sábado, junho 11, 2011

Henri Matisse vencia a Bienal de Veneza.


Retrato com risca verde, óleo sobre tela, 40.5 x 32.8 cm ( 1905)


A Dança, óleo sobre tela, 259,7 x 390 cm (1909) 


Alegria da Vida, òleo sobre tela, 1.74 x 2.38m, 1906/06

Em 11 de Junho de 1950, Henri Matisse (1869 -1954) vence o prémio de Pintura da Bienal de Beleza. A sua carreira pictórica inicia-se sob orientação de Gustave Moreau, depois de uma breve experiência pelo pontilhismo opta por uma composição mais expressiva, onde a cor predomina, evidenciando a influência de Van Gogh e Paul Gaugin. Na sua formação pictórica muito contribui a sua formação e conhecimento da arte africana e oriental. Faz parte do grupo dos Fauve que expõe no Salão de Outono de 1905 em Paris e analisa racionalmente o objecto de representação do Cubismo e opta pela máxima complexidade expressa com a máxima simplicidade, numa atitude crítica a intuição sintética cubista. Aliás a sua simplicidade de representação é sem dúvida uma dádiva à pintura contemporânea, de facto a sua obra reflecte a omissão dos detalhes mas as cenas conservam os elementos essenciais da forma plástica e da profundidade espacial. A sua obra, juntamente com a função criativa da cor, aprofundada, sobretudo após o período Fauve, as potencialidades da linha e do arabesco. Na última fase, da sua carreira o contínuo processo de síntese aproxima-o da abstracção, sobretudo após 1950, como é exemplo, “As guaches pintadas”. A sua obra compreende também a escultura e a cerâmica e  as técnicas de incisão e colagem.          

sexta-feira, junho 10, 2011

A polémica biografia de Ghandi faz notícia na Índia

Joseph Leyveld, vencedor do Prémio Pultizer e antigo correspondente do The New York Times, volta a ser notícia agora pela publicação de uma polémica bibliografia, sobre Mahatama Gandhi (1896-1948) que titulou de Great Soul (Alma Grande).  A obra tem sido motivo de debate e tem gerado alguma discussão no seu país natal, uma vez que a mesma põe em causa a imagem idealizada do líder pacifista. Nesta perspectiva, o autor reproduz algumas revelações polémicas, como alguns comentários atribuídos a Ghandi de perfil xenófobo, como é o caso da sua visão sobre os zulus que considerava “ problemáticos, sujos e vivendo como animais”  ou algumas reflexões polémicas, como a atribuição de uma relação de carácter homossexual, do líder indiana com Herman Kallenbach, arquitecto e fisioterapeuta, a partir da reprodução de cinco cartas nas quais se encontra expressões comprometedoras como “sempre estás na minha mente” ou “ tomaste completamente a posse do meu corpo”. Esta revelação tem sido mal acolhida na índia onde a homossexualidade é proibida por lei desde 2009 e a referida biografia está proibida na sua terra natal, Gujarat. Cujo governador do Estado a que pertence tal circunscrição administrativa, Narenda Modi declarou que a obra de Joseph Leyveld é difamatória e preserva e como tal tem sido censurado em território indiano.              

8.3. A sociedade contemporânea (1850-1930) : Os militares.

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A militarização da Praça de Elvas uma realidade secular entre as Guerras Peninsulares e a Guerra Colonial


O forte da Graça, reduto da resistência liberal e absulotista nas guerras liberais  


Os militares ocuparam a hierarquia dos poderes na cidade de Elvas até ao início do Estado Novo. 


A G.N.R. um futuro para os jovens com pouca escolarização 
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O tempo da presença militar como força organizada e profissional de um estado nacional na cidade de Elvas é uma realidade recente, inicia-se com o estacionamento militar das forças nacionais durante a Guerra Peninsular, mas torna-se evidente com a consagração do estado liberal. De facto, após a Revolução Liberal de 1820, uma nova “classe de índole profissional” afirma-se na sociedade elvense, o tempo dos Generais e dos Brigadeiros, como autoridades locais torna-se evidente na relação com o poder central, o espaço urbano está confinado às exigências militares e até à ao Estado Novo a figura do governador da praça militar se projecta para além dos poderes civis. Do ponto vista, da presença militar ao contrário de algumas opiniões sem fundamento científico, os militares estacionados na cidade foram sempre leais às causas nacionais. Não é verdade que Elvas tenha sido um reduto miguelista e apenas a arma de infantaria nº3 estacionada no Forte a Graça se manifestou a favor da facção miguelista durante a Carta Constitucional de 1826/1827. Por outro lado, as forças miguelistas jamais ajudaram os miguelistas elvenses e o General Magnessi que comandava a Divisão miguelista do Alentejo, não tomou uma atitude solidária e nesse âmbito, os trinta e dois soldados do destacamento de Infantaria nº5, que aderiram à causa absolutista, apenas encontraram protecção para as suas vidas na Vila Nova de La Serena. Com a Regeneração, a vitalidade da Praça Militar de Elvas tornou-se evidente nomeadamente durante as Campanhas de África na década de 1880, quando viu reforçada a sua valência como espaço de estacionamento militar, função, essa reforçada durante a Guerra Civil de Espanha e mais tarde durante a Guerra Colonial. Do ponto vista estritamente profissional, o tempo dos generais durou de forma consolidada até 1876, numa época em que a carreira militar e a origem nobre ainda estava associada, como são exemplo o Visconde de Sá da Bandeira, o Conde de Lumiares, o Barão de Claros ou General Furtado de Mello, da melhor nobreza de Portugal. Durante a monarquia constitucional a maioria dos oficiais de carreira eram homens distintos oriundos da nobreza ou da burguesia, vivendo à margem da sociedade local, com alguma presença nos actos sociais nas casas nobres da cidade nomeadamente na casa palaciana da Condessa de Tarouca e outras da região. Nos finais do séc. XIX alguns oficiais de média, patente, já iniciam a sua participação nos espaços de lazer local nomeadamente no Clube Elvense e o número da oficialidade com origem em Elvas aumenta notavelmente na transição para o século XX, o “ser militar” torna-se uma opção profissional. O poder económico e a formação escolar distinguia os filhos dos grupos mais abastados, os filhos das famílias mais modestas durante a I República, aumentavam as fileiras do exército português, os que se distinguiam no estudo, chegaram às patentes superiores do exército, outros adquiriam a sua escolaridade no exército chegando à patente de sargentos e os menos aptos cumpriam o serviço militar e aspiravam integrar a nova força policial a GNR. Clandestinamente primeiro e efectivamente depois os militares na Praça Militar conspiraram contra a Monarquia Constitucional e contra a República como mais tarde teremos oportunidade de verificar.




sexta-feira, junho 03, 2011

8.3. A sociedade contemporânea : as classes populares -1850-1926

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A pobreza e a miséria estava associada quase sempre às "crises do trabalho"  na região do Caia
(foto de Fernando Silva Dias, in Campo Maior a Preto e Branco, coordenação de Luís Dias Caraças)


Os portais das Igrejas de Elvas foram os anjos da guarda de muitas crianças da região 


O chefe da República Nova ascendeu à categoria de Santo para as classes pobres de Elvas

A maior parte da população estabelecida no Distrito de Portalegre após os ventos do Liberalismo, estava directamente ligada a vida agrícola, realizando na sua vida quotidiana, uma serie de tarefas agrícolas complementares que incluía a pastorícia, em troca de um precário salário e formando em consequência um verdadeiro “proletariado rural”. Segundo, o Grande Dicionário de Língua Portuguesa de Domingos Vieira, caracterizava estes indivíduos que viviam do sustento do seu árduo trabalho nos campos, por oposição a classe dos grandes proprietários como “ homem do campo”, “sem educação”, “grosseiro”, “áspero e descortês”. Na imprensa periódica de Elvas, na época da Regeneração as expressões, “pobres homens”, vagabundas” e ”miseráveis”, era as mais comuns para identificar, este multidão de trabalhadores rurais que trabalhavam nas herdades locais mediante um contrato de trabalho de natureza variável correspondente às diferentes funções que exerciam, (tais como, guarda da herdade, sota, boieiro, ganhão entre outras) … De referir também que até final do séc. XIX uma parte significativa das prestações a pagar pelos proprietários rurais, não se exprimia em dinheiro mas em géneros, mas em comum durante várias décadas de Oitocentos era a época de pagamento que no concelho de Elvas, ocorria no final de cada colheita agrícola mas quase sempre durante o período da Festa de São Mateus, onde este trabalhadores rurais, por vezes iam adquirir os produtos artesanais ou agrícolas, que eles próprias tinham produzido com a força do seu trabalho. Aos trabalhadores locais, juntavam-se os itinerantes oriundos das Beiras que depois de fazerem a campanha dos cereais de Elvas, dirigiam-se para Badajoz, estes homens de trabalho, eram de resto muito “apreciados” pelos proprietários rurais da raia Alentejo/Extremadura, uma vez que estavam dispostos a realizar qualquer trabalho por salários muito baixos, que não eram de resto aceites pelos trabalhadores locais. A sua presença na cidade elvense não passava despercebida pela população local, não só deslocavam em grande número, chegavam à centena, como envolviam-se em lutas por vezes violentas quando tinham que dividir os ganhos obtidos pelo grupo e que era repartido pelo encarregado da camaradagem. Aliás a violência, era algo que perseguia estes trabalhadores itinerantes sobretudo quando chegavam à Extremadura Espanhola, nomeadamente em tempos de crise económica, aliás a documentação extremenha, refere a expulsão e a violência dos ratinhos portugueses em períodos de desemprego em Espanha nomeadamente na crise económica de 1898. Todavia, alguns acabavam por se fixar na cidade de Elvas, após o fim das campanhas agrícolas e uma parte dos mesmos durante algum tempo era identificados com a prática de mendicidade. Todavia, a mendicidade que marcou os finais do séc. XIX em Elvas não era apenas extensiva aos ratinhos das Beiras. E nesse sentido as bolsas de pobreza segundo a documentação oficial eram identificadas segundo três grupos: a ) Pobres por incapacidade de assegurar o seu próprio sustento, como meninos, enfermos e presos; b) pobres aptos para o trabalho mas incapazes de se alimentar ou vestir os seus dependentes como os desempregados, viúvas ou trabalhadores com famílias numerosas ou pobres que tinham a possibilidade de trabalhar mas eram identificados por um comportamento ocioso e marginal. Era o caso, dos “falsos pobres”, “vagabundos” ou “contrabandistas ocasionais”. O certo é que a questão da pobreza e da miséria, não deixava indiferentes certos sectores da sociedade elvense e uma das primeiras figuras da história da solidariedade em Elvas era sem dúvida o Brigadeiro José Maria Baldi, Governador da Praça militar de Elvas que durante os primeiros decénios da Regeneração criou o Asilo da Infância Desvalida com o apoio das classes mais abastadas da cidade e inclusive da própria Coroa a quem pediu apoio para esta instituição, que servia dezenas de órfãos portugueses e espanhóis, numa época em que alguns extremenhos recém-nascidos eram abandonados com alguma frequência junto dos portais das Igrejas da cidade de Elvas e particularmente junto da Igreja de São Domingos. A Casa da Misericórdia, com as suas festas de beneficência, com vista a aquisição de meios financeiros, não só para sua manutenção mas também  no apoio à multidão de desfavorecidos que apoiava, a Igreja e a acção de alguns particulares, eram outros patronos dos mais pobres que em Elvas encontra durante o Sindonismo pela primeira vez o apoio estatal com a criação da sopa das pobres nos finais da I República.            

segunda-feira, maio 16, 2011

A Fotografia Contemporânea: A Escola de Paris.

Eugéne Atget, Prostituta, 1921, - 23.2X17.4 cm.

André Kertész,Champ Elysées, 1930 - 24.5x18 cm.


 André Kertész, entre a fotografia e a arte propriamente dita.
 Brassai, Amor de Marinheiros, 1933 - 29.3x22.8 cm
 Henri Cartier Bresson, Sringar, Casemira,1948,27.3x39.9 cm.

Robert Doisneau, A noiva de Cégéne, 1948 - 30.5 x 23.9 cm. 

A fotografia contemporânea confunde-se com os trabalhos de Eugéne Atget (n.1856) , que tinha como objecto o registo das facetas da cidade da luz, que  não mereceram numa primeira fase um olhar artístico sobre a riqueza dos mesmos. Na verdade, a sua inspiração pelos recantos instantâneos do meio ambiente estavam em contraste com os trabalhos inerentes da imaginação, que versavam as obras de Braque, Picasso, Duchamp ou Man Ray. A sua obra reflecte uma intensidade subtil e uma perfeição técnica que acentuam a realidade, até mesmos nos registos mais banais. De resto são poucos os fotógrafos que igualaram a sua capacidade de criar composições simultaneamente bi e tridimensais. Entre os seus seguidores directos e que constituem a chamada “Escola de Paris”, destaca-se André Kertéz (n.1894), cujos registos, destacam-se pelo isolamento central da figura central relativamente à composição apresentada. Brassai (n.1889) , tal como Kertéz não era francês por naturalidade mas por adopção, nascido na Transilvânia, voltou aos cenários parisienses, fotografando os costumes e os ambientes e de uma forma particular os ambientes boémios. Cartier Bresson (n.1908), considerado o primeiro fotojornalistas por alguns críticos foi sobretudo um artista do ponto vista dos seus objectivos e da sua técnica. A sua obra reflecte a influência da arte abstracta moderna. O Futurismo e a ironia do Dadaísmo, numa palavra o movimento está latente no registo das suas composições, que o distingue dos restantes seguidores da Escola de Paris, tal como a fronteira do seu registo que se alarga definitivamente ao espaço universal.  Sem a notoriedade de Cartier Bresson, destaca-se Robert Doisseau (n.1864) como o fotógrafo mais próximo do ”fotógrafo-artista”, não pela técnica,  nem pelo movimento mas pela clareza de registar como nenhum outro o acaso das fraquezas humanas tratadas com grande humor. Robert Doisneau, era um fotógrafo autodidacta que registava as suas imagens durante os seus passeios pelas ruas de Paris. O que tornou Doisneau famoso foi a sua "fotografia de rua", em inúmeros instantâneos, documentou com humor e empatia a vida dos subúrdios de Paris.            

sábado, maio 07, 2011

8.2. A sociedade contemporânea: As características da classe dominante - 1850-1930

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 O palácio dos Marqueses de Alegrete o símbolo do aristocracia oitocentista.
A família Bagulho em menos de um século juntou lavradores, intelectuais e militares.

A elite dos lavradores na época áurea da agricultura elvense com o Ministro do Estado Novo, Arantes da Oliveira 

A maioria da sociedade elvense que se afirma a partir de meados do século XIX é marcada pela afirmação de novas gentes que se fixam em território elvense entre os finais do século XVII e o primeiro quartel do século XIX. Ou melhor, pouco mais que 32.7 % das famílias registadas no cartório notarial de Elvas algumas dezenas de anos antes da época da Regeneração têm a sua origem nas vilas ou na cidade raiana. E de um modo geral, a sua origem é popular e apenas meia dúzia de famílias tem origem nobre e a excepção é praticamente os marqueses da casa de Penalva. Uma vez que os restantes titulados o foram durante a monarquia constitucional por comenda e não pela origem de sangue como se observa com maior atenção na aristocracia portalegrense. Mas quando se chega a meados do séc. XIX, podemos já encontrar indícios de uma nova sociedade que chega aos nossos dias, mas que nada tem a ver com o passado histórico da cidade e é sobretudo um produto da Revolução Liberal. Na verdade quando se chega ao final do século XIX a “classe dos proprietários” afirma-se como grupo dominante, integrando os lavradores como grupo maioritário que foi sem dúvida o que mais evolui, pois mais de 85% das principais famílias tinham a sua origem em pequenos arrendatário e algumas tinham mesmo uma origem social humilde. Mas no grupo dos proprietários, agrupavam-se ainda os comerciantes, muito deles com origem na Sertã e os militares cujo prestígio estava determinado pela sua posição no exército português. Porém no seio dos proprietários agrícolas no final da primeira metade haviam já algumas famílias que se distinguiam das demais, como era o caso das famílias Bagulho, Gonçalves, Barbas e Rasquilha, as duas últimas com afinidade à nobreza local e regional, no caso da família Rasquilha o seu reconhecimento social advinha da sua riqueza inicialmente concentrada na vila de Arronches. Outras, estavam ainda dependentes do arrendamento de propriedades da Casa de Bragança, Cadaval e de alguns burgueses lisboetas como Lança Alvim ou João Miguel Barreto, que tinham o monopólio das grandes propriedades do concelho. Nas décadas de 1880/90 a intensificação de compra de herdades pelas famílias locais arrendatárias torna-se uma evidência na relação de compra/venda das propriedades agrícolas (herdades), numa época em que o investimento agrícola era complementar à actividade agrícola, neste âmbito distinguia-se a família Nunes da Silva oriunda das Beiras e cuja fortuna se constituiu na prática comercial antes de se tornaram também grandes lavradores da cidade e em pouco tempo, uma família de referência local e regional pela sua intervenção na vida política. Também inicialmente fora do seio da prática agrícola, destacava-se outra família com origem na região centro a família Lopes cujo poder aquisitivo estava relacionada pela sua prática prestamista que permitiu que ainda antes da década de 1890 fosse uma família de posse e de referência na vida social e económica, de quem dependiam os pequenos/ médios proprietários agrícolas por força dos empréstimos a quem estejam sujeitos por contrato. Fora do contexto agrário, distinguia-se no grupo dos proprietários a família Torres de Carvalho, com origem na então vila vizinha de Estremoz e  a família Mendes, cujo fundador da família José Mendes tinha a sua origem na Sertã como os Nunes da Silva e que da relação com o seu amigo Baltazar Paiva, nasceria a firma Mendes & Paiva com fins comerciais. No final do século XIX a elite económica da cidade tinha uma origem social exterior há cidade e procedia o seu enriquecimento económico através do arrendamento de grandes herdades que em pouco tempo, passavam para sua tutela considerando que se tratavam não de arrendatários mas de proprietários arrendatários com capital de remate era o caso de José Mendes, Lobão Rasquilha e José Lopes que se tornavam proprietários das melhores herdades do Conde de Tarouca. Na viragem do século, a propriedade não só significava riqueza como distinção, por isso mesmo alguns militares, médicos e industriais, procuravam então o estatuto de lavradores, como eram os casos do Dr.António Cidrais ou José Guerra, próspera e rico, o único com verdadeiro estatuto para tal no município de Elvas. Mas se os novos-ricos “sonhavam” com a aquisição da herdade, os grandes lavradores, bem sucedidos há muito tinham iniciado um verdadeiro processo de “nobilitação” com aquisição das Quintas e Solares, identificadas com as Casas Agrícolas como era o caso da Quinta de São João adquirida em 1872 por José Joaquim Gonçalves ou o “Solar dos Mesquitas” pelo Dr. Santa Clara que apesar de tudo tinha ascendência nobre apesar de ser uma das figuras mais prestigiadas da cultura oitocentista. De resto, o Dr.Santa Clara, o Visconde Cristovão Vasconcellos de Andrade, proprietário de uma casa palaciana de gosto itálico e o Visconde de Alcântara com a família da Marquesa de Alegrete e Condessa de Tarouca, identificadas com o grupo dos lavradores distinguia-se pela sua origem nobre e pela ligação à Casa Real. A este núcleo fechado abria-se excepção aos oficiais superiores do exército quase sempre os Governadores da Praça e a número muito restrito de proprietários, como eram o caso do Sr. Rodrigues Tenório durante várias décadas “tutor” das terras da “marqueza”, os Rasquilhas, pelo prestígio de essa grande figura do eixo Arrronches – Santa Eulália e Campo Maior, o deputado Progressista Lobão Rasquilha e os Bagulho, por via do Dr. João José Bagulho, médico que se distinguia pelo trato e educação numa sociedade fechada e profundamente ruralizada. Da I República ao Estado Novo, a classe dos proprietários, alargou-se significativamente em função da riqueza agrícola através de uma política matrimonial que acabou por cruzar as velhas famílias de posse com as que cresceram antes e depois da I República.

sábado, abril 30, 2011

O Renascimento Veneziano : as obras de Sansovino e Palladio


 A obra de Sansovino manifestou-se na renovação urbana de Veneza




 A colunata movimentada foi uma influência da sua formação romana


 As grandes cúpulas uma das marcas da obra de Palladio em Veneza
As últimas experiências de Palladio denunciam já as influências do Maneirismo.
Em Veneza, a experiência construtiva é resultado da sua própria história, na verdade a urbe italiana, não resultou da inspiração da Antiguidade, mas foi antes o resultado das experiências de mestres e artistas que desenvolveram a sua obra em território veneziano. Entre eles destaca-se, Andrea Sansovino, que se formara em Roma e que chega em 1527, permanecendo em Veneza cerca de quarenta anos até ao fim da sua vinda. Na sua obra é visível o processo de renovação da linguagem arquitectónica veneziana, traduzida nas severas formas classicistas de influência dos grandes mestres romanos como Bramante e Rafael, numa expressão mais dúctil, decorativa e movimentada que tão bem se expressa na cidade lagunar. Os melhores exemplos foram os edifícios edificados em volta da Praça de São Marcos, cuja fachada são modeladas através de um jogo notável e eficaz de claro-escuro, obtido através da disposição de elementos clássicos e de um notável aparato plástico. Outro mestre de relevo, Andrea della Gondola, mais conhecido por Andrea Palladio, vindo de Pádua, chega a Veneza, com a função de cinzelador em 1537, mas doze anos depois é o responsável pela reestruturação do Palácio Regione. A estrutura englobava a construção gótica anterior de dois pisos, que seria renovada segundo os princípios renascentistas. Na sua fachada, introduziu duas filas sobrepostas de arcos serlianos, rematada por uma bela balaustrada, na qual se levanta uma serie de estátuas, em correspondência com as colunas que se erguem no primeiro piso, dividindo os espaços dentro dos quais se encontram os arcos, supotados por colunas pequenas. Mas, a influência de elementos arquitectónicos de matriz romana, é evidente na utilização da janela em arco, denominada serliana, e na faixa de tríglifos e métopas que separam os dois níveis. A sua carreira em Veneza jamais seria igual quer na edificação de espaços públicos quer privados, destacando-se nesse âmbito uma série de villas por encomenda da nobreza veneziana. De resto, Andrea Palladio, fecha o ciclo das obras renascentistas em Veneza, com a edificação de três espaços religiosos, duas, San Maggiore (1556) e a do Redendor (1557), que estão localizadas nas ilhas limítrofes. Neste âmbito, destaca-se sem dúvida, a do Rendero II iniciada em 1577, de planta centrada, com Cúpula de três conchas sobre o cruzeiro. Cujo acesso se concretiza pela anexação de uma nave central com abóbadas de berço e capelas em forma de nicho. A Fachada com colunas duplas de ordem colossal no portal e no pórtico um frontão, denunciando desde logo a tendência maneirista neste espaço do Renascimento tardio.

8.1.3 - A afirmação do comércio Elvense numa cidade agrícola.

 O mercado local um faceta da actividade mercantil de base agrícola e artesanal que se manteve na Época Contemporânea.
A publicidade na Imprensa local contribui para a especialização do comércio durante as décadas de 1880-1890

A Rua da Cadeia pioneira do comércio contemporâneo em Elvas

A época da Regeneração foi sem dúvida um período determinante para o desenvolvimento do comércio elvense, que até então era sobretudo uma actividade subsidiária da prática agrícola com base na exploração dos seus produtos. Uma realidade que percorre a história económica da cidade desde os tempos medievais, em que o tendeiro, o mercador ou almocreve, asseguravam o sustento da sua actividade a partir dos excedentes agrícolas e de um conjunto mínimo de produtos manufacturados produzidos nos núcleos populacionais mais próximos das suas “rotas comerciais”. A viragem para uma actividade económica, de matriz exclusivamente comercial ocorre na principal cidade da região do Caia, pelo menos desde a década de 1870, numa época em que a população portuguesa não só se limitava como crescia e deslocava-se para os centros urbanos onde a prosperidade era visível. Não podemos ignorar que na cidade de Elvas,  o seu núcleo urbano cresceu muito rapidamente até ao fim do século XIX, assim em 1878 contava com cerca de 10.471 almas e em 1900, altura em que se verifica o primeiro abrandamento no ritmo de crescimento populacional a cidade atingiu um número de efectivos de cerca de 13.981 habitantes ou seja um índice de crescimento de cerca de 186% em cerca de 36 anos. Ao mesmo que crescimento médio da população rural era evidente durante o mesmo período cronológico, embora disparando mais tarde, por volta de 1887 quando cerca de 9.006 constituíam os valores efectivos da população rural. Todavia, entre a Regeneração e o final da I República, não só a existência de uma população próspera em trabalho e com um salário pago periodicamente, favorecia o desenvolvimento das práticas comerciais como também uma serie de estradas locais e regionais, facilitavam essas trocas e permitiam a prosperidade do negócio. De facto, em vésperas da implantação do Estado Novo, a Linha de Leste tornava-se um veículo fundamental para a especialização de estabelecimentos comerciais como também a rede viária sofrera uma forte reforma com um crescimento médio de novas vias à média de 5.1% desde 1922 com excepção do ano de viragem de regime, com o 28 Maio de 1926 em que o número de estradas municipais construídas não ultrapassa os 1.9%. Na verdade entre a Regeneração e o final da I República, não faltavam consumidores mas também de vias necessárias para canalizar os excedentes. E nessa perspectiva, a Linha de Leste facilitava a modernização do comércio regional colocando nas terras do interior de Portugal as novidades que se vendiam na capital. Mas, a cidade comercial propriamente dita como um espaço organizado afirma-se no final da década de 1870 e afirma-se na década seguinte, de tal forma que se publicava na cidade, duas vezes por semana, um periódico gratuito que informava e publicitava os produtos e as actividades de natureza comercial. Na década de 1860, a principal zona comercial urbana desenvolvia-se ao longo da Rua da Cadeia, as mercearias e as lojas, eram os estabelecimentos tipos e o Hotel Central a principal unidade hoteleira da região também estava sediado nesta artéria da cidade. Na década de 1870, a Rua da Carreira entrava na concorrência mas a maioria dos lojistas continuavam concentrados na Rua da Cadeia. A Rua do Alcamin entrava na disputa nas duas últimas décadas do século XIX e tornava-se um espaço de referência durante a República, o calçado, as lojas de vestuário e as ourivesarias, foram sem dúvida os estabelecimentos que vieram a valorizar aquela artéria urbana, que tal como todas as outras tinham uma ou duas mercearias no seu espaço. A viragem para o século XX, quando a cidade de Elvas era já referenciada como um pólo comercial e agrícola de referência regional, novas artérias juntavam-se ao aglomerado urbano, nomeadamente as Ruas Pereira de Miranda e da Princeza Dona Amélia que constituíam juntamente com as ruas comerciais que se foram desenvolvendo nas décadas anteriores a zona comercial da cidade. Do ponto vista da estrutura comercial da cidade a mercearia como local onde se vende um pouco de tudo e algumas delas eram agentes de algumas casas comerciais da capital, persistem com vigor até a década de 1890. Os serviços nomeadamente os transportes, as seguradoras e os agentes de actividades várias como por exemplo a bancária já estavam sediadas no final de Oitocentos. No final da I República, o comércio tinha já um estatuto próprio, não dependia da prática agrícola e resultava já de um pequeno investimento dos particulares, com uma estrutura de matriz familiar. Os poucos comerciantes de sucesso nos finais do século XIX, identificavam-se com a classe dos proprietários e eram reconhecidos na sociedade local como lavradores, numa época em que o poder ou a capacidade económica estava associada à casa agrícola como factor de criação de riqueza. Os lojas de especialidade e em contraste com as mercearias e as oficinas que se concentravam igualmente no traçado urbano, eram a novidade e esboçavam os traços comuns de um comércio virado para uma sociedade de consumo. Mas o conservadorismo, de uma mentalidade adversa à mudança continuava a persistir no modelo de muitas lojas que na verdade não eram diferentes das mercearias que foram as pioneiras do desenvolvimento do comércio local e que persistiram ao logo do séc. XX.                           

sexta-feira, abril 22, 2011

O Modernismo Catalão e a obra de Antoní Gaudi....


A Sagrada Famíla (1883)


Parque Guell

A Casa Milá


As artes decorativas uma realidade que Gaudí associou à arquitectura.

O Modernisme é um movimento artístico que se desenvolveu a partir de meados do século XIX com semelhanças à Arte Nouveau e que marcou a arquitectura catalã entre 1880-1910. Como estilo artístico, foi influenciado pelo chamado romantismo nacional que promoveu o estudo e a retomada da arquitectura e do idioma catalão e pelo progressismo, que observava a ciência e a tecnologia, como fundamento para o desenvolvimento da sociedade moderna. Estas duas influências aparentemente diferenciadas acabaram por ser determinantes na arquitectura catalã como provam as cerca de mil edificações que então se edificaram, sobre o risco de figuras como Domènech i Montaner, José Puig i Cadafalch e Antoní Gaudi. As suas obras edificadas, ecléticas e expressivas, destacam-se sobretudo pela ornamentação integrada no próprio edifício, enfatizando o seu projecto, função e construção. Em pouco tempo, o Modernisme se confundiu com a obra de Antoní Gaudi cuja obra inicial evidencia outra influência da arte internacional, o movimento Arts and Crafts, visível na abordagem no acto de projectar cada aspecto dos seus edifícios. Ou do mestre da arquitectura francesa Eugène Emmanuel Viollet le-Duc que preconizava o regresso à Idade Média e de uma forma particular à reconstrução gótica com base nas novas tecnologias. A primeira grande encomenda e que se tornou uma referência do seu legado para a arquitectura contemporânea foi sem dúvida a Igreja da Sagrada família proposta ao mestre catalão em 1883 e que constitui o centro da sua actividade como arquitecto até ao fim dos seus dias. Às estruturas góticas existentes acrescentou espirais com aparência mouriscas, decoradas com azulejos de cerâmica, onde se destaca a riqueza cromática, dando uma nova visualidade ao espaço construtivo. A Sagrada Família reunia os valores apetecidos por Gaudi e respondia às suas convicções pessoais mais íntimas, experimentadas em menor escala na cripta de Santa Coloma de Cervelló, de 1898. Na Sagrada Família até a sua morte, Gaudi deixou uma marca expressa nas duas silhuetas que se elevam sobre o casario da cidade catalã, em que se destacam as suas altíssimas torres de agulha afiada, pináculos cónicos com rendilhados e remates florais. A faceta racionalista expressa na obra edificada mas sobretudo nos desenhos e maquetas que o autor deixou como um documento aberto que permite que um século depois a sua obra tenha continuidade. A sua amizade com o grande industrial, Don Eusebi Guell permitiu-lhe trabalhar a um ritmo intenso face á variedade de encomendas como por exemplo a Casa Guell em 1888 o Parque Guell em 1900/14). O seu racionalismo estruturalista e a integração da arquitectura com as artes decorativas e o desenho industrial, percorre a sua obra que se expressa também na arquitectura privada como as chamadas casas de Gaudi. Na Casa Milá, de 1906, destaca-se pelo emprego de variado material de construção, pilares de pedra e tijolo, vigas de ferro, abóbadas à catalã, evitando as paredes de descarga e permitindo uma maior liberdade na distribuição das cargas. A organização da fachada é outro aspecto, que se cinge ao exterior  como uma parede que se sustenta a si próprio: Gaudi moldou-a como matéria plástica de linhas curvas côncavas e convexas, ondas de lava solidificada parecendo ser a massa pétrea com que a casa Milá se sustém. A Casa Batló, que na verdade não era mais do que dois prédios de apartamentos, cuja intervenção exterior se combinava com a concepção do mobiliário, evidenciando um gosto pelas formas orgânicas, mediante o emprego de determinados motivos, como por exemplo conchas. Embora o Modernisme e a Art Noveau internacional tenham tido uma vida curta, destacaram-se pela capacidade expressiva na arte e na arquitectura do século XX.                       

quarta-feira, abril 20, 2011

8.1.3. - A experiência fabril num concelho agrícola entre a Regeneração e a I República

 A mecanização foi um desafio para elite económica elvense



A Companhia de Moagens a Vapor um exemplo do associativismo da elite económica local no final de Oitocentos.


 Os moinhos e as azenhas outra forma de assegurar a importância da moagen dos cereais no distrito.

Em meados do século XIX a indústria no Distrito de Portalegre estava praticamente limitada a um conjunto de unidades fabris que se situavam na cidade capital verdadeiro pólo industrial desde os tempos da Fábrica real. Todavia, a indústria manufactureira da cidade de Portalegre atravessava uma crise sem precedentes face às dificuldades económicas que atravessavam o sector. A sul do distrito, distinguiam-se apenas duas unidades fabris, com alguma dimensão e cujo existência, se devia à aplicação de capital privado como era o caso da Companhia de Moagens a Vapor em Elvas na transição para o século XX ou a  Fábrica de moagens a União de Campo Maior  já em pleno século XX (1928). No caso, elvense a realidade industrial desenvolveu-se timidamente e não privilegiou os têxteis como no caso portalegrense e a exploração da cortiça jamais teve a importância económica que marcou a economia oitocentista da capital do distrito. A moagem seria um sector em franco desenvolvimento, na continuidade da tradição da realidade norte alentejana desde o século XVII, os moinhos hidráulicos ou eólicos povoavam o solo das aldeias agrícolas em solo elvense como eram os casos particulares de Vila Boim e Santa Eulália. Na verdade, eram os pequenos proprietários que se afirmavam como os “grandes investidores” na pequena indústria da moagem podendo ter rendas anuais segunda a documentação na ordem dos 17.000 réis. De um modo geral, tratava-se de modestos proprietários que junto das suas pequenas hortas e pequenas parcelas de cerais possuíam o seu moinho ou azenhas, no caso particular das pequenas parcelas na margem do Guadiana. Sem concorrência, identificavam-se os moinhos edificados pelos proprietários das herdades que procediam à moagem da sua produção cerealífera que lhes rendia um valor médio próximo dos 60.000 réis. De forma generalizada e até aos finais do séc. XIX, a moagem no município elvense continuava limitada pelos seus equipamentos tradicionais de matriz medieval, mas fundamental num concelho em que o aumento populacional determinava desde logo determinava maior consumo do pão na dieta alimentar da sua população. Porém, com a lei de 1899, que ordenava que a indústria da moagem implicava a utilização da máquina na moagem , mas esse processo de mecanização na indústria elvense já tinha sido iniciado em 1884 com a Companhia de Moagens a Vapor, uma sociedade anónima que associava não só uma parte significativa de lavradores mas também os comerciantes com maior capacidade económica da cidade e das localidades rurais do concelho. O sucesso deste empreendimento fabril tornou-se evidente à medida que se avançava pelo século XX e em função da importância das bolachas e massas alimentícias no espaço regional. Um pouco por todo, o território agrícola local, identificavam-se os lagares e as azenhas ( nas masrgens do Guadiana), destinados à transformação dos produtos agrícolas e de modo geral propriedade dos arrendatários bem sucedidos e identificados então já como prósperos proprietários. Outras indústrias com alguma importância na economia local e regional, foram sem dúvida a fábrica da família Guerra e Irmão, que tendo uma dimensão manufactureira de matriz tradicional, chegou a alcançar os mercados inglês e brasileiro, com as suas frutas doces, as ameixas de Elvas que chegaram a obter reconhecimento internacional com vários prémios conquistados nas Exposições Internacionais de Paris (1955), Porto (1861 e 1877), Lisboa (1864 e 1884) Filadélfia (1978) e Rio de Janeiro (1878). A fábrica os irmãos Guerra no início do século XX, tornou-se uma das mais modernas da região com a aquisição da máquina a Vapor “Rutton”, mas que não dispensava uma mão-de-obra de cerca de cem operários. Não menos importante à dimensão regional era a fábrica de António Duarte Brazão, que durante décadas foi o fornecedor do transporte de carros movidos por cavalos ou mulas, aliás só com a ameaça do automóvel que esta firma sofreu os seus primeiros golpes do ponto vista financeiro. A sua capacidade produtiva, situava-se no fabrico de quase meia centena de veículos sem motor ao ano, para além de todo um conjunto de actividades de reparação. A empresa obedecia já a uma organização pré-industrial com serviços de pintura, carpintaria e serralharia. Outra, firma de pequena dimensão, numa Praça militar era sem dúvida a oficina do metalúrgico, Alfredo Guedes que chegou a fornecer ao exército português por encomenda do Governador da Praça Militar de Elvas a requisição de dezoito espingardas. Numa cidade fortemente agrícola e em pleno desenvolvimento comercial, a indústria não tinha de facto grande impacto económico, predominando o trabalho artesanal onde se destacavam um pouco por toda a cidade numerosos operários ou artesão, como carpinteiros, pintores e serralheiros ao serviço de múltiplos oficinas de carácter privado que marcaram a época da Regeneração até ao Estado Novo.                         

segunda-feira, abril 11, 2011

8.1.2. A ciência e o progresso técnico no sul do Distrito de Portalegre [1850-1930]

A chegada da Linha de Leste ao Caia contribuiu para a acelarar a modernização agrária.

 Mapa agrícola do Alto Alentejo - 1866 - àreas de ocupação e exploração agrícola
O campesinato de um modo geral era adverso à modernização agrícola uma ameaça ao emprego 

Entre a Regeneração e a I República, o trabalho nos campos na planície caracterizava-se pelo esforço humano, em que a robustez física e o trabalho manual era a única característica dominante na exploração económica da propriedade. Em terras da raia, a mecanização da agricultura é uma realidade de fins do séc. XIX embora alguns agrónomos da região na imprensa regional reflectiam a emergência de uma melhor exploração dos solos e das culturas denunciando que “ tudo é feito ao acaso; tudo se espera da Providência”. De facto, a falta de conhecimentos sobre a exploração da terra propriamente dita e da apetidão dos solos para a sementeira de determinadas culturas, juntava-se a falta de instrumentos modernos e eficazes que então era objecto de aplicação na agricultura do Ocidente. Por outro lado, a imprensa periódica no seu noticiário reforçava a opinião de meia dezena de proprietários e lavradores, sobretudo com formação académica superior do distrito de Portalegre, em que a agricultura dependia exclusivamente da natureza, como se pode comprovar nas seguintes notícias no Elvense em meados da década de 1880: “ O tempo tem corrido favorável à agricultura. As oliveiras apresentam-se com um aspecto prometedor de uma boa colheita. As sementes brancas têm dado magníficas fundas especialmente elevadas”…”As geadas que caíram nas últimas noites produziram consideráveis prejuízos nos pomares de esta cidade. Em Varche há proprietários que calculam as suas perdas em centenas de mil réis” . Por essa época, o sistema de rotação quinquenal foi substituído paulatinamente nos municípios da raia portalegrense nomeadamente na Vila de Campo Maior e nas aldeias dos arredores do concelho de Elvas, onde o esforço do arroteamento dos campos era notório e distinguia-se na realidade regional. A entrada de adubos químicos nas últimas décadas eram visíveis um pouco por toda a região em finais do século XIX ainda que a maioria dos lavradores e rendeiros continuavam a utilizar o estrume animal como elemento regenerador dos solos. Na verdade, a entrada dos primeiros fertilizantes químicos em terras do sul do distrito portalegrense ocorre numa casa agrícola elvense por volta de 1884 mas seria na década seguinte que tais produtos se generalizam associados ao plantio das sementeiras cerealíferas, fruto das campanhas publicitárias em revistas e periódicos que se vendem nas casas comerciais das duas cidades portalegrenses, no caso particular dos jornais destacavam-se alguns artigos científicos que acabaram por contribuir para a formação de uma nova mentalidade nos processos de organização e exploração da terra, mais evidente na transição para o século XX. De referir também que essas reflexões descritivas evidenciavam as vantagens e os numerosos benefícios que o seu emprego determinava, de resto com a chegada da linha ferroviária de Leste à fronteira, as estações de Elvas e da Vila Santa Eulália eram o ponto de chegada dos super fosfatos de cal solúveis em água que de seguida eram distribuídos pelas casas agrícolas e herdades da região, de uma maneira particular a estação de santa Eulália tornava-se um verdadeiro entreposto de abastecimento para as terras vizinhas de Monforte, Arronches e Campo Maior. Mas o grande desafio, a lavoura regional foi sem dúvida a questão da mecanização, no distrito de Portalegre e nos municípios integrantes nesta circunscrição administrativa, este processo foi tardio quando se compara com as realidades agrícolas de outras regiões agrícolas e a primeira máquina agrícola que evolui nos solos do Distrito, ocorreu quando o lavrador Joaquim lúcio Couto, rico lavrador e proprietário da Quinta das Longas, alugou uma debulhadora mecânica a Sebastião Alvarez, grande lavrador do município de Borba para a debulha e limpeza. O êxito da experiência levou a que o referido lavrador elvense adquirisse uma máquina Garret por volta do início da década de 1880, mas tal compra não foi seguida pelos seus pares que achavam que tais máquinas eram excessivamente caras, um facto para os médios e pequenos lavradores, considerando ainda que na sua maior parte no sul do distrito tratavam-se de rendeiros e como tal sem grande capital de investimento. Também a chegada das máquinas aos campos também não era bem aceite pelos trabalhadores rurais que eram adversos a esta inovação, cuja aplicação lhes tiraria o “pão”. Assim, só na primeira década do século passado, que a mecanização tornava-se uma realidade no eixo, Arronches, Elvas e Campo Maior, fruto em parte do empenho do grande proprietário da região, Lobão Rasquilha que associado a Augusto de Andrade, negociou directamente com o Ministro Elvino Brito, conseguindo que um dos depósitos de máquinas agrícolas que seriam instalados pela Direcção Geral da Agricultura ficasse instalado em Santa Eulália que se convertia cada vez mais num pólo agrícola regional ao serviço dos municípios de Elvas, Arronches e Campo Maior. Todavia, entre o aluguer e a compra, a aversão às máquinas era evidente quer dos proprietários quer dos trabalhadores e o som das máquinas só viriam a perturbar a vida quotidiana rural, nos anos vinte quando o cereal “desgrenhado” nas propriedades rústicas elvenses, o “coração” da agricultura da raia atingia os 50% e eram cerca de cinquenta as debulhadoras registadas em 1921 ou seja o dobro do número de máquinas no início de 1911. Por último de referir que o sucesso da expansão da mecanização deveu-se a uma intensa campanha dos representantes oficiais das máquinas Garret, Marshall e Ruston, que através da imprensa apresentavam os seus modelos, as suas características e as suas vantagens, com a viragem de século, as referidas marcas tinham já os seus representantes com lojas próprias nas cidades do distrito e a partir de então se assistiu à transformação definitiva da paisagem agrícola com a introdução de vários tipos de maquinaria em terras do Distrito de Portalegre.

quarta-feira, março 30, 2011

8.1.1. - A propriedade agrícola. A formação da classe dos lavradores. Algumas referências à paisagem agrícola.


O cereal amarelo  - determinante na afirmação da economia elvense oitocentista
 O olival fundamental na economia local nos fins da Monarquia Constitucional
 Desfile em Santa Eulália terra agrícola e esteio dos proprietários durante a I República

 A maioria dos proprietários com estatuto inicial de arrendatários, que se constituíram a partir de meados do século XIX, chegam ao final da I República já com algum capital e alguns já com a sua casa agrícola. De facto, o número crescente de arrendatários que se converteram em grandes proprietários é de facto notável entre 1869-1881 nada mais que uma dezena de famílias de Elvas, que possuíam pelo menos uma herdade arrendada. A excepção seriam as famílias:  Rasquilha , Telo e Caldeira, que dotadas de maior capital tinham sob arrendamento pelo menos duas herdades. Mas entre todas era sem dúvida a família Rasquilha que a maior potencial económico agrícola detinha já que eram grandes proprietários em Arronches e até final do séc. XIX possuíam mais quatro herdades arrendadas em Elvas  entre o período situado entre 1871 e 1881, antes de as integrar na sua propriedade. Aliás os Rasquilha juntamente com o Conde de Tarouca eram os proprietários que detinham maior riqueza agrícola na área entre Arronches-Elvas e Campo Maior. De realçar que esta capacidade de fazer riqueza e fortuna com base na agricultura é sem dúvida uma particularidade da região de Elvas, uma vez que os pequenos e médios arrendatários das principais famílias elvenses com vocação agrícola, revelaram-se excelentes gestores das casas aristocráticas e dos proprietários agrícolas exteriores ao concelho que lhes cediam as suas terras para exploração agrícola, que atingiu o auge durante a primeira “Campanha dos Cereais -1899” levada a cabo no Alentejo durante a Monarquia Constitucional. Na verdade o apoio do Estado e a existência de vastidão de terras incultas favoreceu esse enriquecimento, numa época em que era possível identificar outro tipo de arrendatários, mais esclarecidos que se fixam nos arredores de Elvas e que se distinguiam dos futuros proprietários/lavradores, como era o caso dos chamados “doutores”, quase sempre médicos que associavam ao seu prestígio professional o domínio de uma ou mais propriedades, inicialmente com base no arrendamento, na maioria dos casos. Ou seja, o proprietário/lavrador foi no município de Elvas uma realidade dominante até ao final da I Guerra Mundial, ou melhor é sensivelmente a partir de 1920, que desaparecem os grandes arrendatários que chegam a ser uma dezena em vésperas da implantação da I República, pouco mais de uma meia dúzia em 1915 e nos anos seguintes já surgem na documentação como senhores das terras ou por outra, com estatuto de lavradores que durante décadas lhes permitiram adquirir o capital para a sua compra, através da exploração agrícola e da pastorícia como forma de obtenção de derivados do seu abate. Por outro lado, o número de pequenos arrendatários “dispara” entre 1910 e 1915, quando nada menos de sessenta arrendatários que desenvolveram a sua labuta em pequenas parcelas arrendadas pelos grandes arrendatários e sobretudo pelos novos proprietários, as razões são várias como o custo de exploração da terra, as taxas contributivas elevadas que eram exigidas pelo Estado e a concorrência dos cereais estrangeiros e em especial do chamado “trigo americano” para o seu aparecimento .  Porém, desde meados do séc. XIX que a agricultura elvense era mais do que a produção do cereal amarelo, “transpirava” alguma vitalidade o centeio de Elvas colocado nos mercados nacionais atingia a cifra de 1.5% ocupando uma área agrícola próxima dos 150 ha, nos quais se distinguia as terras dos grandes produtores locais, Francisco da Silva Rosado e José Joaquim da Silva. O azeite era outra das riquezas da economia nacional com uma capacidade produtiva na ordem dos 2% no contexto nacional, a sua exploração era uma tradição local, o seu investimento era relativamente baixo, não exigia muita mão-de-obra, complementava muitas vezes as áreas livres das grandes propriedades mas também era explorada em pequenas propriedades rústicas, hortas de pequenos proprietários. De resto, a produção de azeite para o mercado regional/local era assegurado por duas dúzias de lagares com tecnologia variada sendo um pouco de menos de metade de prensa de ferro e varas, os mais modernos que então se destacava dos demais caracterizados com tecnologias mais atrasadas. Mas a importância da produção de azeite continuou a ser uma prioridade dos lavradores locais ao longo das primeiras décadas do século XX como se pode comprovar nas razões que levam a criação da Sociedade Oleica Elvense, constituída em 12 de Julho de 1925 com um capital de 2.000$00 e que reuniam cerca de cinquenta e quatro proprietários nos quais se destacam Júlio Alcântara Botelho e o Dr. João Pinto Bagulho que foram sem dúvida os impulsionadores deste movimento associativo. Paralelamente a criação de gado era outra aposta da agricultura elvense, como veremos.

domingo, março 20, 2011

8.1 - Elvas Portuguesa. A organização económica entre o liberalismo e a I República.

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    A diversidade agrícola marcou a paisagem agrícola após a  Revolução Liberal de 1820

   As receitas dos cereais no final da Monarquia Constitucional a riqueza dos arrendatários. 

A prática agrícola foi sem dúvida a actividade fundamental e prioritária ao longo da história de Portugal e que se reflectia de uma forma particular a sul do território nacional, com o predomínio do latifúndio e do absentismo em terras do Alentejo. Todavia nos distritos de Évora, Portalegre e de Beja, algumas décadas após a Revolução Liberal do Porto (1820), as herdades tornaram-se pela sua dimensão e importância económica um modo de exploração económica das novas classes de posse em ascensão pelos menos até ao Estado Novo. Até à Regeneração no distrito de Portalegre a sua extensão média não ultrapassa os 6 hectares, sendo a paisagem agrícola dominada pela exploração do olival, da madeira de sobreiro, da plantação de cereais e de alguns pastos para os gados no complemento da exploração económica da propriedade. Todavia, era na raia norte alentejana, que esta geografia da propriedade era mais visível nos concelhos de Arronches, Elvas e Campo Maior, onde um grupo de agrários e arrendatários viviam directamente deste tipo de exploração económica. O concelho de Elvas constituía sem dúvida, o território mais vasto e importante do ponto de vista económico e agrícola, numa época em que a riqueza do município estava concentrada nas freguesias rurais de Barbacena, S.Vicente e Santa Eulália. Na verdade, os matagais e os arbustos silvestres dominavam a maior extensão das terras de bons solos agrícolas nos  concelhos Arronches e Campo Maior cujo arroteamento ocorre mais tarde do que na segunda cidade portuguesa do distrito. Por outro lado, em Elvas o investimento na exploração agrícola ocorreu mais cedo que nos municípios já citados, uma vez que nas décadas de 1830, 1840 e 1850, muitas das propriedades pertencentes aos Condes de Cadaval e S. Martinho foram objecto de compra ou de aluguer pela imensa rede de arrendatários que também beneficiaram de parte das propriedades da Casa aristocrática do Marquês de Penalva que sendo o único grande proprietário residente jamais alienou o seu património latifundiário durante a centúria de oitocentos. Outro grupo de proprietários com capacidade de exploração e investimento, em solo elvense era sem dúvida um trio de grandes comerciantes lisboetas, como era o caso de António José de Andrade, José Silva Falcão e António Silva Neves Lança Alvim, este originário da vila de Ourém e que acabaria por investir também num conjunto de propriedades situadas nos termos municipais de Arronches e Campo Maior. A maioria dos restantes proprietários do concelho de Elvas em meados do século XIX era arrendatária, apesar de alguns tratados oficialmente por lavradores por fazerem a gestão das terras arrendadas pertencentes a lavradores exteriores ao concelho. Mas, numa análise minuciosa da propriedade, verifica-se que a maior parte dos mesmos, estava directamente depende dos grandes proprietários por contratos de duração com prazos de dez anos, por isso mesmo só na viragem para o século XX e durante o Estado Novo, se revelam como a nova elite agrária em função da posse de uma ou mais herdade. Todavia é de salientar a capacidade de trabalho e de arrojo, que permitiu que uma parte destes arrendatários tenha construído a sua pequena fortuna a partir da introdução de novas culturas agrícolas, da ampliação do espaço agrícola através da limpeza das zonas baldias arrendadas ou de práticas inovadores como os sistemas de drenagem que permitia um melhor aproveitamento da área agrícola. A herdade transformava-se no centro de exploração agrícola em solo elvense a partir do monte, com uma série de edifícios e estruturas de apoio na qual se destacava a casa principal, de resto um modelo resultante e secular desde a romanização da Ibéria. Em meados do século XIX, o monte alentejano, no município de Elvas caracterizava-se pela presença da casa agrícola no extremo das herdades e na parte mais alta da propriedade ou seja edificada sobre uma colina, como forma de controlo sobre o espaço agrícola e dos pastos circundantes.

terça-feira, março 15, 2011

A Torre de Pisa está de novo aberta ao público.


 A Torre de Pisa emerge na Praça de Duomo 


O Campanário projecto de Tommaso Pisano

As obras de equilíbrio da Torre de Pisa iniciadas em 2002 com a finalidade de reduzir a sua inclinação foram finalmente concluídas. De facto, a ameaça da queda da mítica Torre motivada pelas suas 14.700 toneladas de peso e 55.8 metros de altura, tornou-se evidente desde a década de 1990 e o processo de intervenção custou cerca de 30 milhões de euros e consistiu num sistema de extracção de terra abaixo, da base dos alicerces de cimento da dita construção com vista à estabilização da inclinação, que consistia em endireitar a torre em 13 cm  . A fase final desta intervenção iniciada em 2002, que implicou um financiamento de cerca de seis milhões, segundo as previsões estimadas pelos projectistas da intervenção, atingirá o valor da inclinação que tinha em 1990 (altura em que a inclinação aumentava cerca de 1.2 mm) nos próximos 300 anos. A primeira pedra lançada para a edificação do campanário da Praça de Duomo, ocorreu na festa da Anunciação em 9 de Agosto de 1173. De autor desconhecido, a sua edificação decorreu ao longo de três centúrias, mas foi interrompida prematuramente doze anos após o início da obra em 1185 quando se verificou o afundamento da base da edificação responsável pela sua inclinação e determinando a paralisação da obra durante um século. A sua continuidade seria assumida por Giovanni di Simone, que havia trabalhado na Igreja de San Francesco e que mostrou uma grande habilidade para reparar os danos provocados pela inclinação inicial, mas seria Tommaso Pisano, que durante o séc. XVI concluía a terceira campanha de obras com o último anel da torre correspondente ao campanário. A Torre de Pisa, declarada Património Mundial de UNESCO em 1987, está de novo aberta ao público e aos milhares de visitantes que a visitam em cada ano.          

terça-feira, março 08, 2011

8. Elvas Portuguesa. Introdução. Demografia (1850-1930)


A construção da Linha de Leste teve impacto no comportamento demográfico na transição para o séc.XX


   A chegada do comboio foi determinante para o desenvolvimento regional



A cidade perdia em termos de % populacional relativamente à população rural - o centro do trabalho.

A demografia contemporânea demonstra que durante a Monarquia Constitucional, I República e início do Estado Novo, o concelho de Elvas, apresenta um constante crescimento pelo menos até 1882, quando a população atinge um valor próximo das 19.659 almas. Vivia-se numa época em que a população rural, cerca de 10.964 efectivos era mais representativa que a população urbana que se limitava a cerca de 8.695 efectivos, numa época em que o arroteamento dos campos estava no seu auge. Aliás em 1887 a população rural chega a um número recorde de 10.202 habitantes. Numa época em que a cidade de Elvas era o núcleo urbano mais importante do distrito se considerarmos por exemplo que em 1890, a cidade raiana tinha um registo populacional de cerca de 13.291 habitantes contra 11.820 de Portalegre, de resto a capital do Distrito só se afirma como o centro urbano mais populoso nos censos de 1911 e 1930, como resultado do reforço das políticas republicanas em favor da circunscrição administrativa mais importante do distrito. Mas, numa análise comparativa, das duas cidades que procuram liderar as políticas públicas no Distrito, observamos desde logo um percurso quase comum e um crescimento médio entre 1864-1930, de 62% de efectivos humanos, mas com um claro crescimento da capital do Distrito que duplica o número de habitantes entre (1864-1930) isto é passa de 6.433 para 14.712 habitantes enquanto Elvas, cidade, no mesmo período recebe apenas mais 2.142 almas. Situação aliás curiosa, uma vez que Portalegre só ultrapassa efectivamente o número de efectivos no curto período de 1920-1930, quando a força do trabalho na cidade raiana desenvolvia-se no espaço rural. Por outro lado, numa análise dos dados estatísticos observa-se que no período de 1864-1878, a taxa anual de crescimento de ambas as cidades foi bastante reduzido não ultrapassando a média de 0.3%, numa época em que os ventos da emigração contribuem para a saída de efectivos populacionais do distrito que todavia não atingiu os índices de outras regiões nacionais. Mas os dados dispararam, durante o período de 1878 e 1900, quando o distrito de Portalegre é dos que mais crescem a nível nacional, atingindo um crescimento médio de 2.1% mas com o contributo de Elvas que chega nesse período à taxa média anual de 3.1% , não havendo dúvidas que o desempenho demográfico do Distrito de Portalegre e da cidade de Elvas, deve-se a chegada do caminho de ferro à fronteira do Caia ou por outras palavras, a Linha de Leste, mobilizando novos moradores e um vasto número de assalariados, criou trabalho e progresso e um grande número de assalariados procedentes de outras regiões. Outras, duas grandes construções foram determinantes para esta etapa de progresso e trabalho na região, nomeadamente o Ramal de Cáceres e a estrada regional, Portalegre e Elvas. No caso, do concelho de Elvas, juntava-se ainda o aumento da população rural, que desde finais do século XIX vinha alcançando um número de efectivo superior à população urbana e a presença de novas forças militares, estacionadas na Praça Militar de Elvas no âmbito das Campanhas de África, depois da saída dos Regimentos de Artilharia nº2 e da extinção do Regimento de Caçadores nº2, que permitia que a presença militar tivesse ainda alguma representação até final da década de 1890, altura em que se inicia um verdadeiro processo de desmilitarização só estacando com a implantação do Estado Novo. As décadas de 1900-1920, a cidade de Elvas numa análise crua de dados, parece vítima de uma hecatombe, a recessão demográfica é evidente, a população urbana situa-se à volta de 9.133 habitantes em 1920 ou seja a valores de finais do séc. XVII. Mas, a realidade é de natureza administrativa que integra as freguesias de S. Lourenço, S. Vicente, Aventosa e Várzea, que até então haviam pertencido à cidade. Na década de 1920-1930, a cidade elvense voltava a crescer com taxa anual de 3%, recuperando o seu potencial humano, contando com mais 6.248 habitantes numa época que o município introduziria um conjunto de melhorias locais que foram fundamentais para a fixação de mão de obra na área urbana e municipal.