terça-feira, março 31, 2009

Ruy de Andrade, O último Presidente da Câmara Monárquico

História Local /Época Contemporânea/Biografia : - Nascido em Génova no dia 1 de Junho de 1880, o Doutor Ruy de Andrade, foi de facto o último presidente da Câmara de Elvas antes do triunfo do regime republicano em 5 de Outubro de 1910. Destacou-se como académico, político e teórico nos estudos agronómicos cuja formação ao mais alto nível concretizou com a sua tese de doutoramento apresentada no âmbito das Ciências Agronómicas na Universidade de Paris e com o reconhecimento académico no âmbito dos seus trabalhos de investigação na mesma àrea recebeu o título de Doutor Honoria Causa pela Universidade de Madrid. [Alguns realizados em experiências pioneiras no processo de modernização da agricultura portuguesa na sua herdade de Fontalva (Barbacena)] Na vida política, destaca-se a sua participação na vida política local, regional e nacional. Assim a sua presidência pela Câmara de Elvas foi marcada pelos novos ventos que o país vivia, de facto a 9 de Janeiro de 1908 realiza-se o primeiro comício republicano em Elvas e Bernardino Machado, um dos vultos da História da I República em Portugal, afirmava que a república era a solução para Portugal e dois meses depois era comstituída a primeira Comissão Republicana Elvense que continuava a ser uma cidade agrícola e comercial e sem dúvida a mais dinâmica do Distrito de Portalegre. De realçar ainda que Ruy de Andrade mais conhecido pelo Conde de Barbacena, tal como os seus amigos Dr. João Pinto Bagulho e António Cidraes, liberais democráticos, que o desenvolvimento da instrução pública era fundamental para o progresso de Elvas. Todavia as dificuldades económicas atravessava uma vasta faixa da população rural em nítida expansão desde a última década de 1890 fruto da primeira campanha cerealífera promovida pela Monarquia Constitucional. Todavia durante os dois primeiros anos da experiência republicana, o Doutor Ruy de Andrade e o seu pai Alfredo de Andrade foram vítimas dos excessos revolucionários do novo regime, de facto a sua propriedade e os seus criados foram vítimas dos excessos gerados pelas greves rurais que ocorreram na primeira semana de Janeiro de 1911 em Santa Eulália e que levaram à ocupação de parte das suas terras e à queima de searas do referido Conde no Verão do mesmo ano. Esta adversidade entre o povo de Barbacena e o Conde só seria finalmente ultrapassada quase quatro anos depois durante a vigência de Pimenta de Castro. No plano regional, revelou-se quase sempre como próximo dos interesses governamentais, sendo deputado por Arronches durante a última fase da Monarquia quando aquela vila era identificada com os valores republicanos. Durante a fase inicial do Estado Novo foi uma personagem importante junto dos corredores governamentais no sentido de obtenção de melhorias locais para a cidade de Elvas e para a Vila de Campo Maior. No plano nacional de destacou-se no período político de 1921 e 1925, como dirigente da Causa Monárquica para tal reside algum tempo na capital, participando em actividades de conspiração contra a República e no Parlamento como deputado manteve a adversidade ao regime que acaba por aceitar após o triunfo da Ditadura Militar. Em Elvas, vive nas décadas de 40 e 50, período em que escreve e publica as suas obras de referência: "O Cavalo Andaluz (1937); "Garranos (1938)" , "Elementos para a História da Coudelaria de Alter, 1947-1959", entre outras pequenas publicações de matriz agrícola, disponíveis aos leitores interessados na Biblioteca Nacional de Lisboa. Faleceu em 20 de Dezembro de 1967, na capital este verdadeiro elvense de coração que apenas nasceu em Itália nos finais do século XIX. Postado por Arlindo Sena.

sábado, março 28, 2009

Os bandos nobiliárquicos na raia do Elvas e Olivença.

Hisória Local/Época Medieval :- A fronteira como espaço de passagem ao longo da sua história coincidiu com a prática do contrabando, todavia quando se analisa os processos organizados pelos alcaides de sacas da cidade de Elvas e da vila de Olivença, um aspecto desde logo se identifica, a prática do contrabando, mas com a originalidade de a mesma estar sob a organização e acção de uma aristocracia residente e até funcionalista em função dos cargos que detinham ao seviço da coroa. É neste contexto que se destacam os chamados "bandos nobiliárquicos", que tem como centro de operações a Vila de Olivença e a sua associação para práticas marginais centradas no contrabando de gados, mercadorias e armas. O roubo de gado (especialmente de cavalos) é de resto uma prática muito comum da aristocracia oliventina, que em fins do séc. XV associava alguns nobres da vila de Elvas. Assim e na última década do séc. XIV podemos identificar três bandos nobiliárquicos os Gama, os Lobo e os de Manuel de Melo, que segundo a documentação da Chancelaria de D. João II, (nomeadamente o Livro 12 - ANTT), regista cerca de 61 casos de práticas de marginalidade e violência, registadas judicialmente, sendo 55% dos actos praticados pelos Gama, 28% pelos Lobos e 17% pelo bando Manuel de Melo. De realçar também que vários casos relatos referem o confronto entre os diversos bandos em operações de marginalidade que se executaram em paralelo. Entre os fiugras da nobreza raiana destacamos, no grupo dos Gama: Bento Fernandez, castelhano morador em Alconchel, Cristovão Faleiro, escudeiro, Fernão Vaz, criado de Vasco da Gama, João Gama, escudeiro, João Gonçalves, cavaleiro da casa "del rei" . Nos Lobo: João Lobo, escudeiro, Fernão Zorro, acusado de tentar assinar D. Manuel de Melo, Lopo Esteves, cavaleiro del rei e acusado por um judeu de nome Belhamy do roubo de uma arca, com objectos no valor de quatro mil reis, Lourenço Galego, da nobreza Oliventina, vassalo do rei, exiliou-se em Castela após ter sido acusado de ferir o elvense Fernão Gil do grupo dos Melo. Nos Melo: Afonso Lourenço, escudeiro; João Castanho, escudeiro, João Lopes, natural de Oilvença mas viveu em diversos momentos no termo de Elvas, pertenceu aos três bandos em três momentos diferentes e foi acusado pelo alcaide de sacas de Olivença, para além dos crimes de roubo de dormir frequentemente com mulheres castelhanas, Lopo da Gama, criado de Manuel de Melo, rompeu com o seu grupo familiar mas acabou por ser alvo da justiça régia acusado de tentar eliminar Manuel de Melo, Lopo Lobio, outro elemento de um bando rival que se distinguiu como "operacional" na passagem de gado para Catelo . João Roiz Cabicalvo, cavaleiro e operacional de Manuel Melo foi detido em Castela, acusado de passar a raia com cerca de duzentos e cinquente carneiros. Em 1490 era um dos homens de confiança de Manuel de Melo. De realçar ainda que o parentesco familiar foi a base determinante para os conflitos gerados entre os três bandos e quase sempre provocado por Manuel de Melo, que era o alcaide de OLivença e pai do alcaide de Elvas, Rui de Melo, que não aceitando o controlo do alcaide sacas de Olivença e Terena, Vasco dda Gama, acabou por entrar em "guerra aberta" com a família Gama, a partir das pressões da Coroa feitas por Álvares de Moura que era seu cunhado. Assim em fins do século XV, os Gamas conseguem o apoio dos Lobos nestas "batalhas" familiares em que a Lei não fazia sentido para os bandos nobiliárquicos que estavam simplesmente à margem da lei. Apesar da violência gerada em terras de fronteira, perturbando a paz e o sossego no eixo Olivença, Elvas e Badajoz, o perdão acabou por beneficiar os sessenta e um componentes dos vários bandos por um perdão efectuado por carta régia por D. Manuel I, de 25 de Julho de 1501, que de resto se testemunha na sua 26º Linha quando se lê em "português medieval" : "Nos el Rey e princepe fazemos saber quantos este noso aluara vivera que quando concertamos amizades dos cavaleiros, escudeiros, lhes perdoamos todas as suas culpas comtamto que nom fosem causas de mortes, com a qual condiçom os fazemos amigos e lhe demos certo tempo pera das ditas causas virem tirar seus perdões". Postado por Arlindo Sena

quarta-feira, março 25, 2009

Os administradores do Concelho de Elvas ou o símbolo do Centralismo

História Local : - O triunfo do Liberalismo em Portugal não impediu a construção de um estado forte tal como foi o "Estado Absoluto", todavia criou nas várias cidades e vilas de Portugal formas de poder que de forma simultânea servia ao mesmo tempo os interesses do governo central e os interesses locais. Essa forma de intervenção manifestava-se através de uma autoridade administrativa que não era mais que o Administrador do concelho, cujas funções na prática era exercidas paralelamente com a liderança da câmara, entre as mesmas podemos citar: "executar as deliberações da câmara municipal; realizar as operações de registo civil; exercer funções de polícia e de manutenção deordem pública; realizar a superintendencia das escolas e assegurar o regulamento dos mancebos para o exército". A primeira eleição para o administrador de Elvas ocorreu em 25 de Setembro de 1835, depois de um complexo sistema eleitoral que elegeu o primeiro administrador Manuel Rodrigues Silvano por um período de dois anos, numa época em que a cidade Portalegre por influência do Partido Regenerador e depois Progressista procurava se afirmar como o primeiro centro político do Distrito situação que se concretiza durante o período de governo de Fontes Pereira de Melo e que justifica a sucessão de administradores oriundos da aristocracia portalegrense a partir de meados do século XIX. Assim o regresso dos elvenses na qualidade de administradores do concelho ocorre já no século XX, quando o municipalismo proposto pelo Partido Republicano Português e depois Partido Democrático, favorece a eleição dos naturais de cada localidade entre os quais José Barroso Dias, homem ligado à banca, primeiro à Companhia de Crédito Predial Português e ao Banco Luso Espanho, por duas vezes nomeado para o cargo de administrador do concelho nos períodos de 1917-1919 e 1920-1922. No período republicano, desempenharam este cargo de natureza centralista e ao serviço do Poder Central durante a Primeira República uma autêntica dinastia de elvenses de referência o aristocrata Júlio Botelho de Alcântara (1911) , o advogado Raul Carlos da Silva Rebelo (1915-1917), o capitão José Jacome de Santana da Silva (1919) o capitão João Miguel Simões (1922), o único elvense natural de uma vila rural que ocupou um lugar de referência durante a Primeira República e o irmão do Dr. João Camoesas, Ministro da República, Augusto Camoesas o último administrador entre 1924-1926. Postado por Arlindo Sena.

sábado, março 21, 2009

O Comendador da Ordem de Avis, Miguel Santos

História Local - Biografia - Miguel Francisco da Conceição Santos, Nasceu na freguesia de Assunção, em 16 de Maio de 1884, numa família de poucos recursos, destacando-se como militar e político. Como militar o seu percurso foi de facto brilhante, começando como voluntário no Regimento de Caçadores nº4, em 30 de Julho de 1900, a partir de então obteve as seguintes patentes militares: Alferes (1907) ; Tenente (1911); Capitão (1916) ; Major (1928) ; Coronel (1940) e Brigadeiro (1943) . Com funções de comando foi destacado a 22 de Maio de 1915 para a 7ª Companhia de Circunscrição Sul, da Guarda Fiscal e nesse âmbito iniciou a chefia da secção de Elvas, uma semana antes tinha participado na revolta contra Pimenta de Castro. Esta passagem pela sua terra natal seria marcada pelo gosto pela actividade política, filiando-se no partido democrático elvense e iniciando a sua colaboração no semanário local a Fronteira. Quase um ano depois era uma das figuras de referência do Partido Republicano Democrático de Elvas, sendo orador principal na sessão de inauguração do retrato de Afonso Costa na sede local. Em 1919, estava de regresso a Lisboa e em Maio participa nas operações militares contra os resistentes monárquicos da "Monarquia da Norte". Com o regresso do País à normalidade foi nomeado Comissário Geral dos Abstecimentos (1919-1923) e uma vez mais não se esqueceu dos elvenses, não hesitando prestar ajuda ao seu amigo republicano Dr. Raul Rebelo e Provedor da Misericórdia de Elvas, com um vagão de açucar. Em 1926 desempenha o último cargo de nomeação política o de adjunto da Secretaria da Presidência da República, porém deixaria em definitivo os corredores da intriga política, voltando aos quartéis. Em 1933 como resultado dos serviços prestados à Pátria foi condecorado pelo Estado Novo com a comenda da Ordem Militar de Avis e em 1939 na patente de Coronel obteve o comando militar da Cidade de Beja. Aos 56 anos e ainda antes de atingir o topo da sua carreira militar como Brigadeiro, inicia uma nova etapa o de professor nos cursos de promoção a Major e Coronel. Fica aqui mais uma referência para os grandes de Elvas. Postado Arlindo Sena


Dia mundial da Poesia






- NOVO DIA:

continuação da memória esfacelada.

- NOVO DIA:

Em gritos, há o pó

de uma Cidade

- NOVO DIA:

Os dias sepultam-nos

sem rótulos no fundo

- NOVO DIA:

Ao menos morria-se

melhor, sabendo ...

João Travanca Rego (Poeta elvense - Séc.XX)/Publicação Póstuma

sexta-feira, março 13, 2009

Vida rural 1920 - Santa Eulália - Documento iconográfico


A Escultura do Renascimento

Miguel Ângelo, Pietá do Vaticano, 1498-1501,174 cm de altura.

Leitura Formativa - 10º Ano de escolaridade /História e Cultura das Artes - Os escultores do Renascimento Italiano manifestam nas suas criações artísticas uma notável influência das obras da Antiguidade Clássica ( Grécia e Roma). As suas obras, revelam a sua preocupação com a figura humana, principalmente masculina. O estudo da anatomia, do nú e das proporções são outros elementos que revelam preocupação dos escultores, no tratamento do equilíbrio, do movimento e do realismo. O retrato equestre é outra forma de representação recuperada da época greco-latina. Dos grandes escultores do renascimento italiano, destacam-se os mestres quinhentistas Lorenzo Ghiberti e Donatello, o primeiro realizou uma obra notável onde a mestria da arte do relevo atingiu a máxima expressão artística, nas portas do baptistério de Florença onde as cenas do Antigo e Novo Testamento que esculpiu e que expressam com exactidão a profundidade e os ambientes arquitectónicos e paisagísticos. As obras de Donatello demonstram o gosto e o interesse do escultor florentino pela anatomia e piscologias humanas. Porém para a maioria dos historiadores da arte, identificam Miguel Ângelo como provavelmente o artista mais completo do Renascimento em parceria com Leonardo da Vinci. Nas suas obras destaca-se a obsessão pela anatomia, o estudo da roupagem, do movimento da composição, à expressão das emoções e à perfeição das formas, as suas esculturas aproximam-se da excelência, sendo frequentemente inacabadas devido à impossibilidade de conseguir executar o que considerava ser a expressão da máxima arte. O expressionismo, o exagero da composição e a monumentalidade percorre os suas últimos criações já de matriz maneirista. Postado Arlindo Sena.

quinta-feira, março 12, 2009

O Surrealismo



Salvador Dali, Construção Mole com Feijões cozidos, Óleo sobre tela, 51 x78 cm (1935)


Síntese Formativa (12º Ano de escolaridade/História e Cultura das Artes ) - Os pintores surrealistas do ponto vista artístico, procuraram expressar nas suas obras, o mundo dos sonhos e do inconsciente, libertos do controlo da razão. O resultado prático, identifica-se com uma pintura onírica muito pessoal e afastada da realidade, em que os diversos objectos e elementos representados adquirem uma dimensão subjectiva e se identificam com um mundo irreal e imaginário. De resto, o grande objectivo dos surrealistas foi marcado pela vontade de ruptura com os parâmetros burgueses que se exprimia na produção de obras de arte com uma dimensão geralmente provocadora. Os principais surrealistas foram sem margens para dúvidas Marx Ernest, Joan Miró e Salvador Dali . Postado por Arlindo Sena

domingo, março 08, 2009

Cronologia da aquisição do direito de voto pelas mulheres




Dia - Internacional da MULHER - Em 1894, o Correio Elvense alguns meses após a aprovação do direito de voto das mulheres da Nova Zelândia, dava a seguinte notícia:


" As mulheres das colónias não desistam de trabalhar pela sua emancipação como é sabido por toda a gente. As da Nova Zelândia obtiveram o direito de voto e uma foi eleita "maire" da sua aldeia. Isto não lhes basta.Pretendem ocupar cadeiras no parlamento e chegar a funções reservadas até agora aos homens. Mas pensamos que as condições da sua existência devem ser modificadas num futuro mais ou menos próximo e por isso é racional modificar desde já a maneira de se vestir " (acrescentava o nosso antepassado cronista dos periódico elvenses).
O principal objectivo do movimento feminista sufragista, o direito de voto durou quase três décadas a ser aceite um pouco por todo o mundo e percorreu quase dois terços do século passdo para ser admitido nas nações mais avançadas em matéria de civilização e progresso , eis os marcos cronlógicos da conquista pelo direito do exercício de voto:


1893 - Nova Zelândia ; 1903 - Austália ; 1906 -Findelândia; 1913 -Noruega; 1915 -Dinamarca, 1917 -Holanda e Rússia, 1918 -Alemanha, Áustria e Inglaterra, 1919 - Suécia e Polónia ; 1920 - Estados Unidos; 1931 - Portugal e Epanha; 1934 - Brasil; 1940 - Turquia ; 1944 - França ;1945 - Japão ; 1949 -China e 1971 -Suiça. No caso português apenas tinham direito de voto a mulheres com cursos secundários e supeiores. Só em 1969 as mulheres puderam votar em pé de igualdae com os homens. Não esqucer também que este direito está longe de ser uma conquista para uma parte significativa da população feminina da nossa Aldeia Global. (Postado pr Arlindo Sena).












"Declaração dos Direitos da Mulher - Documento iconográfico

sábado, março 07, 2009

O papel da Mulher elvense na História Contemporânea.

História Local : A história de Elvas como a história de Portugal e do Ocidente é marcada pela ausência das mulheres como figuras condutoras da história, não tanto pela ausência mas pela negação do seu testemunho como protagonistas do tempo para além do seu papel na maternidade e na história da Igreja. Todavia a era das revoluções liberais que abalaram o mundo e deram uma nova periodização da memória, o período contemporâneo tornou possível distinguir o papel da mulher elvense e a sua participação no registo histórico. Desde finais do século XIX, que alguns nomes estão associados à presença da vida pública, na imprensa oitocentista, onde escrever numa folha periódica era sinal de cultura e distinção, nomes como Leonilde Rosado e Margarida Sequeira, marcam essa primeira etapa da mulher nos espaços de referência masculinos, numa época em que a noção de mulher era vista como alguém que estava na retaguarda do seio familiar, a expressão "Imperatriz da cozinha" ou "factor de atracção do homem para o seio familiar" encontramos em várias reflexões de alguns intelectuais do primeiro jornalismo em Elvas. As primeiras noções estéticas são motivo de reflexão nas folhas de Elvas





Em meados do século as noções de beleza eram variadas, em 1863 a mulher era assim apresentada:








Três coisas negras: Os olhos, os cabelos e as sobrancelas.




Três coisas rosadas: O beiço, as faces e as unhas.




Três coisas cumpridas: O talhe do corpo, o cabelo e as mãos.




Três coisas largas: O peito, a testa e o intervalo das sobrancelas.




Três coisas estreitas: A boca e a cintura




Três Coisas pequenas: A língua, o seio, a cabeça e o nariz








Na transição para o século vinte, os elvenses obervavam as mulheres e a sua beleza de acordo com a faixa etária:








1 a 10 anos é o beija flor.




10 a 15 anos é o rouxinol.




20 a 25 anos a rôla




30 a 40 anos é a gralha




40 a 50 anos é a coruja




60 anos em diante, nem é ave, nem mulher, nem coisa alguma.








Era também um tempo em que as primeiras mulheres surgiam envolvidas nas primeiras actividades de promoção da acção social e educação, embora identificadas pelo nome do respectivo marido, como era o caso das mulheres dos senhores Visconde de Alcântara, Dr. João Pinto Bagulho em Vila Boim ou Picão Fernandes em Santa Eulália, para citar como exemplo. No final do século com intervenção política e inseridas no movimento feminino e na defesa dos direitos das mulheres destacaram-se elvenses, como as médicas Adelaide Cabete e Maria Conceição Brazão. A República, abriu o espaço público que o Estado Novo, viria encerrar, o lar e a matriz educacional tornou-se o círculo fechado para as mulheres, destacando-se contudo pela sua humanidade, várias senhoras dos lavradores de Elvas com algumas acções de solidariedade com os pobres. A maternidade premiava algumas das classes populares, pelos seus numerosos filhos, com vários galardões pelo Estado Novo. No final dos anos 50, surgiam as primeiras licenciadas entre as quais Maria Céu Dentinho que em 1955 na dissertação da licenciatura em Ciências Históricas apresentava um trabalho sobre Elvas, que daria lugar a uma Monografia publicada em 1989, fora já do contexto da historiografia dos anos 60 e 70. Porém e apesar do seu cunho positivista e da estrutura pouco académica que o tempo penalizou, não pode deixar de ser observada como a obra mais importante publicada sobre Elvas por uma Elvense. No tempo de poucos, merece o devido reconhecimento público, a Srª Dona Maia Laura Santana Marques, que partilhou com o Prof. Doutor OLiveira Salazar, os segredos dos corredores do poder, oriunda de uma das famílias mais ricas e de projecção nacional os Mata Coronel. O chamado período "marcelista" favoreceu, a ascensão da mulher que timidamente chegou ao funcionalismo público, quando as filhas das classes médias procuravam a alternativa à telefonista que era o sonho de quem não estudava para além dos estudos comerciais, a professora primária era assim a alternativa ao Curso Superior que se torna um patamar atingível à maioria dos elvenses em finais daa década de 1980. Até ao fim do século algumas atingem o topo da vida académica, como por exemplo a Prof. Doutora Maria Lourdes Cidrais, que defende a sua tese de doutoramente em 1999 e é hoje uma das referências nacionais do estudo do imaginário cultural português. Das novas gerações destacam-se em Elvas e no País, várias mulheres que se afirmaram no âmbito da Saúde Pública, da Medicina, do Direito e na Educação. Postado Arlindo Sena




Por caminhos das Beiras



Visita de Estudo : - No âmbito da formação específica da Àrea das Artes um grupo de alunos da nossa Escola Secundária de Elvas, rumou a terras do município da de Idanha-a-Nova, centrando a sua actividade de aprender a Ver e a Interpretar nas povoações de Monsanto e de Idanha -a -Velha. Da montanha e do imaginário do castelo medieval passando pela matriz de uma das aldeias mais altas da região Centro, Monsanto seguimos em direcção a Idanha-a-Velha, uma das mais significativas Aldeias Históricas de Portugal. Esta aldeia datada do século I aC., possui no seu conjunto monumental vários espaços arquitectónicos de interesse histórico, como é o caso da Capela de S. Sebastião de planta rectangular, fachada centrada por porta com arco de volta inteira, provavelmente do séc. XVII. Todavia a nossa visita iniciou-se com a entrada pela Porta Norte, restaurada em 2002, levou-nos à rua da Palma na qual se destaca a imponente Casa Agrícola da família Marrocos, conhecida pela Casa Grande que sendo uma edificação de meados do séc. XX se encontra em estado de abandono e provavelmente de degradação e que nos levou na continuidade do nosso encontro com o passado, à Igreja de Santa Maria , antiga igreja matriz, construída em cantaria e alvaria e que denuncia várias intervenções relativas ao seu plano construtivo inicial. O espaço de culto desenvolve-se em forma de salão e dividido em três naves a central mais larga e elevada relativamente às colaterais. Os arcos em ferradura são outra originalidade deste templo reformado pelos Templários durante o século XIII. Seguindo em direcção ao portal Sul e após uma curta e rápida caminhada descobrimos a ponte romana que se encontrava no eixo viário entre Emérita Augusta (Mérida) e Bracara Augusta (Braga) , de volta ao percurso da forma ovalada da linha de muralha, chegamos ao ponto final da visita que terminou junto da Capela do Espírito Santo, que apresenta uma nave única e uma fachada de alvenaria de granito aparelhado, na qual se destaca uma porta encimada por baixos-relevos: uma vieira e uma pomba sobre taça. Foram sem dúvida os pontos essenciais dos 745 metros que limitam a antiga Egitânia. Postado por Arlindo Sena.

segunda-feira, março 02, 2009

Os moinhos na rota do Guadiana - Documento iconográfico


Portugal e o Futuro, 30 anos depois...

t História Portugal/ Leitura formativa - 12º ano de escolaridade - Há trinta e cinco anos chegava às livrarias nacionais o Portugal e o Futuro, editado nos últimas dias de Fevereiro do ano de 1974, quando a questão da guerra colonial era motivo de debate na elite política militar, onde se distinguiam os defensores da continuidade da guerra nos três teatros de guerra, Angola, Moçambique e Guiné. E a nova geração, de oficiais militares que consideravam que a questão da guerra devia passar por uma solução imediata. Foi neste contexto, que se editou e publicou , o "Portugal e o Futuro" do General António de Spínola que não era mais que um ensaio crítico sobre a Guerra Colonial e o Regime, da obra citamos a seguinte passagem de matriz federalista: "Contamo-nos entre o número daqueles que propugnam a essência do Ultramar como requisito da nossa sobrevivência como Nação livre e independente. Sem os territórios africanos, o País ficará reduzido a um canto sem expressão numa Europa que se agiganta, e sem trunfos potenciais para jogar em favor do seu valimento no concerto das Nações, acabando por ter uma existência meramente formal num quadro político em que a sua real independência ficará de todo comprometida. (...). Mas não é pela força, nem pela proclamação unilateral de uma verdade, que conseguiremos conversar portugueses os nossos territórios ultramarinos. Por essa via, apenas caminharemos para a desintegração de todo nacional pela amputação violenta e sucessiva das suas parcelas, sem que dessas ruínas algo resulte sobre que construir o futuro". (...) Haveremos de continuar em África. Sim! Mas não pela força das armas, nem pela sujeição dos africanos, nem pela sustenção de mitos contra os quais o mundo se encarniça. Haveremos de continuar em África. Sim! Mas pela clara visão dos problemas no quadro de uma solução portuguesa. (...) Temos plena consciência dos riscos que se correm na linha política preconizada, baseada na abertura, na liberalização, na segurança cívica, na africanização, na autonomia dos territórios ultramarinos e no respeito pelo direito dos povos a disporem de si mesmo, única via de solução para os problemas nacionais, mas temos igualmente plena consciência dos riscos bem mais graves que envolve a sua ignorância ou a sua negação. Seis meses depois com o movimento militar de 25 de Abril de 1974, a soluçâo seria descolonizar depressa e em força num dos processos mais dramáticos da história portuguesa dos grandes movimentos colectivos, hoje a nossa vocação centra-se na integração na Europa e na cooperação com os estados africanos antigos colónias portuguesas. Postado por Arlindo Sena.




sábado, fevereiro 28, 2009

Ministro Arantes Oliveira, Estado Novo em Elvas - Documento iconográfico

Mina de Almadén declarada de Interesse Cultural para a Humanidade

Património da UNESCO - A Espanha surpreendentemente colocou mais um bem patrimonial cassificado na categoria de Bens de Interesse Cultural, trata-se das Minas de Almadén situadas na região de Castela e La Mancha e que corresponde a um complexo mineiro industrial abandonado recentemente em 2002. Esta "estação mineira" considerada como a maior do mundo na exploração de mercúrio e segundo alguns colegas espanhóis da Universidad de Castilla y La Mancha, explorada sem interrupção desde o séc. III aC., está agora aberto ao público, incluindo uma descida ao interior da mina e a um espaço que remonta à exploração da mina durante o séc. XVI. Antigas oficinas metalúrgicas , poços variados e vários fornos, compõem o mais recente bem classificado pela UNESCO, num processo bem fundamentado científicamente e que em sete anos para surpresa da própria equipa coordenadora conseguiu o objectivo desejado. Postado por Arlindo Sena

O Doutor Morte faleceu duas vezes

Notícia com História/História Universal - Recentes dados de uma investigação realizada pelo Canal alemão de TV, ZDF, recolhidos junto do filho do criminoso nazi Aribert Heim, se comprovou que o "doutor morte", faleceu em 1992 no Cairo e não no pós-guerra como foi anunciado ao mundo durante várias décadas. Esta personagem, nascida em 1914 na Áustria e em fuga desde 1962 licenciou-se em medicina em Viena em 1940, quando era já um destacado membro do Partido Nacional Socialista que militou desde 1935. Após a anexação da Áustria por Alemanha ingressou como voluntário na Waffen-SS. Despois de uma breve passagem pelas estâncias de Sachsenhausen y Buchenwalt, chega em Outubro de 1941, a Mauthausen onde iniciou as suas experiências mortíferas junto de um grupo de prisioneiros experimentais, a quem ministrou injecções de fenol, água e petróleo, para comprovar o tempo de duração entre o efeito das referidas experiências e a morte. Da sua vida clandestina a equipa de reportagem da ZDF, apurou ainda que Heim, viveu no Cairo com o nome de Tarek Farid Hussein, chegando a converter-se ao Islão, num período em que as buscas dos chamados caçadores de Nazis esperavam encontrá-lo no Chile e na Argentina, que segundo algumas fontes terá vivido e falecido. Hoje em 2009 finalmente se anuncia nos meios historiográficos a morte de um dos Nazis mais procurados pela história. Postado por Arlindo Sena.

Grupo de Teatro - Elvas - década de 30 - documento iconográfico

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Festa popular em Santa Eulália meados do séc.XX - documento iconográfico

Os Fidalgos de Elvas e a descoberta da Flórida

História Local ...." É outro enigma da Historiografia dos Descobrimentos portugueses é se chegaram de facto à Flórida e quem foram os seus descobridores ? Quem eram ? Em primeiro lugar é importante fundamentar que tal descobrimento foi de inciativa de Portugueses, com orientação ou por acidente . Em segundo lugar, não se percebe muito bem, porque é que o historiador espanhol Pedro Martin D´Anghiera, identifica, a descoberta de tais terras por Ponce Leon em 1512 ... Sobre esta problemática, o Doutor Duarte Leite afirma, que não compreende como durante quase duas décadas o descobrimento feito pelos portugueses passou despercebido à Espanha, quando os achados espanhóis estavam devidamente memorados na cartografia oficial na mesma época. E é o mesmo académico, que dá credibilidade ao descobrimento por portugueses quando afirma: "... numeros portugueses, fidalgos de Elvas e outros da mesma condição, que tiveram na expedição papéis de relevo, como consta da narrativa completa do peruano, Ganclilasco de La Vega e de uma min uciosa relação escrita por um desses fidalgos elvenses, impressa em Évora em 1557". Esta posição reforça a participação dos Elvenses no evento que nos referem, permitindo-nos identificar a sua condição social, de fidalgos ou melhor de nobres. Postado Arlindo Sena.

A noção de arquitectura segundo Le Corbusierr

História Cultura das Artes - 12º ano - Leitura formativa : - Sem dúvida que é difícil definir quem foi Charles -Édouard Jeanneret, Le Corbusier (1887-1965) ? Se fosse possível compará-lo com outro artista, a mesma na nossa opinião seria Pablo Picasso. Se Picasso marcou em definitivo as linhas mestras da arte contemporânea, o arquitecto franco-suiço, poderá ser admirado como um mestre, o "catedrático" da arquitectura contemporânea. Sem dúvida, que Le Corbusier pode ser considerado o arquitecto mais importante do século XX, pela forma criativa e pela fantasia que o risco da sua obra denuncia. Por outro lado, foi um artista no seu más amplo sentido da palavra: arquitecto, pintor, escultor, desenhador de móveis, urbanista ou técnico de arquitectura, que entendia a arte como uma missão social e uma via para renovar o espírito humano. A Carta de Atenas, de que foi inspirador e autor e publicada em 1933 apresentava então este génio da arquitectura contemporânea as primeiras preocupações com a expansão das cidades ocidentais : "A maioria das cidades, apresentam-se hoje desordenadas que não correspondem às necessidades biológicas e psicológicas dos seus habitantes ... mais adiante lê-se ... A violência dos interesses privados determina uma desastrosa ruptura do equilíbrio entre a pressão e as forças económicas, por um lado e de debilidade do controlo administrativo e de impotência da solidariedade social por outro (...). A dimensão de cada parte dentro do dispositivo urbano só pode regular-se à escala humana ... . São conclusões que ainda hoje são difíceis de aplicar. Le Corbusier, do ponto de vista do racionalismo arquitectónico, estava convencido de que a lógica e a razão eram o maior antídoto contra a infelicidade e contra a desordem. Em sentido inverso, quis construir ambientes racionais em que todo deveria estar organizado em função do homem. Todavia ao inaugurar um novo estilo o Brutalismo acabou por abrir uma fisura creativa na planificação da arquitectura funcionalista e racionalista abrindo a um novo caminho para uma nova completa revisão da arquitectura do século XX. Postado por Arlindo Sena.

Tribuna militar do RI8 -Elvas década de 1970 - Documento iconográfico

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

A organização policial da Polícia fiscal na raia de Elvas/Caia.

História Local:- Se é certo que o controlo da raia desde meados do século XIX já estava estabelecido ou pelo menos tinha uma organização mais formal de que em outros períodos da história, a verdade é que a fiscalização da raia portuguesa não era efectuada com rigor e muitas vezes nem funcionava nos diferentes postos fiscais situados a 20 metros do Guadiana. Todavia, a década de 1880, foi marcada por um conjunto de reformas legislativas e operacionais que foram determinantes para a organização dos serviços e de fiscalização com o objectivo: "(...) de poderem com mais vantagem efectuar o serviço de fiscalização e controlar os caminhos e guarnecer os vários pontos de fronteira, muito acessíveis a entrada clandestina de géneros estrangeiros". Entretanto, do ponto de vista operacional, as forças da ordem passavam a actuar em duas dimensões, relativamente ao controlo e fiscalização através da Guarda Fiscal (1885) que tinha como função prioritária a repressão ao contrabando e respectiva transgressão fiscal. Enquanto a polícia fiscal, criada em 1886, centrava a sua actuação na transgressão fiscal estando limitada a sua acção ao espaço aduaneiro. O regime fiscal era preciso: « ... raia e no litoral são estes serviços de competência da guarda fiscal, devendo, porém tanto como outra [polícia fiscal] coadjuvar-se mutuamente, quando houver necessidade de levar qualquer diligência fiscal». A partir de então , a linha de demarcação estava sob o controlo de uma força específica e não de forças militares que funcionavam como uma espécie de guardas de fronteira como até então. Assim o serviço de sentinelas, patrulhas e rondas e diligências especiais asseguravam teoricamente as tentativas de fuga aos direitos fiscais do Estado Português. No final do século em 1889, regista-se a entrada das primeiras mulheres nos serviços alfandegários com a função de apalpadeiras, algumas eram viúvas de antigos policiais de Elvas e que tinham como função a fiscalização das mulheres referenciadas ou suspeitas de contrabando. Asssim em final do século XIX as forças policiais estacionadas na raia do Caia possuía pela primeira vez todos os instrumentos fiscais e júridicos para o cumprimento das suas funções. Postado por Arlindo Sena.

domingo, fevereiro 22, 2009

O Elvas CAD, no Estádio dos Barreiros - Documento iconográfico.




A arquitectura Modernista e Racionalista

Leitura formativa 12º ano História e cultura das Artes- O racionalismo transformou radicamente as linhas arquitectónicas e o conceito de espaço. E introduziu nos materiais no acto construtivo, o betão, o vidro e o aço. Dos mesmos destaca-se as grandes dimensões de vidros que ocupam as fachadas da arquitectura modernista, mas o que predomina no acto de projectar uma edificação é adaptação do mesmo à função e ao crescimento urbano e as exigências económicas da sociedade industrial. Para isso, a planificação de estruturas simples e ligeiras, utilizando materiais baratos e a integração no espaço envolvendo recorrendo aos espaços verdes e equipamentos é uma realidade. Os movimentos modernistas desenvolveram-se nos Estados Unidos e na Europa, onde a Escola de Bauhaus foi o traço de união, uma vez que tendo nascido na Alemanha fundada por Walter Gropius, deslocou-se para os Estados Unidos, face às dificuldades de geração de um projecto de arte na Alemanha Nazi. Duas das suas principais finalidades foi sem dúvia a abolição da fronteira entre artistas e artesãos e a síntese entre a arquitecturas e indústria. Na chamda Escola de Chicago, destacaram -se arquitectos como Louis Sullivam que defendia que seguia o conceito que no acto contrustivo prevaleceu na ideia de que " a forma é consequência da função", no racionalismo funcionalista o betão constitui o elemento fundamental no acto de construir todas as possibilidades construtivas, sendo Le Corbusier o principal representante.. Postado por Arlindo Sena

Na rota da Maçonaria Elvense

História Local.Fichas de História Local- nº41, in Linhas de Elvas. A história da Maçonaria Elvense desenvolveu-se praticamente em dois períodos de transformação radical da história portuguesa : a Revolução do Porto de 1820 e no período republicano em Portugal (1910-1926). E, se no primeiro destes períodos as lojas maçónicas em Elvas pouco ou nada contribuiram para a vida e trajectória da política local, durante a Primeira República uma parte significativa dos maçons elvenses determinaram a vida do poder local durante os quinza anos das experiência republicanas em Portugal. Na época liberal, três lojas são identificadas, a Loja da Liberalidade, a Loja 21 de julho e a Loja União Transgna. Provavelmente, e anterior a estas, terá existido uma de natureza militar sem confirmação e associada ao período de vivência do Conde Lippe pela nossa cidade. Mas talvez a mais importante foi sem dúvida a Loja da Liberalidade fundada quase meio século depois em 1818 ou 1820, contudo as figuras associadas a esta loja eram deveras importantes na vida local. Citando desde logo o nome do Bispo de Elvas, D. Frei Joaquim Menezes de Ataíde que, atraído pelos valores da Liberadade, Fraternidade e Igualdade, participou activamente na vida política portuguesa tal como o Bispo D. Manuel Cunha, cento e oito anos antes. O governador da Praça, Thomas Stubbs, era outra das figuras de referência onde não faltava o Coronel António Brito, comandante do popular Regimento de Infantaria nº 5 estacionado na cidade. Os militares dominavam esta loja e alguns deles participaram na guerra civil contra os ideais absolutistas de D.Miguel. As outras lojas do séc. XIX ficaram no anonimato mas sem figuras de "proa". Com a República os ideais maçónicos voltavam a reunir os maçons, a Loja da Emancipação, quase se identifica com o humanista Júlio de Alcântara Botelho e com o mecenas da cultura elvenseAntónio Torres de Carvalho. Os militares a alguns proprietários da classe média acompanhavam os ideais políticos da loja de emancipação cujo objectivo prioritário era o domínio da vida política local. O Quarto Triângulo sem granderepresentação apresentava vultos com a figura do Comandante Interino do Forte da Graça em 1928, o elvense José Jacome de Santana da Silva e, o Triângulo nº 165, foi a única loja fundada fora dos muros da praça, tinha sede em Barbacena de matriz popular e tinha no entusiasmo do Professor primário José Dias Ferreira a sua razão de existência. Mas sem dúvida que a Loja da Emancipação foi sem dúvida a mais bem sucedida se tivermos presente que Júlio de Alcântara Botelho foi Presidente da Câmara em 1910 e 1919, António Torres de Carvalho, Administrador do Concelho em 1911, Raul Carlos Rebelo (1915-1917) e José Dias Barroso Administrador entre 1917-1918. Outras funções desde a presidência do Clube Elvense à condição de provedorda Santa Casa da Misericórdia ou Mesário da Confraria do Senhor da Piedade foram assumidas por alguns maçons. Outros são identificados ao longo dos dois últimos séculos em lojas regionais e nacionais, não faltando a presença feminina como as médicas Adelaide Cabete e Maia Conceição Brazão ou a doméstica Maria Joaquim Lopes Nogueira. Na História da Maçonaria de Elvas o cruzamento entre militares e a igreja é um facto curioso reduzindo o carácter anti-clerical dos liberais e republicanos de outras eras...Postado por Arlindo Sena

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Aprender a Ver, uma viagem ao MACE

Visita de Estudo - Numa das nossas visitas abertas pela nossa cidade de Elvas, na companhia dos meus estimados alunos do 12º Ano da Turma G de História e Cultura das Artes, visitámos na tarde de hoje o Museu da Arte Contemporânea de Elvas, mais uma digna instituição da cidade do ponto vista cultural e artístico e ao mesmo tempo um digno registo de uma recuperação de um espaço arquitectónico pela actual vereação municipal. Nesse acto pedagógico de Ensinar/aprender a Ver e a Interpretar procurámos acima de tudo concretizar através das obras presentes as seguintes noções de leitura do acto de leitura de uma obra artística. Reconhecer o estudo do objecto artístico como processo fundamental para o conhecimento : Nesta perspectiva, o nosso encantamento situou-se na "Expectativa de uma paisagem de Acontecimento 3, da autoria de Fernanda Fragateiro, trata-se de uma escultura monumental ou concretizando de uma instalação abstracta através da ocupação do espaço em que a base de tal apropriação espacial se organiza com base numa peça/pavimento que incorpora uma lógica modular. Notável a obra Sem Título de José Loureiro, em que o movimento aparente próximo do "futurismo" se dilui através dos registos lineares, citação esfriada de imagens alheias, recusando o relevo matérico e até da cor. Analisar o objecto artístico na sua especifidade técnica e formal : no qual destacamos a obra "Da série da Câmara de Gelo de 2001" e de Adriana Molder, de grande dimensão em papel esquisso de 300x200 cm, em tinta-da-china, na qual a autora utiliza como suporte com o objectivo de acentuar a sua fragilidade e enrugamento através de grandes aguadas criando personagens de contornos espectrais, como que vindas de um tempo passado ou perdido. Do ponto vista da análise técnica com base na técnica fotográfica não ficamos indiferentes à obra de Jorge Molder, Anatomia e Boxe, 1996/97, em que a sucessão de imagens fotográficas, do próprio autor não podem ou não devem ser classificadas ou apreciadas como um auto-retrato mas antes como uma auto-representação. Reconhecer o objecto artístico como produto e agente do processo histórico -cultural em que se enquadra : A noção de surpreza e de admiração estética marcou a observação dos meus alunos/as perante a obra notável da sempre notável Joana Vasconcelos, com a sua "Noiva de 2001", que utiliza como materiais de composição estética, o aço, inox e tampões, cujo objectivo da referida autor se centra no acto de produzir para provocar, nesta obra destac-se uma quantidade quase infinita de tampões de higiene pessoal feminina no acto de composição de um lustre de cristal palaciano.
Postado por Arlindo Sena

A Mocidade Portuguesa em Elvas documento iconográfico

domingo, fevereiro 15, 2009

Barbacena entre a originalidade e o nefasto séc. XIX

História Local - A história das freguesias do concelho de Elvas passam de certo modo ao lado da História Geral do Concelho de Elvas. Mas não devemos ignorar a História de Barbacena que de nobre vila da Coroa portuguesa, não é hoje mais do que uma aldeia igual a todos as outras do nosso estimado e heróico Alentejo. De facto desde o séc. XIII que a vila elvense se afirmou como uma vila de matriz aristocrática uma vez que desde a sua fundação a nobreza de corte ou os ricos homens são os grandes de Barbacena. Assim na carta de doacção (1251) a Esteve Annes se confere a capacidade de governo próprio e fora do contexto do poder régio. A Carta Foral de 1289 cofirma aquela doação da rica terra de pão, azeite, linho e frutos. Durante as guerras Fernandinas o primeiro incidente entre o poder régio e o poder central, o então senhor de Barbacena toma partido por Castela para onde segue com a sua criadagem, o que determinou a confiscação da terra que volta à Coroa durante duas gerações. Na verdade, uma vez mais os particulares voltam ao governo da vila Barbacena quando em 1575 Martim Castro compra Barbacena por 28.500 cruzados, embora sem direitos de jurisdição e administrativos que todavia conseguiu obter em fim da sua vida terrena em 1612. A partir de então a Vila de Barbacena, passa para o domínio do ramo Furtado de Mendonça que percorre os momentos históricos das gentes destes campos, resistindo com heroísmos aos cercos de 1660, 1708 e 1712. Porém o séc. XIX seria nefasto para a povoação de Barbacena, bombardeada e saqueada em 1801 perante o avanço espanhol que fez do Alto Alentejo uma caminhada sem oposição e em glória que só a paz e a diplomacia portuguesa não evitou a perda de todas as povoações da raia histórica do distrito de Portalegre com excepção de Olivença. A guerra civil na primeira década do Liberalismo afastou definitivamente Barbacena dos corredores reais, o seu apoio a D. Miguel e o saque à documentação do cartório de Barbacena em 1801 foi determinante para a extinção do concelho de Barbacena em 1836 , numa época em que parte da população abandonava a terra dos seus pais e avós. Era o princípio do fim de uma terra com história que o silêncio do século XX abafou ao sabor do trabalho da terra que a partir de então passou a honrar estas gentes com HISTÓRIA. Da época áurea reside hoje o seu Pelourinho quinhentista de três degraus e com uma gramática semelhante ao da Cidade de Elvas. Postado por Arlindo Sena.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

O Darwinismo: O "escândalo " da selecção natural.

História Universal - Efeméride - Biografia :- Quem foi Charles Darwin na passagem do bi centenário do seu nascimento, em Inglaterra em 1809, neto de Erasmus Darwin, um famoso botânico e zoólogo , e filho dum médico rural. Apaixonado pela natureza, desde a infância colecciona insectos, plantas, pedras. Aluno médio, prossegue sem convicção primeiro os estudos de medicina, depois os de teologia. Os anos de formação académica em Cambridge permitem-lhe aperfeiçoar o seus conhecimentos e a relação directa com cientistas nas áreas das ciências naturais como a botânica, zoologia e geologia. As mesmas permitiram a Darwin partir para a América do Sul em 31 de Outubro de 1836. No decurso da mesma viagem que o leva igualmente a terras da Oceânia onde descobriu fósseis animais diferentes dos que então existiam e nota com alguma surpresa que as mesmas espécies evoluíram de formas diferentes, em função do meio em que ocorreu a sua própria evolução e se reprodução durante algumas centenas de milhares de anos. A partir de então questiona a ideia de que as espécies criadas num dado instante jamais se transformaram, durante vinte anos procura solução para as suas questões, cuja resposta surge a partir do conceito da "selecção natural " ou "sobrevivência do mais apto". A sua tese assentava no estabelecimento da ideia de que as espécies animais e vegetais sofrem variações de maneira súbita ou prograssiva. Segundo Darwin a "selecção natural", era ditada pela luta pela existência e tinha como efeito conservar as variações favoráveis e eliminar as prejudiciais. Por consequência, favoreceu os indivíduos ou as espécies capazes de se adptarem às condições e ao meio onde vivem, condenando ao desaparecimento certo os que não conseguem. Por outro lado, Darwin defendia que a origem da vida das espécies na Terra incluindo a do próprio Homem, teriam evoluído e diferenciado segundo o efeito da selecção natural. Uma tal convicção em meados do séc. XIX surgiu como um escândalo nos meios espirituais da cristandade na medida em que a sua teoria era manifestamente contrária ao texto dos Génesis que considerava a criação como um processo criador e sucessivo no o Homem era o fim da perfeição, uma espécie de ser superior. A partir de então o saber bíblico e a teoria do Darwinismo tornaram-se duas correntes paralelas explicativas do processo evolução das espécies com crentes em ambas segundo a verdade bíblica ou a fundamentação científica. Em 24 de Outubro de 1859, a primeira edição "Da origem das espécies por via da selecção natural", chegou ao público esgotando-se de seguida .... Postado por Arlindo Sena

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

A Sé de Elvas - Gótico Final ou Manuelina ?

História Local - Leitura formativa do 10º Ano de escolaridade: - Iniciada a sua construção em 1517 foi aberta ao culto em 1537 quando a jovem cidade de Elvas completava os seus vinte anos. Do traço do arquitecto régio da baluarte de Belém, Francisco de Arruda foi todavia o mestre pedreiro Diogo Mendes que dirigiu as campanhas de obras no referido templo e nomeadamente na composição dos alçados, do espaço, na soluçâo da sua iluminação e nas combinações dos volumes que se inserem no plano das edificações religiosas do gótico final português. Ou seja, a antiga Sé de Elvas cujo estatuto vigorou durante um pouco mais que três séculos (1570-1882) é um espaço estruturalmente do gótico final. Embora com os princípios inovadores do estilo manuelino no âmbito decorativo e estrutural ainda que só a nível da estrutura da sua cobertura. De facto, quando se contempla a fachada principal da antiga igreja de Nossa Senhora da Praça, depois de Nossa Senhora da Assunção e finalmente Sé de Elvas, verifica-se que a sua frontaria de matriz gótica tem apenas uma torre robusta coroada por uma outra, sineira de três olhais e de arco de volta perfeita nas quatro faces de coroamento piramidal. Esta solução construtiva encontra inclusivamente exemplos nos templos românicos como a Igreja de S. Martinho dos Mouros (Lamego) ou a do Priorado do Rosário (Goa) edificada durante o ciclo da expansão. Por outro lado, o portal do gótico final, desenhado por Miguel Arruda em 1550 foi definitivamente subsituído pela solução classizante em 1657 e que persistiu até aos nossos dias ? Então onde persiste o Manuelino na Sé de Elvas, no exterior nas portas lateriais e no interior nas naves onde a gramática decorativa da época da expansão comercial e marítima quinhentista é indiscutível. Também é inquestionável a solução arquitectónica de cariz manuelina, na organização das três naves, cujas abóbadas nervadas e que se projectam a partir das mísulas adjacentes nos dois andares da nave central, coroadas pela Ordem da Cruz de Cristo que guiaram os portugueses sob os ventos que sopravam nas caravelas que percorreram os mares de além mar. Postado por Arlindo Sena.

sábado, fevereiro 07, 2009

Revista Elvas Caia, nº6, Ano 2008

História Local - Publicações:- Apresentada à comunicação social, local e regional e ao público em geral a edição nº6 , da Revista Internacional e Cultura e Ciência, edição da Cãmara Municipal de Elvas e da editora Colibri. Com 267 páginas, três temáticas: História e Património; Literatura e Cultura Ibérica e Ciências Humanas e Exactas. Reune quinze autores, sendo oito Doutores, dois mestres e cinco licenciados. Por temáticas a Elvas Caia apresenta as seguintes publicações: Mafalda Sampaio ( O modelo da cidade islâmica em Portugal: O caso do estudo da cidade de Elvas); Arlindo Sena (O ofício da guerra e o castelo medieval na raia Ibérica); Ana Trigueiro Santos ( A praça militar de Elvas e o seu modelo de fortificação) ; Nuno Grancho ( O livro de Ester e alegoria na sala de sessões dos antigos Paços do Concelho da cidade de Elvas : sugestões de leitura iconográfica). Juan Carrasco Gonzalez ( Onomástica fronteriza : las aldeas de la campiña de Valência de Alcántara) ; Iolanda Ogando ( Quando Portugal é evidente : em redor dos portuguesimos e a didáctica de Português/Le; Carmen Cañete ( O desenvolvimento labírintico nas novelas exemplares) ; Maria Isabel Martínez ( La estirpe literária de Todos los nombres de José Saramago); Maria Conceição Vaz Serra (O romantismo em Portugal : Ideologias e referências. Um percurso sobre a arte de Garrett). Juan de Dios Agudo (El descubrimento de las lenguas: valor orientativo de las lenguas: valor orientativo de los errores); Paula Cristina Grilo ( Evolução do desempenho do docente : o papel da metacognição e da investigação -acção); María José Antona Rodriguez (Tabaquismo en estudiantes de la Universidad de Extremadura); Fernando Miguel das Silva Freitas (A requalificação biofísica de cursos de àgua. Princípios básicos e a aplicação prática ao ribeiro das Quatro àguas); Tiago Lopes Afonso (Rede de Natura 2000 e zonas de protecção especial no concelho de Elvas ) e Luís Zagalo ( Ser ou não ser musical, eis a questão). A revista apresenta uma tiragem de 1.300 exemplares e custa 10 euros, encontra-se à venda nas principais instituições de cultura da Câmara Municipal de Elvas. Postado Arlindo Sena.

Operação Valkira em estreia na Sétima Arte

História na Sétima Arte - Em estreia nas salas de cinema desde sexta-feira destaca-se a chamada "Operação Valkira", cuja tema se centra num atentado falhado ao chanceler alemão Adolfo Hilter que como sabemos perpetuou o regime nazi até à entrada dos russos em Berlim. A temática cinematográfica centra-se numa reflexão sobre os golpistas, no acto de traição à causa regime alemão e nas consequentes reacções dos implicados. De resto, o guião do filme realça a componente dramática e humana nos conjurados de forma interessante até ao momento da acção. É neste contexto, que se deve compreender a obra apresentada por Bryan Singer, que centra todo o desenrolar na acção num momento delicado em que a marcha da guerra e a brutalidade dos seus crimes abalaram um sector de "vanguarda" do exército nazi que considerava a morte do seu chanceler como determinante para o futuro da II Guerra Mundial. De realçar ainda a figura de Tom Cruise no papel de protagonista do coronel Von Stauffengerg. Ficha Técnica: Director - Byran Singer. Guião : - Christopher McQuarrie e Nathan Alexander. Produção : Fox. Ficha artística: Von Stauffenberg (Tom Cruise); Marechal Fromm (Tom Wilkinson) Ludwig Beck (Terence Stamp) General Olbricht (Bill Nighy) e Von Quirnheim (Cristian Berkel). Postado por Arlindo Sena.

sábado, janeiro 31, 2009

Os Elvenses ao serviço da Casa Senhorial do Infante Dom Henrique

História Local - Ao serviço da Casa Henriquina e da Ordem de Cristo, contam-se vários escudeiros e fidalgos que nascidos na vila e mais tarde cidade de Elvas, serviram o Infante Dom Henrique em terras de além, dos quais podemos destacar: - Nuno Tristão - Moço da Câmara e inicialmente criado do navegador Antão Gonçalves, além de membro da Ordem de Cristo. Foi o primeiro navegador português a transportar "gentes" do continente africano para a metrópele. Na sua primeira viagem, na rota da exploração geográfica e comercial da Costa Ocidental Africana, recebeu ordem do Infante para ir para além da Pedra da Galé. Atingindo então o Cabo Branco em 1441 (20º 46 lat. N da Mauritânia). Dois anos mais tarde fez o reconhecimento e descoberta das ilhas de Gete e Garças, ao sul do Cabo Branco e, possivelmente, a de Arguim. O seu último feito, de um dos mais significativos navegadores da época henriquina, foi a descoberta e reconhecimento da Gâmbia, onde perde a vida com mais dezoito companheiros da Casa do Infante, vítimas dos índigenas locais. Álvaro Tristão da Cunha - Navegador e escudeiro do infante e irmão de Nuno Tristão. Pedro de Elvas - funcionário do Município do Funchal, oriundo da Casa Senhorial do Infante, chega a escrivão de armas na década de 1480. Gil Fernandes - Criado do Infante Dom Henrique, desempenhou vários cargos na administração central em meados de quatrocentos na qualidade de chanceler da correição da comarca Entre Tejo e Guadiana. Mais tarde em Tânger ao serviço do Infante D. Fernando foi ferido numa expedição militar, o que voltaria a ocorrer em 1463 em Cabo Verde mas de forma mortal. Lourenço de Elvas - Navegar da Ordem de Cristo, sendo referido pela documentação como capitão de Gil Eanes desde 1446 . D. Rui Rodrigo Afonsdo de Melo - Pai do famoso alcaide de Elvas, Rui de Melo, Conde de Olivença, serviu o Infante como Governador da fortaleza de Tânger . João Rodrigues Trigueiro - Era escrivão da coroa em 1435, altura em que passa a escrivão do porto seco de Elvas, que serviu durante um breve tempo do reinado de D.Duarte sendo depois transferido para a Praça de Ceuta. Estevão Vasques Subtil- Escudeiro do Infante Dom Henrique. Álvaro Gonçalves - Era Besteiro do Couto em 1450. Mas a vila de Elvas na época quatrocentista também se encontrava na rota do gado lanígeo da Casa Senhorial do Infante que tinha o seu percurso centralizado nas seguintes localidades a partir da Serra do Caramulo, Covilhã, Montalvão, Elvas e Castela (Badajoz e arredores). Nesta perspectiva a vila de Elvas integrava-se na transumância que caracterizava a vida pastoril, no Verão o gado subia a planície e no Inverno deslocava-se para as terras altas. Em termos económicos pouco se conhece relativamente à exploração da lã, que provavelmente era utilizada para vestuário dos grupos sociais com menos posses, já que a própria da Ordem de Cristo, pelos Estatutos de 1449, consumia tecidos e panos, de origem inglesa e francesa, tal como a Nobreza europeia.Toadavia esta rota constituía uma fonte de receita considerável para a Coroa, para os municípios e para os grandes senhores laicos e eclesiásticos, que cobravam tributos pela passagem do gado nas suas propriedades, na região de Elvas as receitas eram naturalmente régias pelo simples facto de se tratar uma terra realenga. Postado por Arlindo Sena.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Um atlas carregado de interrogações

História investigação - Jonh W. Hessler, investigador da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, publicou recentemente na obra "The Naming of America" , o chamado Atlas de Martin Waldseemueller, traduzido do Livro de Cosmographiae Introductio, editado em 1507 na localidade francesa de St. Die, em cuja catedral o referido autor do mapa foi cónego. De realçar que o referido mapa, segundo fontes da referida biblioteca constitui o mais valioso da colecção da referida biblioteca norte americana, recentemente adquirido em 2003 pelo preço milionário de 10 milhões de dólares. Mas as interrogação que o referido documento determina nos investigadores norte americanos é sem dúvida, quem forneceu as informações para a sua elaboração a Martin Waldseemueller? As respostas encontradas situam-se a nível das hipóteses. E a questão que se formula, é como foi possível traçar um documento cartográfico onde o "Continente Americano" é apresentado com rigor ainda antes das viagens do portugês Fernão Magalhães e do espanhol Núñez de Balboa, por mares do Pacífico. Não se tratando de um visionário, o Doutor Jonh Hessler, aponta na sua obra, a possível informação fornecida directamente e de forma secreta pelos portugueses como a única nação na época com conhecimentos geográficas capaz de fornecer tais elementos? Porém e com a ignorância do tempo e sem conhecimento da linha de investigação específica para esta questão, pode-se questionar onde se situam os fidalgos de Elvas, estudados sem continuidade por Duarte Leite na década de 1940, que opinava que teriam sido os primeiros portugueses a desembarcar em solo norte americano ? No silêncio das hipóteses parece pois evidente que a historiografia norteamericana aponta para o descobrimento da América antes do séc. XV e a hipótese académica de mais um feito dos portugueses parece cada vez mais evidente ? Postado por Arlindo Sena.

As vanguardas históricas

Leitura formativa - 12º ano de escolaridade - " Entende-se por vanguardas históricas ou "ismos" os vários movimentos que se foram sucedendo durante o primeiro terço do século XX, até ao início da Segunda Guerra Mundial. Os mais conhecidos são sem dúvida, pela ânsia de ruptura e originalidade dos seus representantes : o fauvismo, o expressionismo e cubismo. Mas outras vanguardas não podem ser ignoradas e serão objecto reflexão a seu tempo como o Expressionismo , o dadaísmo e a arte abstracta. O Favismo considerado o primeiro movimento de vanguarda deu-se a conhecer no Salão de Outono de 1905, em Paris . A designação do termo fauvismo, decorre do termo francês fauve foi utilizada pejorativamente pelo crítico de arte Louis Vauxcelles na sua apreciação às obras ali expostas, referindo-se à forma agressiva, quase selvagem, como era aplicada a cor em tons puros e directamente sobre a tela, dependente exclusivamente das emoções dos pintores. Rejeitando todas as tendências plásticas e pictóricas que os antecederam, do Impressionismo ao Simbolismo dos Nabis, os pintores fauves enalteceram o valor da cor como elemento privilegiado da composição e representação. De facto, as suas obras têm a cor como principal protagonista, usada de forma violenta, lisa e directa, sem matizes. Os seus principais representantes são Henri Matisse, André Derain, Maurice de Vlaminck e Georges Roualt. O expressionismo desenvolve-se na Alemanha na primeira década do séc. XX, em simultâneo como o Fauvismo em França. Este movimento, cujos principais precursores foram o norueguês Edvard Munch e o belga James Ensor, desenvolve-se principalmente na Alemanha. Mais do que representar o mundo exterior , as suas telas deviam converter-se na expressão sensível dos seus mais profundos sentimentos, através de cor intensas, formas violentas e piceladas bruscas, caracterizando uma pintura cheia de energia e vitalidade. Do ponto vista artístico, essas formas identificam-se ainda pelo traço desgarrado, pela utilização agressiva da cor e a distorção das figuras pretendendo trasmitir a expressão dos sentimentos próprios, a angústia existencial, a dor e as emoções subjectivas. Os principais representantes são Emil Nolde, Ernest Kirchner, Franz Marc, Auguste Franz Make, Paul Klee ou Wassily Kandinsky. O Cubismo foi a vanguarda que dominou a cena artística parisiense entre 1907 e 1914, apesar dos seus fundadores, Pablo Picasso e Georges Braque nunca terem utilizado tal expressão. As principais características deste movimento são a recusa da perspectiva e o realce das imagens bidimensionais, fragmentado as figuras em formas geométricas para depois recontruir de novo. Verifica-se o ênfase da linha e das formas planas, para permitir o espectador não obtenha um único ponto de vista, captando as múltiplas possibilidades que o objecto ou objectos representados contêm. Os artistas mais representativos foram, além de Picasso, Georges Braque, Juan Gris e Fernand Léger. Postado por Arlindo Sena.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

O pioneirismo da imprensa liberal e republicana

História Local : - Sem dúvida que a Imprensa Elvense afirmou-se desde a primeira hora como grande defensora dos ideais liberais, através dos seus editores e redactores, que, em muitos casos e sobretudo na década de oitenta, representavam interesses partidários oriundos de Lisboa. É certo que os valores liberais oriundos da Revolução Francesa, assentes nos princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, já tinham chegado no princípio do século à cidade de Elvas, através da loja maçónica da "Liberalidade", que tinha entre os seus "associados" as pessoas mais notáveis da Cidade, o bispo de Ataíde, o General de Stubbs, o Visconde de Vila Nova de Gaia, etc. Por outro lado, o jornal mais tarde republicano, a Nação, publicado em Lisboa e distribuído numa das dependências da praça forte de Elvas, era conhecido por um número restrito de famílias Elvenses mais influentes na vida civil e militar, pondo em evidência ainda o carácter restrito e limitado da difusão e influência dos ideais liberais na vida civil da urbe elvense. Mas a imprensa periódica de Elvense, embora já consolidada durante o 1º Rotativismo, só conhece de facto um notável desenvolvimento, como imprensa de opinião, durante o 2º Rotativismo. Considerando que na primeira fase deste sistema político 1861-1878, apenas um jornal é identificado com a luta política: trata-se da Democracia Pacífica de 1866-1869, que mereceu as mais vivas referências de Eça de Queirós que, ao longo do ano de 1867, na revista da Imprensa do Distrito de Évora, destaca sucessivamente em cerca de onze edições este jornal Elvense que não só se revelava crítico da política de centralização da classe política de Lisboa, como denunciava e censurava a mesma, propondo novos dirigentes e aconselhando o próprio monarca a dar esse passo. Em termos ideológicos e apesar do carácter socializante que a Democracia Pacífica parece denotar em alguns artigos, parece-nos que não passou disso mesmo por três razões: A primeira, pelo facto do ideário inicial deste órgão de informação defender incialmente a implantação de um novo regime político, daí que muitas ideias proclamadas sejam de cariz republicano ou quando muito apresentarem um carácter socializante. Porém, o Dr. João Francisco Dubraz nunca se afirmou como tal, sendo conotado como um democrata liberal. A segunda, pela análise dos seus três anos de publicação que acentuam a sua prática liberal, apesar dos temas de análise crítica serem diferentes a partir de 1867, mas se a orientação do jornal difere da prática seguida desde a sua fundação, isso deve-se como já afirmámos devido à mudançs de objecto de crítica. Já não é a monarquia ou o poder Central, mas a classe política, corrupta e centralizadora, que impede o desenvolvimento do poder local e nestas circunstâncias encontramos por vezes artigos de apoio à causa real. A terceira justifica-se pela própria definição política do jornal, que na sua edição nº 205 afirma-se politicamente como Liberal Democrático, o que acontece pela primeira vez num jornal elvense, apesar dos artigos de opinião terem tradição e conotação política no jornalismo oitocentista. Mas como defendemos inicialmente, com o segundo rotativismo, a imprensa Elvense "ganha" um carácter ou cunho partidário que se revela nos periódicos locais. Assim, O Elvense, na sua longa vida 1880-1921, não só se afirma como um jornal Liberal independente, como mais tarde e seguindo sempre a linha liberalizante se afirma Republicano e Progressista, o mesmo acontecendo com o Correio Elvense (1889-1949) que acentua a sua tendência progressista de forma radical pelo menos até ao princípio do século. Aliás, a tendência para o radicalismo mantêm-se na Sentinela da Fronteira, onde este jornal independente, liberal e radical, apenas pretende demarcar-se do Elvense, através do Visconde de Alcântara, um monárquico muito considerado e apoiado pela classe política elvense em meados do séc.XIX pela sua influência na capital Portuguesa e nos meios políticos e parlamentares. Assim, as diferenças entre a Sentinela e o Elvense justificavam-se apenas no âmbito de acção desenvolvida por ambos enquanto claros apoiantes do Partido Progressista. Por outro lado, não podemos ignorar a luta política a nível local no interior do Partido Progressista, entre o Presidente da Câmara, Eusébio Nunes da Silva, e o Dr. João Henriques Tierno, duas figuras que não podem ser ignoradas na História Contemporânea de Elvas. E é neste sinuoso contexto que se salientam duas figuras que se revelaram daversários no campo político e companheiros na luta pelos interesses da sua Terra. Mas a violência e a propaganda republicana através da palavra torna-se evidente e definitiva nos periódicos de Elvas no último quartel de oitocentos, mas especialmente no Jornal de Manuel Araújo da Silva, Correio Elvense, que perante a questão do Ultimato Britânico classificava como vergonhosa a cedência perante os interesses britânicos, chegando a editar um suplemento sobre a mesma causa. Todavia seria o Elvense de forma subtil, após o 31 de Janeiro de 1891 que manifestava a aderência a causa republicana quando numa das suas edições classificava o símbolo da causa republicana, como uma bela canção. Postado por Arlindo Sena.

sábado, janeiro 17, 2009

O Génio do Mal

História Universal - Leitura formativa - No âmbito da sórdida e famigerada história do "III Reich", surge uma personagem macabra que alcançou um poder incomensurável que conduziu à morte milhares de judeus nos diferentes campos de concentração do império nazi. Mas como é que o arquitecto do Holocausto, um jovem bávaro, tímido e misógeno, se transformou num monstro que enquanto chefe da polícia política e secreta alemã, pensou em eliminar da face da terra todos aqueles que eram indesejáveis para a gloriosa Germânia? A resposta passa pelo facto de Himmler idealizar um mundo que ia ao encontro dos centros de poder e de decisão das cúpulas nazis e de grande parte da população alemã, humilhada pelas condições que lhe foram impostas pelos aliados no fim da Primeira Guerra Mundial, o qual devia ser controlado pelos alemães e em que não havia lugar para os judeus, eslavos, inválidos e homosexuais. É neste contexto que se compreende que no momento crucial da política de conquista do nacional-socialismo, no Outono de 1941, se alicerce no seu seio a ideia de um grande império germânico governado por um sistema totalitário que englobaria uma hierarquia racista e teria como desiderato final a elimininação da raça judaica. Himmler, tal como todos os ditadores e genocidas, teve um triste fim, tendo sido preso pelas tropas britânicas, acabando por se suicidar com uma cápsula de cianeto, no dia 23 de Maio de 1945 e o seu cadáver foi inumado próximo de Luneburg. Postado por Francisco Espiguinha.

terça-feira, janeiro 13, 2009

O significado do Cerco e da Batalha das Linhas de Elvas


História Local:- Deve ser vista em várias perspectivas e sempre no contexto da conjuntura militar, nacional e regional, assim devemos salientar: - A importância estratégica militar, que condicionou todo e qualquer avanço das tropas castelhanas em território alentejano, anulando dessa forma uma base de apoio militar a Madrid para as terras da Casa de Bragança e quando esse avanço se tornou irreal o desastre castelhano foi total. - A valentia da população elvense civil que a história tradicional ignora injustamente, considerando que o Clero a Nobreza e o Terceiro Estado (povo), apesar do auxílio exterior, sofreu sem revoltas internas e sem contestação às misérias da guerra e os bombardeamentos que o exército castelhano determinava. - A estratégia dos líderes das hostes nacionais que tornaram possível o 14 de Janeiro de 1659 e testada durante o cerco de Elvas, uma vez que antes da chegada do Conde Catanhede, já as hostes portuguesas induziam em erro os castelhanos fazendo sair do Castelo de Elvas pequenos grupos de cavaleiros que logo voltavam à base, em nítido desafio, quando o mesmo se verificasse de facto seria um desastre para os interesses portugueses . Por outro lado e apesar dos exageros da tradição, a documentação parece-nos indicar que o avanço português em torno dos castelos de linha, edificados pelos castelhanos, surpreendeu não tanto D. Luís Haro, mas a sua disposição táctica no teatro de guerra. - O potencial bélico superior do lado castelhano mais significativo neste plano do que em homens, como muitas vezes salienta na História Tradicional, quando o que de facto prevalece é o poder militar de Espanha e não o número de efectivos de guerra, porque esta, não é uma guerra medieval, e logo é o fogo que determina a vantagem e para compreender este facto de acordo com a psicologia do homem da época moderna, nada melhor de que a afirmação de ShaKespeare:




" Como foi que encontraste


ó invenção acelerada e horrível


lugar num coração humano?


A glória militar é destruída por ti


Por ti foram abolidas o valor e a coragem"




- A derrota militar incontestável que o documento "Relaçam do Sucesso das Armas de Portugal na Rota do cerco que o Castelhano tinha posto à praça em vez de Janeiro de 1959", refere um número de 5000 prisioneiros, a rendição das forças castelhanas no Monte da Graça, a fuga nocturna dos sobreviventes para Badajoz e o afogamento de alguns rios Caia e Guadiana, as numerosas perdas e abandonos de peças de artilharia, tendas e até a correspondência entre D.Filipe IV e D.Luís Haro. Nos nossos dias, o Padrâo das Linhas de Elvas ( constituído por uma coluna toscana de 4.9 m de altura, do qual se destaca sob o capitel a coroa real. Nas faces do corpo do pedestal acha-se gravado a seguinte inscrição: « Esta memória se pôs para que os mortais deêm graças ao senhor dos exércitos e vitórias; rogam pelas suas almas dos que se acharam e deram as vidas em tão singular e porfiada batalha que durou desde as 9 horas da manhâ até ao cair da noite». Postado por Arlindo Sena