sexta-feira, julho 08, 2011

9. Elvas Portuguesa: a primeira geração da classe política elvense (1850-1930).As características do sistema político partidário.

Prof.Doutor Frederico Laranjo um aliado de Elvas 

Doutor Ruy Andrade líder da facção monárquica



O Palácio da Condessa de Tarouca referência da aristocracia de sangue do distrito. 

O poder das elites locais expressava pelo apoio das camadas populares concelhias.

A revolução liberal do Porto de 1820, rompeu em definitivo com o Liberalismos e novos ideais sopraram, até meados do século onde os partidários do absolutismo e do liberalismo, procuraram em determinados momentos impor as suas pretensões, as crises sucederam-se e as constituições foram sendo adaptadas às diferentes fases do Vintismo. A paz após a guerra civil e a experiência do Liberalismo moderado proposto pelo Cabralismo, permitiu o desenvolvimento do país que acelerou notavelmente durante a Regeneração. E nesta perspectiva, o distrito de Portalegre e a cidade de Elvas, não passaram ao lado das iniciativas governamentais e locais que favoreceram o desenvolvimento regional. Se antes de meados de Oitocentos, o distrito era Regenerador, a partir da segunda metade essa realidade deixou de ser uma evidência e a luta entre Regeneradores e Progressistas foi uma constante até à queda da monarquia constitucional. O rotativismo que caracterizou a vida do país reflectiu-se também em todo o distrito, que por norma seguia a tendência nacional e nesse contexto a influência das cidades de Portalegre e Elvas sobre os restantes núcleos populacionais era evidente e se durante o Cabralismo, Portalegre liderava as grandes questões que “importava” ao distrito. Na época da Regeneração, a classe política elvense ganhava espaço na vida política da região face a ascensão do Partido Progressista, mas também da excelente relação que o Prof. Dr. Frederico Laranjo desenvolvia com os políticos do principal aglomerado urbano da raia do Alto Alentejo. Do ponto vista, político-partidário os partidos oitocentistas a nível regional identificaram-se quase sempre com os grupos sociais dominantes, independentemente do partido, a mesma realidade do Partido Regenerador era transversal ao Progressista e ao Histórico, as forças partidárias dominantes. Em Portalegre, “ berço “ da aristocracia distrital, o partido Regenerador era identificado com uma elite agrária mas destacava-se pelos seus pergaminhos familiares e históricos, assente nos seus títulos aristocráticos. Ou personagens com reconhecido prestígio profissional, cultural e simbólico e com uma influência notável nas vilas a e aldeias situadas a norte da capital do distrito. No caso, de Elvas era a propriedade da terra, que permitia a afirmação de algumas famílias a sul do distrito, de facto e excluindo o Doutor Ruy de Andrade e a família da Condessa de Tarouca (mais conhecida por Menezes) que pertenciam à “primeira” linha da aristocracia nacional, os grandes proprietários elvenses na segunda metade do século XIX tinham na sua origem um vaso grupo de rendeiros, todavia nas décadas de 1878 e 1880, face à “construção” do seu poder fundiário tinham ganho um notável protagonismo e as suas herdades estendiam-se para as Vilas de Arronches e Campo Maior. Em comum entre a primeira geração de políticos de Portalegre e Elvas, era sem dúvida a influência que estas personagens detinham não só nas localidades onde viviam mas também nas terras vizinhas, fruto da expansão das suas propriedades agrícolas. No último quartel do séc. XIX, os médicos ganhavam também um lugar de destaque nestas sociedades agrárias, uma vez que o desenvolvimento da medicina permitia uma maior esperança de vida e como tal ganhavam um estatuto muito próprio nas mesmas. Não é por acaso, que os médicos de sucesso, tornaram-se igualmente grandes proprietários e nessa qualidade tornaram-se líder regionais nomeadamente no seio do Partido Progressista, manos elitista que o Regenerador. A verdade é que nesta época a organização partidária era muito rudimentar “ Os agrupamentos políticos em Elvas, que não regulam pelo número de sujeitos que se podem permitir a honra de receber em sua casa meia dúzia de Parentes e amigos, arvorando-se logo ali chefe d´uma facção”. Mas, os eleitores valorizavam mais as personagens que lideravam os partidos políticos do que os seus programas, que por vezes eram quase inexistentes: “A esmagadora maioria da população não era deste ou daquele partido, era do partido a que pertenciam fulano ou sicrano que dominavam as malhas da influência local, negociando com eles de forma pragmática o seu voto de apoio”. (Continua)

quinta-feira, junho 23, 2011

Há 34 anos a Argentina sagrava-se pela 1ª vez Campeão do Mundo de Futebol

A Argentina sagrava-se campeão Mundial de futebol, interrompendo a rotina diária do país latino-americano que vivia sob uma ditadura militar, numa época em que a liberdade dos argentinos era motivo de preocupação das instituições internacionais. A própria, Amnistia Internacional exortou o governo alemão no sentido de criar condições para que a República Federal da Alemanha voltasse a validar o seu título conquistado em 1974. Mas, na final não estariam os germânicos mas os holandeses, de facto perante milhares de espectadores a  Áustria eliminava a R.F.A, que não perdia com os seus vizinhos havia quarenta e sete anos. O Brasil, outro dos favoritos não chegaria à final (3º) .E a 23 de Junho de 1978, as equipas de César Luís Menotti (Argentina)  e do austríaco, Ernest Happel (Holanda) sobem ao palco para a  grande final, os argentinas jogando em casa contam com o seu público e com um árbitro que se revelou muito benévolo. A Holanda, em campo revelou-se ao longo da partida a equipa que melhor futebol apresentou, mas os nervos atraiçoaram a chamada “laranja mecânica” como em Munique em 1974. A falta de serenidade conduziu os holandeses a disputas evitáveis com os adversários e que lhes acabou por  trazer um  grande desgaste , perante uma equipa defensiva durante muito tempo mas decisiva nos momentos cruciais de tal forma que os 3-1 , no final da partida colocava a Argentina na categoria de uma nova potência do desporto-rei e Mário Kempes era o herói nacional ao decidir a partida com  os seus golos naquela tarde de Verão de 1978.

sábado, junho 18, 2011

O papel da Praça de Elvas no Alentejo e no contexto das Guerras peninsulares

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As obras anexas foram fundamentais na defesa da Praça Militar no cerco de 1801


O último reduto onde se concentraram o regimento nº 85 sob comando do General napoleónico Kelerman     



A Praça Militar placa de estacionamento e hospital de prevenção das forças anglo-portuguesas.


A prevenção dos caminhos de ronda foi uma ordem de Lord Wellington estacionado nos arredores de Elvas
(onde hoje se situa a herdade da Gramicha)


A fortaleza da Juromenha ponto de encontro das forças luso-espanholas na acção de agitação popular junto dos aglomerados ao longo da margem esquerda do Guadiana.

Síntese da Conferência Principal (5.5.2011 - Salamanca) : Simpósio Internacional  sobre as Guerras Penínsulares na Península Ibérica.
A perspectiva de uma invasão do território português, pelo menos desde a Idade Moderna implicava desde logo a defesa da sua raia nacional como forma de defender qualquer ofensiva terrestre que tinha como objectivo prioritário o avanço sobre a capital, fundamental para a existência do estado português. E nesse contexto o teatro de Operações do Alentejo, era prioritária na organização da defesa nacional na medida em que pela sua configuração geográfica, plana sem obstáculos relevantes, capaz de suster os avanços dos exércitos inimigos, sobre a capital do Reino. Por outro lado, no plano geo - estratégico e militar, a planície alentejana não era mais que um prolongamento da Estremadura Espanhola, assumindo-se, simultaneamente, como teatro fronteiriço e central, que permitia atingir de forma rápida, eficaz e directa, Lisboa - Península de Setúbal.  Ou seja os corredores de entrada no território nacional por via da região Alentejo, eram verdadeiros eixos de aproximação relativamente à capital, nomeadamente os seguintes itinerários: Moura -Évora-Montemor -o.-Novo e Lisboa; Elvas-Estremoz e Lisboa e Serpa-Beja e Ferreira do Alentejo. E no último decénio de Setecentos uma vez Portugal preparava-se para a confrontação bélica, a ameaça da guerra determinava o fecho e o controlo de todo o espaço fronteiriço e especialmente dos principais eixos de entrada em território nacional. A ameaça agora vinha da França, em primeiro lugar, devido à participação de Portugal na Campanha do Rossilhão (1793-1795), ao lado de outros estados inimigos da coroa francesa, a Espanha e a Inglaterra e em segundo, devido à aliança firmada pela França e a Espanha em 8 de Agosto de 1796 no Tratado de Santo Ildefonso.Relativamente à Campanha do Rossilhão, a evolução das alianças seriam alteradas a partir do momento em que a Espanha por via diplomática chega à paz com os franceses em 7 de Junho de 1795, o que alterou significativamente o quadro político-militar, peninsular. Uma vez que Portugal se manteve no campo de batalha e só assinou a paz dois anos mais tarde em 10 de Agosto de 1797, mas acabaria por não cumprir as obrigações estabelecidas pelo tratado, relativamente às indemnizações de guerra por um valor de 10 milhões de libras, na concessão de facilidades comerciais com a França, na interrupção da ajuda militar à Inglaterra e na revisão das fronteiras na zona das Guayanas. Neste contexto político e diplomático, um avanço dos exércitos franceses tornava-se evidente há medida que Luciano Bonaparte desenvolvia uma intensa actividade diplomática junto da corte espanhola, que culminou com o segundo Tratado de Santo Ildefonso assinado em 26 de Janeiro de 1801, que permitia o livre-trânsito dos exércitos franceses por Espanha com a finalidade de realizar uma invasão sobre o território português, considerando que Portugal mantivera os portos abertos aos navios ingleses, entre outras condições. Nestas circunstâncias a Espanha declarava guerra a Portugal a 27 de Fevereiro de 1801, tendo como resultado imediato uma concentração muito significativa das forças militares nas cidades e vilas mais próximas da região do Caia. Assim, em Badajoz e nos seus arredores estacionaram cinco divisões espanholas que integravam um número de 40.000 a 50.000 homens e que em 20 de Maio sob o comando do Marquês Solana atravessavam a fronteira do Caia para realizar uma serie de campanhas vitoriosas em terras do Alto Alentejo. Os primeiros combates, sem consequência para ambas as partes ocorreram junto da praça militar de Elvas, dirigindo-se mais tarde as tropas espanholas para os núcleos populacionais a norte da praça, onde as forças lusas foram facilmente derrotadas junto das localidades de São Vicente, Barbacena e Monforte. Mas a primeira derrota assinalável das forças portuguesas ocorreu na praça militar de Arronches, cuja capacidade militar era muito frágil, a própria fortaleza estava em ruínas desde o tempo das guerras da Restauração e a sua função prática, justificava-se no âmbito de ajuda a qualquer assédio o cerco que ocorresse na vizinha praça da vila de Campo Maior. Mas este acontecimento demonstrou desde logo que o exército português não estava preparado para a guerra, segundo a opinião de António Ventura: “ A derrota foi rápida e só não assumiu a forma de catástrofe total pela pronta intervenção de Bernardim Freire, que enviou algumas tropas de Mosteiros para proteger a retirada dos que estavam em Arronches. A confusão não podia ser mais completa: a cavalaria portuguesa debandou no meio do maior caos, atropelando a infantaria. Os soldados fugiam cada um para o seu lado, encurralado entre o rio e os muros da vila, abandonando, bagagens e armas”. O cenário do combate de Arronches acabaria por repetir-se nos vários cenários de guerra no Alto Alentejo, como é exemplo o combate em Flor da Rosa, a norte da cidade de Portalegre: “O desastre de Arronches não serviria de lição ao comando português. Num vale tão exíguo, a coordenação entre a infantaria e a cavalaria, num vale seria impraticável em caso de ataque inimigo. Por outro lado, o terreno situado entre a vila e o rio Tejo não estava ocupado militarmente, nem sequer nele foram colocados vigias, confiando os chefes militares portugueses na inacessibilidade do terrenoAssim, as diferentes vitórias obtidas pelas diferentes divisões do exército espanhol em todo o Alto Alentejo, foram facilitadas pela circunstância de que as tropas portuguesas tomaram posições estritamente defensivas e retirando-se de forma estratégica a fim de evitar um possível aniquilamento. O tratado de paz (Tratado de Badajoz), que determinou o fim da “Guerra das Laranjas” em 6 de Junho de 1801, determinava que Portugal devia fechar os seus portos à navegação inglesa, cancelar as relações comerciais com a Grã-Bretanha, impedir a persistência do contrabando que afectava negativamente os interesses de Espanha e indemnizar os súbitos espanhóis pelos danos sofridos, entretanto o estado espanhol comprometia-se a restituir todas as praças conquistadas (Juromenha, Arronches, Barbacena, Portalegre, Castelo de Vide, Campo Maior e Ouguela), a excepção seria Olivença. Segundo, a opinião de António Ventura “ …a Espanha conseguia concretizar uma velha aspiração, fazer coincidir, naquela zona, a fronteira política com a fronteira natural, o rio Guadiana” Cinco anos mais tarde Portugal voltava estar de novo sobre a ameaça da França, ao ignorar o primeiro Bloqueio Continental imposto pela França decretado por Napoleão em 21 de Novembro de 1806 por não ter fechado os portos à sua velha aliada, a Inglaterra. A partir do momento em que a França e a Inglaterra, assinaram o Tratado de Fontainebleau em 27 de Outubro de 1807, a integridade do território nacional estava ameaçada até que esse tratado determinava a ocupação e a divisão do território, estabelecendo-se que as terras situadas entre o Douro e o Minho, passavam a pertencer ao rei da Etúria, com o nome de Lusitânia Setentrional, enquanto o Alentejo e o Algarve recebiam o nome de Principiado dos Algarves e seria doado a D.Manuel Godoy e as províncias da Estremadura (portuguesa), Beiras e Trás-os-Montes, ficaria nas mãos do Imperador, ainda que poderia manter-se na Casa de Bragança, mas dependente da coroa espanhol.De realçar também que esta situação em que o estado português se torna refém da França e da Espanha, deve ser entendida pela dificuldade em que Portugal então tinha em optar. De facto, a classe política portuguesa estava consciente que a manutenção da aliança histórica com a Inglaterra significava a invasão do território nacional. Por outro lado, a França não podia admitir em nenhumas circunstâncias esta santa aliança, uma vez que não se tratava de uma potência marítima e nesta perspectiva, Portugal do ponto vista estratégico e militar tornava-se uma plataforma marítima favorável aos interesses britânicos que após a vitória sobre a França na famosa batalha naval de Trafalgar surgia como a principal potência marítima do Ocidente. Uma aliança com a França, significava desde logo uma mudança radical na diplomacia portuguesa que tinha que chegar a acordo com o seu adversário político sem garantias do respeito pela sua integridade territorial face às ambições da França napoleónica. Mas a hostilidade com a Inglaterra implicava desde logo a possível perda dos territórios ultramarinos e a dificuldade de manter as suas tradicionais rotas marítimas com o devido impacto na economia nacional. Assim a neutralidade era a solução possível numa conjuntura internacional, em que tal realidade era simplesmente impossível até que a Espanha, já tinha iniciado a sua aproximação com a França e como tal só restava organizar a defesa face às ameaças veladas à integridade do território português. Em Portugal face aos desastres sofridos pelo exército português nas campanhas mais recentes, a classe política e os militares, chegavam a um consenso da necessidade de proceder a uma reforma militar que acabaria por ser promulgada em 27 de Setembro de 1805, associando-se a esta nova reforma, duas finalidades por um lado, tratava-se de diminuir os gastos e por outro aumentar a capacidade operacional das praças e fortalezas, terrestres e marítimos. Pouco depois um novo Decreto Real promulgado em 19 de Maio de 1806 determinava que o exército português se formaria exclusivamente em linha, integrando-se estas em diversos regimentos de infantaria, artilharia e cavalaria nos quais se integravam as milícias e as ordenanças como alguns corpos militares e civis. Em véspera da primeira invasão francesa estas unidades estavam já estacionadas ao longo da fronteira portuguesa, sobretudo na região do Caia onde se localizava a praça militar de Elvas, que se destacava das demais pelo número de efectivos acantonados, uma vez que se admitia que a entrada do exército invasor por esta zona da raia lusa. Deste modo, esta presença militar efectiva permitiu o domínio efectivo da província do Alentejo de tal forma que no final da primeira década de novecentos (1810), a capacidade de abastecimento do exército de ocupação era nula, uma vez que a correspondência coeva refere que a partir das cidades de Cádiz, Elvas e Badajoz, todo o curso do Guadiana estava sob domínio das forças peninsulares enviabilizando por exemplo o abastecimento de cereais que chegava à Península Ibérica por via do Norte de África. A guerra estava já bem delineada nos seus contornos gerais. Para os generais franceses as entradas e pontes haviam permitido balancear as suas forças, de norte para sul, e delinear modalidades de acção conjugadas contra Portugal, através das duas entradas, enquanto podiam acorrer com facilidade à Andaluzia, onde a guerrilha espanhola não lhes dava tréguas. Para Wellington, a posse das entradas e das pontes permitia fazer de Portugal a zona interior segura do seu teatro de operações em Espanha e delinear estratégicas ofensivas em território espanhol semelhantes às dos Franceses, mas de sentido contrário.Welligton percebera que a expulsão de Massena do território português era o começo de uma retracção francesa definitiva que o marechal francês desejava adiar, e que chegara à altura de iniciar uma contra-ofensiva fulminante que expulsasse todos os exércitos franceses da Península Ibérica. Apesar das preocupações dos estrategas militares, durante a guerra peninsular frente aos exércitos napoleónicos só uma das três invasões realizadas pelos franceses, que atravessaram o país semeando medo, violência e morte, tornou o território alentejano num teatro de guerra convencional. No entanto, o sul do país não esteve impune às movimentações militares do exército napoleónico que marchou sobre a planície a partir de finais de 1807. A 2 de Dezembro, as forças espanholas que estavam estacionadas em Badajoz entravam na cidade de Elvas, no âmbito do compromisso do Tratado de Fontainebleau e do Bloqueio Continental imposto pela França em 27 de Outubro de 1807 e que a Espanha comprometera-se a cooperar. Estas forças que tomaram posse sem resistência das praças militares de Elvas e Badajoz, estavam sob comando do General D. Francisco Maria Solano Ortiz Rozas, Marquês do Socorro e Capitão - General da Andaluzia, que deixou na cidade de Elvas três dos seus batalhões e um regimento, o de Córdova na vila de Campo Maior, dirigindo-se para Estremoz os invasores estabeleceram o seu quartel militar em Setúbal, de salientar também o “carácter ordeiro” da força de comando espanhola que recomendava aos seus soldados o maior respeito para com os portugueses e suas propriedades. Entretanto nova Ordem Geral datada de 31 de Dezembro, reforçava este respeito pela dignidade da nação portuguesa, louvando a amizade entre os portugueses e espanhóis e reafirmando em nome de Sua Majestade os empregos de todos os corregedores e governadores civis do sul de Portugal, numa estratégia puramente política que tinha como finalidade a constituição do principiado de D. Manuel Godoy prevista na partilha do território nacional entre Portugal e Espanha. Outras medidas denunciam claramente a preparação do futuro principiado, de facto o sul do país, chegou a ser dividido em distritos, procedendo-se para tal a nomeação de um comissário de polícia que tinha por obrigação zelar pela manutenção da ordem pública. Em Setúbal onde estava sediado o quartel-general foi criado um Tribunal Superior de Paz que era constituído por um Juiz Maior e com quatro juízes desembargadores cuja função era a avaliação dos processos civis e apelações que seriam apresentadas no decurso da conjuntura política e militar que então se vivia.O volte face ocorria no início da Primavera de 1808, quando a concentração de efectivas militares junto as fronteiras nacionais espanholas, denunciavam uma vez mais as ambições napoleónicas e mais do que uma provocação era uma ameaça e que de resto, era uma nítida violação do artigo nº8 do Tratado de Fontainebleau. E as forças espanholas sob comando do General Solando receberam ordem para abandonar o território português. Ao mesmo tempo, que a forças francesas são obrigados à sua reposição no espaço nacional como forma de dominação do mesmo, Junot para evitar o vazio deixado pela retirada das forças espanholas coloca a terceira divisão em Setúbal enquanto o General Maurian recebia ordens para se deslocar para o Algarve, evidenciando já uma clara intenção dos franceses de ocuparem definitivamente o território português e o sul que pela partilha, franco-espanhola, seria atribuída a Manuel Godoy. A necessidade de dominar o sul de Portugal era uma emergência e a 28 de Março Junot nomeava o General Kellerman como comandante superior de toda a margem esquerda do rio Tejo. E com a recomendação que o mesmo se deveria deslocar para a cidade fortaleza de Elvas com a sua cavalaria, assim um batalhão de 1.000 homens ao qual se juntou o regimento nº 86 com 1.700 homens entrou na maior praça terrestre do sul de Portugal. Entre as forças que acabariam por estacionar em Elvas, destacava-se cerca de metade do regimento da cavalaria dos Dragões com uma finalidade específica, estabelecer o controlo e a respectiva prevenção relativamente a qualquer manobra ofensiva do exército espanhol da Extremadura. Entretanto Junot mostrava-se preocupado com as manifestações populares anti-francesas ocorridas em Badajoz a 4 de Maio e que poderiam de alguma forma alastrar a Portugal como de resto viria a ocorrer mais tarde. Aliás desde a revolta de 2 de Maio em Madrid, que o movimento revolucionário anti-francês, se manifestou por toda a Espanha desde as Astúrias, Galiza e Leão até à Andaluzia e em Portugal emergiu em toda a sua raia fronteiriça um movimento geral contra as tropas francesas. Que em resposta às manifestações populares das “gentes” alentejanas utilizou a violência e a repressão, mas o sentimento anti-francês crescia e em 19 de Junho de 1808 e por influência de um grupo de espanhóis que se deslocaram a Juromenha, a população de Vila Viçosa revoltou-se contra a guarnição dos 3.000 homens ali estacionados sob comando do General Avril. Em socorro, das forças napoleónicas deslocava-se o 86º Regimento a mando do General Kellerman com o objectivo de punir os revoltosos, os confrontos entre as forças francesas e portuguesas, sucederam-se e a repressão sobre a população da vila alentejana foi inevitável mas o sentimento anti- francês crescia e propagava-se por todo o sul de Portugal.No sul de Portugal, a população pegava em armas contra os franceses, em Beja tal atitude corajosa terminava com uma elevada mortandade nas hostes nacionais e a própria Igreja, tomava partido dos ocupantes, a nota pastoral “Sacro Collegio Patriarchal “, era clara, estavam todos os portugueses excomungados que ousassem pegar armas contra os franceses. Os apoios à causa da libertação do jugo francês mantêm-se, no início de Julho, as forças militares espanholas passam a fronteira e ocupam a vila de Campo Maior, onde se constituiu a primeira Junta Governativa do Alentejo, mas a presença espanhola era evidente em Castelo Vide, Portalegre, Arronches e Juromenha onde estacionou D. Francisco Moretti com uma força de 200 infantes e 20 cavaleiros, na primeira semana de Julho, cobrindo uma série de espaços fundamentais na defesa da raia ibérica, numa época em que a Espanha (?), defendia as suas fronteiras territoriais em solo português. A pressão sobre a presença francesa aumentava com a chegada de uma força naval de 10.000 ingleses que desembarcava nas proximidades da capital e Junot, receando o pior reunia o seu Conselho de Guerra a 26 de Junho na qual se determinou:
1.- Apenas deveriam permanecer as guarnições de Peniche, Almeida e Elvas;
2.- Todas as outras forças deviam ser concentradas em Lisboa;
3.- Setúbal, bem como as posições localizadas na margem esquerda do Tejo em frente à capital deviam ter prioridade no comando francês.
4.- Deviam merecer uma vigilância atenta em função da sua posição estratégica, aos seguintes aglomerados: Leiria, Ourém, Tomar, Santarém, Rio Maior, Óbidos e Peniche. E ainda, Sacavém e Sintra, no contexto do avanço sobre Lisboa.
5.- A cidade de Lisboa, devia ser defendida até exaustação e as forças militarizadas só deveriam recuar para Elvas quando fossem pressionadas e onde uma vez reorganizadas deveriam passar a Elvas.Entretanto na Praça militar de Elvas, o General Kellerman abandonava as suas campanhas no Alentejo, fixando-se na cidade dando ordens para a realização de reconhecimentos na zona da Juromenha e nas proximidades de Badajoz, organizando ao mesmo tempo a sua defesa e o seu aprovisionamento face a qualquer cerco que pudesse acontecer, deslocando -se em pleno Verão para a capital. Na principal cidade da Extremadura as notícias da chegada do General francês, determinava uma intervenção rápida das forças de comando que contava com cerca de 20.000 soldados, provisões e artilharia. Enquanto tal acontecia os focos de resistência no Alentejo, em Beja e Vila Viçosa reacendiam-se. E a situação no Alto Alentejo tornava-se explosiva e em 17 de Julho de 1808, o tenente-general Francisco Paula Leite, aceita a nomeação para governador militar do Alentejo, os corpos do exército incluíam não só portugueses como espanhóis a que se juntavam os civis. No final do Outono numa tentativa de pôr termo ocupação da praça militar de Elvas, que estava sob comando Girod de Novilard, os portugueses auxiliados pelo exército espanhol sob liderança do General D. José Galluzo, que assentou baterias sobre o Monte da Graça, onde estavam estacionados os franceses, obrigando-os à sua retirada sem antes que antes alguns militares fossem vítimas da justiça popular da população elvense que aprisionou três oficiais galeses e assassinou um sargento que seria arrastado pelas ruas da cidade. Estas movimentações militares que ocorreram entre 1807 e 1808, em pleno Alentejo, demonstraram que a resistência à presença francesa foi inexistente nas zonas onde implantação francesa era notável como era os casos de Elvas e de Estremoz, onde a falta de armas e de comando determinava a submissão das populações. Não podemos ignorar que estes focos de resistência, resultavam de um recrutamento feito na sua grande maioria nas ordenações concelhias e nas próprias milícias regimentais que actuaram sob a forma de guerrilha. A sua actuação baseava-se não só em actividades colectivas e que se integravam os próprios aglomerados urbanos, mas também em actividades singulares, tais como ataques às retaguardas das colunas, aos depósitos, destruindo recursos logísticos e, sempre que possível, liquidando elementos ou forças militarizadas. Todavia estes focos de resistência por iniciativa local, também não trouxeram a desejada libertação, como foram as iniciativas dos núcleos populacionais de Vila Viçosa, Beja, Montemor-o-Novo e Évora, que sofreram as maiores crueldades do exército napoleónicas. A viragem ocorreu a partir do momento em que as forças espanholas prestaram um notável apoio às portuguesas, em termos materiais e humanos que foram decisivos para a sublevação de um grande número de aglomerados populacionais junto à raia portuguesa. Perante a incapacidade de pacificar a resistência que se foi levantando em todo Alentejo perante um exército desmoralizado por inúmeras baixas provocadas pelas batalhas, altas temperaturas, falta de víveres, água e alimentos durante dias inteiros de marcha. Por outro lado, as forças inglesas ganhavam projecção no interior da orgânica do exército português, quando por Decreto Real de 21 de Janeiro de 1809, era nomeado, o Major General Wiliam Carr Beresford para Comandante do Exército Português e com essa finalidade, fez-se acompanhar de um conjunto de jovens oficiais que na fase de preparação e aprontamento do exército, introduziram não só novos procedimentos, novas regras disciplinares, novas tácticas e novas armas. Em todos os Regimentos e Batalhões, Beresford procurou evitar a preponderância de uma nacionalidade com vista à sua coesão, assim se o Coronel era inglês o Tenente Coronel era português e vice-versa. Mas seria durante a terceira invasão que a província alentejana tornar-se-ia efectivamente num teatro de guerra, chave nas operações militares desenvolvidas a partir das praças alentejanas, com o fim de evitar a ocupação das terras da raia e da Extremadura, nomeadamente de Badajoz e de Albuquerque.Terminada a resistência ao êxito às forças napoleónicas na zona portuguesa, o conflito manteve-se nas localidades vizinhas já em solo espanhol e nessa conjuntura de guerra, os reforços anglo - lusos, sob comando do General Beresford que tinha sido destacado da zona militar de Abrantes para a Praça militar de Elvas por Wellington com a finalidade de aliviar a pressão francesa, seriam decisivos para a primeira derrota significativa das forças francesas junto da ponte de Albuera. Na qual a cavalaria lusa irrompeu sobre os forças francesas provocando um número elevado de baixas junto às muralhas. Onde pela primeira vez as forças peninsulares constituídas por um exército composto de portugueses, espanhóis e ingleses, cuja coordenação de esforços foi fundamental para o desencadear com êxito as operações da campanha militar. De realçar que uma vez mais a praça militar de Elvas desempenhou um papel fundamental não como espaço militar mas como hospital de retaguarda, para onde eram deslocados em sucessivos comboios os feridos do teatro de guerra onde lhes era prestada assistência médica. Uma pouco antes em Janeiro, havia sido ocupada pelos franceses sem resistência a praça de Olivença, libertada alguns meses depois em meados de Abril por um exército anglo - português, uma vez desocupada outra fortificação fronteiriça, a Praça militar de Campo Maior em 25 de Março, por imposição do exército de Mortier, comandado pelo barão Girard que impôs a rendição da vila. Este acontecimento ocorre na transição entre a segunda e terceira invasão francesa, quando Massena e os franceses continuavam a pôr cerco às praças situadas próximas do raia, Alentejo e Extremadura, na verdade após a tomada de Badajoz, a divisão francesa, resolveu invadir o território português propondo de imediato a rendição do governador da praça, José Joaquim Talaia, o qual rejeitou tal proposta. Ficando de imediato sujeito às hostilidades, com os franceses abrindo fogo sobre as posições portuguesas em 15 de Março e continuando até 21 de Março, quando o governador aceitou a capitulação face à ausência de socorro das forças aliadas. Mas a ocupação desta praça por parte das forças napoleónicas não iria durar muito tempo, pois Beresford aproximou-se da mesma e três dias depois ponha termo ao cerco à praça portuguesa e estabelecia o corte de comunicações com Badajoz, ainda sobre controlo dos franceses. A 25 de Março finalmente quebrava-se a resistência francesa …”nesta ocasião fizerão os Franceses, tiverão de evacuar a praça com perda de mais 600 homens entre mortos, feridos e prisioneiros “. E, alguns dias depois a conquista de Badajoz, cujo plano de libertação seria gizado por Wellington que tinha montado o seu quartel-general nos arredores de Elvas. A tomada de Badajoz, já tinha sido tentada pelo General Beresford que apesar das dificuldades de defesa daquela praça que apresentava alguns danos conseguiu resistir até 16 de Marco de 1812, data do início da sua afirmação. Todavia, os ataques lançados às tropas francesas pelas forças militares e civis de Elvas e Campo Maior, acabaram por se inserir numa nova etapa, a chamada Guerra Peninsular. Na qual as forças militares estacionadas na cidade de Elvas acabariam por ter um papel fundamental na medida em que integradas no exército anglo - inglês no qual se destacavam também as forças militares espanholas, iniciariam o processo de expulsão dos franceses da Península ibérica. Neste âmbito as unidades militares estacionadas em Elvas, as Batalhão de Cavalaria nº1, as Regimento de Infantaria nº4, as Regimento da Infantaria nº 8 e o Regimento de Infantaria nº 17, acabariam por evoluir no teatro das operações gizado por Wellington na libertação da Península Ibérica. Num primeiro momento, fazendo parte da composição do exército de 60.000 homens que se colocou estrategicamente defronte da cidade de Salamanca, que em 22 de Julho de 1812 procedeu à sua libertação. A batalha de Arapilles ou de Salamanca, abria uma nova era em solo espanhol, deixava de ser uma guerra de exércitos para se tornar numa guerra total, com intervenção não só das tropas como da população. Nesta batalha era já evidente as deficiências de organização dos exércitos franceses e as causas foram variadas: - A incapacidade para reabastecer de forma eficaz as tropas de víveres, efectivos, fardamento, equipamentos e cavalos a partir da retaguarda, uma vez que a aquisição de recursos locais tornava-se quase impossível devido ao clima de hostilidade que se vivia em toda a península; - A indisciplina e os desentendimentos entre a oficialidade francesa eram evidentes e reflectia-se na condução operacional do exército e sobretudo na sua conduta operacional e por último, a subestimação do valor e possibilidades do adversário, sobretudo no campo dos reabastecimentos devidamente organizado e operacional. Em finais de 1812, uma vez mais as referidas unidades elvenses voltam a ser convocadas para a ofensiva final em Espanha integradas agora na força militar sob comando do General Hill. A hora de libertação da Península Ibérica ocorre na Batalha da Vitória em 21 de Junho de 1813 quando o exército aliado se organiza em três frentes, a direita onde se integrava as forças portuguesas lideradas pelo Major General Hill, o centro e a esquerda pelos estrategas militares, Cole e Graham. No campo de batalha, as forças peninsulares organizaram-se como três exércitos diferenciados e que actuavam em três combates distintos, fragmentando a extrema resistência das forças comandadas por Reille obrigado a bater em retirada abandonando o cabo de batalha, com inúmeras baixas e com a perda de importante material bélica. A partir de então estavam criadas todas as condições para a vitória das forças aliadas sob comando do General Hill nas operações militares que se sucederam e que ficaram conhecidas por “Batalhas dos Pirinéus” de resto determinantes para a libertação da Península Ibérica das ambições da França imperial e napoleónica.

domingo, junho 12, 2011

Cléopatra no cinema na mais longa metragem de sempre...



Liz Taylor a beleza feminina personalizada na rainha do Egipto. 

Em  12 de Junho de 1963, estreia-se em Nova York a película mais cara e mais longa, da sétima arte, “Cleópatra”.  Esta longa-metragem que tinha como protagonista a famosa rainha egípcia, foi rodada durante vários anos e tinha a duração recorde de quatro horas. Os custos da sua produção atingiram valores astronómicos para a época cerca de 37 milhões de dólares, mas fundamentais para os gastos relativamente à multidão de protagonistas, actores e actrizes de referência internacional, assim como para a construção de cenários únicos , tão sumptuosos como o vestuário, usado pela bela Liz Taylor que encarnava a figura Cleópatra. O tema central do filme, centrava-se nas relações entre a rainha egípcia (Liz Taylor) e os imperadores romanos, Júlio César e Marco António, personificados respectivamente por Richard Burton e Rex Harrison outras duas vedetas de Hollywood. Mas, esta longa metragem que consagrou Liz Tyalor e Richard Burton, na ficção, acabou por se cruzar nas suas vidas reais, o seu matrimónio, seguido de um divórcio e mais tarde de um novo casamento, tornaram o casal  tema de capa da imprensa internacional, de tal forma que durante a década de sessenta a sua vida, os seus encontros e desencontros, tornaram-se mais importantes que a obra cinéfila majestosa e  grandiosa, que fez e faz parte da história do cinema do séc.XX.

sábado, junho 11, 2011

Henri Matisse vencia a Bienal de Veneza.


Retrato com risca verde, óleo sobre tela, 40.5 x 32.8 cm ( 1905)


A Dança, óleo sobre tela, 259,7 x 390 cm (1909) 


Alegria da Vida, òleo sobre tela, 1.74 x 2.38m, 1906/06

Em 11 de Junho de 1950, Henri Matisse (1869 -1954) vence o prémio de Pintura da Bienal de Beleza. A sua carreira pictórica inicia-se sob orientação de Gustave Moreau, depois de uma breve experiência pelo pontilhismo opta por uma composição mais expressiva, onde a cor predomina, evidenciando a influência de Van Gogh e Paul Gaugin. Na sua formação pictórica muito contribui a sua formação e conhecimento da arte africana e oriental. Faz parte do grupo dos Fauve que expõe no Salão de Outono de 1905 em Paris e analisa racionalmente o objecto de representação do Cubismo e opta pela máxima complexidade expressa com a máxima simplicidade, numa atitude crítica a intuição sintética cubista. Aliás a sua simplicidade de representação é sem dúvida uma dádiva à pintura contemporânea, de facto a sua obra reflecte a omissão dos detalhes mas as cenas conservam os elementos essenciais da forma plástica e da profundidade espacial. A sua obra, juntamente com a função criativa da cor, aprofundada, sobretudo após o período Fauve, as potencialidades da linha e do arabesco. Na última fase, da sua carreira o contínuo processo de síntese aproxima-o da abstracção, sobretudo após 1950, como é exemplo, “As guaches pintadas”. A sua obra compreende também a escultura e a cerâmica e  as técnicas de incisão e colagem.          

sexta-feira, junho 10, 2011

A polémica biografia de Ghandi faz notícia na Índia

Joseph Leyveld, vencedor do Prémio Pultizer e antigo correspondente do The New York Times, volta a ser notícia agora pela publicação de uma polémica bibliografia, sobre Mahatama Gandhi (1896-1948) que titulou de Great Soul (Alma Grande).  A obra tem sido motivo de debate e tem gerado alguma discussão no seu país natal, uma vez que a mesma põe em causa a imagem idealizada do líder pacifista. Nesta perspectiva, o autor reproduz algumas revelações polémicas, como alguns comentários atribuídos a Ghandi de perfil xenófobo, como é o caso da sua visão sobre os zulus que considerava “ problemáticos, sujos e vivendo como animais”  ou algumas reflexões polémicas, como a atribuição de uma relação de carácter homossexual, do líder indiana com Herman Kallenbach, arquitecto e fisioterapeuta, a partir da reprodução de cinco cartas nas quais se encontra expressões comprometedoras como “sempre estás na minha mente” ou “ tomaste completamente a posse do meu corpo”. Esta revelação tem sido mal acolhida na índia onde a homossexualidade é proibida por lei desde 2009 e a referida biografia está proibida na sua terra natal, Gujarat. Cujo governador do Estado a que pertence tal circunscrição administrativa, Narenda Modi declarou que a obra de Joseph Leyveld é difamatória e preserva e como tal tem sido censurado em território indiano.              

8.3. A sociedade contemporânea (1850-1930) : Os militares.

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A militarização da Praça de Elvas uma realidade secular entre as Guerras Peninsulares e a Guerra Colonial


O forte da Graça, reduto da resistência liberal e absulotista nas guerras liberais  


Os militares ocuparam a hierarquia dos poderes na cidade de Elvas até ao início do Estado Novo. 


A G.N.R. um futuro para os jovens com pouca escolarização 
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O tempo da presença militar como força organizada e profissional de um estado nacional na cidade de Elvas é uma realidade recente, inicia-se com o estacionamento militar das forças nacionais durante a Guerra Peninsular, mas torna-se evidente com a consagração do estado liberal. De facto, após a Revolução Liberal de 1820, uma nova “classe de índole profissional” afirma-se na sociedade elvense, o tempo dos Generais e dos Brigadeiros, como autoridades locais torna-se evidente na relação com o poder central, o espaço urbano está confinado às exigências militares e até à ao Estado Novo a figura do governador da praça militar se projecta para além dos poderes civis. Do ponto vista, da presença militar ao contrário de algumas opiniões sem fundamento científico, os militares estacionados na cidade foram sempre leais às causas nacionais. Não é verdade que Elvas tenha sido um reduto miguelista e apenas a arma de infantaria nº3 estacionada no Forte a Graça se manifestou a favor da facção miguelista durante a Carta Constitucional de 1826/1827. Por outro lado, as forças miguelistas jamais ajudaram os miguelistas elvenses e o General Magnessi que comandava a Divisão miguelista do Alentejo, não tomou uma atitude solidária e nesse âmbito, os trinta e dois soldados do destacamento de Infantaria nº5, que aderiram à causa absolutista, apenas encontraram protecção para as suas vidas na Vila Nova de La Serena. Com a Regeneração, a vitalidade da Praça Militar de Elvas tornou-se evidente nomeadamente durante as Campanhas de África na década de 1880, quando viu reforçada a sua valência como espaço de estacionamento militar, função, essa reforçada durante a Guerra Civil de Espanha e mais tarde durante a Guerra Colonial. Do ponto vista estritamente profissional, o tempo dos generais durou de forma consolidada até 1876, numa época em que a carreira militar e a origem nobre ainda estava associada, como são exemplo o Visconde de Sá da Bandeira, o Conde de Lumiares, o Barão de Claros ou General Furtado de Mello, da melhor nobreza de Portugal. Durante a monarquia constitucional a maioria dos oficiais de carreira eram homens distintos oriundos da nobreza ou da burguesia, vivendo à margem da sociedade local, com alguma presença nos actos sociais nas casas nobres da cidade nomeadamente na casa palaciana da Condessa de Tarouca e outras da região. Nos finais do séc. XIX alguns oficiais de média, patente, já iniciam a sua participação nos espaços de lazer local nomeadamente no Clube Elvense e o número da oficialidade com origem em Elvas aumenta notavelmente na transição para o século XX, o “ser militar” torna-se uma opção profissional. O poder económico e a formação escolar distinguia os filhos dos grupos mais abastados, os filhos das famílias mais modestas durante a I República, aumentavam as fileiras do exército português, os que se distinguiam no estudo, chegaram às patentes superiores do exército, outros adquiriam a sua escolaridade no exército chegando à patente de sargentos e os menos aptos cumpriam o serviço militar e aspiravam integrar a nova força policial a GNR. Clandestinamente primeiro e efectivamente depois os militares na Praça Militar conspiraram contra a Monarquia Constitucional e contra a República como mais tarde teremos oportunidade de verificar.




sexta-feira, junho 03, 2011

8.3. A sociedade contemporânea : as classes populares -1850-1926

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A pobreza e a miséria estava associada quase sempre às "crises do trabalho"  na região do Caia
(foto de Fernando Silva Dias, in Campo Maior a Preto e Branco, coordenação de Luís Dias Caraças)


Os portais das Igrejas de Elvas foram os anjos da guarda de muitas crianças da região 


O chefe da República Nova ascendeu à categoria de Santo para as classes pobres de Elvas

A maior parte da população estabelecida no Distrito de Portalegre após os ventos do Liberalismo, estava directamente ligada a vida agrícola, realizando na sua vida quotidiana, uma serie de tarefas agrícolas complementares que incluía a pastorícia, em troca de um precário salário e formando em consequência um verdadeiro “proletariado rural”. Segundo, o Grande Dicionário de Língua Portuguesa de Domingos Vieira, caracterizava estes indivíduos que viviam do sustento do seu árduo trabalho nos campos, por oposição a classe dos grandes proprietários como “ homem do campo”, “sem educação”, “grosseiro”, “áspero e descortês”. Na imprensa periódica de Elvas, na época da Regeneração as expressões, “pobres homens”, vagabundas” e ”miseráveis”, era as mais comuns para identificar, este multidão de trabalhadores rurais que trabalhavam nas herdades locais mediante um contrato de trabalho de natureza variável correspondente às diferentes funções que exerciam, (tais como, guarda da herdade, sota, boieiro, ganhão entre outras) … De referir também que até final do séc. XIX uma parte significativa das prestações a pagar pelos proprietários rurais, não se exprimia em dinheiro mas em géneros, mas em comum durante várias décadas de Oitocentos era a época de pagamento que no concelho de Elvas, ocorria no final de cada colheita agrícola mas quase sempre durante o período da Festa de São Mateus, onde este trabalhadores rurais, por vezes iam adquirir os produtos artesanais ou agrícolas, que eles próprias tinham produzido com a força do seu trabalho. Aos trabalhadores locais, juntavam-se os itinerantes oriundos das Beiras que depois de fazerem a campanha dos cereais de Elvas, dirigiam-se para Badajoz, estes homens de trabalho, eram de resto muito “apreciados” pelos proprietários rurais da raia Alentejo/Extremadura, uma vez que estavam dispostos a realizar qualquer trabalho por salários muito baixos, que não eram de resto aceites pelos trabalhadores locais. A sua presença na cidade elvense não passava despercebida pela população local, não só deslocavam em grande número, chegavam à centena, como envolviam-se em lutas por vezes violentas quando tinham que dividir os ganhos obtidos pelo grupo e que era repartido pelo encarregado da camaradagem. Aliás a violência, era algo que perseguia estes trabalhadores itinerantes sobretudo quando chegavam à Extremadura Espanhola, nomeadamente em tempos de crise económica, aliás a documentação extremenha, refere a expulsão e a violência dos ratinhos portugueses em períodos de desemprego em Espanha nomeadamente na crise económica de 1898. Todavia, alguns acabavam por se fixar na cidade de Elvas, após o fim das campanhas agrícolas e uma parte dos mesmos durante algum tempo era identificados com a prática de mendicidade. Todavia, a mendicidade que marcou os finais do séc. XIX em Elvas não era apenas extensiva aos ratinhos das Beiras. E nesse sentido as bolsas de pobreza segundo a documentação oficial eram identificadas segundo três grupos: a ) Pobres por incapacidade de assegurar o seu próprio sustento, como meninos, enfermos e presos; b) pobres aptos para o trabalho mas incapazes de se alimentar ou vestir os seus dependentes como os desempregados, viúvas ou trabalhadores com famílias numerosas ou pobres que tinham a possibilidade de trabalhar mas eram identificados por um comportamento ocioso e marginal. Era o caso, dos “falsos pobres”, “vagabundos” ou “contrabandistas ocasionais”. O certo é que a questão da pobreza e da miséria, não deixava indiferentes certos sectores da sociedade elvense e uma das primeiras figuras da história da solidariedade em Elvas era sem dúvida o Brigadeiro José Maria Baldi, Governador da Praça militar de Elvas que durante os primeiros decénios da Regeneração criou o Asilo da Infância Desvalida com o apoio das classes mais abastadas da cidade e inclusive da própria Coroa a quem pediu apoio para esta instituição, que servia dezenas de órfãos portugueses e espanhóis, numa época em que alguns extremenhos recém-nascidos eram abandonados com alguma frequência junto dos portais das Igrejas da cidade de Elvas e particularmente junto da Igreja de São Domingos. A Casa da Misericórdia, com as suas festas de beneficência, com vista a aquisição de meios financeiros, não só para sua manutenção mas também  no apoio à multidão de desfavorecidos que apoiava, a Igreja e a acção de alguns particulares, eram outros patronos dos mais pobres que em Elvas encontra durante o Sindonismo pela primeira vez o apoio estatal com a criação da sopa das pobres nos finais da I República.            

segunda-feira, maio 16, 2011

A Fotografia Contemporânea: A Escola de Paris.

Eugéne Atget, Prostituta, 1921, - 23.2X17.4 cm.

André Kertész,Champ Elysées, 1930 - 24.5x18 cm.


 André Kertész, entre a fotografia e a arte propriamente dita.
 Brassai, Amor de Marinheiros, 1933 - 29.3x22.8 cm
 Henri Cartier Bresson, Sringar, Casemira,1948,27.3x39.9 cm.

Robert Doisneau, A noiva de Cégéne, 1948 - 30.5 x 23.9 cm. 

A fotografia contemporânea confunde-se com os trabalhos de Eugéne Atget (n.1856) , que tinha como objecto o registo das facetas da cidade da luz, que  não mereceram numa primeira fase um olhar artístico sobre a riqueza dos mesmos. Na verdade, a sua inspiração pelos recantos instantâneos do meio ambiente estavam em contraste com os trabalhos inerentes da imaginação, que versavam as obras de Braque, Picasso, Duchamp ou Man Ray. A sua obra reflecte uma intensidade subtil e uma perfeição técnica que acentuam a realidade, até mesmos nos registos mais banais. De resto são poucos os fotógrafos que igualaram a sua capacidade de criar composições simultaneamente bi e tridimensais. Entre os seus seguidores directos e que constituem a chamada “Escola de Paris”, destaca-se André Kertéz (n.1894), cujos registos, destacam-se pelo isolamento central da figura central relativamente à composição apresentada. Brassai (n.1889) , tal como Kertéz não era francês por naturalidade mas por adopção, nascido na Transilvânia, voltou aos cenários parisienses, fotografando os costumes e os ambientes e de uma forma particular os ambientes boémios. Cartier Bresson (n.1908), considerado o primeiro fotojornalistas por alguns críticos foi sobretudo um artista do ponto vista dos seus objectivos e da sua técnica. A sua obra reflecte a influência da arte abstracta moderna. O Futurismo e a ironia do Dadaísmo, numa palavra o movimento está latente no registo das suas composições, que o distingue dos restantes seguidores da Escola de Paris, tal como a fronteira do seu registo que se alarga definitivamente ao espaço universal.  Sem a notoriedade de Cartier Bresson, destaca-se Robert Doisseau (n.1864) como o fotógrafo mais próximo do ”fotógrafo-artista”, não pela técnica,  nem pelo movimento mas pela clareza de registar como nenhum outro o acaso das fraquezas humanas tratadas com grande humor. Robert Doisneau, era um fotógrafo autodidacta que registava as suas imagens durante os seus passeios pelas ruas de Paris. O que tornou Doisneau famoso foi a sua "fotografia de rua", em inúmeros instantâneos, documentou com humor e empatia a vida dos subúrdios de Paris.            

sábado, maio 07, 2011

8.2. A sociedade contemporânea: As características da classe dominante - 1850-1930

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 O palácio dos Marqueses de Alegrete o símbolo do aristocracia oitocentista.
A família Bagulho em menos de um século juntou lavradores, intelectuais e militares.

A elite dos lavradores na época áurea da agricultura elvense com o Ministro do Estado Novo, Arantes da Oliveira 

A maioria da sociedade elvense que se afirma a partir de meados do século XIX é marcada pela afirmação de novas gentes que se fixam em território elvense entre os finais do século XVII e o primeiro quartel do século XIX. Ou melhor, pouco mais que 32.7 % das famílias registadas no cartório notarial de Elvas algumas dezenas de anos antes da época da Regeneração têm a sua origem nas vilas ou na cidade raiana. E de um modo geral, a sua origem é popular e apenas meia dúzia de famílias tem origem nobre e a excepção é praticamente os marqueses da casa de Penalva. Uma vez que os restantes titulados o foram durante a monarquia constitucional por comenda e não pela origem de sangue como se observa com maior atenção na aristocracia portalegrense. Mas quando se chega a meados do séc. XIX, podemos já encontrar indícios de uma nova sociedade que chega aos nossos dias, mas que nada tem a ver com o passado histórico da cidade e é sobretudo um produto da Revolução Liberal. Na verdade quando se chega ao final do século XIX a “classe dos proprietários” afirma-se como grupo dominante, integrando os lavradores como grupo maioritário que foi sem dúvida o que mais evolui, pois mais de 85% das principais famílias tinham a sua origem em pequenos arrendatário e algumas tinham mesmo uma origem social humilde. Mas no grupo dos proprietários, agrupavam-se ainda os comerciantes, muito deles com origem na Sertã e os militares cujo prestígio estava determinado pela sua posição no exército português. Porém no seio dos proprietários agrícolas no final da primeira metade haviam já algumas famílias que se distinguiam das demais, como era o caso das famílias Bagulho, Gonçalves, Barbas e Rasquilha, as duas últimas com afinidade à nobreza local e regional, no caso da família Rasquilha o seu reconhecimento social advinha da sua riqueza inicialmente concentrada na vila de Arronches. Outras, estavam ainda dependentes do arrendamento de propriedades da Casa de Bragança, Cadaval e de alguns burgueses lisboetas como Lança Alvim ou João Miguel Barreto, que tinham o monopólio das grandes propriedades do concelho. Nas décadas de 1880/90 a intensificação de compra de herdades pelas famílias locais arrendatárias torna-se uma evidência na relação de compra/venda das propriedades agrícolas (herdades), numa época em que o investimento agrícola era complementar à actividade agrícola, neste âmbito distinguia-se a família Nunes da Silva oriunda das Beiras e cuja fortuna se constituiu na prática comercial antes de se tornaram também grandes lavradores da cidade e em pouco tempo, uma família de referência local e regional pela sua intervenção na vida política. Também inicialmente fora do seio da prática agrícola, destacava-se outra família com origem na região centro a família Lopes cujo poder aquisitivo estava relacionada pela sua prática prestamista que permitiu que ainda antes da década de 1890 fosse uma família de posse e de referência na vida social e económica, de quem dependiam os pequenos/ médios proprietários agrícolas por força dos empréstimos a quem estejam sujeitos por contrato. Fora do contexto agrário, distinguia-se no grupo dos proprietários a família Torres de Carvalho, com origem na então vila vizinha de Estremoz e  a família Mendes, cujo fundador da família José Mendes tinha a sua origem na Sertã como os Nunes da Silva e que da relação com o seu amigo Baltazar Paiva, nasceria a firma Mendes & Paiva com fins comerciais. No final do século XIX a elite económica da cidade tinha uma origem social exterior há cidade e procedia o seu enriquecimento económico através do arrendamento de grandes herdades que em pouco tempo, passavam para sua tutela considerando que se tratavam não de arrendatários mas de proprietários arrendatários com capital de remate era o caso de José Mendes, Lobão Rasquilha e José Lopes que se tornavam proprietários das melhores herdades do Conde de Tarouca. Na viragem do século, a propriedade não só significava riqueza como distinção, por isso mesmo alguns militares, médicos e industriais, procuravam então o estatuto de lavradores, como eram os casos do Dr.António Cidrais ou José Guerra, próspera e rico, o único com verdadeiro estatuto para tal no município de Elvas. Mas se os novos-ricos “sonhavam” com a aquisição da herdade, os grandes lavradores, bem sucedidos há muito tinham iniciado um verdadeiro processo de “nobilitação” com aquisição das Quintas e Solares, identificadas com as Casas Agrícolas como era o caso da Quinta de São João adquirida em 1872 por José Joaquim Gonçalves ou o “Solar dos Mesquitas” pelo Dr. Santa Clara que apesar de tudo tinha ascendência nobre apesar de ser uma das figuras mais prestigiadas da cultura oitocentista. De resto, o Dr.Santa Clara, o Visconde Cristovão Vasconcellos de Andrade, proprietário de uma casa palaciana de gosto itálico e o Visconde de Alcântara com a família da Marquesa de Alegrete e Condessa de Tarouca, identificadas com o grupo dos lavradores distinguia-se pela sua origem nobre e pela ligação à Casa Real. A este núcleo fechado abria-se excepção aos oficiais superiores do exército quase sempre os Governadores da Praça e a número muito restrito de proprietários, como eram o caso do Sr. Rodrigues Tenório durante várias décadas “tutor” das terras da “marqueza”, os Rasquilhas, pelo prestígio de essa grande figura do eixo Arrronches – Santa Eulália e Campo Maior, o deputado Progressista Lobão Rasquilha e os Bagulho, por via do Dr. João José Bagulho, médico que se distinguia pelo trato e educação numa sociedade fechada e profundamente ruralizada. Da I República ao Estado Novo, a classe dos proprietários, alargou-se significativamente em função da riqueza agrícola através de uma política matrimonial que acabou por cruzar as velhas famílias de posse com as que cresceram antes e depois da I República.

sábado, abril 30, 2011

O Renascimento Veneziano : as obras de Sansovino e Palladio


 A obra de Sansovino manifestou-se na renovação urbana de Veneza




 A colunata movimentada foi uma influência da sua formação romana


 As grandes cúpulas uma das marcas da obra de Palladio em Veneza
As últimas experiências de Palladio denunciam já as influências do Maneirismo.
Em Veneza, a experiência construtiva é resultado da sua própria história, na verdade a urbe italiana, não resultou da inspiração da Antiguidade, mas foi antes o resultado das experiências de mestres e artistas que desenvolveram a sua obra em território veneziano. Entre eles destaca-se, Andrea Sansovino, que se formara em Roma e que chega em 1527, permanecendo em Veneza cerca de quarenta anos até ao fim da sua vinda. Na sua obra é visível o processo de renovação da linguagem arquitectónica veneziana, traduzida nas severas formas classicistas de influência dos grandes mestres romanos como Bramante e Rafael, numa expressão mais dúctil, decorativa e movimentada que tão bem se expressa na cidade lagunar. Os melhores exemplos foram os edifícios edificados em volta da Praça de São Marcos, cuja fachada são modeladas através de um jogo notável e eficaz de claro-escuro, obtido através da disposição de elementos clássicos e de um notável aparato plástico. Outro mestre de relevo, Andrea della Gondola, mais conhecido por Andrea Palladio, vindo de Pádua, chega a Veneza, com a função de cinzelador em 1537, mas doze anos depois é o responsável pela reestruturação do Palácio Regione. A estrutura englobava a construção gótica anterior de dois pisos, que seria renovada segundo os princípios renascentistas. Na sua fachada, introduziu duas filas sobrepostas de arcos serlianos, rematada por uma bela balaustrada, na qual se levanta uma serie de estátuas, em correspondência com as colunas que se erguem no primeiro piso, dividindo os espaços dentro dos quais se encontram os arcos, supotados por colunas pequenas. Mas, a influência de elementos arquitectónicos de matriz romana, é evidente na utilização da janela em arco, denominada serliana, e na faixa de tríglifos e métopas que separam os dois níveis. A sua carreira em Veneza jamais seria igual quer na edificação de espaços públicos quer privados, destacando-se nesse âmbito uma série de villas por encomenda da nobreza veneziana. De resto, Andrea Palladio, fecha o ciclo das obras renascentistas em Veneza, com a edificação de três espaços religiosos, duas, San Maggiore (1556) e a do Redendor (1557), que estão localizadas nas ilhas limítrofes. Neste âmbito, destaca-se sem dúvida, a do Rendero II iniciada em 1577, de planta centrada, com Cúpula de três conchas sobre o cruzeiro. Cujo acesso se concretiza pela anexação de uma nave central com abóbadas de berço e capelas em forma de nicho. A Fachada com colunas duplas de ordem colossal no portal e no pórtico um frontão, denunciando desde logo a tendência maneirista neste espaço do Renascimento tardio.

8.1.3 - A afirmação do comércio Elvense numa cidade agrícola.

 O mercado local um faceta da actividade mercantil de base agrícola e artesanal que se manteve na Época Contemporânea.
A publicidade na Imprensa local contribui para a especialização do comércio durante as décadas de 1880-1890

A Rua da Cadeia pioneira do comércio contemporâneo em Elvas

A época da Regeneração foi sem dúvida um período determinante para o desenvolvimento do comércio elvense, que até então era sobretudo uma actividade subsidiária da prática agrícola com base na exploração dos seus produtos. Uma realidade que percorre a história económica da cidade desde os tempos medievais, em que o tendeiro, o mercador ou almocreve, asseguravam o sustento da sua actividade a partir dos excedentes agrícolas e de um conjunto mínimo de produtos manufacturados produzidos nos núcleos populacionais mais próximos das suas “rotas comerciais”. A viragem para uma actividade económica, de matriz exclusivamente comercial ocorre na principal cidade da região do Caia, pelo menos desde a década de 1870, numa época em que a população portuguesa não só se limitava como crescia e deslocava-se para os centros urbanos onde a prosperidade era visível. Não podemos ignorar que na cidade de Elvas,  o seu núcleo urbano cresceu muito rapidamente até ao fim do século XIX, assim em 1878 contava com cerca de 10.471 almas e em 1900, altura em que se verifica o primeiro abrandamento no ritmo de crescimento populacional a cidade atingiu um número de efectivos de cerca de 13.981 habitantes ou seja um índice de crescimento de cerca de 186% em cerca de 36 anos. Ao mesmo que crescimento médio da população rural era evidente durante o mesmo período cronológico, embora disparando mais tarde, por volta de 1887 quando cerca de 9.006 constituíam os valores efectivos da população rural. Todavia, entre a Regeneração e o final da I República, não só a existência de uma população próspera em trabalho e com um salário pago periodicamente, favorecia o desenvolvimento das práticas comerciais como também uma serie de estradas locais e regionais, facilitavam essas trocas e permitiam a prosperidade do negócio. De facto, em vésperas da implantação do Estado Novo, a Linha de Leste tornava-se um veículo fundamental para a especialização de estabelecimentos comerciais como também a rede viária sofrera uma forte reforma com um crescimento médio de novas vias à média de 5.1% desde 1922 com excepção do ano de viragem de regime, com o 28 Maio de 1926 em que o número de estradas municipais construídas não ultrapassa os 1.9%. Na verdade entre a Regeneração e o final da I República, não faltavam consumidores mas também de vias necessárias para canalizar os excedentes. E nessa perspectiva, a Linha de Leste facilitava a modernização do comércio regional colocando nas terras do interior de Portugal as novidades que se vendiam na capital. Mas, a cidade comercial propriamente dita como um espaço organizado afirma-se no final da década de 1870 e afirma-se na década seguinte, de tal forma que se publicava na cidade, duas vezes por semana, um periódico gratuito que informava e publicitava os produtos e as actividades de natureza comercial. Na década de 1860, a principal zona comercial urbana desenvolvia-se ao longo da Rua da Cadeia, as mercearias e as lojas, eram os estabelecimentos tipos e o Hotel Central a principal unidade hoteleira da região também estava sediado nesta artéria da cidade. Na década de 1870, a Rua da Carreira entrava na concorrência mas a maioria dos lojistas continuavam concentrados na Rua da Cadeia. A Rua do Alcamin entrava na disputa nas duas últimas décadas do século XIX e tornava-se um espaço de referência durante a República, o calçado, as lojas de vestuário e as ourivesarias, foram sem dúvida os estabelecimentos que vieram a valorizar aquela artéria urbana, que tal como todas as outras tinham uma ou duas mercearias no seu espaço. A viragem para o século XX, quando a cidade de Elvas era já referenciada como um pólo comercial e agrícola de referência regional, novas artérias juntavam-se ao aglomerado urbano, nomeadamente as Ruas Pereira de Miranda e da Princeza Dona Amélia que constituíam juntamente com as ruas comerciais que se foram desenvolvendo nas décadas anteriores a zona comercial da cidade. Do ponto vista da estrutura comercial da cidade a mercearia como local onde se vende um pouco de tudo e algumas delas eram agentes de algumas casas comerciais da capital, persistem com vigor até a década de 1890. Os serviços nomeadamente os transportes, as seguradoras e os agentes de actividades várias como por exemplo a bancária já estavam sediadas no final de Oitocentos. No final da I República, o comércio tinha já um estatuto próprio, não dependia da prática agrícola e resultava já de um pequeno investimento dos particulares, com uma estrutura de matriz familiar. Os poucos comerciantes de sucesso nos finais do século XIX, identificavam-se com a classe dos proprietários e eram reconhecidos na sociedade local como lavradores, numa época em que o poder ou a capacidade económica estava associada à casa agrícola como factor de criação de riqueza. Os lojas de especialidade e em contraste com as mercearias e as oficinas que se concentravam igualmente no traçado urbano, eram a novidade e esboçavam os traços comuns de um comércio virado para uma sociedade de consumo. Mas o conservadorismo, de uma mentalidade adversa à mudança continuava a persistir no modelo de muitas lojas que na verdade não eram diferentes das mercearias que foram as pioneiras do desenvolvimento do comércio local e que persistiram ao logo do séc. XX.                           

sexta-feira, abril 22, 2011

O Modernismo Catalão e a obra de Antoní Gaudi....


A Sagrada Famíla (1883)


Parque Guell

A Casa Milá


As artes decorativas uma realidade que Gaudí associou à arquitectura.

O Modernisme é um movimento artístico que se desenvolveu a partir de meados do século XIX com semelhanças à Arte Nouveau e que marcou a arquitectura catalã entre 1880-1910. Como estilo artístico, foi influenciado pelo chamado romantismo nacional que promoveu o estudo e a retomada da arquitectura e do idioma catalão e pelo progressismo, que observava a ciência e a tecnologia, como fundamento para o desenvolvimento da sociedade moderna. Estas duas influências aparentemente diferenciadas acabaram por ser determinantes na arquitectura catalã como provam as cerca de mil edificações que então se edificaram, sobre o risco de figuras como Domènech i Montaner, José Puig i Cadafalch e Antoní Gaudi. As suas obras edificadas, ecléticas e expressivas, destacam-se sobretudo pela ornamentação integrada no próprio edifício, enfatizando o seu projecto, função e construção. Em pouco tempo, o Modernisme se confundiu com a obra de Antoní Gaudi cuja obra inicial evidencia outra influência da arte internacional, o movimento Arts and Crafts, visível na abordagem no acto de projectar cada aspecto dos seus edifícios. Ou do mestre da arquitectura francesa Eugène Emmanuel Viollet le-Duc que preconizava o regresso à Idade Média e de uma forma particular à reconstrução gótica com base nas novas tecnologias. A primeira grande encomenda e que se tornou uma referência do seu legado para a arquitectura contemporânea foi sem dúvida a Igreja da Sagrada família proposta ao mestre catalão em 1883 e que constitui o centro da sua actividade como arquitecto até ao fim dos seus dias. Às estruturas góticas existentes acrescentou espirais com aparência mouriscas, decoradas com azulejos de cerâmica, onde se destaca a riqueza cromática, dando uma nova visualidade ao espaço construtivo. A Sagrada Família reunia os valores apetecidos por Gaudi e respondia às suas convicções pessoais mais íntimas, experimentadas em menor escala na cripta de Santa Coloma de Cervelló, de 1898. Na Sagrada Família até a sua morte, Gaudi deixou uma marca expressa nas duas silhuetas que se elevam sobre o casario da cidade catalã, em que se destacam as suas altíssimas torres de agulha afiada, pináculos cónicos com rendilhados e remates florais. A faceta racionalista expressa na obra edificada mas sobretudo nos desenhos e maquetas que o autor deixou como um documento aberto que permite que um século depois a sua obra tenha continuidade. A sua amizade com o grande industrial, Don Eusebi Guell permitiu-lhe trabalhar a um ritmo intenso face á variedade de encomendas como por exemplo a Casa Guell em 1888 o Parque Guell em 1900/14). O seu racionalismo estruturalista e a integração da arquitectura com as artes decorativas e o desenho industrial, percorre a sua obra que se expressa também na arquitectura privada como as chamadas casas de Gaudi. Na Casa Milá, de 1906, destaca-se pelo emprego de variado material de construção, pilares de pedra e tijolo, vigas de ferro, abóbadas à catalã, evitando as paredes de descarga e permitindo uma maior liberdade na distribuição das cargas. A organização da fachada é outro aspecto, que se cinge ao exterior  como uma parede que se sustenta a si próprio: Gaudi moldou-a como matéria plástica de linhas curvas côncavas e convexas, ondas de lava solidificada parecendo ser a massa pétrea com que a casa Milá se sustém. A Casa Batló, que na verdade não era mais do que dois prédios de apartamentos, cuja intervenção exterior se combinava com a concepção do mobiliário, evidenciando um gosto pelas formas orgânicas, mediante o emprego de determinados motivos, como por exemplo conchas. Embora o Modernisme e a Art Noveau internacional tenham tido uma vida curta, destacaram-se pela capacidade expressiva na arte e na arquitectura do século XX.