sábado, abril 10, 2010

IX - Terras da Raia de Portalegre: as comissões republicanas e a singularidade de Arronches

Mas à medida que o Partido Republicano, se afirmava no Distrito de Portalegre, os antigos caciques monárquicos, passavam a ser conhecidos por “adesivos” já que se tinham convertido ao republicanismo e que de resto foram determinantes para os primeiros embates do Partido Republicano. Na medida em que passados alguns meses sobre o 5 de Outubro de 1910, eram já figuras indispensáveis das comissões republicanas e das comissões políticas que se foram organizando em cada paróquia, município e distrito. Na verdade, nas cidades de Portalegre e Elvas, existiam já comissões republicanas antes da queda do regime monárquico, a mesma situação estava longe de suceder a nível das vilas, Arronches e Marvão eram as pioneiras na raia do distrito de Portalegre, numa região onde a tradição a este nível administrativa era de forte tradição monárquica como era o caso de Castelo Vide e Avis. Outras como Nisa, Crato, Monforte ou Campo Maior, a questão republicana nem se questionava tal era adversidade da sua elite local a essa causa. Em Elvas, a causa republicana, estava ligada a personalidade ímpar de Júlio Alcântara Botelho, de origem aristocrática o seu avô o Visconde de Alcântara foi durante algum tempo Governador Civil do Distrito. A sua humanidade era reconhecida pela comunidade local, de facto parte da sua fortuna foi gasta na solidariedade, mas concretamente na ajuda aos mais pobres e nesse contexto foi um verdadeiro mecenas no combate a mendicidade. Assim num centro urbano próximo dos ideais monárquicos, com apoio indiscutível de uma pequena burguesia em ascensão, o primeiro presidente da Comissão Republicana de Elvas, era nada menos que Júlio Alcântara Botelho um aristocrata que estava sensibilizada à mudança de regime. Na Vila de Arronches, se as elites agrárias na maior parte exteriores ao município eram anti-republicanas, uma parte considerável da população era favorável às novas ideias que proliferavam na vila já na década de 1880, de tal modo que em 1911, os arronchenses era o único município do Sul de Portugal, que tinha já um partido republicano local, o Centro Democrático de Arronches, que funcionava como a voz de uma população que se afirmava como anti-clerical outra característica dos pioneiros do republicanismo nos grandes centros urbanos como Lisboa e Porto. Por esta razão quando foi aprovada a Lei da Separação da Igreja e do Estado, em 1911 na vila realizou-se uma sessão extraordinária na qual o Presidente da Câmara, no seu discurso a dado momento afirmou: “Por tanto Arronches que já em 1883 bem demonstrou as suas ideias anti-religiosos e que tem sido sempre democrática e liberal, não pode ficar indiferente ante a promulgação de tal diploma, por isso convocou esta sessão para que a Comissão como representante deste povo manifesto sentir da promulgação da lei”. Mas a realidade singular de Arronches jamais se observou noutros concelhos do distrito, onde a ideia da República estava impregnada na sua população independente das comissões republicanas, determinantes na dinamização dos valores republicanos em Elvas e no Marvão que na raia precederam a vila da Arronches na causa republicana. (Continua)

sexta-feira, abril 09, 2010

Eva Braun revistada por Heike Gortemark



A efémera esposa de Adolfo Hilter, Eva Braun, tratada nas biografias de Adolfo Hilter, como uma menina ingénua e submissa, relegada para segundo plano e que se apaixona fatalmente pelo ditador germânico. Em algumas das biografias, questiona-se inclusivamente se teria existido entre ambos qualquer relação íntima e defende-se mesmo uma relação platónica entre estas duas figuras da história alemã, num dos seus períodos mais críticos. Todavia, novas reflexões são agora motivo de publicação, na obra Eva Braun: Leben mit Hilter do historiador Heike Gortemaker, que mostra uma nova visão da relação entre Eva e Hilter. Segundo Gortemaker , tratava-se de uma personalidade forte com influência no líder nazi, conhecendo a política de genocídio do estado Nazi e ao contrário da menina submissa, manifestava as suas opiniões. Segundo o historiador alemão. A imagem ingénua criada à volta de Eva Braun, justificava-se no contexto da negação do protagonismo das mulheres nazis sustentada pelo arquitecto do nazismo Albert Speer no pós-guerra, com o objectivo de proteger a sua própria esposa. E acrescenta que tal visão incorporada por historiadores como Hugh Trevor-Roper permitiram esta imagem falsa e que se estende as mulheres que serviram o Terceiro Reich.

Sabia que ?

72,5 metros de altura alcança o minerete do conjunto monumental de Qutab, em Deli (Índia),que se converteu no mais alto do mundo desde o século XIII.

terça-feira, abril 06, 2010

A Revista Miltitar publica artigo sobre a Praça Militar de Elvas



A Revista Militar – na sua edição nº 62 , do II século, de Março de 1910, reserva um artigo à cidade de Elvas, a prestigiada revista, fundada em 1848 e uma das mais antigas de Portugal, gozando do estatuto de Utilidade Pública, apresenta nesta edição, os seguintes artigos científicos: Editorial [General Gabriel Augusto Espírito Santo]; Portugal nas vésperas das invasões francesas no contexto geopolítico e geoestratégico [Tenente –General, Manuel Fernando Vizela Marques Cardoso]; Duas Cartas Geográficas de 1909, da autoria do Major de Cavalaria Manuel de Oliveira Gomes da Costa [Tenente Coronel João José de Sousa Cruz]; Da Guerra à paz ou a afirmação da Praça Militar de Elvas [Prof. Doutor Arlindo Pestana da Silva e Freitas Sena] ; Da importância Geopolítica e Geostratégica dos Açores no Actual Contexto Estratégico [Major Luís Carlos Falcão Escorrega] (Re)Formação do Sector de Segurança em Timor Leste [ Prof .Mestra, Mónica Ferro /Capitão Reinaldo Saraiva Carvalho] e O crescimento do Império Ateniense e o Medo Causado em Esparta: O efeito “Spill-over” da Democracia de Atenas [ Técnico Superior/Mestre em Relações Internacionais ].Além destes estudos académicos a revista apresenta ainda um capítulo de Crónicas Militares e Bibliografia, no âmbito da função militar, dirigida pelo Tenente-Coronel Miguel Silva Machado.

Cenários de Hoje das Batalhas de Ontem


Alseia: - Situa-se a 70 Km de Dijon e foi cenário da Batalha de Alesia em 52 aC. e foi decisiva para a vitória das legiões romanas sob comando do imperador, Júlio César sobre uma confederação de tribos gaulesas.

Poitiers: - Campo de batalha situado a 20 Km de Poitier, onde Carlos Magno venceu as forças muçulmanas chefiadas por Al Gafiki em 10 de Outubro de 732 . O ocidente assumia de novo a liderança da Cristandade.

Waterlloo – Aqui se desenrolou o último capítulo das batalhas Napoleónicas que sacudiram o mundo desde 1803. Uma coligação de 100.000 homens, enfrentou durante três dias as forças napoleónicas que foram obrigadas a bater em retirada, em 18 de Junho de 1815 . Hoje sobre o campo de batalha se identifica a escultura de um leão comemorativo que simboliza a vigilância sobre a distante cidade de Paris.

Verdun – Em Fevereiro e Dezembro de 1916, nestes cenário verdejante e selvagem, ocorreu uma das maiores batalhas da I Guerra Mundial entre alemães e francese, num cenário sangrento e de morte, onde cerca de 200.000 vidas povoaram o campo de batalha.

Normamdia – 6 de Junho de 1944, nas suas praias (cinco) a norte de França, ocorreu o célebre dia D que marcou a libertação da Europa das potências nacionalistas do Eixo.

segunda-feira, abril 05, 2010

4.3. -Elvas Portuguesa: "Os Governadores Operacionais - 1640-1668"


Quando se analisa a longa lista dos Governadores da Praça Militar de Elvas, destaca-se desde logo o tempo dos “Governadores Operacionais”, que compreendem um conjunto de personalidades que tiveram postos de comando, que ultrapassaram a mera actividade burocrática ou de chefia como foram uma grande parte da Nobreza de Portugal, que em determinados períodos da história militar em Elvas desempenharam a sua missão nesta praça fronteiriça. É certo que a conjuntura política e militar, determinou que os Governadores da Praça entre 1640 e 1668, fossem homens com currículo operacional e desde logo o primeiro governador, o capitão mor, D.Álvaro de Ataíde que após a passagem por Elvas actuou em vários cenários da chamada “Guerra da Aclamação”, foi sem dúvida o primeiro supervisor ao serviço da Coroa da edificação das muralhas que iriam definir a linha fortificada da praça abaluartada de Elvas, mas seria Matias de Albuquerque que terminaria o seu mandato, numa época em que a guerra de assédio, implicava por vezes a paragem temporárias nas obras em favor da defesa das populações. Por isso mesmo o Governador interino de Elvas, convocava a população para a defesa da cidade numa época em que a mesma estava protegida ainda por parte das velhas muralhas  medievais e por uma parte da nova muralha que já apresentava traços da forma abaluartada mas longe ainda de possuir todas as baluartes, nesta época, apenas os presidiários não foram convocados para a milícia de Matias Albuquerque que chefiou a primeiro saque português na Extremadura no assédio a Alconchel (1641). A paz relativa e a ameaça constante continuava a justificar a presença de Governadores com experiência da prática bélica, D. Joane Mendes de Vascocelhos, chegava a Elvas em 1643, depois da sucessão de três governadores militares virados para a prevenção e não para a guerra, novamente as hostes nacionais respondiam aos assédios castelhanos. O novo comandante militar avança sobre de Badajoz, derrota a cavalaria das forças inimigas na atalaia de Úveda e envolve-se em guerra aberta na ponte velha de Badajoz, mas recuando para os arredores entre o dia 9 e 13 de Setembro, avança sobre Valverde que se rende porém a 29 de Setembro e com necessidade de abastecimento regressa a Elvas, após outros assédios e respectivas rendições ao longo de meados desse mês das localidades de Alconchel, Figueira de Vargas e Villa Nueva de Freso. O seu sucessor, D .Miguel de Azevedo, governador da Praça em 1644, resiste com dificuldade aos assédios espanhóis que entram de rompante por toda a raia Caia. Uma vez mais o tempo é de guerra e novo Governador, da nobreza de sangue, o Conde de Alegrete, Matias de Albuquerque acaba por estancar a ofensiva castelhana e da defesa passa ao ataque, contra os exércitos de Terracusa, a vitória em S.Vicente , localidade situada nas proximidades de Albuquerque, mostrando a eficácia do exército luso, perante um exército espanhol diminuído pelos recrutamentos para a Guerra da Catalunha. Mas, o Marquês de Terracusa, não desarma e no Inverno do mesmo ano, cerca Elvas com cerca de 12.000 homens ocupando toda a área do outeiro do Casarão dispondo de uma coluna de abastecimento e procurando ao mesmo tempo dominar a área circundante a partir da edificação de uma pequena fortificação. As várias investidas sob comando de Matias de Albuquerque, a norte da futura praça militar que já contava com oito baluartes determinou o levantamento do cerco a Elvas. O governador militar ainda antes da saída da cidade para o Cargo de Governador de Armas do Alentejo, propôs a Câmara e à Coroa o reforço da defesa da cidade com a proposta da edificação de três atalaias a dos Sapateiros (Vila Fernando); Vila Boim (na herdade da Atalaia que pertenceu à Casa de Bragança) e das Largateiras. Estas e as que se seguiram seriam destruídas pelo exército de D. João da Áustria em 1663 no cerco a Elvas. De resto o período que se segue de relativa paz e o governador Manuel Freire de Andrade entre 1646 e 1650, é sem dúvida o responsável pelo fim das obras militares em Elvas e projecta as três atalaias que foram edificadas no Caminho de Elvas e Estremoz, cujas propriedade e gado eram motivos de assalto sempre que a cidade era assediada. A década de cinquenta passa com normalidade e a sua praça abaluartada leva os seus governadores militares ao anonimato. Mas a ameaça persiste e o estacionamento de forças espanhóis na Praça Militar de Badajoz, eram notícias em Portugal. Novamente Joanne Mendes Vasconcellos volta ao comando da Praça e os campos agrícolas de Elvas, Vila Viçosa e Mourão foram arrasadas, a guerra eclode no Alentejo e Joanne Mendes Vasconcellos derrota o Conde San German em Mourão, mas os assédios e os conflitos bélicos não param. Em 1958, outro Governador da nobreza de armas, presta serviço em Elvas, trata-se do General André de Albuquerque, que morrerá em Elvas na batalha das Linhas de Elvas, antes porém cobrira-se de glória no combate de Assumar em Arronches e no cerco de Badajoz obrigado a retirar pelas hostes do Conde Ossuna toma o Forte de S.Miguel onde foi hasteada a bandeira nacional. Todavia seria, D. Sancho Manuel, o governador militar à data do Cerco e Batalha das Linhas de Elvas, no comando das hostes militarizadas da cidade com o apoio, solidariedade e sofrimento do Terceiro Estado elvense (burguesia + povo),. O ciclo das “Governadores Operacionais”, terminaria com a paz assinada com a Espanha em 1668, mas D.Jerónimo D´Autoguia nomeado em 1660, com a desconfiança natural de quem fazia a guerra continuava a centrar as suas preocupações na reparação e manutenção das fortificações e da sua capacidade de abastecimento e nesse contexto mandou regular uma nascente de água que devia abastecer o Forte de Santa Luzia, com o apoio intermédio de um novo sítio ou lugar, anexo à Praça nascia um reduzido aglomerado o Rossio da Fonte Nova. Era o fim de uma era de guerra permanente do qual o Cerco e Batalha das Linhas de Elvas foi o acontecimento central numa série de assédios que marcou os tempos da Restauração da soberania nacional.

quinta-feira, abril 01, 2010

De 10 de Abril a 23 de Maio será possível contemplar directamente o Santo Sudário em Turim, depois da intervenção com vista à sua conservação a que foi submetido em 2002. Todavia se está a pensar visitar o Museu da Semana Santa, é imprescindível fazer uma reserva antecipadamente já que se espera simplesmente milhões de visitantes. No ano 2000 foi registado o um número recorde de três milhões de pessoas em 40 dias. A visita é gratuita e durante a Ostentação do Lenço só será visível de longe. No domingo 2 de Maio, o Papa Bento XVI, estará em Turim e celebrará missa na praça de San Carlo em Turim. De realçar ainda, que o Museu, propõe ao visitante uma informação completa sobre as investigações da Semana Santa, recolhendo e difundindo, os aspectos históricos, científicos, de devoção e artísticos: O Museu Della Sindone, situa-se na: Via Domenico, 28 -10122 Torino – Tel +39 (0114365832). Mas há poucas horas, foi inaugurada a exposição: O Corpo de Cristo, o Rosto da Arte” e que deverá se manter em exposição no Palácio Venaria Real , também em Turim até ao mês de Agosto. Segundo a organização, trata-se de uma viagem centrada no corpo  e no rosto de Cristo com toda a carga do sofrimento físico e mítico, a partir de um conjunto de representações dos pintores de referência do Renascimento e Maneirismo,  Italiano, como Frei Angelo, Belini, Rubens, Mantgena entre outros Mestres. 

quarta-feira, março 31, 2010

Museu do Louvre lidera desde 2007 o Raking dos mais visitados do Mundo.

O Museu do Louvre foi o museu mais visitado em 2009, com 8,5 milhões de pessoas, de acordo com a lista de publicações de arte britânica The Art Newspaper . Em segundo lugar está o British Museum, com 5,5 milhões de visitantes, seguido por Metropolitan de Nova York com 4,8 milhões de euros. Fora do “top 10” entre os museus mais visitados, destaca-se o National Gallery (4,78 milhões) e o Tate Modern (4,74 milhões), ambos de Londres, o National Gallery of Art, em Washington (4,6 milhões), Centro Pompidou (3,5 milhões) e Musée d'Orsay , Paris (3 milhões) e Museu Nacional da Coréia em Seul (2,7 mmilhões) A publicação também compilou uma lista das exposições de maior sucesso durante a temporada 2008/09, que é de três amostras de arte japonesa em exposição em museus nipónicos.A exposição titulada o “Ashura e as obras-primas do templo Kohfukuji” foram as mais visitadas, no Museu Nacional de Tóquio, com cerca de 16.000 visitantes por dia. Os “Tesouros da Shosoin”, no Museu Nacional de Nara, com 14.965 visitantes por dia, e os Tesouros da Colecção Imperial Museu Nacional de Tóquio, com 9,473, ocupam o segundo e terceiro respectivamente. A lista continua com uma exposições de sucesso como: a dedicada a Picasso no Grand Palais, em Paris, outro a Kandinsky, no Centro Pompidou, em Paris e uma a Joan Miró no MoMA, em Nova York. A exposição dedicada ao artista suíço Pipilotti Rist no MOMA e Tesouros da Monarquia de Habsburgo, National Art Center de Tóquio, ocupam os lugares finais do "Top 10". É de salientar que a exposição do grafitt, britânico Banksy  no Museu de Bristol foi objecto de 4.000 visitas por dia e  situa-se entre as 30 obras mais populares da temporada artística de 2010. De realçar que é a primeira vez que o Museu de Bristol surge nesta lista com a referida exposição. O Museu do Parado na 9º posição foi o mais visitado na Península Ibérica e em Portugal o Museu Nacional dos Coches mantêm-se como o museu mais visitado em Portugal ...

terça-feira, março 30, 2010

Keneth Doover, o maior historiador da época clássica, já não está entre nós.



Sir Kenneth Dover,  faleceu aos 89 anos, foi uma figura académica que se destacou no estudo do pensamento, da literatura e do grego clássico. Poucos conseguiram igualar a qualidade dos seus estudos, em especial o rigor do seu pensamento filológico, histórico e cultural. A sua obra tornou-se conhecida pelo grande público, devido à publicação de um estudo inovador a “Homossexualidade na Grécia Antiga (1978)”, que então foi considerada pela crítica como inovadora e polémica. Para tal Kenneth Dover, utilizou como fontes documentais, as evidências registadas nos processos de acusação do tribunal de Atenas, as centenas de registos pictóricos incrustados nos vasos de cerâmica da antiga Grécia e outras referências históricas, mitológicas e filosóficas referentes a época clássica. A síntese desta vasta investigação permitiu a construção de uma teia convincente de práticas sociais e sexuais na Grécia Clássica e que foi determinante para uma nova abordagem sobre os estudos actuais centrados nas culturas sexuais ancestrais a partir da década de 1980, no qual um dos maiores historiadores – Michel Focault – se deixou influenciar. Todavia, Dover não suportava a ideia de que esta obra se tornasse na sua bibliografia de referência e nem sequer achava graça que a mesma se tivesse se tornado uma moda nos meios universitários com uma multiplicidade de teses que seguiam a sua metodologia. De facto, a sua obra “Popular Morality (1974)”, que se centra no estudo de reconstrução do sistema de valores dos Gregos no séc. IV com base nas estratégias argumentativas utilizadas pelos oradores da cidade e das assembleias de cidadãos, foi e é sem dúvida uma trabalho de investigação ímpar, insuspeito e que nos permite reconstruir os gregos com o realismo e não com o idealismo, que marcou alguma historiografia clássica. A sua carreira académica foi consagrada como historiador e especialista da língua grega, vários prémios e bolsas de estudo no âmbito da sua área de investigação, concedidos pela Oxford University onde se doutorou. O seu currículo académico é infindável mas a sua popularidade na sociedade inglesa está devidamente identificada com as suas oratórias em temas clássicos e não só na BBC.

domingo, março 21, 2010

X-Terras da Raia de Portalegre: "Os tempos da iniciativa republicana".

Durante a primeira república (1910-1926), o Partido Democrático ( P.R.P.) se afirmou, como o partido, mais representativo da região tal como de resto se verificou em todo o País. O P.R.P., não era mais que o Partido Republicano Português, que se foi reorganizando ao longo da década de 1910 de forma mais complexa e tinha como sustentáculo à sua existência, as chamadas comissões representativas de distrito, paróquia e município dependentes em todos os casos de um Directório que coordenava a acção política do partido. No norte Alentejano o Partido Democrático apresentou-se muito cedo aos actos eleitorais como um vencedor potencial devido, em certa medida, ao facto de uma parte representativa de antigos monárquicos, alguns deles filiados nos partidos clássicos (Regenerador e Progressista), se tornaram após a implantação do regime republicano em quadros do jovem partido Democrático. O exemplo mais significativo foi sem dúvida o de D. José Pais de Vasconcelos e Abrantes, que pertencente às elites da vila de Avis na última fase da monarquia constitucional, primeiro como uma referência do Partido Progressista e depois como uma das personalidades regionais com influência no Partido Regenerador e um dos defensores de João Franco que era visto com alguma desconfiança entre as várias facções monárquicas. A verdade é que nas primeiras eleições republicanas, o monárquico de Avis apresentava-se como Deputado do Partido Democrático pelo círculo de Elvas. Todavia, não podemos deixar de referir que entre os novos vultos do movimento republicano no Distrito de Portalegre se identificavam novos dirigentes alguns dos quais de tornariam figuras de primeira linha na política nacional. Por outro lado, a capacidade de oratória, foi durante a I República uma das condições marcantes da vida política e determinante para o êxito eleitoral dos republicanos nos vários actos eleitorais que se sucederam durante quase duas décadas de vigência da I República. Mas se alguns dirigentes monárquicos aderiram ao partido ganhador do antigo regime, outros nomeadamente dirigentes partidários, deputados e governadores, pura e simplesmente abandonaram a vida política. No foi contudo o caso da vila do Gavião, que trinta e seis hortas depois da queda da monarquia, o administrador do concelho, os vereadores e os empregados da câmara municipal e uma parte considerável das figuras com influência na vida local aderiam ao Partido Republicano. Na cidade de Elvas o processo de adesão ao Partido Republicano, se desenvolveu de forma moderada e as adesões quando ocorreram das figuras com maior protagonismo da cidade foram acontecendo ao longo dos três primeiros anos da vida Republicana. Assim só por volta de 1913 encontramos como membros do Partido Republicano, algumas famílias com poder económico e influência social, na Comissão Republicana da cidade. Esta situação que se manifestava um pouco por todo o País era comentada pelo “Correio da Manhã” de 12 de Dezembro de 1910, que deixava claro que a República precisava dos caciques para se consolidar:"(…) A república terá de bater à porta do cacique (…) oferecer a estrada, promover a ponte, negociar o despacho, e até virar uma boa canada na tasca ou na adega, para satisfazer a convenção social”. (Continua).

domingo, março 14, 2010

4.3. Elvas Portuguesa - "O Tempo dos Governadores"

A época dos governadores na História Política e Institucional da cidade de Elvas, foi uma consequência de uma Nação que pegou em armas para a recuperação da soberania nacional. E neste contexto conjuntural, a instituição do “governador” como protagonista da nova realidade justifica-se no âmbito da estruturação da defesa nacional e de espaços ou teatros de guerra, que necessitavam de ser ocupados, com vista às práticas de defesa, ocupação e ofensiva. De facto a cidade de Elvas, pela sua posição geográfica detinha um papel fundamental na defesa da entrada dos exércitos inimigos pela raia e por outro, do Alentejo como espaço aberto e de vastos planícies, permitia o avanço das forças de assédio as terras de fronteira, prática ocasional durante as guerras da Restauração. Assim a edificação de espaços militares como a Praça Militar e o Forte de Santa Luzia, se justifica nesta estratégia de defesa regional que estava depende de uma jurisdição militar que reconhecia no Governador o chefe militar, a capacidade de gerir o recrutamento, o aprovisionamento, o financiamento e a estratégia em tempo de guerra. Tratava-se de um personalidade militar, militar e titulada ou simplesmente titulada, no último caso, estava subjacente o princípio do privilégio e não propriamente o acto de mérito funcional. No caso da Praça Militar de Elvas, a nomeação dos governadores ao longo da época moderna, esteve sempre subjacente o interesse nacional, de tal forma que é possível observar, a presença de militares com experiência militar nos períodos de maior evidência de uma ofensiva inimiga e quase sempre caracterizada pela presença de militar de forma efectiva, com todos os problemas recorrentes de recrutamento e mobilização na modernidade. Diferente de outros momentos em que a presença militar era quase inexistente até que o conceito de modernidade não estava organizado na existência de um exército regular e permanente. Na época Moderna ao longo dos séculos XVII e XVIII, encontramos vinte cinco cartas de nomeação para Governador da Praça Militar, mas a documentação militar até 1789 refere mais três : trata-se do Conde de Jerónimo da Autoguia, um aristocrata/militar que desempenhou a função de governo interino em 1661 e de Francisco de Mello (1644) que deverá ter substituído num tempo muito curto D. Miguel de Azevedo. E, Gil Vaz (1664) que deve ter sido o governador militar e não o Conde Freire, que apenas esteve alguns dias em Elvas para comandar as tropas que seguiam para a capital, todavia faltam provas documentais para fundamentar o nome de Gil Vaz. A geração da Restauração marcou os primeiros vinte e oito anos da Praça Militar de Elvas e foram dezoito os governadores. O primeiro nomeado em 1640-1641, foi o capitão-mor, Álvaro de Ataíde, a própria patente de comando, remete-nos para o período medieval onde o capitão dirigia o serviço de hoste militar. Mas as condições da Guerra da Restauração marcaram definitiva a época dos governadores, porque a defesa da soberania nacional estava na capacidade de evitar o avanço das tropas castelhanas e numa fase imediata evitar a queda das praças da raia, Estremoz, Elvas, Arronches e o castelo abaluartado da Vila de Campo Maior. Entre 1641 e 1650, contam-se mais de dez nomeações, onde se identifica um autêntico desfile de heróis das Guerras da Restauração, como D. Sancho Manuel, Conde de Vila Flor com experiência de guerra aberta na Península itálica, na Flandres e no Brasil ou André de Albuquerque Ribeira Fria, herói nas campanhas do Brasil e do combate de Arronches em 1653. Mas outros nomes da aristocracia/militar portuguesa marcam a 1ª época dos governadores da Praça: D. João da Costa, Conde de Soure; Manuel Freire de Andrade, o prestigiado teórico militar, Joanne Mendes de Vasconcellos e D.João de Mscarenhas, Conde de Sabugal. Por último uma referência a D. Manuel Freire de Andrade, que foi nomeado por três mandatos :1646, 1657 e 1650, tendo sido o responsável pela primeira gestão dos recursos da Praça Militar de Elvas e anexos e que mais tempo ocupou no comando da Praça após a Restauração de Portugal (continua).



quinta-feira, março 11, 2010

Sabia que .... Caravaggio é o novo ídolo norte-americano

Um estudo levado a cabo, pelo historiador de Arte, norte-americano Philip Sohm chegou à conclusão contra todas expectativas, que Caravaggio é o pintor do momento na sociedade norte-americano. Segundo o referido académico, Caravaggio assume hoje a figura do anti-herói moderno na medida em que no estudo realizado acabou por destronar Miguel Angelo o grande mestre do Renascimento Italiano. As suas representações tornaram-se tão banais que estão em toda a parte e em espaços tão banais como aeroportos, segundo Philip Sohm o Bacchus ou a cabeça de Caravaggio, é provavelmente uma moda que ofusca temporariamente a obra impar dos frescos da Capela Sistina, Miguel Angelo.

quarta-feira, março 10, 2010

X - Terras da Raia do Distrito de Portalegre:- As figuras de influência política na época da Regeneração

A partir e meados da década de 1860 e nos primeiros anos da de setenta na cidade de Portalegre, uma das personalidades com influência na vida política era sem dúvida, Diogo Fonseca Acciaioli Coutinho de Sousa Tavares. Tratava-se de um portalegrense de origem nobre cuja actividade em defesa dos interesses da sua terra e dos grupos sociais populares contribui para que se tornasse num político com uma notável notoriedade entre os sectores menos privilegiados da cidade capital do distrito, segundo J.A.Gordo: “O povo acompanhava-o, incondicionalmente, para onde fosse ou quisesse ir em matéria eleitoral”.Como resultado da sua popularidade, tornou-se uma das figuras mais importantes do Partido Progressista, sendo inclusive um elemento decisivo na eleição do Doutor José Francisco Laranjo, para deputado pelo distrito, numa época em que o Partido Regenerador era a força política dominante. Todavia, a vitória do prestigiado académico nas eleições para a Câmara dos Deputados estava directamente relacionada com a existência de um grupo de personalidades dotadas de prestígio social e influência económica, nomeadamente nas cidades de Portalegre e Elvas, onde os respectivos círculos eleitorais eram quase sempre decisivos na eleição dos deputados do distrito. Nas vilas, por vezes essas figuras influentes eram também decisivas na contagem dos votos, não por ser o local de residência dos grandes proprietários do distrito, mas pelo simples facto de aí possuírem parte do seu vasto património agrário. Era o caso das vilas de Marvão e de Arronches, no caso particular desta última, era muito significativa a percentagem de trabalhadores rurais que estavam por razões de natureza social e económica, dependentes de  figuras como Diogo da Fonseca Acciaioli ou Luís Xavier de Barros Castelo Branco. O primeiro, Diogo da Fonseca Acciaioli, era morgado da Lameira, um núcleo próximo de Portalegre e uma personagem com vasta experiência política e que apoiou em diversos actos eleitorais os partidos, Histórico e Progressista. Sendo uma das figuras cujo apoio foi decisivo para a primeira eleição do Doutor José Frederico Laranjo em 1878. Esta estratégia política montada em volta das figuras de referência foi característica dos principais partidos com implantação regional e que de certo modo já demonstramos na nossa reflexão. No partido Regenerador pontificava, personagens como o Vigário Geral da Diocese, o Dr. José Andrade de Sequeira, natural da vila de Alpalhão, cujo prestígio e influência social se concretizou com base no desempenho de cargos como de Professor do Seminário de Portalegre, na década de 1860 ou de Vigário Geral, no período de 1875-1879. Outros regeneradores de referência na vida política e social do distrito ligados à administração estatal na sua condição de governadores civis, foram o Conselheiro Cândido Maria Cau Costa que seria nomeado Governador em duas ocasiões, a primeira em 19 de Setembro de 1878 e a segunda a 23 de Abril de 1881. O Conde José Avilez, figura de relevo da velha aristocracia portalegrense, mais conhecido pelo “Conselheiro”, cujo empenho e influência foi determinante para as várias vitórias eleitorais na vila do Gavião do seu partido. O Visconde de Reguengo e Cidrais, D. Adolfo Juzarte Rolo, descendente da família dos Costas Juzartes cujas origens com o título de Conde remonta ao séc. XVI. (Contínua)

sábado, fevereiro 27, 2010

4.3. ELVAS PORTUGUESA: Os novos poderes, a afirmação crescente dos Militares (1).

O poder militar enquanto força institucionalizada afirma-se em Portugal durante a época Moderna, atingindo a sua profissionalização como um exército organizado e moderno, em finais do séc. XVIII. Em Elvas a presença militar acompanha esse longo processo de organização e administração militar, a estrutura medieval assente nas milícias marcou a primeira centúria da modernidade, uma vez que a lei de Dezembro de 1570 na sua essência continuava a ter por base as milícias urbanas como elemento determinante para a existência de uma força militarizada (uma tropa) capaz de actuar em caso de necessidade. O comando supremo mantinha-se na posse do alcaide-mor ou seja, as milícias locais dependiam do enquadramento militar proposto pela governança local. Assim e durante quase um século, a defesa do território concelhio e do seu termo, dependia da gratificação do poder local em matérias como o pagamento das bandeiras, tambores, pólvora e chumbo e de forma ocasional os seus oficiais e meirinhos. Esta forma de exercício dos poderes militares era uma tarefa concelhia e logo uma função exercida pelo poder civil e assim foi, sem contestação até finais do século XVI. Nas Cortes de Tomar de 1580, quando o perigo espanhol era uma realidade mais que aparente, os estados sociais opuseram-se à existência de um serviço militar que afastasse os lavradores do aumento das suas culturas. A animosidade dos “povos” foi uma característica dominante e o enquadramento militar era quase inexistente e determinado quando o perigo da soberania recomendava a necessidade de convocação das milícias armadas. No caso particular da vila e sobretudo, da cidade, uma vez que essa categoria administrativa é confirmada na modernidade, a sua situação geográfica numa zona tradicional de invasão foi determinante para que o serviço militar com todas as limitações estivesse minimamente organizado. Mas o esboço de uma incipiente administração militar ficava definida com o regimento de fronteiras [29.8.1645], que cria entre outras instituições a Vedoria, que em Elvas como nas comarcas de fronteira fazia a supervisão da administração militar, do ponto vista das tropas e da logística militarizada que a concentração militar exigia. A realidade mudava radicalmente na vida institucional e política, da cidade raiana, era o tempo dos governadores cuja imposição se foi ampliando relativamente às autoridades civis no âmbito da jurisdição onde o conflito entre poderes foi evidente, mas sempre favorável aos militares há medida em que a tropa permanente se torna num exército moderno profissionalizado fruto das propostas do Conde Schaumburg-Lippe. Era o tempo dos Governadores militares cerca de trinta e três até ao início da Época contemporânea, quarenta e cinco até ao fim do Antigo Regime. (Continua)

segunda-feira, fevereiro 22, 2010


As sociedades humanas não podem subsistir sem o exercício do poder. Há sempre o poder enquanto domínio para que os grupos possam viver organizadamente e sem violência. Anselmo Borges. Professor Universitário (Coimbra).

domingo, fevereiro 21, 2010

X-Terras da raia de Portalegre: A organização partidária na Monarquia Constitucional



A organização da vida partidária no Distrito de Portalegre durante a Monarquia Constitucional, baseava-se na construção de uma rede de influências cuja finalidade era estabelecer uma rede de interesses capaz de garantia a vitória nos diversos momentos eleitorais que ocorriam no distrito. De um modo, geral essa teia de relações dependia de um pequeno grupo de cidadãos locais em perfeita conexão com os partidos nacionais. Aliás está íntima ligação entre os poderes locais e nacionais, nos permite verificar uma harmonia entre os resultados nacionais e os locais. Entre 1881 e 1910, o Distrito de Portalegre foi sempre pró - governamental, assim entre 1881 e 1886, as vitórias nos círculos nacionais e distritais foram sempre favoráveis ao Partido Regenerador, entre 1905 -1906, predominou o Partido Progressista. Os períodos de não coincidência ocorreram entre 1897-1900, quando o Partido Progressista governava o País e o Regenerador o distrito. No século XX, o Partido Regenerador voltava a ser a maior força do distrito, com excepção da cidade de Elvas, que era progressista por influência dos comerciantes que dominavam a vida política. Aliás desde “Ultimato Britânico - 1890”, que o distrito estava dividido e se o Partido Regenerador era a força dominante, a cidade de Elvas era a força que liderava os Progressistas, a qual se juntava as vilas de Ponte Sor, Nisa, Alter do Chão e Gavião. Todavia em finais do século XIX não existia uma organização partidária propriamente dita já que as formações políticas continuavam a ter como estrutura básica o apoio quase exclusivamente de matriz familiar, no caso de Elvas, o Comércio de Elvas, na época caracterizava assim os Progressistas: “Os agrupamentos políticos em Elvas, que não regulam pelo número de sujeitos que se podem permitir a honra de receber em sua casa meia dúzia de parentes e amigos, arvorando-se logo ali um chefe de uma facção”. Esta situação era extensível à forma de organização partidária por todo o distrito, numa época em que as formações políticas não obedeciam à estruturação dos partidos modernos e muito menos correspondiam a partidos de massas formados por militantes sujeitos a uma estrutura nacional já que na verdade só davam sinais da sua existência quando eram convocadas eleições gerais ou municipais. Entre os partidos existentes no Distrito, o Partido Progressista foi sem dúvida aquele que mais progrediu do ponto vista organizacional uma vez que antes do final do século XIX já tinha os seus centros de reunião nas duas cidades e nas principais vilas da região e eram os seus chefes políticos que escolhiam ou exerciam influência sobre os candidatos locais e controlavam com alguma facilidade a imprensa regional. O Regenerador, mais centralista, com sede em Lisboa e que determinava quem seria os candidatos a deputados em cada região. Na cidade de Portalegre, como sucedia também na de Elvas, era a classe dominante formada por indivíduos com maior poder económico e com reconhecido prestígio social que se afirmavam na vida política. Por outro lado, os programas e os objectivos das forças políticas das cidades e vilas, situadas a norte do Alentejo estavam perfeitamente definidos segundo os interesses dos grupos sociais na vida pública das suas respectivas localidades, quer se tratasse do Partido Regenerador, Progressista ou Histórico, partido residual mas com alguma força em determinadas localidades mas jamais uma força política vitoriosa.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Sabia que ....?


O artista belga Wim Delvoye está a ser motivo de polémica em França onde apresentará uma exposição que abre ao público amanhã no Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Nice e que apresenta sete porcos tatuados. Estes porcos foram levados por Wim Delvoye para uma fazenda perto de Pequim, na China. Onde foram tatuados denúncia os defensores do bem-estar animal. Na exposição: "O artista utiliza o animal como se fosse um único objecto. O sofrimento que a tatuagem, foi feita sob uma anestesia leve e não envolve o sofrimento dos suínos. Embora a abordagem do artista pode ser visto como perturbador ou provocador, no entanto serve para levantar o debate sobre a questão da exploração animal "Diz o site do museu.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

O pensamento do Dia....


"Todas as coisas «boas» foram noutro tempo más; todo o pecado original veio a ser virtude original. O casamento, por exemplo, era tido como um atentado contra a sociedade e pagava-se uma multa, por ter tido a imprudência de se apropriar de uma mulher (ainda hoje no Cambodja o sacerdote, guarda dos velhos costumes, conserva o jus primae noctis). Os sentimentos doces, benévolos, conciliadores, compassivos, mais tarde vieram a ser os «valores por excelência»; por muito tempo se atraiu o desprezo e se envergonhava cada qual da brandura, como agora da dureza. A submissão ao direito: oh! que revolução de consciência em todas as raças aristocráticas quando tiveram de renunciar à vingança para se submeterem ao direito! O «direito» foi por muito tempo um vetitum, uma inovação, um crime; foi instituído com violência e opróbrio". Friedrich Nietzsche, Filósofo.

Sabia que? ..... Os retratos de Caravaggio



Foi hoje apresentado ao público no Museu Reginal de Messina, um conjunto de retratos de Caravaggio, cultivados em diferentes fases da sua vida, as quatro figuras representam os pastores na temática da “Adoração”. Esta hipótese é defendida pelo superintendente do Museu do Polo Roman, Vodret Scarlett, um grande estudioso de Miguel Ângelo, e que há muito vem trabalhando em colaboração com a Unidade de Carabineiros para a Protecção do Património Artístico, de acordo com as suas metodologias de reconhecimento de rostos, todos os retratos representam o próprio Caravaggio. "Para Caravaggio, a presença de seu retrato na pintura torna-se quase uma espécie de assinatura", defndeu Vodret Scarlett

terça-feira, fevereiro 16, 2010

O Pensamento do Dia...


Adicionar imagemTodos os homens se devem deixar matar pelas suas ideias, mas todos aqueles que levem os homens a morrer pelas ideias de outros são considerados criminosos! .... Henri Musil, Escritor, Romancista.

4.3 -Elvas Portuguesa: Os novos poderes: O Poder Espiritual



A época moderna foi decisiva para a implantação de um novo conceito de poder exercido pelas elites militares e religiosas independentemente dos poderes públicos instituídos pelo poder Central. De facto, a criação da figura do Governador da Praça Militar de Elvas e do Bispado de Elvas, determinou uma nova era nas relações institucionais e políticas com a Coroa. Ao mesmo tempo que o poder local embora autónomo dependia agora de três poderes públicos, da Coroa, do Bispado e do Militar, este último de resto não só incidia sobre o contingente militar, mas também sobre os civis que estavam sobre à sua jurisdição. A figura do alcaide, determinante na organização da vida local deixa de ter fundamento e a representação concelhia, encontra na Câmara de Elvas a sua voz ainda que abafada pelos novos poderes instalados primeiro pelo Bispado depois pelo comando militar da Praça de Elvas. O Bispado, criado pela Bula Sper Cunctas, outorgado pelo Papa Pio V, determinava uma nova circunscrição religiosa no continente português mas a única com jurisdição colonial, de facto, a realidade da Sé de Elvas era uma realidade artificial que tinha como finalidade a incorporação da diocese de Ceuta e alguns municípios que então pertenciam à diocese de Évora, como era o caso dos concelhos de Monforte e Arronches. Esta nova realidade só por si engrandeceu a nova cidade portuguesa, com uma nova elite aristocrática titulada e com uma formação académica ímpar na vida local. Na verdade o primeiro dos vinte e quatro bispos de Elvas, D. António Mendes de Carvalho era doutorado pela Universidade de Paris, considerado um homem de misericórdia, pela prestação, apoio e solidariedade aos mais pobres sendo conhecido como o “Pai dos pobres”. Foi também na sua vigência que Portugal perdeu a sua independência, tendo o Bispo inicialmente afirmado o seu patriotismo, porém acabaria por reconhecer os direitos e pretensões de Filipe II de Espanha ao trono português, mas não abandonou os que se opunham a união ibérica e nomeadamente o Alcaide Mor, António de Melo que viu a sua vida em perigo, quando as forças militares espanhóis estavam já concentradas junto do aqueduto, dos poços e de outros pontos chaves da cidade, mas foram muitas as figuras de reconhecimento que viveram no palácio episcopal da urbe elvense com a responsabilidade e fausto que tal cargo determinava. Como eram os casos dos Bispos de Elvas que desempenharam o cargo de Inquisidor Mor do Reino, como os bispos oriundos de uma das famílias de maior prestígio no Antigo Regime, os Matos e Noronha, nas pessoas de D. António (1571-1561) cuja entrada em Elvas foi notada pelo seu amplo coche forrado a veludo, puxado por quatro cavalos cujos freios estavam rematados por metais preciosos e D. Sebastião (1625-1634). D. António embora reconhecido pelo “povo” na forma como organizou o combate à peste de 1600, não era todavia popular e ficou célebre pela indiferença a que votou a D. Teodósio, Duque de Bragança não marcando a sua presença nos actos públicos e privados, a que não faltaram as autoridades locais e a fidalguia da cidade. Entre ambos, há que referir a passagem de outro inquisidor mor, D. Rodrigues da Cunha que conviveu com a classe política favorável a permanência da unidade ibérica, nomeadamente Cristóvão de Moura e o Marquês Castelo de Rodrigo, vice-rei do reino. Aliás, o último inquisidor mor do Reino, D. José Joaquim Coutinho também exerceu a sua vigência na cidade transfronteiriça nas últimas década da monarquia absoluta. Por oposição, ao Bispo do absolutismo, destacou-se D. Frei Joaquim Meneses de Ataíde, o Bispo do Liberalismo que exerceu funções entre 1820-1828, fundador da loja maçónica da Liberalidade em Elvas com o Governador da Praça em 1818, Thomas Wiliam Stubbs e que contou sempre com o apoio do seu companheiro da Ordem, Manuel da Santa Tecla outra figura do liberalismo elvense. O bispo Menezes Ataíde chegou a deputado do reino, na Câmara dos Pares e foi adversário da facção miguelista acabando por partir para Gibraltar durante o seu curto período de exílio. Outros nomes não podem ser ignorados na regência do Bispado de Elvas, D. Lourenço de Távora, oriundo da nobreza tradicional com influência na vida política nacional e indiferente à fidalguia inconformada e nacionalista, bem diferente foi D. Manuel da Cunha (1646-1667), que fora arcebispo de Lisboa e figura de destaque na época da Restauração, as suas intervenções nas Cortes foram marcadas pelo seu patriotismo e pela sua posição anti - ibérica que continuava latente em certos sectores na velha aristocracia. Não deixa de ser curioso o facto de uma parte dos Bispos de Elvas, terem no seu currículo a passagem pela Inquisição ou por dioceses coloniais como a de Pernambuco ou do Funchal, cujas rendas eram mais proveitosas para a sua dignidade, mas ao mesmo tempo a diocese de Elvas, era a mais importante na raia nacional, mesmo antes da sua extinção, o carácter administrativo, burocrático e espiritual ainda era muito representativo, de facto quando D.Frei Ângelo da Boa Morte, último Bispo de Elvas quando toma posse do Bispado conta como Dignitários recrutados no Alto Clero, o Bispo, o Chantre, o Arcediago, o Mestre Escola e o Tesoureiro Mor, o cargo de Deado estava vago. Dos treze Cónegos estavam em função onze, os Quaternários eram seis, os Beneficiados eram doze e as Capellanias eram dezasseis ou seja cerca de meia centena de clérigos constituíam o séquito do Bispado. A este grupo de clérigos juntava-se as diversas ordens religiosas num tempo em que o poder espiritual era uma das razões do prestígio alcançado por Elvas no contexto das cidades onde a defesa da soberania nacional era um ponto de honra (Continua).

domingo, fevereiro 07, 2010

O pensamento do Dia...


Morre-se de amor. Também se morre dessa doença cruel e implacável, que a sociedade moderna criou e parece não estar muito preocupada em exterminar - o desprezo pelos outros....Escritor.

X-Terras da Raia de Portalegre: Introdução à vida política.



A organização partidária na época da regeneração (1850-1910) no Distrito de Portalegre: - De um modo geral, podemos afirmar que a organização e, inclusive, o funcionamento dos partidos políticos estiveram sempre em relação directa com o protagonismo muito apreciável exercido por um conjunto de intelectuais, mais evidente na cidade de Portalegre e recrutados nos grupos sociais e económicos, o mesmo se verificou na cidade de Elvas, mas que sempre dependeu da vontade dos políticos da capital. Observamos também que relativamente aos diferentes actos eleitorais ocorridos durante a monarquia constitucional, as eleições para o Congresso dos Deputados eram as que mais entusiasmavam a classe política da região, o grosso das listas era constituída pelas personagens mais importantes de Portalegre e Elvas, sendo as vilas a de Avis e Niza as que maior importância tinham na selecção dos candidatos, a este nível administrativo. De um modo geral se tratavam de “lavradores” ricos, que constituíam a elite social das cidades, todavia os letrados como os advogados, seguida de outras profissões caracterizadas por uma formação escolar prolongada era o caso dos médicos e dos professores. O exemplo mais representativo, foi sem dúvida alguma o Doutor José Francisco Laranjo, Professor Catedrático de Direito que foi eleito várias vezes deputado da nação, tratando-se de um estratega e responsável por diversas vitórias do Partido Progressista no território norte alentejano. Estas personagens, cuja influência na vida local era intensa e notável e só por si suficiente para assegurar a sua eleição para deputado ou da força política em que se integrava ou apoiava, eram os caciques. O termo “cacique”, utilizado com muita frequência na linguagem política, se incorporou pela primeira vez no léxico político português em 1886 graças a Oliveira Martins, para classificar as pessoas consideradas influentes. Em termos mais precisos, foi a partir de meados da década de 1880-1890, quando a expressão “cacique” começou a ser utilizada com uma certa frequência, sobretudo nas folhas da imprensa, para fazer menção ao posicionamento político mantido pelos “influentes”, entrando definitivamente tal expressão da linguagem política comum. Segundo, Henri Mendras, os caciques eram, por definição, uns notáveis locais que detinham simultaneamente, o “poder interno e externo”, numa colectividade determinada. No Distrito de Portalegre, habitualmente, o seu poder político não acostumava ultrapassar as fronteiras do seu concelho onde tinham residência e a maior parte da sua riqueza ou fortuna. Todavia, em alguns casos como na cidade de Portalegre, estes notáveis, em função do seu poder social muito amplo, da sua posição económica (de domínio sobre a terra), dos seus pergaminhos familiares (títulos aristocráticos) ou simplesmente, do seu prestígio e reconhecimento social (advogados, professores e médicos), exerciam uma notável influência nos concelhos vizinhos que podiam inclusivamente possuir algumas propriedades. Em Elvas essa influência dos grandes proprietários de terras aos concelhos vizinhos de Arronches e Campo Maior era uma realidade indiscutível. Fruto de estas circunstâncias o êxito eleitoral dos maiores partidos do distrito, o Regenerador e o Progressista, estava directamente relacionado com a capacidade do “cacique” em recrutar os seus membros, Silveira de Sousa é da opinião que nesta época: “A esmagadora maioria da população portuguesa não era deste ou daquele partido, era do partido a que pertenciam fulano ou sicrano que dominavam as malhas da influência local, negociando com eles de forma pragmática o seu voto de apoio”. [ Continua].

domingo, janeiro 31, 2010

O Pensamento do Dia...



Grande arte é saber corrigir a tempo, oportunamente, abrindo uma porta; sem esmagar a pessoa mas ajudando a superar o erro. Quem sabe fazer esta distinção não deve ter medo de ter opinião nem cai na ratoeira de se calar dizendo que é tolerante. A tolerância é com as pessoas, não com os actos. Vasco Pinto Magalhães, Padre Católico.

Os Dias da Nossa Civilização...


A ideia de liberdade não era palavra vã na cidade do Porto, onde a Revolução de 1820, tinha determinado o fim do Antigo Regime. Da cidade invicta, o protesto tornara-se constante há medida que se assistia à deterioração da vida pública e o primeiro deputado republicano eleito em Portugal, representava então a capital do Norte, tratava-se do Dr . José Joaquim Rodrigues de Feitas. A questão do Ultimato Britânico foi entendido pelas gentes do Norte como uma desgraça nacional e o desagrado foi evidente numa cidade onde a colónia britânica por via dos negócios do Vinho do Porto, era a mais representativa em Portugal. Nestas circunstâncias históricas e políticas, a Revolução de 31 de Janeiro de 1891, como primeira tentativa de derrube da monarquia portuguesa, deve ser observada no contexto das nobres tradições libertárias da cidade. O movimento quando saiu à rua é de natureza militar mas a base ideológica, estava subjacente num Directório Civil constituído pelo: advogado Augusto Mateus Alves da Veiga, pelos jornalistas José Pereira de Sampaio (Bruno), Santos Cardoso e João Chagas, pelo actor Miguel Verdial, pelo padre João Pais Pinto, pároco de São Nicolau .O comando operacional (militar) estava nas mãos do capitão António Amaral Leitão, do Regimento de Infantaria nº10 e no alferes Augusto Rodolfo da Costa Malheiro, de Caçadores nº9. O movimento portuense era acompanhada com expectativa pelos conspiradores e nomeadamente pelo Directório do Partido Republicano, uma vez que o triunfo a norte seria acompanhada pela marcha para sul para libertar a capital. Todavia, a Infantaria nº10 quando avança para a rua faz tardiamente com seis horas de atraso já a madrugada estava a findar e o êxito dos revoltosos também … . Uma hora depois às 07h00 da manhã, o Dr. Alves Veiga, proclamava a República e divulgando o nome dos conspiradores a uma multidão que tinha esperança nas palavras que então ouvia, de um futuro melhor. Todavia, as forças féis irrompiam pela Rua de Santo António até à Praça da Batalha, o fogo abria-se sobre a multidão, mortos e feridos caíam no solo, a população fugia… a revolução estava condenada ao insucesso, as centenas de mensagens telegráficas chegavam à Coroa e ao Ministério, entre elas a da Câmara Municipal do Porto, testemunha ocular da tragédia das gentes do Porto, mas seu o 31 de Janeiro

sexta-feira, janeiro 29, 2010

O pensamento do dia ...


Tirania e liberdade não se podem considerar isoladas, mesmo se, vistas temporalmente, se revezam uma à outra. Não há dúvidas de que se pode dizer que a tirania suprime e aniquila a liberdade - mas, por outro lado, uma tirania só pode ser possível, quando a liberdade se domestica e se volatiliza no seu conveito vazio. O ser humano tende a confiar no aparelho político ou ainda a submeter-se-lhe, quando devia haurir das suas próprias fontes. O que é uma falha em imaginação. Escritor e filósofo.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Publicações: Dentro de horas a apresentação da Elvas Caia....



Dentro de algumas horas, a Revista Elvas Caia, será apresentada ao público a edição nº7 referente ao ano de 2010, sendo uma vez mais uma iniciativa da Câmara Municipal de Elvas, no âmbito do Saber e da Cultura. A presente edição apresenta vinte artigos divididos em quatro secções: História, Memória e Património; Literatura e Linguística; Ciência e Tecnologia e Ciências de Educação. A maioria dos artigos são assinados por Doutores, três mestres, dois licenciados, três militares e um cidadão elvense que se dedica há investigação no âmbito da História Local. Os autores da presente edição, por grau académico e temática são os seguintes: Doutor Jorge Fonseca (Escravos e Libertos Séc. XVI); Oficiais do exército português: José Albino Galheta Ribeiro, João António Matos Barreto, Manuel João Rodrigues Martins (Périplo pelo desconhecido da muralha seiscentista de Elvas); Mestre/Doutoranda, Sofia Salema (Conservação dos rebocos exteriores da Igreja Nossa Senhora da Assunção); Licenciado/Mestrando, Nuno Grancho, (O convento da Nossa Senhora dos Remédios, da Ordem de S.Paulo em Elvas – diálogo fragmentadas); Doutor Pedro Avillez (Cronologia heróica do tenente –general Jorge Avillez (1785-1845): a carreira militar de um militar no Portugal no final do séc. XVIII, a ascensão da nobreza rural e o fim do Antigo Regime; Professora Doutora, Pilar Rodríguez Flores (Badajoz: Beneficiênia y sanidad (1874-1923); Professor Doutor, Arlindo Sena (Notas históricas: sobre a I República); José Manuel Martins (Listagem dos Brasões de Elvas). Licenciada/ Doutoranda, Patrícia Alexandra Cruz Lopes ( Sim Senhora Padra! Pela ordenação de mulheres). Licenciada /Doutoranda, Maria da Conceição Vaz Serra Cabrita ( Aliança Peninsular; Professora Doutora, Ana Belén García Benito (Locuções relativas à bebida: análise etnolinguística de uma identidade articular(espanhol/português): Professora Doutora, Silvia Amador Moreno, Actitudes Linguísticas en Elvas) ; Professora Doutora, Verónica Sánchez Ramos ( La presencia de frontera luso-española en Carolina Coronado y Enrique Díez –Canedo). Graça Pinheiro Ribeiro (Escola Superior Agrária de Elvas), A ameixa “Rainha Cláudia verde”: benefícios do seu consumo e estudo do efeito da utilização de películas na qualidade sensorial durante a conservação em frio): Professor Doutor Francisco Mondragão Rodrigues , Luís Menezes e Hugo Janeiro (Avaliação da adaptação de 9 variedades de oliveira conduzidas em sebe às condições edafoclimáticas de Elvas – Resultados preliminares) ; Orlanda Póvoa e Noémia Farinha (Escola Superior Agrária de Elvas) (Etnobotânica no Alentejo, estudo de caso: coentros e poejos). Professor Doutor, Juan de Dios Martinez Agudo, Juan Dios de Martínez Agudo /Professora Doutora, Maria Guadalupe Castillo Benitez-Cano, (La gramatico al servicio de la comunicación, um medio y no un fin en sí misma; Professor Doutor, José Gomez Gálan ( Exempleo de la imagem mediante médios audiovisuales en la enseñanza del tiempo histórico; possibilidades en el âmbito de educación infantil y primaria) e Licenciada, Elisabete Fiel (As bibliotecas Escolares na Escola de Hoje).

domingo, janeiro 24, 2010

4.2.- Elvas Portuguesa:- II. A Demografia na modernidade




Na continuidade da nossa reflexão sobre a demografia da modernidade, terminamos hoje, a análise sobre os dados relativos ao período da Monarquia absoluta, que apresenta as mesmas dificuldades para a época medieval, uma vez que a estatística enquanto instrumento do poder político é uma realidade do Estado Liberal. Assim o tratamento dos dados demográficos continua a ter uma forte componente local e determinada pelos registos paroquiais. Todavia a cidade de Elvas, a partir de meados do séc. XVII ganhava um nova dimensão do ponto de vista administrativo e político, estava muito longe da organização municipal que marcara a vida política e institucional nas últimas décadas do século XVI, tinha crescido em termos de efectivos relativamente à época de Quinhentos mas era agora uma cidade fortalecida pela sua dimensão militarizada e eclesiástica, de facto o tempo dos alcaides mores tinha acabado e a nova autoridade política e institucional era exercida por uma nova personagem o Governo da Praça, que traria ao longo da segunda metade do séc. XVIII, alguns filhos segundos da nobreza titulada de Portugal para direcção dos destinos de Elvas. No tempo em que muitos elvenses de todos os estados sociais circulavam pelas terras do império colonial português e depois Ibérico, na qual a diocese de Elvas se destacava das restantes nacionais, uma vez que era o único Bispado com jurisdição em terras coloniais. Não podemos ignorar que a constituição do Bispado de Elvas se justificou como forma de integrar a população de Ceuta espiritualmente, de resto, a única razão para a sua existência e posteriormente desaparecimento, pois tratava-se de uma circunscrição jurídica artificial. Todavia o crescimento populacional até meados do séc. XVII não acompanhou a realidade nacional, numa época em que as estimativas para a população portuguesa são variáveis segundo as propostas de vários historiadores que revelam valores que variam entre 1.3 e 2 milhões de habitantes, mas que demonstram uma expansão demográfica inquestionável. Em Elvas, ao longo do século XVII a população apresenta uma irregularidade permanente, assim se considerarmos, o cronista da época João Casão a população elvense no início da década de 1570 aproximava-se dos 3.500 vizinhos, em números efectivos, estaríamos a falar de população de cerca de 14.000 habitantes. Que nos permite outra conclusão interessante do ponto de vista histórico, a mudança do comportamento da população elvense, que se desloca do espaço rural para a nova cidade ao longo da sua metade do séc. XVII. De facto em 1573, segundo a contagem de fogos mandada fazer pelo monarca, D. João III, o número de vizinhos não ultrapassava os 1.916 vizinhos ou seja a população da cidade cresceu mais de 50% em meio século, uma realidade impossível de ter credibilidade considerando, as vagas epidémicas e os episódios de cercos e de guerra, que marcaram essa época, mesmo considerando que a cidade era a uma porta aberta para a Europa, mas isolada no contexto regional pelos caminhos e pelos incentivos económicos, um monopólio da “classe mercantil” em grande parte na posse dos cristãos novos de Elvas e Badajoz, os primeiros de resto já tinham casas de morada na Rua dos Mercadores na capital portuguesa e alguns deles estavam já envolvidos no tráfico internacional. O que se verifica na prática é que o número de vizinhos do concelho de Elvas em 1573 na sua totalidade situava-se em 2.354 vizinhos incluindo as zonas rurais o que significa que uma parte da população rural se fixou na cidade e se houve crescimento demográfico foi relativo e não expansivo que é uma realidade da demografia contemporânea. Todavia os números de Rui Casão são discutíveis considerando que o cronista elvense, Aires Varela que afirma que no início da Guerra da Restauração, a cintura da muralha de Elvas era capaz de proteger 3.000 vizinhos e esta afirmação é incontestável, uma vez que a descrição dos aglomerados populacionais do Bispado feita por António Novais refere 2.500 vizinhos. Numa análise documental com base nos registos de baptismos entre 1532 e 1660, nas freguesias mais representativas (Sé, S. Salvador, Alcáçova e São Pedro), verificamos que a partir de 1612 o seu número decresce em 50 % e é uma tendência que marcou o comportamento demográfico da população local desde meados do séc. XVI. O número de casamentos também apresenta o mesmo comportamento com taxas menos expressivas, mas com quedas médias de 8% a partir do início do séc. XVII. As taxas de mortalidade disparam na ordem dos 50% entre finais do século XVI e só na década de 1630 recuperam a normalidade. Ou seja, a caminho do século XVIII a cidade está em plena recuperação demográfica, a população civil chegava aos 10.000 habitantes, mas a cidade era também um espaço de aquartelamento temporário e permanente quando a conjuntura europeia ameaçava os interesses nacionais, em meados do século iniciava-se o processo de militarização da praça com a presença constante de efectivos militares a população chegava aos 17.000 efectivos e atinge o seu máximo temporariamente nas vésperas das Guerras Peninsulares, quando um contingente militar de 31.200 efectivos se concentrou na cidade de Elvas. Assim a época de Setecentos foi caracterizada pelo regresso de alguns funcionários régios, clérigos e outros que serviram o Império Espanhol, foi o tempo de sarar as feridas abertas pelas guerras da Restauração, as mortes geradas pelos surtos epidémicos e voltar em busca da prosperidade do solo elvense, ainda ao abandono, com áreas de mata e floresta, que se prolongará por mais de um século e meio, na cidade dos olivais que circunda o perímetro urbano e fortificado. Mas apesar de tudo a cidade de Elvas, recuperou parte da sua população e quando se chegava aos fins do séc. XVIII o seu número de fogos ultrapassa os 2.500 de vizinhos, um pouco mais do número de efectivos populacionais existentes em meados do séc. XVII sendo de longe a área com mais concentração de habitantes em todo o Alentejo, mais de 30 habitantes por Km2 segundo o Doutor António Hespanha. Em termos de prestígio institucional e político, a cidade de Elvas atingia o primeiro Banco das Cortes desde 1641, onde estavam sentados os procuradores de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Santarém, os efectivos populacionais continuavam a ser decisivos para a elaboração do plano das Cortes, mas a chegada da Nobreza funcionalista de algumas casas aristocráticas portuguesas a categoria de Governadores da Praça Militar de Elvas do Forte da Graça, na centúria seguinte e o currículo dos Bispos de Elvas, alguns com passagem no Tribunal da Inquisição e nas principais dioceses do Império Colonial tornavam a cidade um espaço de referencia do estado moderno, absoluto e burocrático.(CONTINUA).

O pensamento do Dia...


Não sei o que acontecerá quando formos todos funcionários aureolados pela organização de aparências que acentua a satisfação dos privilégios. A aparência vai tomando conta até da vida privada das pessoas. Não importa ter uma existência nula, desde que se tenha uma aparência de apropriação dos bens de consumo mais altamente valorizados. Há de facto um novo proletariado preparado para passar por emancipação e conquistas do século. As bestas de carga carregam agora com a verdade corrente que é o humanismo em foco — a caricatura do humano e do seu significado. Augustina Bessa Luís, Escritora.

quarta-feira, janeiro 20, 2010



"A leitura é uma conversa com os homens mais ilustres dos séculos passados"


René Descartes, Filósofo.

IX-Terras da Raia de Portalegre - A ascensão dos proprietários da Vila de Campo Maior - 1850-1930



…Como era frequente nas terras de cereais que se estendiam na zona meridional do distrito, uma parte significativa dos maiores proprietários de Campo Maior, eram exteriores à sociedade local, uma vez que uma parte significativa dos mesmos eram oriundos de famílias nobres ou burguesas de outras regiões, que disputavam a posse das melhores herdades situadas no termo da vila. Um bom exemplo era sem dúvida a família Castelo Branco, que através do Doutor Carlos Vellez Caldeira e dos seus irmãos (João, Francisca e Angela Andrade), titulares na vila de Campo Maior de várias propriedades relevantes como a extensa e fértil herdade de “Nova Fria”, que foi alugada por Dona Adelaide Vellez Caldeira ao lavrador de Arronches, José António Bigares. E como sucedia em outras localidades, caso de Elvas, os ricos proprietários não residentes em Campo Maior costumavam arrendar a exploração das suas propriedades de uma forma indirecta, a alguns distintos proprietários com algum dinheiro como era o caso do médico campomaiorense Carlos Pinto Machado que nos começos do século XX era rendeiro do burguês António da Silva Neves Lança Alvim, residente em Vila Nova de Ourém, que arrendava ao referido médico as suas herdades de Balanco, Cortiço e Fialho. Na vila situada na linha da raia com a província espanhola de Badajoz, uma parte significativa era constituída por proprietários agrícolas de Elvas, que tinham algumas herdades nesta vila e também em Arronches. Mas, ao contrário dos nobres e capitalistas residentes em Lisboa, de condição burguesa, os lavradores de Elvas quando adquiriam as novas propriedades exerciam desde logo o controlo directo sobre a exploração e definiam o tipo de cultivo agrícola a que se iam dedicar. Este foi o caso, a título de exemplo de Amaro José Fernandes, um proprietário e lavrador residente numa das herdades mais fértis e rentáveis do município de Elvas, a Quinta das Longas, sobre quem pode ler-se na escritura de venda de uma das suas propriedades de Campo Maior : “… possui olival em Campo Maior e um terreno de mil e sessenta centiares de trigo…”. O outro grande proprietário de Elvas, José Gonçalves Barbas, que na vila de Campo Maior era dono de várias quintas rústicas, entre elas « dois olivais e 78 centiares de trigo”. Entre os grandes proprietários locais se destacava a família Cayola, que desde os inícios da Monarquia Constitucional até à I República se afirmou na vida política regional e local como uma das casas principais do norte alentejano. De facto, Lourenço Caldeira da Gama Lobo Cayola terminaria sendo uma das personagens mais importantes do distrito, sendo eleito como deputada da nação pela primeira vez em 1897, para mantendo-se no parlamento durante várias legislaturas. Durante a época de transição para o século XX esta família ampliou a sua influência política e social através de uma aliança matrimonial muito vantajosa com o grupo familiar dos Gama, conservando sempre o gosto pela actividade política e institucional. Assim, no decurso das primeiras décadas de Novecentos, Francisco Telo da Gama se tornou o membro mais destacado da família na vida local, na qualidade de Presidente da Câmara. Na mesma época cronológica, se assistiu a afirmação progressiva de um conjunto de famílias que transitaram de uma situação de médios proprietários para um estado de grandes possuidores graças à aquisição de algumas herdades. De realçar, que uma parte destes grandes proprietárias de Campo Maior eram também arrendatários e a partir dessa condição foram construindo a sua riqueza através de novas aquisições e vendas, como sucedeu com alguns membros das famílias, Minas, Corado e Rosado. Entre os grandes proprietários da vila de Campo Maior, destacava-se o comerciante - prestamista Manuel António Aço, cuja riqueza de foi construída através de empréstimos a várias personagens da sociedade local, incluindo alguns indivíduos titulares de património fundiário. Em Campo Maior, os médios proprietários foram desaparecendo e no inicio do século XX praticamente não existia, ao contrário dos pequenos que caracterizam a maioria dos proprietários da Vila. Tratavam-se de pequenos “lavradores”, “agricultores” ou “criadores de gado”, residentes nas várias localidades do município. Os pequenos proprietários tinham como propriedade tipo: “as hortas” e “pequenas áreas de olivais”, alguns deles eram oriundos das grandes famílias mas penalizados pelo sistema de heranças. Os comerciantes titulares de mercearias e os mercadores ambulantes integravam-se neste grupo social. Por último, na documentação histórica, identificava-se ainda determinado de bens que faziam parte da herança transmitida pelos pequenos proprietários como: a possessão de casas, acções, objectos de luxou ou ostentação e ainda algum dinheiro que por testamento era doado aos pobres ou às instituições religiosas. Em síntese podemos afirmar que a elite dos grandes proprietários estavam nas cidade de Portalegre e Elvas, mas a primeira distinguia-se pela sua aristocracia mais representativa e histórica. Nas vilas raianas, Campo Maior, foi aquela em que mais rapidamente os proprietários locais atingiram o topo da hierarquia social, em Arronches era aquela onde a equidade dos proprietários era mais evidente e em Marvão distinguia-se pela quantidade de proprietários cuja dimensão da riqueza era menor em termos de % quando comparada com as demais. (Continua)

domingo, janeiro 17, 2010

O Pensamento do Dia...


A esperança de felicidade concebida por cada povo e as crenças que constituem a sua fórmula representam sempre o factor da sua pujança. O seu ideal nasce, cresce e morre com ele, e, qualquer que seja, dota de grande força o povo que o aceita. Essa força é tal que o ideal actua, mesmo quando promete pouca coisa. Compreende-se o mártir, para quem a fogueira simbolizava a porta do céu; mas, que proveito podiam retirar das suas cavalgadas através do mundo um legionário romano e um soldado de Napoleão? A morte ou ferimentos. O seu ideal coletivo era, entretanto, bastante forte para velar todos os sofrimentos. Considerarem-se heróis dessas grandes epopéias era para eles um ideal de felicidade, um paraíso, presente divinamente encantador. Uma nação sem ideal desaparece rapidamente da história. Gustave Le Bon, psicólogo e filosófo

domingo, janeiro 10, 2010

O pensamento do Dia...



Na arte só uma coisa importa: aquilo que não se pode explicar….
George Braque (pintor)