sábado, maio 23, 2009

60 anos após a criação da República Federal Alemã

Notícia com História – Comemora-se hoje os 60 anos da existência da República Federal Alemã, nascida das cinzas da II Guerra Mundial com a aprovação da Constituição que orientou os princípios da organização moderna do estado alemão. Não podemos ignorar que este acontecimento constitui uma das “ causas remotas” do período da guerra Fria, que marcou a segunda metade do século XX nas relações entre o ocidente e o Leste. De facto as tensões entre os aliados e a U.R.S.S., se extremaram quando as três zonas de ocupação ocidental acordaram uma reforma monetária e preparam a criação de um estado alemão ocidental. É neste contexto que Berlim capital da futura R.F.A. , esteve no centro da escalada. Na verdade, a Administração militar soviética (SMAD) proibiu o tráfico ferroviário entre os sectores de Berlim Ocidental. Ao mesmo tempo, que se estabelece o fornecimento eléctrico e de abastecimento alimentar procedentes da zona oriental. Com estas medidas, Berlim Oeste estava totalmente bloqueada .Quando os aliados ocidentais anunciam uma reforma monetária, a situação se agravou dramaticamente. A solução será a ponte aérea iniciada em 26 de Junho, pelo governador militar norte americano o norte americano, general Lucius D .Clay, ordena abastecer a cidade de Berlim por via aérea. E foi nessa madrugada que aterraram em solo alemão os primeiros aviões com abastecimento alimentar. No mês seguinte fizeram escala em Berlim cerca de 269 aviões britânicos e 314 norte americanos, sendo quatro o número de voos realizados por cada avião, em três corredores aéreos abertos para tal operação humanitária. Quando a URSS terminou este bloqueio, em Setembro de 1949, que durou 462 dias se realizaram cerca de 275.000 voos, com uma média de 60 milhões de quilómetros percorridos, para transportar milhões de toneladas de recursos alimentares para Berlim Ocidental. Postado de Arlindo Sena.

quinta-feira, maio 21, 2009


Linha de conteúdos de exame e esquemas sínteses












Uma família da história social da contemporanidade de Elvas

A Formação das elites locais na época contemporânea.


História Local: - Inicia-se como consequência da Revolução Liberal do Porto de 1820, na verdade o fim do Antigo Regime, contribui para uma maior intervenção dos grupos sociais de posse e de referência que a partir de então e aos poucos e em perfeita harmonia com a consolidação do regime liberal começaram a ocupar os principais cargos no funcionalismo local e até distrital, então monopólio do funcionalismo régio e dos representantes por nomeação régia do “Poder Central”. Mas esta elite que conduzirá os destinos sociais e económicos de muitas vidas e até políticos da cidade de Elvas, na sua maioria estão perfeitamente identificadas com a documentação oficial e com o noticiário da imprensa periódica, com a designação de “proprietários”, sendo contudo variada o tipo de riqueza em sua posse. Assim e em meados do século XIX, a maior parte da classe de referência em Elvas, era constituída por médios proprietários rurais ou mais exactamente pelos lavradores, termo e designação, corrente na vida quotidiana embora não coincidindo com a designação normativa e oficial. Outro grupo de proprietários, sucedia-se nesta «pirâmide social» e que se caracterizava pela posse de pequenas parcelas de terra, alguns prédios urbanos ou algumas alfaias agrícolas que podiam circular por algumas propriedades agrícolas mediante o pagamento de uma taxa em numerário. Uma terceiro grupo de proprietários, a partir de finais da década de oitenta [1880] destacam-se com base na sua riqueza fundamentada na actividade  comercial, alguns possuíam ainda certas terras em propriedade comum ou fragmentadas, mas a parte essencial da sua riqueza era obtida fundamentalmente nos seus negócios num período em que o comércio em expansão tornava-se uma actividade que associada há agricultura tornava o núcleo urbano de Elvas o más próspero do distrito de Portalegre.  Um segundo grupo de privilegiados que formavam parte da elite local eram os militares e os intelectuais, em função da sua formação académica mas também pela sua condição de proprietário, que podiam ser propriedades agrárias igualmente variáveis ou comerciais. No primeiro caso, eram sem dúvida, homens ligados por laços familiares ao mundo dos proprietários rústicos e dos negócios. O mesmo se verificava em relação aos militares, todavia não podemos ignorar que as mais altas autoridades, casos do Governador da Praça Militar ou do Governador do Forte de Santa Luzia, além de meia dúzia de oficiais elvenses de alta patente militar e ainda outros como brigadeiros e coronéis, figuras eminentes do exército português, que associavam às suas fortunas o prestigio das funções e cargos que desempenhavam.  Ainda, no grupo dos privilegiados e com estatuto incontestável, destaca-se a família de referência da aristocracia portuguesa dos Marqueses de Penalva, que em finais do século XIX era praticamente, a única presença fidalga de sangue na estrutura social da cidade de Elvas, apesar de haver ainda cerca de seis famílias tituladas pela coroa portuguesa, algumas de elas até recentemente mas que em termos de protocolo situavam-se no grupo dos proprietários.  Aliás, os títulos eram muito considerados a nível local, entre as elites locais, que tanto podia ser um título de nobreza adquirido, académico ou mesmo de uma ordem religiosa. Este último, muito disputado pela classe política e em especial pelos Presidentes de Câmara, que durante os seus mandatos procuravam adquirir junto da Ordem de Nossa Senhora de Vila Viçosa, o título de comendador uma vez que graças ao mesmo título passavam a ocupar uma posição privilegiada segundo o protocolo, que estava estabelecido pela seguinte ordem : 1ºOs militares; 2ºOs comendadores; 3ºOs doutores; 4ºOs representantes das Câmaras; 5ºO escrivão de direito e as 6ºInstituições. Devemos destacar que na cidade e nas vilas agrícolas de Elvas, o processo de desamortização das terras que levou há repartição das terras em muitas regiões do país não teve um grande impacto na génesis da riqueza adquirida pela classe dominante de resto a base de uma parte da elite agrária no fim da Monarquia Constitucional, encontra-se bem documentada através da documentação oficial dos arrendamentos de terra de tal forma que essa elite constitui-se também com base num grupo de rendeiros, de resto o termo rendeiro, na Região do Caia, não significa de modo algum pequeno lavrador, a medida em que muitos rendeiros tinham também terras arrendadas a grandes proprietários de terra ou seja os rendeiros de Elvas, adoptaram variadas  estratégias de arredamento como forma de estratégia e jamais de sobrevivência.De facto, ainda em relação à compra de algumas propriedades desamortizadas para a prática agrícola, somente uma parte foi adquirida pelos Marqueses de Penalva, uma vez que a maior parte delas estavam na posse de grandes proprietários exteriores ao concelho, o caso dos Condes de Cadaval e dos Marqueses de São Martinho. Destacava-se ainda as propriedades adquiridas pelos burgueses de  Lisboa Augusto José de Andrade y Jacinto José Falcão de Lisboa, e do grande proprietário da região agrícola de Elvas e Campo Mayor, o monárquico Lobão Rasquilha.  Mas se os proprietários, não constituíam um grupo homogéneo do ponto de vista profissional, o mesmo se verificava relativamente há estrutura social, assim a maioria dos lavradores, comerciantes, negociantes e militares formavam uma pequena burguesia, cuja riqueza se confundia com o seu prestígio pessoal, como era o caso particular dos militares e civis que se dedicavam a vida política e possuíam um título académico ( bacharel ou licenciado), indivíduos que socialmente, eram todos reconhecidos como senhores doutores, ainda que alguns fossem simultaneamente identificados com a “classe ” dos lavradores, como eram os casos dos chefes das Casas Agrícolas das famílias Bagulho e Gonçalves. Em muitos casos, esta elite agrária centralizava a sua vida quotidiana, não só na Casa Agrícola mas também nas casas palacianas ou apalaçadas que foram adquirindo nas zonas mais nobres do burgo Elvense. Entre os lavradores que integravam a pequena burguesia no fim do século XIX, destacava-se ainda um grupo de arrendatários que durante a segunda metade de oitocentos, obtiveram dos grandes proprietários os recursos em capital que somados aos benefícios obtidos mediante a exploração de essas terras, lhes permitia conseguir os meios financeiros necessários para adquirir as suas próprias herdades e as suas alfaias agrícolas. Embora quando analisamos as várias centenas de aforamentos ou arrendamentos, no caso particular de Elvas verificamos desde logo que a condição de arrendatário não é condição exclusiva dos pequenos lavradores ou mesmo da pequena e restrita classe média que então se encontrava em formação de facto encontramos grandes proprietários nessas condições por exemplo em 1919, a Condessa de Tarouca, possuía cinco grandes herdades que estavam então arrendadas a três dos maiores proprietários agrícolas de Elvas em território e produção, respectivamente José Mendes, José Maria Andrade,  Lobão Rasquilha ( que possuía três propriedades na Canada do Alicerce) e José Lopes. Ou ainda o caso da família Tenório, que tal como a Condessa de Tarouca ou Penalva em Elvas, possuíam algumas herdades no Concelho de Arronches, aliás os Tenórios estavam intimamente ligados a uma parte da gestão das propriedades da última grande casa nobre elvense e  por alguns contractos de aforamento, o certo é que quatro das suas propriedades no fim da monarquia constitucional estavam arrendadas a vários proprietários locais Postado Por Arlindo Sena.     

       

quarta-feira, maio 20, 2009

Norman Fosters, Banco de Hong -Kong e Xangai

Prémio Internacional das Artes 2009 -Fundação Príncipe das Astúrias

 Notícias com História (Biografia /Didáctica da História e Cultura das Artes) -   O génio da arquitectura britânica, o pós-modernista Normam Fosters, foi hoje distinguido esta manhã em Oviedo pelo Prémio Internacional das Artes  conferido pela Fundação Príncipe das Astúrias, em função das suas preocupações na arte de planificar os espaços arquitectónicos em que o desenho é fundamento para a melhoria da qualidade de vida das “polis” contemporâneas. Neste âmbito a referida fundação destacou na  sua obra: “ A inovação, a orientação pautada pela qualidade em todas as fases de desenvolvimento dum projecto, o interesse em aplicar os avanços da tecnologia e ainda a sensibilidade para com os princípios do desenvolvimento sustentável”  Norman Foster, nasceu em Manchester em 1935, cidade onde estudou Arquitectura e Urbanismo, obtendo alguns anos   mais tarde uma pós-graduação na área da arquitectura contemporânea na Universidade de Yale (USA). De regresso à pátria com alguns colegas de formação junto com Richard Rogers (colega de estudos em Yale), Wendy Cheesman (sua futura ex-esposa) e Georgie Wolton, fundou o escritório de arquitectura Team 4 (1963-1967), que durante cerca de vinte anos especializou-se na área de projectos residenciais e edifícios industriais. Porém a segunda fase da sua carreira que o tornou num “génio” da arquitectura global, iniciou-se com a fundação da empresa internacional “Sir Norman Fosters & Partners”, cujas obras de referência se enquadram no contexto do Higth Tech ou Tecnicismo Corrente arquitectónica que descende do espírito experimental e da actualização tecnológica que presidiu, no século XIX, à Revolução Industrial, cuja arquitectura explorou novos materiais e recorreu à pré-fabricação e estandardização dos elementos construtivos, visando uma economia de meios, rapidez construtiva e soluções técnico - formais arrojadas. Na actualidade o Hight Tech, associa ao acto construtivo, matérias e recursos avançados na edificação construtiva que se caracteriza pela criatividade e pelos efeitos estéticos. Das obras de referência destaca-se o Banco de Hong-Kong e Xangai (1979-1986), que quebra a construção clássica substituindo a pedra pelo aço ou a famosa cúpula que coroa o edifício do século XIX do Parlamento alemão de Berlim (1993-1999) que, na realidade, é um sistema sofisticado de auto-ventilação e de conversão da energia solar. Não menos importante que os numerosos edifícios que projectou são o desenho e planeamento de alguns centros urbanísticos em cidades europeias como Berlim e Cannes ou espaço parcial da King Cross em Londres, 1988), ou o planeamento e a ordenação urbana da Exposição Universal de Lisboa de 1998. Em Espanha concretizou alguns projectos de referência do Tecnicismo, no campo da engenharia, como a Torre de telecomunicações de Collserola em Barcelona (Espanha, 1988-1992) ou conjunto do metro de Bilbau (1988-1995) que o tornou um nome ímpar da arquitectura global em Espanha, como confirma  o mais reputado arquitecto internacional português, Siza Vieira, “Em Espanha, Norman Fosters tem trabalhos de altíssima qualidade e uma grande ligação à cultura espanhola”.  Postado por Arlindo Sena  

Projecto "Efemérides"


Projectos educativos: -Os alunos das turmas 12º L e 12º M da Escola Secundaria de D. Sancho II tem levado a efeito o projecto intitulado “ Efemérides “, sob a  coordenação das professoras Deolinda Serra e Maria Celeste Conceição , contando com o apoio técnico da professora Sandra do grupo disciplinar de Informática.
O projecto tem os objectivos fundamentais de promover actividades colectivas destinadas a comunidade educativa e de potenciar a respectiva memória histórica, relembrando factos e personagens que marcaram e marcam a Historia da Humanidade.
De entre as diversas efemérides comemoradas ao longo do ano lectivo, destacam – se as seguintes: 

 - Comemoração do dia Mundial do Professor( 5 de Outubro de 2008);
  -  Comemoração da Implantação da Republica( 5 de Outubro de 2008);
  -  Comemoração da atribuição do Premio Nobel da Literatura a Jean Marie Gustave Le Clezio ( 9 de Outubro de 2008) ;
  -  Comemoração do nascimento de José Saramago ( 16 de Novembro de 2008) ;
 -   Comemoração do nascimento de Eça de Queirós( 25 de Novembro de 2008);
   Importa ainda referir que estas comemorações consubstanciam – se na exposição de cartazes no espaço escolar, na realização e apresentação de power – points e na projecção de filmes alusivos as mesmas. Postado por Francisco Espiguinha.
      
     
     

segunda-feira, maio 18, 2009

O espírito funcionalista de Le Corbusier na América Latina


História e Cultura das Artes, Leitura Formativa -12 º Ano de escolaridade - A influência das correntes de vanguarda europeias na América Latina, encontram a sua “marca” em países como o Brasil, Argentina e Uruguai. Todavia seria o Brasil, o líder do grande movimento arquitectónico latino-americano que se gerou nos anos 40 e que teve início com a construção do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro. A obra foi projectada por Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Soares Filho, Carlos Leão, Jorge Machado Moreira, António Eduardo Reidy e Ernani Vasconcelos e teve Le Corbusier como conselheiro e supervisor, que teria visitado o Brasil pela primeira vez em 1937. Trata-se de um espaço arquitectónico de dezasseis andares assente sobre pilots, que incorpora soluções técnicas como o toit-jardim, o brisr-soleil e o pan verr, todas elas características de Le Corbusier. Outra realização de referência destaca-se o Pavilhão do Brasil na Exposição Mundial de Nova Iorque em 1939, concebido por Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Paul Lester Wiener, que foi determinante para a afirmação do movimento arquitectónico internacional. Todavia no âmbito do movimento de renovação arquitectónico brasileira destacava-se a figura de Oscar Neyemer, cuja obra marcada pela aplicação dos novos critérios racionalistas atingiu o auge, na edificação do Complexo da Pampulha (1942), em que a nova tecnologia lhe permitiu desenvolver todo um intricado jogo de acessos e percursos no interior do edifício que dava maior flexibilidade e transparência de conjunto. A mesma profusão de ligações dinâmicas entre elementos sustentados brilha nas obras realizadas para Brasília na denominada Praça dos Três Poderes, onde se situam os edifícios dos poderes executivo, legislativo e judicial. Do ponto vista puramente arquitectónico não devemos esquecer a criação da nova cidade de São Paulo em 1960, em que o arquitecto Lúcio Costa, partindo do “espaço vazio”, concebeu o novo espaço urbanístico inspirado pelo racionalismo de Le Corbusier. A nova cidade, Brasília, construiu-se a partir de dois eixos principais que se cruzam quase em ângulo recto, tomando a forma de uma ave ou de um avião. No ponto de fuga do eixo principal, ergue-se o Palácio dos Congressos da autoria de Oscar Neyemer, o qual contribui,ainda, com mais duas obras: a catedral e o Palácio Presidencial. Se na América do Sul, o Brasil é uma referência para o Estilo Internacional, não podemos ignorar uma série de projectos arquitectónicos : O restaurante argentino de Punta Ballena (1947) de Antoni Bonet  ou os arranha céus de Amancio Williams ou ainda, os projectos do venezuelano,  Carlos Raúl Villanueva, como o Museu de Belas Artes e a Cidade Universitária, ambas em Caracas. Postado por Arlindo Sena                    

As armas das hostes nacionais na Idade Média.

História de Portugal - Glossário do Armamento dos guerreiros em Portugal nos fins da Idade Média- A História de Portugal , tal como no Ocidente Medieval, é marcada pela guerra , a própria fundação da nacionalidade ocorre no contexto da Reconquista Cristã e o Conde D. Henrique , cavaleiro da nobreza francesa e pai do primeiro rei de Portugal , chega à Península Ibérica no contexto do movimento das Cruzadas: porém, se houve época em que a Guerra marcou o quotidiano e a vida política Portuguesa foi sem dúvida no séc. XIV quando Portugal se envolveu em três guerras , chamadas de « Fernandinas », com Castela e, por consequência indirecta num contexto mais vasto a Guerra dos Cem Anos . Resta ainda acrescentar que estes equipamentos durante o Séc. XIV foram determinantes nas guerras do Caia e Guadiana , como actos isolados ou na prevenção ou mesmo participação das Guerras de Independência durante o séc. XIV . Mas é também deste período que encontramos as primeiras informações coevas e significativas do equipamento militar português na época Medieval . Na Crónica de D.Fernando , o cronista Fernão Lopes descreve : « As armas mandou el Rei mudar a esta guisa : do carambais mandou que fizessem jaque ; e da loriga , cota ; e da capelina , barvuda com seu camalho , e estofa , e cota , e jaque , e caxotes , e canelleiras Framçeses , e luvas , e estoque e grave »[1]. E mais atrás , no capítulo XXXVI l lê-se : « Armado aaguisa chamavom estomçe assi de pee come de cavallo , qualquer que era compridamente armado , sem lhe falleçemdo nenhuuma cousa , e o que era comunallmente , e nom tambem , chamavom armado aa mea guisa »[2]
As Ordenações de 1375 foram provavelmente o documento coevo que serviu de base , à identificação dos equipamentos do armamento português , uma vez que quando Fernão Lopes escreve a Crónica, parte de alguns desses equipamentos de guerra já se não usava . Vejamos os seus significados e a sua função.

A ) – Gambais – era uma túnica de tecido ou de cabedal , acolchoada com costuras verticais enchidas de algodão . Usada pelos árabes , aparece na Europa depois das primeiras Cruzadas . Certamente conhecida na Península Ibérica , dado o contínuo contacto com os mouros . E era geralmente usada sob a loriga . Os homens a pé usavam –no por vezes como única defesa . Será mudada em jaque.

B ) _ Jaque - era uma veste reforçada com lâminas de ferro . Como as Ordenações se referem ao armamento importante , seria o que os ingleses chamam « coat of plates » , geralmente de coiro , que servia de base a lâminas de metal ; sem mangas , foi usado no século XIV como a única defesa do tronco. Em Portugal as reformas militares levadas a cabo por D. Fernando após a 2ºGuerra Fernandina pressupõe a introdução desta peça , quando Fernão Lopes refere que “ do cambais mandou que se fizesse jaque “ [3]

C ) _ Loriga - Conhecida no Ocidente Medieval nos Sécs. XII e XIII , tem provavelmente antecedentes ibéricos que se reconhecem no equipamento romano e na literatura visigótica [4] .Peça clássica característica do equipamento defensivo , destinada à protecção do tronco , embora pudesse também comportar elementos destinados à defesa da cabeça e dos braços . Pode definir-se como uma túnica de malha ou camisola de anéis , sem capuz , com mangas , e não passava abaixo dos joelhos , com um talho à frente e outro atrás para facilitar a permanência do cavaleiro na cela . Será mudado em « cota » , veste de malha a anéis com manga , gola alta ,e chegará até pouco abaixo das ancas. O jaque a cobrirá completamente .

D ) _ Capelina - Será a « barvuda » e camalho servia de base para o grande elmo que , na segunda metade do século era usado quase exclusivamente para justas e torneios .

E ) _ Estofa - Como é citada antes da cota , embora o cambais fosse usado sob a malha , é provável que seja uma túnica de tecido forte para o substituir . A malha não era fácil de usar sem protecção que defendesse o corpo do roçar dos anéis , os quais , tendo os extremos rebatidos , eram ásperos .

F ) _ Coxotes – ( arma defensiva ) - Um grupo de lâminas de metal , ou coiro reforçado com metal , que defendiam as coxas e se uniam às joalheiras , formadas por uma peça globular com extensão lateral externa , a asa . Era articulada ao coxote por uma pequena lâmina e outra na parte inferior , constituindo um bloco para facilitar o movimento .

E ) _ Caneleiras – ( arma defensiva ) -Defesa das pernas , composta por duas lâminas articuladas com dobradiças na parte externa e com correias e fivelas na parte interna . Muito usadas em coiro , abertas na parte interna e unidas por um cordão que corria de um extremo ao outro . O texto diz « francesas » , provavelmente de metal , coisa comum na Europa .

G ) _ Estoque – É a espada do cavaleiro , longa e estreita , que pendia do cinto «nobre» e a Adaga , presa à direita , muito pequena .Este cinto , ou antes cinturão ,

ornamentada com metal ou só composto de elementos metálicos , usado pelos nobres na segunda metade do século , e também nos trajos civis , é típico neste período .

Mas outras fontes referem-nos outros equipamentos utilizados pelos portugueses durante plena e baixa Idade Média. A espada constituía um equipamento indispensável , muito usada , até como simples adorno , a espada foi a arma por excelência na Idade Média , tornou-se mesmo um atributo da nobreza , uma insígnia de certas dignidades , um símbolo de força , coragem e acção guerreira ; as referências a este equipamento são variadas nos Lusíadas , desde o séc.XII ao XIV , deste período lê-se :



1. Referência à qualidade do material


Arracam das espadas de aço fino

Os que por bom tal feito apregoam [5]



2. Referência ao equipamento de Nuno Álvares Pereira

( herói das guerras da Independência )


A mão na espada , irado e não facundo ,

Ameaçando a terra , o mar e o mundo [6]


Na Crónica do Condestabre , encontra-se uma representação de uma figura desta personagem guerreira das guerras com Castela , D. Nuno Álvares Pereira , equipado com as suas armas , mas sem o seu capacete de plumas , que se encontra ao seu lado mas no chão , tendo nas mãos um comprido montante direito, com a empunhadura floreada nos quartões e no topo.


3. Referência ao efeito da violência determinada pelo emprego da espada


Aqui a fera batalha se encruece

Com mortes , gritos , sangue e cutiladas [7]


Mas sobre o armamento português medieval e contemporâneo da segunda metade do Séc. XIV , a Crónica de D. Fernando , revela-nos ou leva-nos a defender que o equipamento e o material português , não só era escasso como também imperfeito ; as palavras imperfeito , desconexo , escasso e impotente [8] , leva-nos a esta conclusão , quer relativamente às armas ofensivas quer defensivas . Por outro lado , o maior poeta português Luís Vaz de Camões , na sua obra “ Os Lusíadas “ refere sobre o equipamento militar de inícios do séc. XV , que cada qual se armava como podia e não como convinha , no dizer do poeta .

H ) Luvas - As manoplas , com a parte metálica em forma de clepsidra , ao interior da qual se aplicava uma luva de cabedal ou tecido forte , com os dedos cobertos por uma série de pequenas placas de metal .

I ) Lança – A lança comprida normal era a arma principal dos chamados homens de armas , que constituíam em plena Idade Média a chamada cavalaria pesada . Fazia parte do equipamento de D.Nuno Álvares Pereira , quando reconheceu o campo de batalha , antes da sua eclosão ; nessa acção levava “ cento de cavalo com cotas e braçais e lanças compridas "[9] . Contudo o Condestável como afirma o cronista , dela não se serviu uma vez que combateu a pé . A infantaria portuguesa, nas Guerras da Independência 1383-85 , utilizou frequentemente a lança de menores dimensões , entre elas destacam-se os dardos que eram lanças mais curtas utilizadas pelos peões . O cronista refere : “ eram em tanto servidos avondo de lanças e dardos e virotões ” [10] . Em Portugal as lanças utilizadas pela infantaria portuguesa nas Guerras Fernandinas , pouco evolução apresentam relativamente aos séculos anteriores tal como no Ocidente. “ Durante os séculos XII e XIV o manejo das lanças pela infantaria não sofrem variações importantes relativamente à Alta Idade Média "[11] . Neste grupo de armas podemos ainda indicar : os piques ( que tinham aproximadamente os seis metros , os chuços curtos e muitas vezes improvisados , as forquilhas e até tridentes ,

J ) Besta – A besta, embora imperfeita, já era conhecida em Portugal por volta do séc. XI , porém, só se tornou uma importante arma de guerra durante o séc. XIV. Na batalha de Atoleiros , D. Nuno Álvares Pereira , serviu-se dos peões e dos besteiros para o triunfo desta batalha e que marca a supremacia da infantaria como decisiva para este triunfo.


Mila Lanças ajuntou com os que tinha ,

Foram dois mil besteiros escolhidos

Formou deles um campo qual convinha[12]


H ) Funda – Arma vulgarmente usada entre os Romanos , cujos exércitos não dispensavam um corpo de fundeiros , a funda era muito apreciada, pela eficácia de tiro do seu projéctil . A sua utilização está documentada, nas Guerras Fernandinas com Castela .

I ) Escudo – O escudo como arma defensiva é conhecida desde longínquos tempos . Fernão Lopes diz-nos que os Castelões , em Aljubarrota , traziam na vanguarda da besteiros « apavezados» e que o Condestável andava com um escudo no braço , por recrear os virotões . Os escudos tinham geralmente na parte superior , argolas ou braçadeiras , por onde passavam os braços para se manobrarem .Os escudos portugueses do fim da Idade Média , considerando como fonte iconográfica a tapeçaria de Pastrana , onde é possível identificar alguns soldados ao serviço de D.Afonso V, eram grandes , coloridos e com armas heráldicas .Com a introdução das armas de fogo e com o alcance de maiores distâncias dos projécteis , o escudo foi-se abandonando sucessivamente . Porém a sua eficácia como equipamento de defesa contra setas , arremessões , dardos e golpes de espada ou lanças , dependeu sempre do seu material , uma vez que em função da necessidade de resistir aos projécteis , tiveram necessidade de serem reforçados, e o seu peso , o que acabou por ter consequências no palco de guerra, sobretudo na movimentação dos “ guerreiros”.

Porém, foi partir do séc.XV , com as necessidades de enfrentar o inimigo muçulmano , melhor equipado e armado , que houve necessidade de melhorar os meios defensivos e ofensivos do equipamento militar português . Nesse contexto tomam-se medidas , importam-se armaduras de Biscaia , malhas de Milão e arcabuzes da Flandres , Boémia e Alemanha, assim como matéria-prima como chapas de aço para o fabrico de armas , para além das bestas e das armas portáteis. Por outro lado, desde meados do séc. XV, que os monarcas portugueses concediam privilégios e vantagens aos oficiais que fabricavam armas e seus pertences , destacando-se os seguintes ofícios : hasteiros , couraceiros , barbeiros de espadas , lanceiros , bate-folhas , latoeiros de cravações de couraças , armeiros , viroteiros , solheiros , besteiros e espingardeiros ... Em fins do século , admitia-se e fomentava-se a vinda de artífices estrangeiros para fabricar , corrigir e polir as armas quer defensivas quer ofensivas . Mas na segunda metade do séc. XV quando o Império Colonial Português , estava consolidado em toda a Costa Ocidental Africana , a arte de fabricar e conservar armas e equipamento militar ainda era uma preocupação da coroa portuguesa como se explica através de medidas régias do monarca D.Manuel I , como por exemplo , o pagamento obrigatório de uma taxa de oito cruzados por cabeça por cada judeu que fugindo de Castela se refugiasse em Portugal , ficava reduzido a meia taxa se o seu ofício estivesse relacionado com a fabricação e renovação das armas [13].

Podemos ainda referir outras peças que denunciam a sua utilização com frequência nas operações militares utilizadas em fins da Idade Média e confirmadas pela relação apresentada no “Glossário de Armas ” [14] por João Gouveia Monteiro :

Adarga – Escudo fabricado não em madeira , mas em pele , originário do Magrebe, no Séc. XIII , muda a sua forma circular , assumindo um aspecto bi-oval.[15]

Aljava – Bolsa ou coldre de couro que os besteiros ou arqueiros , traziam a tiracolo ou á cintura e onde transportavam os viratões ou setas destinadas à utilização nas operações militares .[16]

Braçais – Peça de arnês destinada à defesa do braço.[17]

Brafoneiras – Peças de malha em forma de calça, destinadas à protecção das pernas[18]

Caneleira – Peça de equipamento militar destinada à protecção das canelas [19]

Couraça – Peça de protecção do tronco ( peito e costas ) dos combatentes, cuja afirmação se produz na Península Ibérica a partir de meados do séc. XIII , em virtude da incapacidade das tradicionais defesas de malha contrariarem entre si só a evolução registada a nível do armamento defensivo. [20]

Elmo – Protecção de ferro destinada à protecção da cabeça dos guerreiros. Domina em Castela o elmo em forma de tonel , [21] diferente da Capelina , capacete de ferro de tipo semi-esférico bastante simples que se moldava à forma da cabeça e que podia ter ou não uma protecção nasal [22]

Loudel – Túnica larga , de mangas curtas ou mesmo sem mangas , possivelmente acolchoada , que os guerreiros envergavam – decorada com os seus símbolos heráldicos . [23]

Maça - Estas armas identificadas pela iconografia peninsular, segundo Soler de Campo [24] , tinham uma grande carga simbólica e parecem estar associadas ao poder e à justiça . Era uma arma secundária , ofensiva e era uma espécie de cacete curto , com um cabo cilíndrico e uma cabeça de ferro que poderia ter várias formas entre elas a esférica.

Pavês – Escudo canelado e de grandes dimensões , que servia para proteger completamente um guerreiro ,em particular um besteiro – que – regularmente tinha que se recolher para poder e recarregar a sua besta .[25]

Sapatos de Ferro – peça de arnês de pernas destinada , como o nome indica, à protecção dos pés dos guerreiros .[26]



                                                                                                                               Postado por Arlindo Sena









[1] Fernão Lopes , Crónica de D. Fernando , Capítulo LXXXVII , pp 230

[2] Fernão Lopes , Crónica de D.Fernando , Capítulo XXXVI , pp 97

[3] Fernão Lopes , Crónica de D.Fernando ,Capítulo LXXXVII , pp.305

[4] Álvaro Soler de Campo , Ob.Cit.,pp .119

[5] - Luís Vaz de Camões , Os Lusíadas , Canto III , 130

[6] - Luís Vaz de Camões , Os Lusíadas , Canto IV , 14

[7] - Luís Vaz de Camões , Os Lusíadas, Canto IV , 42

[8] - Fernão Lopes ,Crónica de D.Fernando , cap .LXXXVII

[9] Fernão Lopes , Crónica de D.João I , cap.XXXIII,pag.92

[10] Fernão Lopes , Crónica de D.Fenando , cap.

[11] Alvaro Soler del Campo , La Evolución del Armamento Medieval , pp 47

[12] F.Rodrigues Lobo , O Condestabre de Portugal , Cap.XV

[13] Damião de Góis , Crónica de D.Manuel I , parte 8 , fol.8 Vº

[14] João Gouveia Monteiro , Ob.ci ppt531-547

[15] Ibid, pp531

[16] Ibid,.pp531

[17] Ibid .pp535

[18] Soler del Campo,Ob Cit ,pp 123

[19] João Gouveia Monteiro,Ob.Cit.536.

[20] Ibid.pp537

[21] Bhrum Hoffmeyer, Las armas de la historia da reconquista,pp.80-81

[22] ibid,pp.85-86

[23]Ibid ,.pp544

[24] Soler de Campo , Ob.Cit.pp 59

[25] Ibid,.pp545

[26] Ibid, .pp546

Dia Internacional dos Museus

Efeméride- Constitui um momento de reflexão único da Nossa Memória e da Nossa Universalidade Criativa, na nossa cidade de Elvas é sem dúvida o Museu de Arte Contemporâneo que nos honra e que nos a põe a par dos grandes museus da Pós-Modernidade e se considerarmos que nesta casa se expõem alguns trabalhos de referência nacional e internacional, da autoria de Joana Vasconcelos, Jorge Molder, Fernanda Figueiredo ou Pedro Cabrita Reis. O projecto do Museu de Arte Contemporânea, como tal, centrou-se na recuperação e adaptação do edifício do antigo Hospital da Misericórdia a novas funções. Porém a sua viabilização, nasceu do acordo entre o Presidente da Câmara de Elvas, José Rondão de Almeida e o empresário António Cachola, o primeiro disponibilizou o edifício e preparou uma candidatura a fundos comunitários, assegurando igualmente todo o esforço financeiro para a abertura e gestão corrente do Museu, enquanto que o segundo disponibilizou a sua importante colecção de arte contemporânea, iniciada em 1990. Sobre a colecção de António Cachola que domina a exposição permanente do MACE, sustenta as suas mais valias históricas e estéticas, num significativo conjunto de nomes que já ultrapassou a mera referência conjuntural ou sequer nacional e que garante a sua existência no plano internacional. De realçar ainda que o MACE, tem uma preciosa extensão, instalada num espaço exterior, um antigo paiol, disponibilizado pelo Ministério da Defesa para a realização de exposições temporárias. Não podemos, então ignorar que o Museu da Arte Contemporânea de Elvas é uma marca cultural que pretende o seu reconhecimento nacional e transfronteiriça, que alias já assume nos nossos dias. Postado por Arlindo Sena      

sábado, maio 16, 2009

Jan Ciermans ou Cosmander, o génio da arte fortificar na raia do Alentejo na Época Moderna



Biografia / História Regional e Local : - Jan Ciermans, mais conhecido por Cosmander, nasceu a 7 de Abril de 1602 em S-Hertogenbosch (Boi-le-Duc ou Bolduc), descendia de uma família de referência e de matriz católica. Educado num Colégio dos Jesuítas em Loivana onde se formou em Filosofia, Teologia e Matemática, em diversos momentos da sua vida entre 1619 e 1630. Após a sua ordenação em 4 de Abril de 1634, ensinou matemática em Antuérpia e Lovaina, na primeira cidade leccionou a disciplina de humanismo. A sua presença em Portugal é referenciada para 1641, quando passa por Lisboa com o objectivo de seguir para o Oriente como missionário, nesse período que inicialmente seria de passagem, ficou instalado no Colégio dos Jesuítas de Lisboa. Apresentado na Corte ao monarca D. João IV, impressionou-o pelos seus conhecimentos na área da matemática e na arte de fortificar. Pouco depois por vontade régia foi convidado a inspeccionar as fortificações nacionais e nem o facto de ter participado nas forças militares espanhóis que sitiou Arras em 1640, impediu esse honroso convite, numa época em que a arte de fortificar moderna estava a cargo de estrangeiros como Charles Lassart que na mesma época trabalhava no projecto arquitectónico do Forte da Graça. A sua passagem por terras lusas, está directamente ao traçado das fortificações da raia alentejana: Estremoz, Vila Viçosa, Olivença, Elvas, Campo Maior e Castelo de Vide. Ainda ao serviço da coroa portuguesa fortificou a Vila Nueva de Fresno entretanto conquistada pelas hostes nacionais durante a Guerra da Restauração. Em 1647, foi capturado pelo exército espanhol e ao fim de um ano e meio de detenção decidiu livremente optar pelo lado espanhol, integrando as forças de campanha militar que em 1648 cercou Olivença e que viria a pagar com a própria vida. Mas para a História da Arquitectura Militar Portuguesa e de Elvas, fica o testemunho do traçado da maior Praça abaluartada de Portugal, que segue o modelo de fortificação holandês, não sendo nesse sentido como foi defendido por alguns historiadores, uma Praça Vauban, aliás o reconhecido mestre da arte fortificar vivia a sua infância quando Cosmander traçava a “Fortaleza de Elvas” é certo que na Praça Militar de Elvas não se encontram algumas características do modelo holandês, tais como: a existência de um fosso com água ou uma falsa - braga. Porém não podemos deixar de reconhecer a existência do flanco perpendicular, o ângulo flanqueado recto, a utilização de um flanco secundário, as obras exteriores como os revelins e os fossos cónicos que seguem o modelo holandês na arte fortificar. Eis alguns dados biográficos do jesuíta, arquitecto de Jan Ciermans ou mais conhecido, por João Paschasio Cosmander na Corte portuguesa. Postado por Arlindo Sena

quinta-feira, maio 14, 2009

Frank O. Ghery, Dacing House - Praga