segunda-feira, setembro 20, 2010

Sabia que? O I Festival Internacional de Cannes realizou-se com o mundo em guerra.






 Um dos acontecimentos da Sétima Arte que mais gera multidões na Europa



                               O desfile das estrelas


Cannes e a cidade do glamour e da fantasia

     A 20 de Setembro de 1946, ocorreu o I Grande Festival Internacional de Cinema de Cannes com grande polémica e crítica da imprensa internacional, uma vez que o mundo entrava em Guerra era a Segunda que iria abalar todo o universo, com palcos de guerra diversificados no planeta e com a intervenção do cidadão comum como protagonista do acontecimento. Ao contrário do que muitos jornalistas que afirmaram que o 11 de Setembro 2001, colocou pela primeira vez o homem comum num conflito urbano em que a ideologia era algo indiferente para si. A II Guerra Mundial invadiu e destruiu algumas das grandes estruturas urbanas, o bombardeamento sobre a cidade de Londres é sem dúvida o exemplo, determinante para se afirmar que a partir do século XX, a ofensiva bélica não ignorou a vida dos homemns enquanto simples cidadãos que não estavam preparados para as ambições dos homens ou das batalhas que ocorriam em campos determinados e por vezes à margem da força construtiva dos homens.     

sábado, setembro 18, 2010

5.3. As obras da Modernidade: -As obras da fé: - A Igreja da Ordem Terceira.

h

Fachada Principal da Igreja da Ordem dos Terceiros


Vão emoldurado por um frontão característica da  das Igrejas de Ordem Terceira em Ouro Preto


Visão da rectaguarda da coroação bolbosa e octagonal da Torre Principal


Pátio anexo da Igreja onde se localizava a cisterna mandada fazer pelo Bispo D. João de Sousa Castelo Branco

Da época da modernidade uma das primeiras construções religiosas edificadas em Elvas, num momento em que Portugal respirava de novo os ventos da sua soberania, foi edificada a Igreja dos Terceiros, assim conhecida por ser a sede da Ordem dos Terceiros, criada em 1663. Trata-se todavia de uma construção do séc. XVIII, cuja campanha inicial das suas obras, decorre a um ritmo lento para a época, abrange quase duas décadas 1701-1719 e teve um custo de 9.500 cruzados, que apesar de ser uma quantia considerável para a época demonstra ao mesmo tempo que se tratou de uma construção, simples e sóbria, que por acaso não é uma das características do Barroco com excepção da riqueza e exuberância da talha dourada que cobre toda a capela-mor e dos painéis de azulejo setecentistas (1760/65), nas faixas laterais do templo definido por uma nave única. Painéis, cuja temática se insere em temas bíblicos como o nascimento, o recebimento do hábito, a salvação das almas dos Terceiros, o Purgatório e finalmente a sua morte. O espaço interior inclui quatro capelas laterais num espaço, cuja cobertura é definida nave única abobadada que a cobre nave. A fachada principal, caracteriza-se por uma simplicidade pouco comum nos espaços do barroco, destacando-se uma torre lateral da construção primitiva, quadrada de quadro olhais e com remate octogonal bulboso à maneira do barroquismo setecentista. O acesso à torre era feita por um portal com volutas que de resto se repetem no janelão quase discreto e que ocupa o segundo andar do alçado principal e limitado ou coberto por um frontão triangular. São visíveis no Portal axial, ligeiramente concavo quanto à forma e simplicidade, uma estrela de oito pontas com a inscrição de 1761. Compreender a organização espacial e espiritual da igreja dos Terceiros é ter em conta a vontade da própria a Ordem religiosa e por a ordem natural. A primeira subjacente na grande simplicidade dos templos das irmãs Clarissas e a segunda nas transformações estruturais que esta edificação religiosa conheceu após o Terramoto de 1755 que se sentiu em Elvas com alguma intensidade, por isso mesmo a Igreja dos Terceiros da Ordem Terceira de S.Francisco, é uma realidade estrutural das várias intervenções sem grandes variações no espaço religioso como da incorporação do portal e janelão em mármore em meados do séc. XVIII.           

sábado, setembro 11, 2010

Roma e Malta: - duas perspectivas de olhar o património...


        O Coliseu de Roma segundo o Ministério da Cultura Italiano requer uma intervenção urgente, face à caída de três fragmentos de quase um metro quadrado da sua galeria central na Primavera passada. Segundo, aquela fonte governamental será necessário um investimento de cerca de 23 milhões de euros, para garantir a sua preservação. Alguns especialistas italianos consideram que, o problema do Coliseu está associado, não só às contaminações do meio ambiental, mas também as grandes correntes de ar que aquele espaço monumental se encontra sujeito. O trânsito rodoviário e os eventos musicais que têm lugar com alguma regularidade naquele cenário arquitectónico são outras razões referidas. Em Malta, a situação é simplesmente prometedora, uma vez que o governo maltês irá investir cerca de 100 milhões de euros para reordenar a cidadela de La Valleta, declarada património mundial em 1980, trata-se de remodelar profundamente a fortaleza e o centro histórico. Tal projecto estará a cargo do arquitecto Renzo Piano que deverá dirigir as obras de recuperação da entrada original da cidade aberta pelos templários e desaparecida por várias intervenções arquitectónicas ao longo da história. O teatro de Ópera bombardeado pela aviação germânica durante a 2º Guerra Mundial será outra das prioridades deste projecto que prevê também a urbanização de todo o perímetro da cidade velha de La Valetta, incluindo o fosso de muralhas e a melhoria de algumas construções emblemáticas como o Palácio Ferreira. O propósito do governo maltês é colocar Malta na vanguarda mundial da arquitectura e regenerar uma ampla zona urbana.

5.3. As obras da Modernidade - as Obras da Fé: O Aljube



No âmbito do conjunto de estruturas de apoio à antiga Sé inseria-se um conjunto de edificações eclesiásticas, que entretanto foram alteradas pelo tempo histórico. Relativamente às mesmas destaca-se o Aljube que se situava entre a Catedral e o Paço Episcopal e que se situava na proximidade das casas nobres da cidade como era o caso da dos Pessanhas. Trata-se de uma pequena edificação, de quadro fogos e cujo acesso se fazia através de um portal definido por arco quebrado. A função prisional deste edifício que se situava na Rua dos Açougues dos Cónegos, hoje do Aljube era exclusivamente dedicada aos indivíduos de estado eclesiástico. A falta e a investigação documental é um dos aspectos que condiciona a sua história, que se desenvolveu entre 1622 quando este espaço foi adaptado as funções eclesiásticas, abandonado após a extinção do Bispado de Elvas, já há muito que se encontrava em estado de degradação uma vez que o governador do Bispado, o secretário, D. Martinho do Rosário e Vasconcellos, deu conhecimento às autoridades eclesiásticas da necessidade da sua reparação. O fim do bispado e a aquisição do edifício por um particular  em finais do séc. XIX acabou por votar este espaço arquitectónico ao abandono. De realçar que num dos alçados da rectaguarda  desta edificação  na rua do Sineiro é visível um escudo de armas pertencente ao Bispo D. Baltazar de Faria Villas Boas.


quinta-feira, setembro 02, 2010

5.3. As obras da Modernidade: As obras da Fé - A Igreja das Domínicas

Portal principal da igreja de Nossa Senhora da Consolação


Da época moderna, outra edificação quinhentista datada de 1540, que merece referência é sem dúvida, a Igreja  do Convento de Nossa Senhora da Consolação, cuja matriz inicial do espaço arquitectónico ocorreu já no séc. XVII e hoje limitada ao espaço octogonal da chamada igreja das Domínicas. Ou seja, trata-se da única secção arquitectónica do respectivo convento que chegou até aos nossos dias, devido a duas intervenções a primeira em 1599, com vista à ampliação da antiga capela da Sé e a segunda já no século XX quando foi necessário ganhar mais algum espaço para a edificação do actual cinema. Neste contexto trata-se de um espaço definido por uma planta octogonal que se eleva a uma altura considerável considerando a sua verticalidade por onde se projecta a iluminação através de um zimbório sustentado por oito colunas de mármore. Os azulejos da época seiscentista predominam toda a composição estrutural da construção, nomeadamente os alçados laterais, as abóbadas e as cúpulas. No espaço anterior, destacam-se três altares decorados com retábulos de talha dourada do séc. XVII dedicados a São João Batista, São Domingos (padroeiro da ordem) e a S.Tomás de Aquino. O portal principal, simples é de matriz renascentista enquadrado por duas pilastras e cimalha. No qual se destaca o medalhão circular sustentado por duas volutas. Não menos interessantes são os dois bustos de matriz clássica que se irrompem, em alto-relevo e modelados em anexo ao portal principal. A organização estrutural exterior do edifício é caracterizada pela irregularidade e pela existência de outros dois vãos (janelas) e por um portal simples de granito.

quinta-feira, julho 29, 2010

Picasso lidera o Mercado Mundial da Arte

“Nu, folhas verdes e busto” de Pablo Picasso pintado em 1932 se converteu na obra mais cara no mercado da arte mundial nos nossos dias, quando recentemente atingiu o valor de 106.5 milhões de dólares na sede de Christies´s em Nova York. Destronando assim, o record que possuía uma escultura de Giacometi que em Fevereiro tinha atingido os 104,3 milhões. Esta obra representa uma figura feminina desnudada, tratando-se de Marie-Thérèse Walter, uma jovem com quem Picasso então casado com a bailarina Olga Khokhova, mantinha uma relação. A mesma é representada, numa posição sexualmente disponível, deitada horizontalmente de olhos cerrados, O perfil do artista-yoyeur se pode discernir poor detrás da cortina. Sobre esta obra de arte , Paul Richardson, amigo e biógrafo do pintor, escreveu: Ironicamente, esta pintura, que celebra a submissão feminina, foi pintada no Dia Internacional da mulher (8 de Março). E admite que o artista teria ficado encantado se soubesse que tal data se tornaria num dia de referência para o mundo contemporâneo. De realçar ainda que as obras top de Picasso, variam entre 106.5 milhões de dólares e 72.8 milhões de dólares só para citar o Raking das suas dez mais importantes obras”

terça-feira, julho 27, 2010

5.3. As obras da Modernidade: as obras da Fé: - A antiga Sé Catedral



                                          Portal principal clássico inserido na galilé de entrada




Portal lateral de matriz quinhentista


Fecho da nave lateral com o brasão heráldico da Ordem de Avis


Nave central destacando-se as mísulas de suporte das naves

Corria o terceiro quartel do séc. XVI quando o arquitecto régio Francisco de Arruda provavelmente (?) traçou o primeiro esboço arquitectónico da nova Igreja de Nossa Senhora da Praça num período em que o mestre régio dirigia as obras do Aqueduto das Amoreiras. Porém quando se considera a documentação, quem dirige as obras durante mais de uma década é o mestre pedreiro Diogo Mendes. A nova igreja integrava-se no novo cenário urbano da nova Praça como sede da freguesia da Assunção, daí a sua denominação posterior de Nossa Senhora da Conceição e só mais tarde em 1570 se torna sede do Bispado de Elvas, enquadrando-se no mesmo as estruturas de apoio ao seu funcionamento, o Paço Episcopal e o Aljube. Do ponto vista, de estilo artístico ao contrário do que se lê em alguns textos historiográficos, não se trata de uma Igreja Manuelina, mas de uma edificação de transição entre gótico final e o manuelino. Da construção inicial destaca-se na estrutura externa do gótico final, a forma da organização da sua fachada principal compacta e projectada em frente, reforçando o carácter fortificado na qual o próprio frontispício se eleva como de uma verdadeira torre se tratasse. A mesma é rematada pela torre sineira, quase inexistente mas visível pelos vãos de seis olhais de arco redondo que a caracteriza. Os dois janelões clássicos, o varandim e a rosácea, completam o actual portal também classicista que substituiu o portal gótico de arquivoltas . Da estrutura interna, destaca-se a beleza e perfeição, da organização das três naves, de matriz manuelina, na qual se destacam as abóbadas nervadas e com dois andares na nave central. O carácter fortificado percorre os alçados laterais onde se destacam os contrafortes e o coroamento das mesmas por merlões chanfrados. Os botaréus e as gárgulas, destacam-se nos panos laterais no contexto da gramática decorativa do século XVI. As abóbadas por sua vez estão assentes em mísulas solução arquitectónica também evidente nas Igrejas de Madalena de Olivença ou na matriz de Viana do Alentejo. Manuelinos são também os portais laterais com motivos florais e alcachofras. A partir do momento em que o mais importante templo da cidade de Elvas se tornou sede de bispado, cada Bispo a seu tempo procurou deixar a marca da sua presença, através intervenções que configuravam  alterações estruturais e decorativas, nas quais destacamos: - o portal desenhado pelo mestre régio. Miguel de Arruda em 1550, definido por duas colunas de capiteis jónicos, que suportam a arquitrave e o frontão triangular; o varadim na fachada principal que denuncia o gosto pela festa de toiros, que levou o Bispado a mandar rasgar o mesmo na fachada principal como forma de observação sobre o anfiteatro onde se realizava a dita festa; o corredor de azulejaria das épocas setecentista e oitocentista; a Capela-mor de finais do séc. XVIII (1799) em estilo já muito próximo do “rocaille” . O templo elvense é hoje enriquecido pelas marcas do tempo histórico, dos seus tempos áureos visíveis pela heráldica clerical e aristocrática ou pela obra de talha inigualável no sul de Portugal, o seu Orgão concluído por ecomenda em 1777 pelo organeiro itálico Pasquale Caetano Ordoni. Em suma, podemos afirmar sem qualquer reservas históricas e documentais, que antiga Sé de Elvas foi a edificação que mais sofreu alterações estruturais ao longo da modernidade.

sábado, julho 24, 2010

5.3. As obras da Modernidade: As obras da Fé - O Convento de S.Francisco.

h

Fachada principal da Igreja do Convento de S.Francisco


Perspectiva do Claustro do Convento de S.Francisco



Um dos quatro altares do Claustro


Se as obras públicas de referência da época da moderna, foram sem dúvida a Praça Militar e o Aqueduto, a verdade é que as obras de matriz religiosa foram aquelas que melhor contribuíram para a sua monumentalidade do ponto de vista quantitativo. De facto durante mais de três séculos, fruto da condição de ser sede episcopal e da fé dos suas “gentes”, um pouco por toda a cidade surgiram novos espaços, nomeadamente mosteiros e igrejas paroquiais tais como: - Convento de S. Francisco (1514) ; Igreja de Nossa Senhora da Assunção, antiga Sé de Elvas, Paço Episcopal e Aljube (1517); o Convento de São João de Deus (1645); Igreja de S.Paulo (intervencionada em 1593,1603 e 1660) Convento das Freiras de São Domingos/Igreja das dominíacas (séc. XVII-1659? Colégio de Santiago/Igreja do Salvador (1692); Igreja dos Terceiros da Ordem de São Francisco - 1701) e a Igreja do Senhor Jesus da Piedade (1737) a meio século do início da Época Contemporânea. E ainda há que referir as intervenções na Igreja de São Pedro ou na Igreja de São Domingos, que contribuíram para a descaracterização daqueles espaços religiosos enquanto testemunhos da arquitectura medieval. A presença das ordens religiosas dos Hospitalários e dos Franciscanos, estão directamente relacionadas com as primeiras edificações da modernidade. O Convento de S. Francisco, desenvolveu-se numa época em que a Ordem dos Franciscanos se expandia um pouco por todo o País implantando-se nas cidades e vilas e de um modo particular no Sul do País. A oração, a penitência e os votos de pobreza, animaram esta ordem que ocupou uma pequena colina junto ao Aqueduto das Amoreiras ainda em construção e que manteve a sua actividade missionário até cerca de 1834, aquando das leis de Mouzinho da Silveira que determinaram a expropriação dos bens das ordens religiosos. Todavia, o Convento dos Franciscanos definitivo é datado de 1591 e foi erigido para substituir uma pequena edificação, segundo revela a documentação parte dos materiais do antigo convento foram utilizados na composição da nova sede dos franciscanos em Elvas. A igreja é uma referência do conjunto mesteiral no qual se destaca um simples claustro onde se encontra hoje o Arquivo Municipal Histórico de Elvas, cujas linhas nomeadamente da sua fachada principal são caracterizadas pela sua simplicidade, na qual se destaca o acesso através de uma nartex ao templo e é marcada por um amplo arco abatido. O Janelão que se abre no andar superior da fachada e as duas torres laterais completam a austeridade exterior da igreja. O interior mantêm a simplicidade exterior, o retábulo maneirista do altar mor do entalhador Ascenso Fernandes.Continua.

quinta-feira, julho 15, 2010

5.2. As obras de Modernidade: O Forte de Santa Luzia determinante na eficácia defensiva da Praça Militar de Elvas


Forte de Santa Luzia - Vista em direcção a Badajoz



Cortinas, baluarte e guaritas. 


Entrada no Reduto Central e Casa do Governador.

Mas a década de 1640 foi marcada por outra edificação militar que complementava o sistema defensivo, como construção permanente uma vez que outras foram também edificadas com o objectivo de garantir a defesa da região, mas de raiz temporária como era o caso dos fortins que foram edificados nas zonas mais sensíveis a aproximação do inimigo. De facto, há medida que avançava a construção dos troços das cortinas da praça marcadas pela urgência que a soberania nacional exigia. Um pouco mais a sul, cobrindo a zona de mais fácil acesso à Portal Real ou de Olivença, edificava-se ao mesmo tempo o Forte de Santa Luzia. Se é verdade que a entrada da cidade teoricamente estava coberta e protegida pela baluarte de Olivença e pela obra da Quebra Face, não deixa de ser verdade que a capacidade de mobilização da cavalaria e da artilharia inimiga era evidente em termos operacionais na guerra de cerco. Logo a nova fortaleza justificava-se neste cenário bélico que a conjuntura política e militar determinava, a sua planificação foi gizada numa época em que os engenheiros militares ganhavam notoriedade face aos arquitectos, uma vez que eram observados como técnicos especializados que de um modo geral seguiam determinadas escolas de fortificação que por vezes eram geradoras de polémica. Foi de resto, o que se verificou com a questão da planta do Forte inicialmente seguindo a tradição portuguesa, definia-se por um traçado em forma estrelada segundo o risco de Matias de Albuquerque (1641). Logo, corrigida no ano seguinte por Hieronimo Rozetti que impõe a tradição da escola italiana, sob contestação do engenheiro francês Lassart que foi desde logo ultrapassado, por Cosmander que acaba por impor o traçado final da fortificação. Todavia, há que ter presente que independentemente das influências das escolas de fortificação, a tradição portuguesa mantêm-se no forte elvense na forma das baluartes e na sua configuração angular sobre o terreno como se observa a partir da 2ºmetade do séc. XVI em toda a sua extensão incluindo o Império Colonial Português. Quanto ao plano o Forte desenvolve-se a partir de um quadrado com uma extensão de 150 metros de onde partem as quatro baluartes que conferem a dimensão estrelada à edificação. No centro, eleva-se o reduto central, onde se identifica entre outras dependências a casa do governador, a capela e duas cisternas que permitia a sobrevivência da guarnição por um período máximo de três meses face a um assédio seguido de um cerco ao espaço fortificado. Dois revelins protegem as cortinas de este e sul, que se encontravam nas alas de cerco provável na linha de avanço provável do inimigo .O Forte de Santa Luzia completava a linha de eficácia defensiva da Praça Militar de Elvas devidamente apoiada por um conjunto de fortins como o de S.Francisco, de S.Pedro e de Santa Luzia.



Fortim de São Pedro



Fortim de São Francisco (vísivel a linha de Fosso)

quarta-feira, julho 14, 2010

Os caminho de Peregrinação a Santiago de Compostela

As grandes catedrais românticas na rota dos caminhos de Santiago


Catedral de Santiago de Compostela

Catedral de Astorga


Catedral de Laon

Catedral de Burgos

Catedral de Santo Domingo de la Calzada 

Catedral de Pampolana


Catedral de Jaca

Quando da celebração do Ano Santo de 1993, as instituições galegas realizaram um esforço com o fim de recuperar os Caminhos de peregrinação a Santiago de Compostela. Nessa perspectiva, a prioridade dessa acção embora centrada no caminho galego, favoreceu a reabilitação dos albergues para alojamento dos peregrinos e ao mesmo tempo promoveu a sua importância histórica enquanto região fundamental em direcção a Santiago. Porém, quando se comemora em 2010 mais uma celebração do Ano Santo, convêm relembrar que o Caminho de Santiago não se esgota na travessia da Galiza. O Caminho Primtivo, que era seguido pelos monarcas das Astúrias que em tempos do descobrimento de LOCUS SANCTI,  entra na Galiza pelo Porto del Acebo e  passa pela cidade de Lugo cruzando com o caminho francês. O Caminho do Norte, que entra por Ribabeo (Astúrias), cruza em Mondoñedo para chegar até Arzúa, a partir da qual se alinha com o Caminho Francês. Esta rota foi muito utilizada durante os anos em que o Caminho Francês não garantia a segurança aos peregrinos, hoje os que seguem esta rota se dirigem por norma à Catedral de Oviedo e partir daí seguem para Compostela. O Caminho da Via da Prata, entra na Galiza pelo sueste da província de Orense e acabava por ser um ponto de encontro dos peregrinos que chegavam a esta localidade a partir da cidade portuguesa de Chaves. Esta rota passa por Verín, Ourense, fazendo escala no Mosteiro de Oseira, Lalín e entra em Santiago depois de cruzar o vale do rio Ulla. O Caminho Português, podia eventualmente encontrar no Algarve o seu ponto de partida, mas Coimbra, Porto, Barcelos, Ponte Lima e Valença era os pontos mais importantes no apoio aos peregrinos portugueses que entrava pela Galiza por Tuy, esta rota ainda hoje é seguido pelos portugueses que caminham em direcção a Santiago. O Caminho Inglês era uma rota marítima que deixava os peregrinos na Coruña e em Ferrol e partir daí dirigiam-se a pé a Compostela. De realçar ainda que a chegada a Santiago de Compostela, não encerrava e ainda hoje não encerra o acto de peregrinação, isto é segue-se a chamada “Etapa adicional” em que consiste caminhar em direcção ao Cabo Finisterre com a finalidade de assistir ao pôr-do-sol sobre o Atlântico, onde começava o fim do mundo segundo os romanos. Mas a maior peregrinação cristã no Ocidente, começou no século IX, quando o bispo Teodomiro, da diocese da Iria Flavia, que identificou um sepulcro descoberto por Paio como sendo pertencente ao apóstolo Santiago. O impacto da notícia de tal achado, mereceu o maior empenho do Rei da Galiza e Astúrias, Afonso II, que converteu tal descobrimento, num culto de Estado ao Apóstolo Santiago. Durante o ano 1000 o culto ultrapassou definitivamente a Península Ibérica e atravessou os Pirinéus e transformou a cidade de Compostela num espaço apostólico e universal e definitivamente um ponto de referência da Cristandade, quando no séc. XIII se construiu a grande catedral romântica símbolo das grandes peregrinações cristãs no Ocidente.

Cabo Finisterra - vista parcial

sábado, julho 10, 2010

5.2. As obras da modernidade: A prioridade de defesa e a natureza estrutural da Praça Militar de Elvas.



Perspectiva do sistema abaluartado Lado Sul

Perspectiva do sistema abaluartado Lado Norte.


Baluarte de S.João e Hospital Militar (hoje uma unidade hoteleira)


Baluarte do Casarão

Baluarte de Olivença e obra anexa ( Cobra face).

A edificação da Praça Militar de Elvas, tornava-se assim uma prioridade nacional e a sua edificação nada tinha a ver com o progresso e afirmação de Elvas como núcleo populacional, como fora uma prioridade desde o período islâmico. É certo, que as fontes históricas, apontam sem reservas para a existência de vários edifícios fora do perímetro fortificado, como por exemplo, o complexo formado pela Igreja, Hospedaria e Convento de S. Domingos ou o monumental edifício, denominado o Casarão que acabaria por ser derrubado, dando nome a nova Baluarte. Esta edificação e outras anexas à cerca fernandina foram simplesmente arrasadas segundo ordens de Cosmander, numa época em que a população elvense ainda estava longe de ocupar todo o espaço limitado pela muralha fernandina. A nova fortaleza que então se edificava era mais compacta, rasa, sóbria e sobretudo fechada. Ou seja em nítida, oposição ao modelo da estrutura medieval, marcada pela verticalidade das suas doze torres e pelas onze portas. Definia-se em termos sumários, por um polígono irregular de doze lados, limitada por três portas estrategicamente abertas em espaços bem definidos por razões estratégicas e económicas. Do ponto de vista puramente estrutural, tratava-se de uma praça abaluartada que seguia os requisitos da tipologia de fortificação vigente no Ocidente, caracterizada por sete baluartes, quatro meias baluartes e um redente. Em 1644 ou seja em menos de quatro anos, Elvas passava a possuir a maior praça, entrincheirada e abaluartada, que tanta admiração causou aos engenheiros militares, estrategas de guerra, simples mercadores ou até missionários, que nos seus diários de viagem quando descrevem a cidade a sul, mais perto de Espanha não deixam de se referir as suas inexpugnáveis muralhas que baixas, grossas e rasas, se destacam entre os olivais que cercavam todo o conjunto fortificado. Na verdade, na implantação do “teor construtivo”, estava sempre presente o espírito defensivo, que se expressa de forma eloquente na composição bélica e avançada, das estruturas que se elevavam sobre o outeiro do baluarte do casarão, que se expressa de forma deitada sobre o cume de um outeiro, vigilante e em função do ângulo visual sobre Badajoz e toda a área onde era possível a movimentação das forças inimigas que de algum modo poderiam irromper do Caia. Mas se as baluartes, que percorrem toda linha amuralhada, são em cada esquina e cada recanto, um sinal da modernidade que a guerra então determinava, as obras anexas e exteriores, reforçavam todo o conteúdo construtivo, tais como os revelins, contrguardas, tenalhas, tenalhões, meias luas ou a linha de fossos que percorre certos sectores da muralha. Ou seja, a marca de Cosmander e da escola holandesa atinge nestas estruturas ou age, em que todas as distâncias e medidas estão relacionadas entre si, e em especial os seus ângulos, tal como determinava os tratados das escolas de fortificação holandesa. A capacidade de resistência à prova de cerco foi também uma prioridade e levado a cabo sobre o risco do engenheiro francês Nicolau Langres que foi o responsável pela edificação da cisterna, que seria uma reserva de abastecimento de água face a qualquer ofensiva e danificação do aqueduto. De facto, a existência de abastecimento de água potável, chegava à cidade desde 1622 e servia então os dois primeiros quarteirões que se edificavam junto ao Largo da Misericórdia. De resto a auto-suficiência, marcou todo o programa construtivo com construções de natureza funcionalista à função militarizada, tais como o Trem, a Casa da Barca, Paiol de Santa Bárbara, Conselho de Guerra e Hospital Militar .Do ponto vista, de expansão económica e social, a nova linha fortificada a quarta desde a fundação de Elvas foi desenhada com uma visão de futuro, permitindo o crescimento populacional da urbe até às primeiras décadas do séc. XX e se a muralha fernandina não tinha esgotado o seu espaço de expansão a seiscentista tinha um planto de longo alcance, de tal forma que durante o séc. XIX , a pequena propriedade agrícola, hortas e pomares, preenchiam os mais variados recantos da cidade e o seu desaparecimento foi sempre gradual e de acordo com a capacidade construtiva dos seus habitantes.

domingo, julho 04, 2010

5.2. As obras da Modernidade: A sobreposição das obras militares sobre a expansão da malha urbana

E
A recuperação da soberania portuguesa no 1º de Dezembro de 1640, acabou por dar à cidade de Elvas uma função política e militar de tal importância que a soberania nacional defendia-se nas cercanias de Elvas. Por outro lado, as cartas militares espanholas marcavam um vasto território de ofensiva militar, limitado a norte pela Serra de São Mamede e a Sul pela Serra de Ossa, todavia o eixo de penetração em território do actual distrito de Portalegre definia-se em linha recta, Elvas, Estremoz e Vila Viçosa. Assim, a retenção das primeiras ofensivas em linha, teriam que ocorrer obrigatoriamente em Elvas, uma vez que um desaire militar na cidade raiana implicava o avanço inimigo sobre o capital, claro, que nos referimo-nos a um período posterior a essa obra de referência militar a Praça militar de Elvas. A definição da planta da futura praça militar de Elvas, ainda antes da chegado dos especialistas de arte fortificar, o Tenente Correia Lucas e o flamengo, Juan Ciermans, mais conhecido por Cosmander, já antes o Conde da Torre tinha gizado as primeiras linhas para a possível fortificação. Mas, O Tenente Correia Lucas, numa análise substancial das reflexões gizadas pelo Conde da Torre propôs desde logo, uma ampliação do espaço a fortificar, cuja validade e racionalidade se justificou nos tempos vindouros, já que a expansão da cidade no interior da linha pentagonal fortificada se manteve com um ritmo moderado e racionalizada até ao devir do séc. XX. Mas, o seu julgamento implicava uma reflexão sobre a utilidade da mais importante a obra então o maior edifício público, existente em solo nacional, o aqueduto das Amoreira. Duas opiniões definiam-se os que achavam que era inconcebível com a estrutura da nova tipologia de fortificação, baixa, rasa e adaptada à nova era do fogo. Outros, achavam que era uma mais-valia, uma vez que a guerra de cerco de matriz medieval mantinha-se na modernidade, o castelo ou praça, na prática continuavam a ser a principal máquina de guerra, ainda que a tecnologia de guerra tenha mudado, mas o cenário de guerra terrestre mantinha-se e manteve-se durante mais de dois séculos. Entretanto o lançamento das primeiras obras corriam a bom ritmo e a uma cadência marcada pelo risco de um cerco a qualquer momento, os largos fossos abriam-se antes da edificação dos alçados amuralhados era a primeira e incipiente defesa para qualquer assédio. Do ponto vista, teórico a base construtiva assentou em princípios que tinham mudado a arte de fortificar desde ao fim do século XVI em função da utilização de novos engenhos de guerra que obrigou a modificação profunda dos sistemas de fortificação. Na verdade a guerra na modernidade exigiu a criação de um sistema de defesa contra as armas portáteis que actuavam a grande distância e contra canhões dotados de uma força de arremesso muito maior que as antigas trabuquetas como havia de dar à artilharia o principal papel defensivo. Esta última necessidade foi de todas a mais importante e foi ela que levou os engenheiros militares a elaborar o tipo de moderno de fortificação. Ou seja, o castelo que havia dominado actividade bélica medieval, quando os únicos recursos disponíveis ao sitiante eram os da antiguidade clássica – catapultas, aríetes, escadas, e a mais eficaz de todas as armas, a fome. O canhão terminou com isto tudo: a demolição dos muros de Constantinopla pela artilharia turca, simbolizou, neste e em muitos outros aspectos, o fim de uma longa era na história do homem ocidental. As altas muralhas construídas para resistirem às escaladas, os terrenos circunvizinhos tornaram-se pateticamente vulneráveis às balas de canhão que lhes desfaziam as bases. Mas a resposta foi facilmente encontrada. O fogo só podia ser contrariado pelo fogo. A nossa preocupação, escreveu Maquievel “ é construir muralhas retorcidas e com vários abrigos e locais de defesa para que se o inimigo tentar aproximar-se, possa ser enfrentado e repelido tanto nos flancos como na frente”. (cof. Maquievel, A Arte da Guerra, Livro II, capítulo 1.). Era tempo do triunfo da “linha de bastiões”, o arranjo dos bastiões que mutuamente se protegiam, salientes em relação às muralhas e dispostos de modo a disparar dos flancos e da retaguarda contra qualquer assalto contra as muralhas ou qualquer dos torreões. As próprias muralhas foram rebaixadas para se constituírem no menor alvo possível ao fogo inimigo e interiormente reforçadas com fortificações. Um fosso rodeava a fortaleza, era coberto pelo fogo e talvez até protegido por mais guaridas; à sua frente, estendiam-se taludes nos quais qualquer assalto ficava exposto ao fogo concentrado de todos os defensores. Fortificações deste tipo, a princípio improvisadas ad hoc pelas cidades italianas na última década do século XV, espalharam-se por toda a Europa ao longo da segunda metade do séc. XVI, uma questão de prestígio ou de necessidade militar como foi o caso de Elvas quase um século depois, herdeira dos princípios da arte fortificar europeia, o sistema defensivo da Praça militar de Elvas foi adaptada aos sistemas de fortificação portuguesa mas fortemente influenciada pela arte flamenga.(Continua).

sábado, julho 03, 2010

Os Dias da História...

A 3 de Julho de 1769, Richard Arkwright, um barbeiro, apresentava a sua patente para um protótipo de uma máquina para a  produção intensiva  de fios de algodão. Tratava-se de um bastidor hidráulico, que em combinação com a Spinning Jenny, solucionou o problema que até então restringia a produção de panos de algodão. Estes mecanismos aumentaram enormemente a vantagem mecânica sobre a roda de fiar. Para além de uma melhoria qualitativa do fio de algodão, em termos de resistência e de finura, estavam lançadas as condições para o triunfo do maquinismo e da Revolução Industrial.   

quinta-feira, julho 01, 2010

Pompeia ....A cidade desaparecida em tempo de conhecer....

Via Sebastiana- Escavada em 1985

Corria o ano de 79 dc., quando a cidade de Pompeia foi simplesmente sepultada pelo Vesúvio. Em a meados do século XVIII, registaram-se os primeiros achados tornando-se na centúria seguinte uma estação arqueológica das mais famosas do mundo. Entre muitas dúvidas e certezas , há aspectos que as diferentes equipas da arqueologia internacional não questionam relativamente à vida quotidiana doe Pompeia, como por exemplo:


O Termopólio - Bar em Pompeia

A cultura de Bar : - Segundo estudos recentes existiam pelo menos cerca de duas centenas de cafés e bares por cada povoação ou seja um por cada sessenta habitantes. As ruas disponham de tais estabelecimentos e junto aos mesmos, era visível uma espécie de montra onde eram expostas a comida disponível. O vinho era um produto fundamental na dieta alimentar. Uma sala única, estava reservada, a ricos e pobres sem preocupações de ordem democrática, uma vez que as cozinhas eram inexistentes nas casas dos grupos populares.

O vinho: - era um dos produtos de qualidade produzidos em Pompeia, nas cercanias da cidade. Uma ânfora de vinho de Pompeia, terá chegado à Inglaterra, como oferta ou recordação, numa época em que não há indícios de um comércio florescente. Um testemunho romano da época, afirma que o consumo de precioso líquido deixava em ressaca o bebedor durante meio dia.

Via Mércúrio -Pompeia - Com as famosas passadeiras....

Sentido Único: - Em Pompeia, só algumas ruas eram de dois sentidos, a maior parte era de  um só sentido  devido as manobras que os carros puxados por parelhas de cavalos  tinham que fazer para contornar as passadeiras que cruzavam as ruas, impedindo qualquer manobra de inversão

Anfiteatro de Pompeia - 136x104 metros - Lotação para 12.000 espectadores. 
Teatro: - Pompeia contavan dois teatros e um anfiteatro . No mesmo se realizava de vez em quando espectáculos de gladiadores e caçadas de selvagens , ainda que as cabras e os javalis, fossem os protagonistas em vez dos leões como na Roma Imperial.

Higiene:- Pompeia disponha de pelo menos seis termas, algumas municipais e outras a empresas privadas. As privadas eram pertencentes às famílias dominantes, enquanto que as demais eram verdadeiros focos de infecção na medida em que o fluxo de àgua era limitada e o cloro não era utilizado no tratamento das águas.

Casa del Tremezzo di Legano ( conecida por casa dos painéis de madeira). 


A Casa de Pompeia: - De paredes exteriores lisas ,a sua organização centrípeta interior baseava-se em dois elementos: um átrio central com complúvio, debaixo do qual o implúvio, recolhia a àgua da chuva, Os quartos principais da casa dispunham-se à volta desta zona, com a luz vinda de cima. O segundo elemento consistia num jardim interior, muitas vezes rodeado por um pórtico colunado, que correspondia à zona privada de recolhimento onde os ocupantes se descontraíam numa atmosfera verdejante natural.Por vezes, um peristilo com um grupo de quartos particulares que irradiavam dele rodeava este jardim.Esta arquitectura doméstica tinha uma dupla origem cultural: o átrio é tipicamente itálico, enquanto o peristilo é grego, inspirado em larga escala nas casas de Delos. Muitas das casas prósperas da região de Pompeia seguiram esse modelo, que se desenvolveu para dar resposta a necessidades específicas. Ele resultou das exigências de uma cidade muralhada na qual o espaço é relativamente restrito. Contrariando uma crença antiga, esta fórmula não representa a casa romana típica, trata-se antes, de uma solução intermédia entre a villa dos patrícios isolados no centro do país e as casas mais humildes das insulae urbanas, como as de Roma e Óstia.

Estado das campanhas arqueológicas: Actualmente, cerca de três Km já foram escavados. O perímetro da cidade no interior das muralhas tem cerca de um quilómetro no sentido este-oeste e 750 metros na direcção norte-sul. Desde há muito tempo se identifica parte deste traçado da cidade, que reflecte a sua dupla origem. A grega, partir do século VI aC., quando os colonos gregos instalaram-se na região. Do lado leste e a norte da Via Fortuna, distingue-se a influência romana e nomeadamente de Hippodamos, visível na grelha regular das ruas que se intersectam em ângulo recto. As vias comunicações foram meticulosamente pavimentadas com grandes lajes de traquito e preparadas para escoar a àgua da chuva. À beira da rua, estabelecimentos e vendas de bebidas, alternavam com simples extensões de paredes e, aqui e ali, com loggias colunadas .São os testemunhos hoje visíveis em Pompeia.






segunda-feira, junho 28, 2010

Os Dias da História: - A Grande Guerra terminou há 91 anos...


O Tratado de Versalhes. – A 28 de Junho de 1919, na sala dos Espelhos do Castelo de Versalhes, as potências aliadas e a Alemanha, assinam o Tratado de Versalhes, que entra em vigor a 10 de Janeiro de 1920, pondo fim à Primeira Guerra Mundial. O Tratado de Versalhes estava organizado em 15 capítulos, 440 artigos e um grande número de disposições. O capítulo primeiro, continha as disposições relacionadas com o estatuto da Sociedade das Nações. Um dos objectivos principais do Presidente Wilson era converter a Sociedade das Nações numa parte inseparável do tratado. De realçar ainda que a Alemanha embora tenha participado nas negociações, não era aceite como membro da mesma por vontade dos restantes membros. As reparações de guerra, era outra disposição que penalizava a Alemanha, na medida que os vencedores pretendiam obter compensações pelas perdas materiais e humanas ocasionadas pela guerra. As disposições económicas, constituem a parte central do diploma, o artigo 231 proponha a destruição dos fundamentos do poder económico alemão. Se exige à Alemanha a entrega da maior parte da frota mercante e a cessão de quase todas as linhas de electricidade e telégrafo assim como certas matérias-primas como o carvão e derivados. O tratado, previa ainda a perda de 70.579 quilómetros quadrados, correspondentes a territórios pertencentes ao seu domínio territorial. Sem que se realize nenhuma consulta popular, se cede Moresnet y Eupen-Malmedy a outros, a França. Saarland estará submetida durante quinze anos à Sociedade das Nações. A Polónio ganha a parte principal das províncias de Poznan e Prússia Oriental.Assim se forma o chamado “corredor polaco”, que permite o acesso ao Báltico: este corredor separa Danzing e Prússia Oriental da Alemanha. Por último se proíbe a união da Áustria e da Alemanha, e esta deve renunciar todas as suas posições coloniais em favor dos aliados. Finalmente a soberania alemã estava limitada pela desmilitarização da zona do Reno e pela internacionalização do grande rio.

sábado, junho 26, 2010

5.1-As obras públicas da modernidade: o período Filipino e a expansão urbana...

No período Filipino a cidade continua a crescer ao ritmo do aumento demográfico e novas ruas renovavam geografia urbana: a Rua dos Quartéis (1580), aberta para a recepção a entrada de Filipe II de Espanha e respectiva Corte; a de Álvaro Borracho (1582); do Castelo (1564); dos Chilões (1578); do Forno (1586) onde se situava os fornos da cozedura de pão; do Amado (1594); do Botafogo (1594); do Casqueiro (1597); a Rua da Judiaria Velha, foi renovada e desde inícios do séc.XVII , torna-se conhecida pela Rua de João Olivença, que advém do nome do Meste das Moças; a dos Gallegos (1596), que dará lugar mais tarde a das Alcoutinhas; de Afonso Gil (1605); de Braz Annes (1605), a Travessa de Bernardo Amaral (1607), situava-se junto ao antigo Arco do Relógio; dos Azevedos (1612 - em homenagem a uma família aristocrática da cidade, trata-se de reconstrução da antiga rua de Monteróio; de António Machado, conhecido fidalgo da cidade (1612); de Aires de Abreu (1613); Ana Fernandes (1626); de João da Ponte; do Chafariz Fora (162?); de Rua Manuel Gomes Estaço(1627) em homenagem ao padre da igreja paroquial da Sé; a de Rua Mendo Allonso Resende (1627) e a do Rolo (1628). Nesta perspectiva, a expansão construtiva do burgo elvense, levado a cabo pelo Império Espanhol, durante os primeiros vinte anos de domínio filipino, não ficou só marcado pelo aparecimento de novas ruas, como mandou ampliar outras e mudou o estrutura apertada da área medieval como vias de ligação como travessas e becos. E foi sem dúvida nenhuma a época da definição da estrutura da cidade elvense que acabaria por permanecer na sua essência sem grandes alterações até ao início da época moderna. Mas a obra colossal da cidade depois do impasse por falta de meios financeiros, continuava a ser uma prioridade, um novo tributo era colectado e dirigido aos tendeiros que faziam feira trienal na Rossio da cidade num espaço situado a sul do futuro aqueduto. Essa provisão estaria em vigor durante cerca de cinco anos, todavia e antes de nova paragem, a câmara procurou que todos os estratos sociais da cidade participassem com a sua contribuição na obra da Amoreira e nessa perspectiva, por carta municipal o Bispo D. António Mendes de Carvalho, o município pretendia saber qual a verba ou contribuição que o Bispado poderia disponibilizar. Contudo a mudança da conjuntura institucional e política, marcada com a perda de independência lançou o debate na cidade, o alcaide mor, António Melo considerava que a defesa da cidade era mais importante que a continuidade da obra e defendia o aproveitamento das suas estruturas para fortificar a cidade, mas o derrube de parte das estruturas do aqueduto era uma questão problemática, porém a população não aceitava esta solução de bom grado em função do esforço e do sacrifício financeiro de duas gerações que estavam comprometidas com a construção do maior aqueduto que então se construía na planície alentejana e no país . De resto, as motivações patrióticas de António de Melo não seriam acompanhadas pelo resto da população, considerando que a mesma iria aclamar pouco depois, Filipe II de Espanha que enviou D. Pedro Velasco, para negociar com os representantes do poder local a sua entrada da em Elvas, nesse encontro as autoridades municipais deram conhecimento da necessidade da continuidade da obra da coroa assumir o financiamento da obra. Ao mesmo tempo era decidido pelo poder local que os fundos do aqueduto para as obras de fortificação voltavam a ser dirigidos para a sua finalidade inicial. Mas na verdade a obra continuava parada e a correspondência entre o município e a coroa mantinha-se até que Filipe I de Portugal, nomeia por carta régia de 12 de Novembro de 1598, Manuel Sequeira Novais como superintendente do aqueduto e a base de sustentação económica para as novas obras, continua a ser o imposto real de água cujo valor tributário é agora dobrado relativamente o valor em vigor entre 1580-1598. Finalmente a fábrica do aqueduto (estaleiro das obras), recomeçava os seus trabalhos de continuidade da obra e até por volta de 1606, sendo essa primeira fase marcada pela recuperação dos troços do aqueduto que se encontravam danificados e nessas circunstâncias, a câmara de Elvas promulgava em postura um conjunto de penas a aplicar a quem destruísse voluntariamente ou não, os troços já edificados, essas penas incluíam o degredo para África e uma serie de penas pecuniárias. No início do primeiro quartel do séc. XVII o aqueduto atingia na sua parte mais alta cerca de 24m, uma conquista para os mestres pedreiros da época, alentejanos e extremenhos, já que desde a segunda metade do séc. XVI, a questão da elevação da obra era o principal desafio que o projecto enfrentava. Não é indiferente esta conquista à presença do terceiro mestre-de-obras na direcção do aqueduto, na pessoa de Pero Vaz Pereira, arquitecto da Casa de Bragança. Mas outros mestres de referência estiveram na cidade, numa época em que o objectivo era já fazer entrada da água na cidade e em direcção à fonte da Misericórdia pela sua posição adjacente ao hospital. O principal seria Luís Gabriel, mestre-de-obras da cidade de Lisboa, mas seria o arquitecto Diogo Marques o responsável por esse projecto, sendo o quarto arquitecto em funções desde o inicia da obra da Amoreira e o responsável pelas primeiras obras de reparação e manutenção do aqueduto, já centenário ou quase e nesse contexto a caída de arcadas era uma realidade e um desafia para os construtores. As polémicas sobre a gestão dos fundos de financiamento do aqueduto, das reparações e manutenção, marcam a vida quotidiana nos trabalhos do aqueduto, mas no dia 22 de Junho de 1622, há festa na cidade a água da Amoreira chega à Fonte da Misericórdia. Uma vez mais o arquitecto da Casa de Bragança, era consultado nas obras de apoio e anexas o Chafariz da Madalena (1622) concluído logo após a fonte da Misericórdia, outras obras da dinastia filipina foram as: Fonte da Cadeia (1625); Fonte de S. Lourenço (1626); Fonte de S. Vicente (1628); Fonte de S. Domingos (1629) e Fonte do Quartel (1630).Terminava assim um dos períodos áureos da planificação urbana da cidade que por força da União Ibérica, tornou-se uma cidade cosmopolita e mercantil e uma das poucas cidades portuguesas que beneficiou durante as primeiras quatro décadas (1580-1620), dos bons ventos que então sopravam de Espanha. Continua.


sábado, junho 19, 2010

5.1- As obras públicas da modernidade: As últimas obras da dinastia Afonsina em Elvas

H
Quando, a cidade de Elvas fez o seu 22º aniversário a classe política local tinha finalmente a sua sede que se erguia no lado oposto à futura Sé de Elvas ou seja os poderes temporal e espiritual, estavam consagrados em torno da grande Praça de D. Manuel, circular e em terra batida e onde se edificavam em seu torno as primeiras casas nobres da fidalguia elvense. Sem data determinada e adjacente à Catedral de Elvas, edificava-se o pelourinho da cidade símbolo do poder judicial, provavelmente de meados de quinhentos, mas de matriz manuelina e seguindo o modelo de outros pelourinhos da época como os dos arquipélagos de Cabo Verde e Madeira. Definidos com base estrutural num fuste cilíndrico, decorada por esferóides com capitel prismática e rematado por uma pequena esfera. O conjunto está hoje assente num pedestal de cinco degraus de base poligonal. Mas a história da cidade como a de Portugal estava prestes a conhecer uma nova etapa da sua vida como realidade política e institucional, percorria-se os últimos trinta anos da Dinastia Afonsina e de Portugal como estado – nação sem o peso de tal designação que caracterizaria os estados nacionais na época liberal. A cidade continuava a se definir as grandes artérias da cidade: estruturava-se a Rua dos Albardeiros (1587), tratava-se de uma via profissional que dava acesso à Porta de Évora; mais a norte a Rua de André Lopes Garro, os Garro eram uma família distinta da cidade e esta via permitia o acesso ao Paço Episcopal (corresponde à actual Rua de São Francisco). De acesso ao Castelo, era inaugurada a 16 de Agosto de 1564, a rua do mesmo nome. Outras vias são registadas, mas o ritmo de construção era muito menor do que se tinha verificado até meados do séc.XVI, a Rua da Alagoa, Rua do Cano, Rua Domingos Fernandes, Rua das Caras, Rua Gabriel Mendes Rua, Heitor de Silas, Rua João Pote e a Rua dos Quartéis da Corujeira (1577). A grande obra da cidade voltava a ser notícia em 1571, o reinício das obras da Amoreira, o aqueduto continuava isolado da cidade e contava já com uma estrutura construtiva de oitocentos arcos. No final do mês de Janeiro, D. Sebastião concedeu um alvará para o reinício das obras, o período de preparação para o reinício foi longo e só seis meses depois e dois dias, o mestre-de-obras, da Coroa, Afonso Álvares, chega a Elvas com a missão de traçar um novo plano e concluir as obras do aqueduto. Uma das primeiras propostas, feitas pelo prestigiado arquitecto da Coroa à Câmara municipal, consistia num lançamento de imposto fiscal sobre toda a população como fundamental para o pagamento das obras que deviam ocorrer. Apesar do peso das contribuições, os elvenses aceitavam o esforço, mas a conjuntura política seria madrasta para o desenvolvimento das obras do aqueduto. O desastre de Alcácer Quibir e a perda de independência determinaria nova paragem até 1598, entretanto e para defesa de Elvas a Câmara Municipal de Elvas, através do seu Alcaide-mor, António de Melo propunham que os fundos monetários do aqueduto fossem canalizados para as obras de reforço das fortificações.





sábado, junho 12, 2010

5.1. As obras públicas da Modernidade: a proliferação de obras civis e a paragem das obras do Aqueduto.


A cidade a caminho de meados do século XVI tinha se transformado num autêntico estaleiro de obras, no interior do burgo de matriz medieval, iniciava-se timidamente o rompimento de novas ruas, ainda que a sua explosão construtiva só se torna evidente durante a segunda metade do séc. XVI numa época que as obras da futura Sé estavam concluídas e o aqueduto que tinha já um troço de 6 Km, mas o ritmo de construção era lento por falta de apoio da Fazenda Rel. No centro urbano, novas ruas eram abertas nas freguesias urbanas: na Alcáçova, a da Mateirôa, a do Fidalgo em homenagem a Fernão Pinto, Rua João Vaz de Pousada (outro cavaleiro, que denuncia também a nobreza da freguesia pela etiqueta aristocrática dos seus membros), do Tavanco, a Rua dos Lagares (que identifica a existência deste tipo de unidades produtivas) e o Adro da Igreja de Santa Maria dos Açouges, estava já concluído. Na freguesia do Salvador , concluía-se a do Espírito Santo (1548), antes de meados do século XVI e a pequena travessa utilizada pelos padres do Salvador tomava o nome de Manga Corta. Em, S. Pedro o número de residências aformoseavam-se à volta da nova rua de Fernão Pinto e que tal como a de João Quental foram planeadas ainda antes da elevação da vila de Elvas a cidade. Todavia, seria a partir de meados do século XVI que o ritmo de construções no interior da cidade atingiu um notável desenvolvimento permitindo a canalização da mão-de-obra, após a conclusão das obras da futura Sé para estas obras municipais que foram correntes ao longo de todo o século, de facto o maior templo da cidade a Igreja Nossa Senhora da Praça ou Nossa Senhora da Assunção, estava já concluído no fim da década de 1530, ainda que a sua consagração com espaço religioso tenha sido feita em 1537 com as obras por terminar. Mas esta obra apesar da complexidade da estrutura da sua cobertura sob direcção de Diogo Mendes durou menos de duas décadas e foi acompanhada na fase final por Francisco de Arruda, que concebeu o plano arquitectónico da mesma. Em 1542, eram retomadas as obras do Aqueduto com uma única finalidade ligar o Vale de S.Francisco, onde se encontrava o estaleiro das obras da edificação e o vale do Rossio, tratava-se de uma etapa construtiva de grande complexidade, uma vez era necessário criar formas de sustentação aos diferentes alçados constituídos por várias fileiras de arcada, necessários para a elevação das massas que por sua vez seriam determinantes para a circulação da água potável que devia circular pelas paredes dos canos. Nesse âmbito o contraforte no remate e os contrafortes coluna seriam as soluções encontradas por Francisco Arruda que continuava com residência na urbe elvense. Com o aproximar de meados de Quinhentos, a questão financeira continuava a ser um problema fundamental no financiamento da obra, discutindo-se na correspondência real e do município se o aumento de imposto real, então passava a ser quebrado para as obras do aqueduto devia de ser aumentado, o que não se conhecendo a vontade popular segundo a documentação, significava o agravamento do custo de certos produtos importantes na dieta alimentar como a carne, o peixe e o vinho. Esta questão arrastou-se durante quase um ano, com o dito real de água em vigor segundo as novas condições e um novo, em vigor no inicio do Outono de 1544, quebrado em moeda de 2 rs., que devia completar o orçamento para a obra do aqueduto. Este imposto fiscal na teoria jamais devia ter sido transferido para as obras do aqueduto uma vez que se tratava de um fundo para a conservação e manutenção das atalaias e reparação das fortificações, mas cuja aplicação não se prova por fonte histórica. A falta de verbas para o progresso das obras do aqueduto eram evidentes em 1548 a obra parava por longo tempo cerca de vinte e dois anos. Por várias razões  podemos citar, na correspondência entre a coroa e o município,  referências à suspeita de desvio dos fundos do aqueduto pelos corregedores do concelho, as dúvidas relativamente a Pedro Borges são inquestionáveis e as desconfianças em relação a Francisco Rodrigues são evidentes, por parte da Coroa. Ao mesmo tempo, o monarca suspendia o ordenado do Mestre visor das obras do aqueduto, Diogo Mendes face ao impasse em que a obra se encontrava praticamente parada, e com custo para a Fazenda Real de 6000 rs. Os gastos com reparações constantes face à queda de algumas estruturas não consolidadas e a da inconsciência de alguns anónimos era outro problema que se tornava evidente após dezanove anos de construção em pleno. A partir de 1559 a correspondência entre o poder central e local, desaparece das fontes de arquivo quando o município propunha novos mestres pedreiros para a direcção das obras do aqueduto. Mas o interesse pela continuidade da obra do aqueduto, acabou por ser renovado pela acção de D. Sebastião por Carta Régia de 25 de Janeiro de 1571, que ao contrário da rainha regente D. Catarina mostrou-se indiferente aos pedidos regulares do município elvense.

sábado, junho 05, 2010

5.1- As obras públicas da Modernidade: a 1ª fase da construção do Aqueduto das Amoreiras.


Mas se a construção do Aqueduto das Amoreiras é a maior obra pública de iniciativa real edificada na modernidade, a verdade é que a iniciativa da sua construção encontra a sua génese na acção municipal, se considerarmos que os procuradores de Elvas às Cortes de Évora de 1498, foram atendidos no sentido da obtenção de uma verba necessária para a reparação do Poço do Alcalá e nesse contexto foi autorizado o lançamento do imposto real de água, que incidia sobre três fundamentais na dieta alimentar da população local: a carne, o peixe e o vinho. Assim tal imposto, ao contrário do que refere a historiografia tradicional, não foi cobrado inicialmente para as obras de edificação mas para a reparação do estado de ruína em que se encontrava a antiga fonte de abastecimento da vila ( o dito poço árabe) e sendo assim também as obras da construção do aqueduto não se iniciaram no ano das Cortes de Évora em 1498. E não temos dúvida em afirmar que a mesma não ocorreu na década seguinte, uma vez que só em 1529, as fontes históricas referem as primeiras preocupações no modo como se devia gerir as verbas extraordinárias que o município iria dispor para a sua construção, ao mesmo tempo que a iniciativa municipal passava a ser controlada pelos poderes públicos, na medida em que a superintendência das obras ficavam sob o controle dos corregedores da comarca. Num esforço construtivo épico com mais de uma dezena de etapas que terminam praticamente no séc. XIX, onde não faltaram mestres pedreiros da região, portugueses e extremenhos, ao fim ao cabo uma mão-de-obra que não se limitou a uma força trabalho disponível na vila e depois cidade. Contudo, antes de 1537 as obras do Aqueduto são raras, espaçadas e os proventos económicos insuficientes, a correspondência entre a Coroa e a Câmara, também deixa transparecer a ideia que não existe um projecto para levar a água da Amoreira à cidade. E foi neste contexto, de indefinição que em 27 de Julho de 1537, o monarca D. João III anuncia ao município elvense que enviará, o seu mestre-de-obras Francisco de Arruda para que veja essa obra da Câmara. Todavia, o pedreiro real vem à cidade no seu décimo aniversário com uma função de fiscalizar o rol de obras que a nova cidade apresentava no seu reduto, caso do açougue, das casas da câmara, da igreja nova, das cadeias, do chafariz da cidade e do referido aqueduto. Esta viagem a Elvas de Francisco de Arruda seria bastante proveitosa para os cofres municipais, já que o mesmo recomendaria ao monarca, novos meios financeiros, uma vez que o imposto real de água era insuficiente para a obra em curso. Para tal, sua majestade autorizou as autoridades locais a aplicação de determinadas penas pecuniárias para obtenção de meios financeiros tal como a venda das propriedades de domínio municipal, identificadas na documentação como canadas e objecto de venda com alguma regularidade nos anos de 1537 e 1538, como se observa nas fontes notariais. A primeira etapa, construtiva corria de vento em pompa entre a fonte de Amoreira e o outeiro de S. Francisco até cerca de 1542, numa extensão de 6 Km e já sob direcção do Mestre Francisco de Arruda que tinha fixado residência temporária na cidade e gizava um plano para levar água à cidade, mas notícias do roubo de água por particulares através do rompimento da canalização da obra em progresso começava a ser um problema para a direcção das obras e para tal pediu-se à Coroa a nomeação de um visitador, o que não foi concedido, mas Diogo Mendes, que dirigia as obras da Igreja Nova (futura Sé) passava a acumular essa função. Mas uma vez mais o financiamento pesava na alçada dos seus responsáveis, o recurso o cofre dos órfãos de Elvas e depois das comarcas de Estremoz e Portalegre foram determinantes para o avanço da obra. (Continua).

segunda-feira, maio 31, 2010

A universidad da Extremadura reforça o número de Cursos de Verão sobre Portugal


Uma vez mais, os Cursos da Universidad de Extremadura vão privilegiar Portugal na linha de Cursos de Verão de 2010. Nada menos de que três, destacando-se o curso “Documentación del Património Cultural Inmaterial en Extremadura y Portugal”. O curso que é dirigido pelo Profª. Doutora, Maria Isabel Martinez e reunirá um conjunto de especialistas na área da documentação histórica e patrimonial, assim como todos aqueles que têm como linha de investigação os temas de fronteira . Entre os vários especialistas, contam-se figuras como o Doutor, Chad Casty da Iowa Satate University e Westy Weaver da Satate University de Nova York.; “ O impacto social, e económico y cultural del Fútebol – La candidatura Ibérica”, dirigido pelo Prof.Doutor D.Miguel Cardenal Carro e “La cultura de España y Portugal en América en tiempo de Carlos V”, dirigido pelo Prof. Doutor Migual Angel Hernandez. Não deixa de ser importante esta aposta da Universidad da Extremadura numa época em que cada vez mais os projectos fronteiriços com reconhecimento e qualidade científica situa-se hoje todos a norte da Linha do Tejo.