos paroquiais. Mais de cinco centenas de escravos oriundos dos contactos com a Costa Ocidental Africana integravam a comunidade elvense e alguns deles não só adquiriram a sua liberdade como no séc. XVII  constituíram a chamada Irmandade dos Homens Pretos com o objecto da sua libertação. Mas considerando de novo os números com base nos livros paroquiais da Sé e do Salvador, ao longo do século XVI o número de escravos chega a um número excepcional de 3.700 efectivos e apenas duas centenas deles não terão atingido a categoria de homens livres. Alguns terão sido objecto de venda nos mercados de escravos da Extremadura Espanhola apesar de faltar provas documentais expressivas, ao contrário a concessão da sua liberdade é notícia mais frequentemente na análise de fontes, como é caso de Isabel Tinoca, solteira que concede ao seu escravo António, a sua liberdade, legando-lhe algum dinheiro e alguma roupa, o que não deixa de ser curioso numa época em que o escravo segundo as leis portuguesas estavam dependentes do seu senhor como de um bem móvel se tratasse (uma coisa), a designação de preto/a ou de homem baço/a acompanha, o nome e a profissão dos escravos liberos na comunidade local. Eram muitos os que estavam sob as ordens dos seus senhores, os fidalgos e a nobreza tradicional, eram sem dúvida os proprietários das centenas de escravos que asseguravam a maioria das tarefas domésticas, os velhos Pegados da época da reconquista, Afonso Eanes Nunes ou a família Gama, que há sua conta tinham quase três dezenas de escravos na sua casa aristocrática. Mas a questão da alforria dos escravos negros é uma questão que merece uma reflexão, qual o papel das Irmandades dos Homens Negros no libertação dos escravos? A resposta, estararia na sua capacidade de recolher doações em dinheiro ou bens com vista a essa intenção, todavia os seus estatutos estavam centrados na defesa dos escravos livres ou cativos e na organização e custo dos funerais dos irmãos mais pobres. O “chefe” da Irmandade era identificado pelo nome do “Rei Preto”, a sua sede estava situada na Igreja do Convento de S.Domingos e funcionou regularmente até ao séc. XVIII. Outro grupo social, os mouros que viviam na cidade de Elvas nos finais do séc .XVI, nada tinham a ver com aos da época da reconquista, uma parte dos mesmos encontraram nas terras da fronteira portuguesa um exílio forçado, para manterem as suas crenças religiosas face a perseguição e violência da inquisição espanhola. A sua presença em Elvas era tolerada e na antiga vila de Elvas em plena época medieval, havia mesmo um cemitério situado no adro da Igreja de S.Vicente , uma conquista dos procuradores de Elvas às Cortes de 1436 que pretendiam que as sepulturas das comunidades cristãos e mouras fossem devidamente separadas para evitar os desacatos que por vezes ocorriam junto do Convento de S. Domingos quando os cortejos fúnebres dos mouros se aproximavam dos aglomerados cristãos. Por outro lado, pelos registos de morada de alguns mouros de Elvas, a hipótese do desenvolvimento desta comunidade a partir das Portas de S. Vicente parece-nos bastante credível. Ao contrário da comunidade judaica que atingiu alguma notoriedade na transição para a época moderna ao ponto de terem reconhecimento nacional e regional, os mouros  estavam limitados à sua área comunitária e nem todos eram livres, como são exemplo os que prestavam serviço aos grandes da cidade era o caso, de João, baptizado em 1603 e que servia o Corregedor André Valente ou do escravo do senhor Bispo (?) que casou com a viúva da comunidade cristã, Maria Rodrigues. A comunidade cigana, essa era quase inexistente e os registos da sua existência, são relativos aos que eram baptizados e à sua participação nas festas da cidade em muitos especiais, havendo referencia às moças ciganas que dançaram na Praça, quando D.Maria filha de D. João III entrara na cidade quando se dirigia para Castela com o fim de casar com filho do Imperador Carlos V, o príncipe Filipe que em 1580 tornar-se-ia rei de Portugal.

domingo, maio 09, 2010

4.4 - Elvas Portuguesa: O terceiro-estado: - Os mercadores no topo da hierarquia das classes populares.


O terceiro estado constituiu na Época Moderna, a base social da estrutura da população elvense e que incluí todos os grupos sociais que não estão identificados com a Nobreza e Clero, numa palavra com a Aristocracia. Uma realidade comum de resto nas sociedades das europeias do Antigo Regime e que na cidade raiana era mais que evidente já que se tratava de um senhorio régio desde a sua fundação como povoação portuguesa. Uma parte considerável desta população elvense foi resultado directo das vagas migratórias geradas por várias motivações políticas mas sobretudo económicas no final da Idade Média.. Todavia há que distinguir nesses movimentos de população, alguns fidalgos, burgueses e mercadores, que circulando pelas áreas do império continuaram a ter como residência oficial a sua cidade natal e como tal não pertencem ao rol dos novos moradores. Era o caso dos Mesquitas Pimentel, que serviram as armas da Coroa no Norte de África, Pedro Mesquita Pimental fez parte da hoste de D. Sebastião e esteve preso nessa praça africana após a campanha de Alcácer Quibir, o mercador cristão – novo, António Fernandes, rico – burguês, registado no grande trato do comércio escravos na chamada rota triangular e que tornara o arquipélago de Cabo verde como sede para o seu tráfico negreiro, chegou inclusivamente a deter o monopólio desse comércio por alvará da Coroa . De resto desde meados do séc. XVI, a colónia elvense em Cabo Verde estava perfeitamente integrada na vida das elites locais, o elvense Fernando Mesquita exercia o cargo de governador do arquipélago e Simão Fernandes, padre elvense em  São Tiago,  era o “salvador” das almas cristãs. Aliás os interesses mercantis foram determinantes para a existência de um “punhado” de mercadores elvenses no comércio colonial, são várias dezenas com registo no negócio das explorações das estações mineiras de Angola, porém a documentação não é precisa entre aqueles que estão no trato do comércio e os que desenvolvem a sua actividade como trabalhadores braçais. Na Índia, a família de Manuel Gomes de Elvas, ainda antes de meados de Quinhentos já era reconhecida como um grupo de mercadores de longo trato a que estava associado um dos Pegado de Elvas, oriundo da fidalguia medieval desde os primeiros tempos da vila medieval. Convém relembrar que os Gomes de Elvas, durante o século XVII tinham já adquirido a sua titulação e durante a segunda metade do séc. XVII era já referidos pela documentação como a família Coronel. Em Elvas os tendeiros, eram os homens de negócio da cidade, a maior parte deles viviam do comércio local com base nos produtos locais de matriz agrícola, uma boa parte já tinham contactos de âmbito regional e um grupo mais restrito, estava envolvido com comércio local, como era o caso de Francisco Fernandes próspero comerciante local com uma mercearia, filho de uma castelhana e que na segunda metade do séc. XVI , 1559 é registado como mercador na Praça Comercial do Peru. De resto a presença mercantil de mercadores elvenses, nas praças mercantis do sul americanas é uma realidade que se estende e se regista nas colónias espanholas, o padre elvense Sebastião de Vaz que residia na cidade colombiana de Saragoça e que em pareceria com o local, Gracia Costa detinha a exploração de uma mina de ouro e prata, cuja mão-de-obra era assegurada por uma série de escravas negros. No âmbito do comércio transfronteiriço os mercadores da raia de Elvas e Campo Maior, desempenhavam um papel fundamental entre as principais praças do comércio ibérico, Lisboa e Madrid, como agentes comerciais, os Mesa e os Silveiras radicados em Elvas especializaram-se nas transacções de mercadorias agrícolas que eram colocados nos mercados da Extremadura mas especialmente no de Badajoz. Gaspar Rodrigues era então o mercador local com maior intervenção no comércio luso-espanhol. Cuja esposa Brites Álvares, herdeira da sua fortuna acabou por ampliá-la através da constituição de uma sociedade financeira familiar que ocorria aos principais mercados e feiras em território castelhano. Aliás esta prática era seguida por Diogo Álvares, cristão-novo que chegou a ser perseguido pela Inquisição e que negociava nos principais centros urbanos do reino vizinho, tal como Medina del Campo. Córdova, Ubeda, Málaga e Sevilha, produtos da Índia, nomeadamente roupa e especiarias como se lê na documentação, mas também a madeiras exóticas, como o pau do Brasil. Contudo, a família Penso que se radicara na cidade eram os especialista do grande comércio com o Brasil com residências em Lisboa e Badajoz. A importância do comércio local e a sua relação com o Império é indiscutível, especiarias e sedas da Índia, panos e metais preciosos, vendia-se com toda a normalidade nas tendas da cidade até meados do século XVIII. A venda de jóias, pratas, espadas e espingardas, denunciam a existência de uma clientela de burguesa e fidalga. O azeite e as cavalgaduras, contribuiu também para o enriquecimento de numerosos mercadores da Praça comercial elvense. A Rua das Portas de Évora e na continuidade da entrada principal para o centro do burgo elvense, a Rua da Feira eram as principais artérias da vida comercial e mesteiral da cidade, uma vez que a documentação refere a existência de várias tendas e oficinas em seu redor, numa época em que a cidade de Elvas era o principal praça comercial da raia nacional, posição que se manteve até a época liberal já na primeira centúria da época contemporânea. Por último, não podemos deixar de fazer referência aos elvenses, João Rodrigues Penha e a Frei Rui de Brito, cuja actividade bancária, trata-se de dois prestamistas que sob empréstimo de dinheiro a juros se impuseram na sociedade na modernidade como homens de fortuna. Em suma, se a fidalguia era escassa e dependente da coroa, a burguesia mercantil era um grupo em ascensão social pela capacidade de gerir os meios de transacção comercial que determinou a sua posição no topo do Terceiro Estado.

sábado, maio 08, 2010

A arqueologia em debate no Museu Romano de Mérida

O ciclo de Conferências “Ciudades romanas de Extremadura”, que se iniciou no passado mês de Abril (22) com a conferência “La ciudad romana de Capera (Cáparra) prossegue já na próxima semana com a 4º Conferência deste ciclo “Nertobriga Concordia ilulia: município romano da Bética (13 de Maio). Este acontecimento que tem sido marcado com a presença dos mais representativos arqueólogos e historiadores, que se dedicam a esta área de investigação ou que têm interesses de carácter transfronteiriço deverá ter o seu encerramento no próximo dia 27 de Maio, onde a temática estará centrada na famosa cidade de Émerita Augusta.

Descoberto um novo Van Gohg


Quase cem anos depois da sua morte em 1894, um coleccionador holandês, Dirk Hannema, que morreu recentemente, sem saber que possuía um raríssimo quadro de Van Gogh, O moinho “Le Blue-Fin”, pintado em Paris em 1886.  Os especialistas do Museu Van Gogh, depois da análise das linhas criadoras, nomeadamente da figuração, da temática e dos pigmentos da tinta, chegaram a conclusão que se trata de uma obra original e que será apresentada ao público pela primeira vez, no Museu de Fundatie, em Zwole.

sexta-feira, abril 23, 2010

Fazer a guerra na Raia da Plancie Medieval.








Castelo do Marvão

A guerra na linha de fronteira ao longo do Guadiana , durante a Baixa Idade Média é uma realidade documentada quase sempre com uma forte componente mítica , onde o cavaleiro se destaca da peonagem e o teatro de guerra ou das operações bélicas ocorre ao longo das vastidão das planícies Alentejanas. Porém, a realidade documental, demonstra que o teatro de guerra privilegiado ocorre nos assédios aos castelos de fronteira e em poucos casos tal com em Castela na chamada “guerra guerreada". Assim, e em primeiro lugar, interessa definir a fronteira portuguesa na região do actual Alto Alentejo, não apenas como o espaço tradicionalmente considerado e definido ao longo do rio Caia , mas como uma realidade mais ampla que se desenvolve para sul do Guadiana .



Castelo de Elvas

Neste contexto, se os Castelos de Elvas e Campo Maior , foram determinantes na defesa da fronteira medieval , não menos importantes foram os Castelos de Juromenha, Alandroal , Vila Viçosa , Borba e Estremoz , alguns deles tendo mesmo um papel fundamental no apoio logístico, como veremos . Em segundo lugar , o que significava a fronteira na época medieval no espaço em estudo , segundo a historiografia tradicional, era fundamentalmente um espaço de guerra aberta e um espaço a conquistar ? Mas era também um espaço onde a espionagem marca a preparação para a guerra , ou melhor, para os assédios organizados de um lado e de outro da fronteira. Porém, tal como nas épocas Modernas e Contemporânea, é um espaço de contrabando intenso sobretudo quando reina a acalmia ou mais corrente a paz . Esse contrabando é tão significativo que aos portos secos do Caia vêem com frequência os Castelhanos que trazem cavalos para fazer comércio, o que não deixa de ser perigoso teoricamente para estes esta actividade clandestina, com a agravante de ser um produto fundamental para os confrontos bélicos, mas mais curioso era a realidade dessa actividade clandestina que não era desconhecido pela Coroa portuguesa . De facto D. Afonso V permitiu, durante três anos, aos estrangeiros que trouxessem armas e cavalos, fosse concedido o privilégio do não pagamento de qualquer taxa, o que demonstra a importância da aquisição de meios bélicos por via da fronteira, muitas vezes ou quase sempre clandestina, e com a curiosidade de por vezes se verificar que os mercadores desse comércio de contrabando podiam ser os próprios inimigos ou se quisermos, os tradicionais inimigos que vivem nas proximidades da fronteira e que conhecem os modos e os meios que alimentam esse contrabando , que, aliás, era desejado e era comum , quer se trate da margem do Caia/Guadiana portuguesa ou de castelhana . Em terceiro lugar, como se faz a guerra no espaço em consideração? Através de pequenos exércitos, que não profissionais , não obedecem a uma estrutura organizada , em termos administrativos civis e militares e não são financiados pelos poderes públicos. De um modo geral careciam de uma“ ... infra-estrutura administrativa , de financiamento de quadros de comando estável e se dissolvia quando por vezes não estavam terminadas as operações e por vezes antes ...” . Logo, o carácter permanente e regular , não é características dos exércitos medievais não depende do Estado como na Época Moderna , mas do cumprimento das obrigações vassálicas ou como obrigação na qualidade de súbito . É nesta última condição que se entendem os pequenos “ exércitos” da guerra do Caia e do Guadiana , que se identificam através das fontes documentais em Elvas e Alandroal . Em quarto lugar , que tipo de organização e que tipo de armas possuem os exércitos do Caia e Guadiana ? De um modo geral as mesmas que caracterizam os exércitos peninsulares do fim da Idade Média , ou melhor, eram pequenas forças que se apoiavam na Infantaria por vezes constituído por homens que na vida quotidiana estavam relacionadas com as armas, a Cavalaria pelo preço do equipamento do homem e do cavalo, que era caro e se limitava aos homens de comando, numa época em que o cavaleiro por razões de estratégia de defesa a cavalo, apeava-se do mesmo e combatia no “ teatro de guerra “ como se de um peão se tratasse . Mas a infantaria era a força determinante sobretudo na guerra ofensiva que está mais do que documentada :“com dous homêes de pee , antre almogavares e outra gente". Por outro lado , Gonçalo de Azevedo , Conde de Viana e Fronteiro mor de Vila Viçosa , mais tarde de Lisboa , tinha no seu “exército”, 1000 lanceiros e besteiros e Vasco Martins de Melo , 200 lanças tal como Martim Afonso de Melo , nas operações ofensivas e defensivas da fronteira do Caia-Guadiana , face às ameaças de Mestre de Santiago de Castela . Contudo, nesta vasta região , a organização das forças portuguesas tornou-se somente clara durante a Crise de 1383-85 , numa época em que um dos heróis da guerra da Independência , D. Nuno Álvares Pereira , era fronteiro-mor da região Entre-Tejo e Guadiana .Quanto às armas as mais utilizadas e frequentemente no equipamento português durante o séc.XIV, destacavam-se os : ...cambais , loriga , capelina ou bacinete , coxotes e caneleiras .


                                      Cortina muralhada do Castelo do Alandroal

Em quinto lugar : na zona do Caia e Guadiana , os Castelos para além da sua importância defensiva e ofensiva ; havia alguns que na de retaguarda tinham uma função mais específica , de armazenamento de armas e, como tal, de apoio logístico às actividades da guerra, como a Torre Menagem do Castelo de Estremoz onde as armas eram depositadas no “ dicto almazem na casa dell que he dentro no dicto castello" ou os Castelos de Veiros , Juromenha ou na torre do castelo do Alandroal. Mas, cenário da guerra medieval nos fins da Idade Média privilegiado em toda a fronteira portuguesa de Norte a Sul , tinha como palco central o Castelo que era sem dúvida o meio mais eficiente na prática da guerra, quer em toda a Península Ibérica quer no Ocidente Medieval . Esta realidade bélica , o Castelo não é apenas uma arma defensiva, ela é também uma base extraordinária para a guerra ofensiva e na medida em que a guerra de fronteira é uma guerra de conquista de posições . Eis um exemplo desse tipo de guerra : “...antes de iniciar o cerco de Elvas, ao mandar abastecer Badajoz , Albalá , Jaraicero e Almocir com grandes quantidades de pão e trigo e cevada , necessários ao aprovisionamento das gentes e de armas a partir desses castelos, deveriam invadir Portugal ".Porém foi na guerra defensiva que o Castelo provou ser quase inexpugnável , segundo Garcia Fitz : “ Qualquer fortificação bem abastecida , ainda que tivesse poucos defensores e com clara desvantagem em armas , tinha muitas possibilidades de manter-se frente a uma pressão exterior".Os cercos foram a prática de guerra mais utilizada na fronteira do Caia e Guadiana . As fontes revelam-nos sistematicamente nos fins de Idade Média , em Elvas , e mais para interior das margens do Guadiana , os cercos a Vila Viçosa , importante também em acções ofensivas pela sua posição estratégica de “ fazer correr “ os seus “ exércitos “ , numa faixa bem determinada entre o Alandroal e Estremoz , não está posta de parte a sua intervenção em terras do Sul como Terena ou Reguengos , e é provável que tal acontecesse atendendo que o fronteiro mor de Vila Viçosa , o Conde Gonçalo de Azevedo era simultaneamente o fronteiro mor de Moura no fim do Séc. XIV . A importância desta vila no palco da guerra medieval é incontestável -“ quem vençesse e ouvesse a praça ligeiramente cobriria os logares cercados” .Mas a defesa de longa fronteira , foi também possível em função de um conjunto de modificações que ocorreram nas primeiras fortificações acasteladas do início da reconquista cristã portuguesa ao longo da raia . Na região do Caia em Elvas, as alterações às novas exigências de guerra atingem o auge em finais do Séc. XV ; em Barbacena (Elvas ) a nova gramática bélica marca esta nova fortificação a caminho do Norte Alentejano ; ao contrário de Campo Maior, onde a edificação mandada erigir por D. Dinis em 1310 só será alterada com a introdução do fogo de artilharia na segunda metade do séc. XVII, as suas altas muralhas e a sua forma compacta explicam a longa longevidade desta construção bélica. Na região do Guadiana, o Castelo do Alandroal mantém a estrutura inicial do Séc. XIV, o seu papel na logística da guerra é deveras importante, mas como teatro de operações não se encontra nas frentes mais avançadas, papel esse pertencente a Elvas e Juromenha e na retaguarda a Vila Viçosa.


Torre de Menagem (Castelo de Estremoz)

Na época de transição quase até ao aparecimento da pólvora e da sua aplicação na guerra aberta, destacamos a área das fortificações da actual região dos mármores , o Castelo de Estremoz , cuja Torre de Menagem funcionou como autêntico “ paiol” de apoio logístico à guerra de assédio e provavelment/ pontualmente como reforço de armas através da cavalaria de ginetes ( ligeira ) aos locais de cerco .

Castelo de Évora Monte

Não menos importante e o melhor exemplar das inovações e transformações, é o Castelo de Évora Monte , salientando-se o Paço Fortificado , que se inscreve numa fase de transição pirobalística e finalmente o Castelo de Vila Viçosa , de planta quadrada , do início do séc .XVI, do qual se destacam os torreões cilíndricos de entrada e o profundo fosso que rodeia toda a estrutura do edifício anunciando uma nova era, a do fogo. Porém, numa época em que o Castelo constitui um elemento fundamental, considerando que a Guerra Medieval de um modo geral como vimos, se caracteriza como uma guerra de assédios , os exércitos que põem cerco têm alguns objectivos determinados . Nesta perspectiva, para além da pressão psicológica sobre a população cercada, cuja atitude era de resistir e padecer , tratava-se também de destruir os seus recursos económicos e ao mesmo tempo estabelecer as condições de acesso ao Castelo , cujo assédio se podia fazer através da aproximação das muralhas , utilização de engenhos e abertura de cavas e minas , esta última prática muito utilizada , através da qual o inimigo pretendia abrir as portas da população sitiada e permitir o avanço dos invasores , por isso mesmo a vigilância das portas ou mesmo a sua abertura era um acto temido e sagrado : “ dabrir as portas tiinha moor cuidado que de rrezar as matinas”. Mas, como defendemos ao logo do presente texto , o castelo como máquina de guerra afirmava-se através das suas capacidades defensivas e quase sempre com sucesso. As mais comuns eram : Do lançamento do alto das ameias e das torres , com grande intensidade chuveiros de viratões e de setas simultaneamente , os sitiados lançavam também sobre os assaltantes e as suas máquinas de guerra fabricadas em madeira , uma vasta gama de projécteis e de materiais inflamáveis , uma técnica em que os estrategos da guerra medieval recomendavam tal como : Cristiano Pisano , Frei de D.Alonso ou Gil Roma. Se na guerra medieval, o Castelo teve um papel fundamental, as armas e o equipamento da cavalaria, da infantaria e da artilharia tiveram um papel singular  .

domingo, abril 18, 2010

Dia Mundial do Património e dos Sítios - As praças da Restauração da Identidade Nacional


No Dia Mundial do Património e Sítos deixamos nesta breve referência sem preocupações científicas uma simples reflexão de três das grandes praças que se edificaram durante a Restauração com o objectivo de defender a soberania nacional. Referimo-nos – A Praça Militar de Valença – que se situava no Minho, que era então um importante teatro de guerra, com condições favoráveis aos assédios de cerco e à guerra guerreada, as suas férteis terras, a existência de gado e cavalos justificavam tal tipo de operações militares. Mas era também uma região com uma ocupação humana notável fundamental para a política senhorial e régia de recrutamento. A Praça Militar de Almeida – que se situava na Beira numa via de invasão notável durante a Idade Média, mas que perdeu uma importância muito significativa durante a época Moderna, a pobreza de mantimentos e a queda demográfica explica a sua decadência, um século depois da sua edificação. A Praça Militar de Elvas – que se situava no Alentejo, numa época em que esta província era um teatro operacional de guerra por excelência e sujeita regularmente à guerra de assédio nomeadamente numa vasta zona entre Alegrete e Arronches.



Perspectiva sobre a Fortaleza de Valença do Minho


Obras anexas: baluartes, guaritas e fossos - Valença do Minho


Localização: - A fortaleza de Valença do Minho situa-se na margem esquerda do rio Minho, e destinava-se ao controlo sobre a passagem do dito rio e à defesa da povoação portuguesa, relativamente a qualquer avanço inimigo ao território nacional. Edificação: Durante a segunda metade do séc. XVII até inícios do séc. XVIII, sob risco do arquitecto francês, Miguel L´Ecole, porém as obras foram condicionadas entre 1654 a 1661, altura em que a praça passou para o domínio espanhol. As obras finais ocorreram sob direcção de Manuel Pinto Lobos, que deu por fim o projecto inicial. No final do séc., XVIII ocorreram algumas obras de reforço da Praça, como os muros do Paiol da Pólvora e foi levantado o Paiol do Açougue. A estrutura arquitectónica: definida por sete baluartes, pela obra da Coroada com três baluartes e dois meios baluarte e várias obras anexas como os revelins e os fossos. E é a maior praça portuguesa em cintura amuralhada. Momentos históricos: Foi protagonista como espaço de mobilização militar e de resistência durante as Guerras Peninsulares tendo sido vencida pelas tropas de Soult em 1809 que fez explodir as chamadas Portas do Sol. Tomou partido da resistência absolutista sob chefia de D. Miguel durante as guerras liberais, mas perderam essa causa em 1830 quando o almirante inglês Charles Napier, libertou a mesma das forças absolutistas. 



Perspectiva área da Praça Militar de Almeida

Localização: - Praça Militar de Almeida na Vila de Almeida e cobre defensivamente toda a zona histórica da vila . Edificação - Logo após a Restauração com o fim de renovar a estrutura obsoleta das defesas medievais e neste contexto, o conceito da nova máquina de guerra que então foi edificada justificou-se no âmbito de criar naquele espaço a sede Governo de Armas da Beira para além da função natural defensiva que aquele espaço personifica. A supervisão das obras da Praça foi feita pelo engenheiro Lassart, que logo de seguida esteve na equipa que coordenou algumas das  obras de fortificação que ocorriam então em Elvas. Apesar de tudo a traça do projecto é atribuído a Pedro Gilles de St.Paul, segundo o método de António Ville. A estrutura arquitectónica: Trata-se de uma praça de planta hexagonal constituída por seis baluartes, aos quais corresponde o mesmo número de revelins . A reforçar o carácter defensivo da Praça há guaritas em todos os ângulos dos baluartes e duas no meio das cortinas. O reparo e os revelins são encontrados em toda a sua dimensão. Momentos históricos: Praça sujeita a constantes assédios na época da Restauração e nas Guerras Napoleónica, na qual a praça da Beira, capitulou face ao exército do General Massena. Perdeu a sua designação de Praça de Guerra em 1927.


Praça Militar de Elvas - Perspectiva área


Perspectiva norte da Praça


                                                         Vista sobre a Porta de Olivença



  Perspectiva a norte da Porta da Esquina com vista sobre a cobertura do Paiol de Santa Bárbara e Aqueduto das Amoreiras

 
                                       Perspectiva do Norte Praça com vista sobre o Castelo

Localização: Praça Militar de Elvas, situa-se na cidade de Elvas e cobre defensivamente toda a área urbana. Edificação: Justificou-se no âmbito da defesa regional e como obstáculo de progressão para o avanço das forças invasores para a capital do reino, iniciou-se logo após a Restauração, com o convite a Jean Ciermans, mais conhecido por Cosmander para inspeccionar as fortificações do reino e proceder aos melhoramentos necessários. Em 1644 as novas fortificações garantiam a defesa de metade da cidade e à data da morte de Cosmander em 1648, faltava construir, uma meia baluarte e algumas obras exteriores e dois redentes, um deles não chegou ao nosso tempo. A estrutura arquitectónica: Definida por sete baluartes, quatro meios baluartes, um redente e várias obras anexas como fossos. Constituí um polígono irregular, é a maior praça abaluartada portuguesa. Momentos Históricos: Defendeu-se a soberania nacional durante o Cerco que se iniciou no Outono de 1658 e que terminou com a célebre Batalha das Linhas de Elvas em 14 de Janeiro de 1659. Afirmou-se mais tarde como placa de estacionamento militar durante as Guerras Peninsulares e como espaço de mobilização do exército português, primeiro com as campanhas de África nos finais do séc. XIX e depois durante a Guerra Colonial. Foi também posto avançado de prevenção e de comunicação com a imprensa periódica nacional durante a Guerra Civil de Espanha. As três praças hoje são candidatas a Património Mundial da UNESCO, uma candidatura interessante, mas um desafio difícil independente dos processos de candidatura, a concorrência hoje é muito forte há trinta ou vinte anos, tais candidaturas não teriam tido dificuldade de classificação, todavia hoje o conjunto é uma mais valia, mais aí a prioridade cada vez mais está centrada em projectos não europeus … porém tudo o que for feito pelo património independentemente da sua classificação deve ser motivo de aplauso e de apoio, se tiver sobretudo,  coerência e  rigor científico, a singularidade é naturalmente o ponte forte nessa perspectiva ... senão, não teremos jamais, credibilidade e tudo o que fizermos será efémero....    



quarta-feira, abril 14, 2010

Sabia que ? ...

A Estátua da Liberdade é um dos ícones maçónicos mais importantes da História dos Estados Unidos. Foi inaugurado em 28 de Outubro de 1886 na presença do Presidente norte- americano, Glover Cleveland nos arredores de Manhattan. Mas os milhões de turistas que visitam todos anos aquela escultura monumental de uma maneira geral desconhecem a sua vinculação com a maçonaria oitocentista. De facto, quando do lançamento da primeira pedra, foi precedida por uma cerimónia maçónica por iniciativa de vários membros de diversas lojas maçónicas que tiveram a ideia de oferecer um monumento à “América Livre”, quando da comemoração do seu primeiro centenário como estado independente. Um dos mações de referência era o artista Frédéric Auste Bartholi, membro da loja parisiense Alsácia-Lorena, que partiu em 1871 para os Estados Unidos com o encargo de propor a edificação de uma escultura que fosse simultaneamente um hino à liberdade. E segundo as fontes bibliográficas, terá sido perto da cidade de Nova Iorque que Bartholi, inspirou-se no seu projecto de desenhar uma deusa de braço alçado segurando uma tocha como símbolo da liberdade que deveria iluminar o mundo. De facto vivia-se na época das grandes revoluções liberais, a palavra liberdade era então visto como o credo do século, citando um articulista da Sentinela da Fronteira que da cidade histórica de Elvas, observava um mundo em mudança em seu redor. Mas, de regresso a Paris os franco-maçónicos, iniciaram uma intensa recolha de fundos com a finalidade de financiar a sua dádiva ao povo norte-americano, a mesma seria avaliada em 250.000 dólares e o sonho de Frédéric Bartholi , passaria à realidade, através de Gustave Eiffel, que desenhou a estrutura interna da Estátua da Liberdade, também ele pertencente à sociedade maçónica, aindas antes de alcançar a fama e o reconhecimento internacional com a edificação da Torre Eifell.

sábado, abril 10, 2010

4.4. Elvas Portuguesa: O funcionalismo militarizado sobrepunha-se a uma fidalguia escassa e modesta.

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A Nobreza na época da modernidade continuava ao longo dos séculos XVII e XVIII, a caracterizar - se por uma fidalguia ao serviço da coroa portuguesa e por essa razão os governadores da praça eram em tempo de paz os mais altos dignitários da aristocracia elvense. De facto, só em 1799 e que podemos falar na presença de militares de carreira, com a nomeação do Tenente General, D. Francisco Xavier de Noronha, que apesar de tudo, continuava a tradição das armas da nobreza uma vez que se trata do Conde de S.Lourenço, título nobiliárquico que se mantinha na sua família há mais de um século. É certo, que a meio século XVII, o Marechal de Campo, Guillerme Luís António Valleré, militar de carreira exerceu o cargo de Governador Militar mas tal função deve ser observado no contexto das obras militares que ocorriam em Elvas e nomeadamente no Forte de Graça. Por outro lado, há que distinguir uma fidalguia em ascensão que exerce funções militares na cidade e a Nobreza de armas, que governou Elvas ao mais alto nível em determinados momentos da vida da urbe raiana. Entre a aristocracia funcionalista e de armas destaca-se alguns nomes de referência: o Conde Mesquitela (1662), aliás foi o primeiro governador que por carta régia de D.Afonso VI se comprometia a ter residência permanente na praça de armas; Manuel Jacques de Magalhães, Visconde da Fonte da Arcada (1703-1704); Marquês D’Ossa (1735); D.Sancho Manuel de Villena, Conde Vila Flor (1749); Manuel Mello Castro, Visconde da Lourinhã, com nomeação em 1768 e confirmações em 1769, 1775 e 1777. Já no tempo dos militares e quando a monarquia absoluta era questionada foram vários os fidalgos que serviram os interesses da aristocracia de sangue como foram os casos do Visconde de Veiros, Tenente General Francisco de Paula Leite ou Thomas Guillerme Stubbs, Visconde de Vila Nova Gaia e fundador da Loja maçónica da Liberdade. A fidalguia local, continuava a caracterizar pela sua escassez e importância quando comparada com a Nobreza de Portugal. E entre a nova nobreza continuava a predominar a aristocracia exterior a vida local, como era o caso do primeiro Conde de S. Lourenço que recebeu por doação régia parte do património fundiário da coroa em Elvas, o que se compreende do ponto vista institucional uma vez que desde a Guerra Restauração os Alcaides da cidade eram oriundos da família Mello da Silva César Menezes. Todavia era possível observar uma tímida renovação da aristocracia, num espaço em que a uma parte propriedade fundiária estava nas mãos da Casa de Bragança nomeadamente Vila Boim, onde o Conde mandara levantar uma fortaleza em 26 de Julho de 1478. A família Tristão da Cunha, era outra família elvense que ganhava notoriedade com o seu património agrário na herdade do Toucinho situada no caminho da Juromenha. Não podemos ignorar, que afirmação desta família estava intimamente ligada à figura de Nuno Tristão que tinha servido o Infante D.Henrique na Ordem de Cristo e cuja primeira doação da Coroa é datada por carta régia de 19 de Março de 1476. Outras continuavam a viver na cidade e constituíam a fidalguia mais antiga como eram os casos das família Palha e Botafogo, que eram legítimas herdeiras do título de cavaleiro da casa real, pertencente aos Garro desde a época da reconquista. O aforamento de olivais, uma prática desde os tempos medievais era por extensão uma forma de enriquecimento da fidalguia mais modesta da cidade ou seja beneficiava alguns cavaleiros do serviço de hoste da cidade.

A Lista "Forbes da História"

Em cada ano, a Forbes publica a sua lista de milionários, hoje numa época em que a “moeda”é sol das sociedades contemporâneas deixamos a nossa Lista “Forbes da História”, válida para o percurso da história da humanidade, eis o nosso “Top Teen”:- CRESO, rei da Lídia (actual Turquia,) no séc. XV aC., cuja riqueza se constituiu com base nas minas de ouro e prata, que o tornou reconhecido pelos seus contemporâneos como o homem mais rico do seu tempo. Foi durante o seu reinado que se cunhou a primeira moeda.- AUGUSTO, por ser o romano mais rico da sua época, teve todas as condições para transformar a República em Monarquia no ano de 27 d.c. Mas o primeiro romano, que teve direito à representação do seu rosto foi Júlio César em 44 aC.- JACQUES COEUR (1935-1456), afamado comerciante francês que teve o mérito de se converter num burguês muito rico algo que apenas era aceite e um direito quase exclusivo da Nobreza. COSME MEDECI (1389-1464), era membro da conhecida família dos Medecis cujo sucesso financeiro foi determinante para o exercício político, enquanto dirigentes da República de Florença, durante parte do Renascimento.A sua fama estava directamente relacionada pelo seu desempenho como banqueiro e pela sua eficácia enquanto homem de negócios. JACOB FUGGER (1495-1525), Considerado o maior mercador da sua época, marcada pela inovação e pelo êxito nos seus negócios, como demonstram os vários cognomes que conheceu em vida, tais como: “O Rico”, “O Banqueiro dos pobres”e o “Rei do Cobre”. Em 1514, o Imperador Maximiliano I, lhe outorgou o título de Conde do Sacro Império. MAYER AMSCHELROTHSCHILD (1744-1812), começou como uma modesta cestaria num gueto de Frankfurt (era judeu) e terminou com um dos maiores impérios económicos da sua época. ALFRED NOBEL (1833-1896), mais conhecido como um filantropo (os prémios mais famosos do mundo são atribuídos com o seu nome) e menos como o inventor do dinamite que foi determinante para sua notável fortuna enquanto fabricante industrial de explosivos. JONH ROCKEFELLER (1839-1937), empregou o seu talento comercial na consolidação da Standard Oil como a principal companhia petrolífera do mundo. O seu apelido ainda é hoje sinónimo de riqueza para os seus herdeiros. JEAN PAUL GETTY (1892-1976), apelidado como o ”mais rico do mundo”, embora durante muito tempo praticamente desconhecido fora dos meios financeiros. A sua fortuna à dará da sua morte situava-se nos 130.000 milhões de escudos e detinha cerca d um bilião e meio das reservas petrolíferas disponíveis. BILL GATES ( 1955), dono da gigante Microsoft, e é em cada ano um assíduo membro da lista anual das maiores fortunas pessoais publicadas pela revista Forbes. Na publicação de 2009, a sua fortuna estava estimada em 40.000 milhões de dólares, que o posicionava como o homem mais rico do mundo

IX - Terras da Raia de Portalegre: as comissões republicanas e a singularidade de Arronches

Mas à medida que o Partido Republicano, se afirmava no Distrito de Portalegre, os antigos caciques monárquicos, passavam a ser conhecidos por “adesivos” já que se tinham convertido ao republicanismo e que de resto foram determinantes para os primeiros embates do Partido Republicano. Na medida em que passados alguns meses sobre o 5 de Outubro de 1910, eram já figuras indispensáveis das comissões republicanas e das comissões políticas que se foram organizando em cada paróquia, município e distrito. Na verdade, nas cidades de Portalegre e Elvas, existiam já comissões republicanas antes da queda do regime monárquico, a mesma situação estava longe de suceder a nível das vilas, Arronches e Marvão eram as pioneiras na raia do distrito de Portalegre, numa região onde a tradição a este nível administrativa era de forte tradição monárquica como era o caso de Castelo Vide e Avis. Outras como Nisa, Crato, Monforte ou Campo Maior, a questão republicana nem se questionava tal era adversidade da sua elite local a essa causa. Em Elvas, a causa republicana, estava ligada a personalidade ímpar de Júlio Alcântara Botelho, de origem aristocrática o seu avô o Visconde de Alcântara foi durante algum tempo Governador Civil do Distrito. A sua humanidade era reconhecida pela comunidade local, de facto parte da sua fortuna foi gasta na solidariedade, mas concretamente na ajuda aos mais pobres e nesse contexto foi um verdadeiro mecenas no combate a mendicidade. Assim num centro urbano próximo dos ideais monárquicos, com apoio indiscutível de uma pequena burguesia em ascensão, o primeiro presidente da Comissão Republicana de Elvas, era nada menos que Júlio Alcântara Botelho um aristocrata que estava sensibilizada à mudança de regime. Na Vila de Arronches, se as elites agrárias na maior parte exteriores ao município eram anti-republicanas, uma parte considerável da população era favorável às novas ideias que proliferavam na vila já na década de 1880, de tal modo que em 1911, os arronchenses era o único município do Sul de Portugal, que tinha já um partido republicano local, o Centro Democrático de Arronches, que funcionava como a voz de uma população que se afirmava como anti-clerical outra característica dos pioneiros do republicanismo nos grandes centros urbanos como Lisboa e Porto. Por esta razão quando foi aprovada a Lei da Separação da Igreja e do Estado, em 1911 na vila realizou-se uma sessão extraordinária na qual o Presidente da Câmara, no seu discurso a dado momento afirmou: “Por tanto Arronches que já em 1883 bem demonstrou as suas ideias anti-religiosos e que tem sido sempre democrática e liberal, não pode ficar indiferente ante a promulgação de tal diploma, por isso convocou esta sessão para que a Comissão como representante deste povo manifesto sentir da promulgação da lei”. Mas a realidade singular de Arronches jamais se observou noutros concelhos do distrito, onde a ideia da República estava impregnada na sua população independente das comissões republicanas, determinantes na dinamização dos valores republicanos em Elvas e no Marvão que na raia precederam a vila da Arronches na causa republicana. (Continua)

sexta-feira, abril 09, 2010

Eva Braun revistada por Heike Gortemark



A efémera esposa de Adolfo Hilter, Eva Braun, tratada nas biografias de Adolfo Hilter, como uma menina ingénua e submissa, relegada para segundo plano e que se apaixona fatalmente pelo ditador germânico. Em algumas das biografias, questiona-se inclusivamente se teria existido entre ambos qualquer relação íntima e defende-se mesmo uma relação platónica entre estas duas figuras da história alemã, num dos seus períodos mais críticos. Todavia, novas reflexões são agora motivo de publicação, na obra Eva Braun: Leben mit Hilter do historiador Heike Gortemaker, que mostra uma nova visão da relação entre Eva e Hilter. Segundo Gortemaker , tratava-se de uma personalidade forte com influência no líder nazi, conhecendo a política de genocídio do estado Nazi e ao contrário da menina submissa, manifestava as suas opiniões. Segundo o historiador alemão. A imagem ingénua criada à volta de Eva Braun, justificava-se no contexto da negação do protagonismo das mulheres nazis sustentada pelo arquitecto do nazismo Albert Speer no pós-guerra, com o objectivo de proteger a sua própria esposa. E acrescenta que tal visão incorporada por historiadores como Hugh Trevor-Roper permitiram esta imagem falsa e que se estende as mulheres que serviram o Terceiro Reich.

Sabia que ?

72,5 metros de altura alcança o minerete do conjunto monumental de Qutab, em Deli (Índia),que se converteu no mais alto do mundo desde o século XIII.

terça-feira, abril 06, 2010

A Revista Miltitar publica artigo sobre a Praça Militar de Elvas



A Revista Militar – na sua edição nº 62 , do II século, de Março de 1910, reserva um artigo à cidade de Elvas, a prestigiada revista, fundada em 1848 e uma das mais antigas de Portugal, gozando do estatuto de Utilidade Pública, apresenta nesta edição, os seguintes artigos científicos: Editorial [General Gabriel Augusto Espírito Santo]; Portugal nas vésperas das invasões francesas no contexto geopolítico e geoestratégico [Tenente –General, Manuel Fernando Vizela Marques Cardoso]; Duas Cartas Geográficas de 1909, da autoria do Major de Cavalaria Manuel de Oliveira Gomes da Costa [Tenente Coronel João José de Sousa Cruz]; Da Guerra à paz ou a afirmação da Praça Militar de Elvas [Prof. Doutor Arlindo Pestana da Silva e Freitas Sena] ; Da importância Geopolítica e Geostratégica dos Açores no Actual Contexto Estratégico [Major Luís Carlos Falcão Escorrega] (Re)Formação do Sector de Segurança em Timor Leste [ Prof .Mestra, Mónica Ferro /Capitão Reinaldo Saraiva Carvalho] e O crescimento do Império Ateniense e o Medo Causado em Esparta: O efeito “Spill-over” da Democracia de Atenas [ Técnico Superior/Mestre em Relações Internacionais ].Além destes estudos académicos a revista apresenta ainda um capítulo de Crónicas Militares e Bibliografia, no âmbito da função militar, dirigida pelo Tenente-Coronel Miguel Silva Machado.

Cenários de Hoje das Batalhas de Ontem


Alseia: - Situa-se a 70 Km de Dijon e foi cenário da Batalha de Alesia em 52 aC. e foi decisiva para a vitória das legiões romanas sob comando do imperador, Júlio César sobre uma confederação de tribos gaulesas.

Poitiers: - Campo de batalha situado a 20 Km de Poitier, onde Carlos Magno venceu as forças muçulmanas chefiadas por Al Gafiki em 10 de Outubro de 732 . O ocidente assumia de novo a liderança da Cristandade.

Waterlloo – Aqui se desenrolou o último capítulo das batalhas Napoleónicas que sacudiram o mundo desde 1803. Uma coligação de 100.000 homens, enfrentou durante três dias as forças napoleónicas que foram obrigadas a bater em retirada, em 18 de Junho de 1815 . Hoje sobre o campo de batalha se identifica a escultura de um leão comemorativo que simboliza a vigilância sobre a distante cidade de Paris.

Verdun – Em Fevereiro e Dezembro de 1916, nestes cenário verdejante e selvagem, ocorreu uma das maiores batalhas da I Guerra Mundial entre alemães e francese, num cenário sangrento e de morte, onde cerca de 200.000 vidas povoaram o campo de batalha.

Normamdia – 6 de Junho de 1944, nas suas praias (cinco) a norte de França, ocorreu o célebre dia D que marcou a libertação da Europa das potências nacionalistas do Eixo.