quinta-feira, maio 30, 2013

O Dadaísmo ...a consciência do inconsciente na Arte ...



Marcel Diuchamp, L.H.O.O., Lápis uma reprodução de Mona Lisa, 19.7X12.4 cm 



Rauol Hausmann, O Crítico da Arte, Colagem,31.4 X 25.1 cm



George Groz, O Culpado ainda é desconhecido, 50.7x35.5 cm


Raoul Haussmann, Tatlin em Casa, Colagem e guache, 40.9x27,9 cm  


O dadaísmo surgiu durante a 1ª Guerra Mundial, alegadamente através da palavra Dada que significa “cavalo de brinquedo” em francês e tirado acaso de um dicionário. Os defensores desta nova corrente defendiam que todas as crenças morais, políticas e estéticas, tinham sido destruídas pela guerra. Proclamavam uma abordagem destrutiva, irreverente e libertadora da arte. O dadaísmo evoluiu para o Surrealismo a partir de meados da década de 1920. O primeiro Manifesto Dada, publicado em 1918 defendia que o Dadaísmo “era uma nova realidade” e tinham uma atitude crítica relativamente aos expressionistas que acusavam de “resistência sentimental aos tempos”. A nova expressão artística  tinha como finalidade chocar a sociedade vigente do nacionalismo e do materialismo que tinham levado ao desastre da Primeira Guerra Mundial. O Dadaísmo também foi um movimento literário, além de visual, e formaram-se grupos independentes de dadaístas em Zurique, Nova Iorque, Berlim e Paris. O acaso e o disparate eram elementos determinantes que evidenciavam uma nova expressão artística marcada pelo inconsciente da vida quotidiana. Em termos objectivos a sua intensão era fazer com que as pessoas consciencializassem que as definições e os padrões pelos quais rotulamos e julgamos as obras de arte são talvez secundários para a arte e não são definitivos.       

domingo, maio 19, 2013

Sandro Botticelli - a perfeição da pintura florentina ...


O Homem e a Medalha de Cosme Médicis (1475)



A virgem e o Menino com os seus Anjos (1480-1481).


A Primavera (pormenor) 1482.

Depois da sua aprendizagem, o florentino Sandro Botticelli (1445-1510), aprendeu a arte da pintura pelas mãos de Frei Filipo Lippi. É provável que depois de trabalhar no atelier de Andrea del Verochhio, onde também estava empregado o jovem Leonardo. Desenvolveu um estilo muito pessoal baseado no dinamismo das linhas. O movimento imaginativo da roupa, o cabelo e os contornos conferem às suas pinturas um tom elegante e no qual de destaca o aspecto decorativo de forma bem evidente, que era muito o gosto dos mecenas como era o caso dos Médicis, de quem foi um pintor favorito. Nas suas pinturas da Virgem criou um ideal feminino inconfundível: esbelta, ruiva, virginal e ligeiramente melancólica. Na representação das personagens da mitologia clássica, inaugurou toda uma série de novos temas, que influenciaram alguns artistas posteriores. A sua obra está representada por inúmeros retábulos, frescos de grande relevância, assim como retratos e cenas cosmológicas e no seu conjunto representa a perfeição do “estilo florentino”.


sábado, maio 11, 2013

O contributo português para a ciência náutico nos séc.XV -XVI


Astrolábio Planisfério do Rei Afonso, o Sábio -Séc.XIII. 


Expedição de João Nova (1501) in Livro das Armadas da Índia.


Fragmento abrangendo a América - Panisfério de Cantino - 1502.


Quando iniciaram a expansão marítima os portugueses já possuíam um conjunto de conhecimentos e técnicas de navegação, legadas pelos árabes e judeu, e testadas no Mediterrâneo durante séculos por venezianos, genoveses, catalães e maiorquinos. Eram elas o leme fixo à popa (imerso e preso ao cadaste com dobradiças; mais fácil de manobrar e permitindo mudanças de direcção); a bússola (invenção chinesa que séculos antes permitiria o traçado das linhas de rumo nas cartas-portulano) e o astrolábio (instrumento de orientação astronómica de origem grega). Mas, à medida que a navegação ia avançando no Atlântico, as técnicas náuticas ia avançando no Atlântico, as técnicas náuticas foram evoluindo, tal como se foi aperfeiçoando a arte de marear. Os ventos e as correntes, dificultavam a navegação costeira, ao longo da costa ocidental africana e para ultrapassar esta dificuldade foi necessário construir uma embarcação que fosse capaz de navegar à bolina, isto é aproveitando os ventos e navegando ao largo da costa, surgia a caravela (barco veloz, manobrável e cujas velas triangulares permitiam o aproveitamento dos ventos em todas as direcções). Com as longas viagens em direcção à África Oriental e América impunham a construção de navios mais resistentes e maior porte. Surgia a nau ou galeão, com velas quadrangulares (redondas) e com boa capacidade de artilharia). A navegação com ventos contrários implicou outra mudança: o abandono da navegação costeira – que os portugueses praticavam aquando do regresso da Guiné e da Mina, e adoção da “volta ao largo”, que os levava ao mar dos Açores. A navegação de cabotagem cede assim lugar à navegação do mar alto ( que podia durar meses sem qualquer referência terrestre). A navegação de rumos e estima (apoiada na bússola, e em que os rumos e as distâncias percorridas se calculavam por estimativa). Revela-se igualmente insuficiente, sendo progressivamente substituída por um conjunto de práticas de medição, a chamada navegação astronómica – em que a observação e a medição da altura dos astros (sol, estrela polar, cruzeiro e ursa maior), através do astrolábio, quadrante e balestilha e a consulta posterior das tábuas de declinação solar e de regimentos dos astros (elaborados por matemáticos e astrónomos) permitiram  (após introdução de correcções aditivas ou subtractivas) a determinação da latitude e, por conseguinte, da posição do navio.Nos séculos XV e XVI como resultado da expansão marítima, a cartografia europeia entrou numa fase de evolução e aperfeiçoamento, projectando-se então os primeiros mapas elaborados cientificamente e que reviam as concepções medievais. De facto, com as viagens dos povos ibéricos, nomeadamente as portuguesas demonstraram-se que a cartografia medieval era incipiente e simplista, como por exemplo, o planisfério T-O que representava a terra como um disco plano, com três continentes rodeados por um oceano ou o planisfério de Platomeu do séc.II que não admitia, a comunicabilidade entre o oceano Atlântico e Índico e que vigorou até 1490 . Assim e graças ao contributo dos cartógrafos portugueses, os contornos das terras e dos mares são representados com uma corecção quase científica; as distâncias em escala aproximam-se da realidade, como é o caso, do planisfério de Cantino, a mais famosa das cartas portuguesas. (A África aparece representada com grande exactidão e é esboçado um trecho do litoral brasileiro). Os mapas passam a ter escalas e latitudes, planos hidrográficos ( e registos de profundidade), informações variadas sobre etnias, fauna e flora, tudo isto apresentado sob forma de ricas iluminuras. O traçado correto do Equador, paralelos e meridianos, tornam-se visíveis nas representações cartográficas nomeadamente no séc. XVI destacando-se entre os cartógrafos nacionais, Jorge reinel, Diogo Homem e Bartolomeu Velho.                     


sexta-feira, fevereiro 08, 2013

O Carnaval ....Momentos da história e dos lugares .....


As troupes femininas no elitista  "Carnaval de Cannes" 


O famoso Carnaval de Nice - o regresso da felicidade no pós guerra. 




O Careto. a versão judaica/cristão portuguesa  


Máscaras do Carnaval de Veneza (2010)

Carnaval do Rio (2008) - um hino à mulher brasileira



domingo, janeiro 20, 2013

Nos fins da Idade Média ...


Os Hospitalários estavam sediadas  no Crato e  continuavam a percorrer a planície ....  


A Casa de Bragança dinamizava a formação de senhorios e vilas no Alentejo Central 


Os grandes senhorios finalmente estavam consolidados no distrito de Beja


No final da Idade Média, o Alentejo tal como o Algarve mantinham-se como espaços periféricos e marginais marcados por uma ampla dependência dos poderes públicos. A distância, as ligações viárias e a insegurança, contribuíam para o isolamento da planície alentejana, ao mesmo tempo que tais regiões não constituíam uma prioridade da governação e pontualmente a sua voz era “ouvida” nas Cortes Régias. Nas regiões de fronteira, as cidades de Évora e Beja e as vilas de Estremoz, Portalegre e Elvas, mereciam alguma atenção, nomeadamente nos núcleos situados no norte alentejano, uma vez que a sua função estratégica  continuava a merecer alguma atenção. Tal como, se observava em Castela, este “olhar para o espaço fronteiriço” , justificava-se como forma de controlar e precaver qualquer ameaça inimiga e  a rede de castelos de 1º linha na fronteira dos distritos de Portalegre e de Beja, justificava só por si a possibilidade da referida ameaça.  Na verdade, em diversos momentos e não apenas durante as chamadas guerras fernandinas, o espaço da raia do Caia, foi em determinados momentos lugar de estacionamento militar temporário, cenário de incursões inimigas e campo das chamadas guerras de cerco e de assédio. De resto, foi em função destas circunstâncias a partir do reinado de D. Afonso IV , assistiu-se a uma melhoria dos recursos humanos e económicos, como meio de precaver o desenvolvimento das populações fronteiriças e nesse âmbito, a vila de Elvas e as zonas periféricas, Vila Viçosa e Estremoz ganharam alguma notoriedade junto à Coroa Portuguesa. Em parte, já D. Afonso III, já tinha esta intenção de desenvolver o Alentejo Oriental, concedendo foral a Portalegre, Arronches, Estremoz,  Évora Monte  e  Vila Viçosa . Mas o poder imposto do exterior, levanta-se, na vasta planície a Torre do Castelo de Beja, evidencia o poder do Alcaide em todas as terras da cercania, tal como a monumental Sé de Évora evidencia já o poder episcopal em terras onde as fronteiras cristãs há muito estão consolidadas e trata-se agora de conquistar a fé dos homens num espaço de conquista e de defesa da soberania nacional. De facto, no Alto Alentejo, os centros urbanos conheceram maior expansão e a onde a presença senhorial é mais evidente, a Casa de Bragança não só ocupa o topo da hierarquia senhorial como contribuiu para o desenvolvimento de concelhos como Arraiolos, Sousel, Borba, Portel e Monsaraz. Na verdade o número de concelhos que se constituíram para leste da capital do Alentejo é notável perante o “descampado” concelhio do sul alentejano, num espaço onde se instalaram as principais sedes das ordens religiosas a de Avis e a dos Hospitalários. Este último, com sede no Crato, acabará por se tornar a “arma de socorro” dos alcaides de Beja e ao fim ao cabo, foram os Hospitalários que ao longo de três séculos garantiram a soberania nacional, em terras a sul de Évora e da linha de Guadiana em terras a sul de Mértola e com o reino dos Algarves já no horizonte. A nível económico, nos fins da idade Média, a diversidade económica, era naturalmente maior a norte do Mondego, mas nas terras do sul, o centro e o norte do Alentejo, conhecia um franco desenvolvimento, as feiras, afirmaram-se de um modo particular junto à raia e no princípio do séc. XIV, Arronches, Elvas, Borba, Terena e Olivença, formavam por si um núcleo com algum dinamismo económico, bem diferenciado das regiões centrais, que se limitavam as feiras de Évora e Alvito e mais a sul, Moura, Beja e Ourique, evidenciavam ainda um despovoamento notável do território. Aliás, só durante o séc. XV que se formam os grandes senhorios de Beja, Serpa e Moura, nas mãos de D. Fernando, irmão do rei D. Afonso V e em pleno desenvolvimento no último quartel da referida centúria, quando o seu filho, D. Manuel, futuro rei de Portugal partilha a sua ampla riqueza agrária com o seu filho D. Luís que e torna o grande senhor das terras do sul ao mesmo tempo que a larga autonomia administrativa e jurisdicional, contribui decisivamente para a individualidade do Baixo Alentejo.                    

sábado, dezembro 22, 2012

Max Roemer um pintor germânico que fez da sua obra um culto a cultura madeirense ....

As ruas e as travessas ... uma constante na sua obra.


A Corsa um veículo de tracção por excelência até meados do século XX


A rede um meio de transporte senhorial e popular conforma as épocas e as circunstâncias


O Carro de bois um ícone do turismo madeirense até ao último terço do séc.XX ?...




Max Wilhelm Roemer, nasceu em Hamburgo a 22 de Novembro de 1878 e foi baptizado na igreja luterana de São Jacob, com cerca de uma ano e um mês no dia de Natal de 1879. A 24 de Maio de 1902, contraiu matrimónio com Louise Kaetchen Parizot, natural de Java e a quem se deve a sua passagem pela Madeira, segundo os contemporâneos de Max Roemer. De facto, as suas origens no sudoeste asiática, não eram bem vindas na Alemanha onde a crença da raça pura já circulava por todos os estados germânicos nos anos 20. Mas, Louise Parizot, do ponto de vista social se encontrava num patamar superior a Marx Roemer, na verdade era filha de um alemão (?) e os seus avós paternos eram oriundos de boas famílias parisienses, pelo lado materno, era neta do Conde Raden Ati Patti Sokro Nogaro, regedor de Soerabia. O seu pai, era um distinto monárquico, cuja origem parisiense só a perdeu quando se exilou na Alemanha, adquirindo a naturalidade germânica. Porém, tratava-se de um jovem aristocrata, com uma vida atribulada, mas feliz e cheia de aventura, terá sido um corredor de cavalos amador, percorreu dois continentes o europeu e a asiático, mas particularmente a China onde viveu durante vinte anos distinguindo-se como um exímio cavaleiro. Antes de se radicar na ilha de Java onde exerceu o cargo de director de empresa de incêndios e onde Louise Perizot foi apenas mais uma filha dos vinte cinco, do Conde Raden Nogaro, que foi esposo de treze mulheres. Louise perdeu a mãe com um ano e a cuidado de uma antiga governanta da família foi educada na Suiça. Conheceu Max Roemer quando este decorou as salas de recepção do Dresdner Bank e o Palácio Municipal de Berlim, encantado com a coloração e a feição exótica de Loiuse iniciou-se uma longa aventura matrimonial, antes porém surgiram os primeiros filhos, quando Max Roemer se alistou como soldado na infantaria alemã, durante a I Grande Guerra. Esteve nas campanhas da frente oriental e na cidade grega de Salónica, sendo promovido a 1ª cabo e decorado com a Cruz Hanseática, Cruz de ferro de Combatentes e ainda com a Insígnia dos Feridos, que pressupõe que foi provavelmente vítima em alguma circunstância do conflito de guerra, mas não existe nenhum documento que possa fazer essa prova. De regresso, à Pátria a sua esposa queixava-se dos invernos frios de Hamburgo e as condições financeiras da família estavam debilitadas pelo surto inflacionista gerado pela Grande Guerra. Um novo destino, esperava a família Roemer, na verdade Bente Olsen, um amigo, um ex- bailarino escandinavo falava-lhe da ilha da Madeira, do encantamento das suas flores, da simpatia da população e do sol …. E fazia-lhe frequentemente a sugestão de se radicar na ilha em várias das suas cartas dirigidas a Max. A ideia, de voltar a uma ilha não motivava a sua esposa, mas com os seus três filhos o casal desembarca no Funchal, no dia 27 de Maio de 1922, após a escala do vapor brasileiro “Curvello” que se dirigia para o Rio de Janeiro. A primeira residência dos Roemer situou-se em São Roque, com dezassete anos de vivência na capital funchalense muda-se para a Estrada Monumental antes de se fixar na freguesia de São Martinho, na Nazaré e nos últimos cinquentas de da sua vida, viveu no Funchal na Rua Major Reis Romes, nº8. Na capital madeirense curiosamente, não se integrou na comunidade estrangeira, convivendo de forma afectiva com a população local, cortou relações de amizade com o seu velho amigo Bengt Olsen a quem lhe prestou auxílio económico, não estabeleceu grandes relações com a comunidade alemã que residia na ilha, a amizade com o médico dentista Karl Friedrich Rohwedder que era nos anos trinta adepto do nacional-socialismo ou com o cônsul Wilhelml Hoffman, que chefe do Partido Nazi, local que com alguma dificuldade lhe anunciou que não podia pertencer ao partido, acabaram prematuramente. Segundo o testemunho da sua filha, essa notícia não lhe causou qualquer estado de alma, pois o facto de a sua mulher ser javanesa não lhe conferia, o tal desígnio de pertencer à raça superior. A única excepção na comunidade alemã, era outro nacional-socialista, de nome Uhse, técnico de um moinho de trigo, que lhe adquiria com regularidade alguns dos seus trabalhos. Entretanto a sua vida quotidiana, decorria com maior normalidade, entre umas braçadas a mar aberto, ginástica pela manhã e umas cavalgadas, no seu cavalo, humanizado chamado de “Pedro” preenchia-lhe os tempos que eram doados aos tempos artísticos. A sua obra, seria desde logo, reconhecida por António Nóbrega, pintor madeirense que com Max Roemer executou alguns painéis da Igreja de São Vicente. Todavia, a sua temática artística, ficou desde logo planificada com o que a cidade lhe proporcionava, as ruas, as travessas, os costumes e as paisagens, utilizando as técnicas mais variadas, desde o guache, o óleo ou a aguarela. Um pormenor, contudo marca a sua obra, evidenciando a sua identidade germânica, as caras das pessoas, que na maioria das vezes não traçam com clareza o rosto e os traços madeirenses, mas alemãs. Parte desta obra era vendida directamente nos hotéis a turistas nacionais e estrangeiros, em especial a ingleses. Outros trabalhos artísticos, desenvolveu na capital madeirense, nomeadamente desenhos para cartazes de publicidade para os cinemas locais, por vezes recebia alguns bilhetes por troca,  para si e para sua filha Valeska. Cartões de Boas Festas foram outro tipo de actividade artística que desenvolveu para a Casa Africana, em 1935 tais cartões apresentavam a seguinte legenda e foram objecto de publicidade no Diário de Notícias – nº18 336, de 11 de Dezembro de 1935 : “Get your especial X. mas Cards painted by Max Rmmer/at/ Africa House/ the rights places for your X. mas Shop – ping at moderade price”.  Max Roemer viria a falecer com 81 anos, após uma forte gripe que o debilitou durante 14 dias, tendo sido sepultado no antigo cemitério das Angústias do Funchal perdendo-se a sua sepultura para sempre. Dos seus filhos, Anita seguiu-lhe os seus passos, como pintora mas morrendo prematuramente aos 29 anos de tuberculose em 30 de Outubro de 1934 e Valesca, que também faleceu no Funchal a 25 de Agosto de 1988, que no fim da sua vida curiosamente conservava ainda o sotaque germânico, apesar de ter feito toda a sua vida na Madeira, reproduzia com alguma qualidade, os quadros do seu pai para os amigos. A senhora Roemer, também terminaria os seus dias no Funchal (4 de Abril de 1977). O seu filho, Rolf seria o único que voltaria a Hamburgo, onde foi intérprete, tradutor e correspondente do Diário de Noticias do Funchal, tendo em 26 de Abril de 1984, oferecido à Região Autónoma da Madeira, o património artístico, desenhos e pinturas, do qual foi receptor deste acto, o Secretário regional de Turismo, João Carlos Abreu. De resto, Max Roemer considerava a Madeira a sua segunda Pátria e os madeirenses souberam honrar a sua memória, com a primeira exposição realizada entre 1 e 11 de Janeiro de 1961, sob iniciativa do Dr.Wiliam Clode, Coronel Eduardo Ferreira, Engº Peter Clode e o pintor Louro de Almeida, nessa exposição levada a cabo na Academia de Música e Belas Artes da Madeira, foram expostas algumas obras realizadas antes de se radicar no Funchal como por exemplo, as que mostravam “As trincheiras da Primeira Guerra Mundial.” A obra de Max Roemer está conservada no Museu das Cruzes do Funchal e a sua memória foi novamente evocada em 1998, data correspondente o 110º aniversário tendo-se realizado uma exposição itinerante pelos Concelhos da Madeira e Porto Santo de dezoito aguarelas do pintor.                    

quarta-feira, dezembro 19, 2012

O Modernismo em Portugal ....






António Souza Cardoso, Tristezas.Cabeça - (1912), Óleo sobre tela.


Guillerme Santa Rita (1912), Cabeça, Óleo sobre tela.


Dórdio Gomes, Éguas de Manada, 1929, óleo sobre tela.

No princípio do século XX, as letras foram marcadas em Portugal por duas correntes literárias antagónicas; o Integralismo Lusitano, e a corrente do movimento Seara Nova. O primeiro, de que faziam parte nomes como António Sardinha, Hipólito Raposo e Rolão Preto, tinha raízes conservadoras, monárquicas e católicas; o segundo, cujos nomes mais conhecidos foram os de António Sérgio, Jaime Cortesão, Raul Proença ou Aquilino Ribeiro, situava-se na linha do nacionalismo e apresentava preocupações político-sociais e democráticas. Esta segunda corrente que deu lugar ao modernismo, reflectia as estéticas de vanguarda que no ínicio do século XX, manifestavam-se na Europa, mas não tinham uma linha programática dominante, por isso mesmo era possível uma associação à persistência de linguagem tradicionais frente a manifestações de linha cubista, futurista ou dadaísta. ( Casos das influencias do futurismo e do cubismo, nas obras de Santa Rita, Almada Negreiros e Amadeo Souza Cardoso. Outro aspecto que não podemos ignorar a influência de artistas portugueses que residiram no estrangeiro e de estrangeiros que desenvolveram parte da sua obra em Portugal (caso do Casal Delaunay que instalou-se em Vila do Conde onde desenvolveu parte da sua obra no nosso país).. O primeiro modernismo português (1911-1918), centrou-se em torno da Revista Orfheu, veículo de difusão do modernismo,  dele fazendo parte nomes como Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros e Fernando Pessoa. O modernismo português, surgia ainda no contexto da crise de consciência colectiva do pós-guerra, caracterizou-se pela ausência de qualquer ideologia, pela denúncia da decadência e da mediocridade da literatura, pela necessidade de romper com o saudosismo e o provincianismo que afastavam Portugal das grandes tendências literárias europeias. Almada Negreiros e Santa –Ritta Pintor, figuras de destaque do primeiro modernismo , empenharam-se de uma maneira particular na divulgação do Futurismo, que todavia não tiveram grande adesão do público. Fernando Pessoa foi o principal expoente do Orpheu e da poesia portuguesa. O sentido de mudança, a inquietação perante o destino do homem, a lucidez revelada na análise de um mundo que se desintegrava sem conseguir restituir-lhe o sentido, a capacidade de se desmembrar em várias personagens, cada qual correspondendo a um perfil bem definido, conferiram à sua poesia uma dimensão que lhe granjeou enorme prestígio no exterior. Neste contexto o primeiro modernismo, procurou divulgar as suas propostas artísticas e literárias, em exposições, conferências e em revistas ( como a citada revista Orpfeu e o Portugal Futurista), numa perspectiva renovadora relativamente à sociedade e à mentalidade do país, mas esta procura pela originalidade, que incitava à revolta e à provocação, acabou por não ter o efeito desejado pelos seus promotores. Dificuldades decorrentes da escassez de públicos culturais, resultantes querdo elevado analfabetismo quer do conservadorismo dos meios urbanos mais eruditos – agravadas pela situação política do país, foram algumas das razões.  Nas artes plásticas, o modernismo, surgido em força na segunda década do século XX, manifestou-se com pintores como Dórdio Gomes, Santa Rita-Pintor e especialmente Souza Cardoso, o qual procurou realizar a síntese de diversas tendências, na medida que ele próprio se confessava impressionista, cubista, futurista e abstraccionista. Uma segunda geração de modernistas, de que faziam parte José Régio, Miguel Torga e Adolfo Casais Monteiro, lançou a revista Presença (1927), em Coimbra. Continuando a proclamar-se como não doutrinários e sem filiação política, reagiram contra a literatura academizante e preferiram centrar-se na análise introspectiva, na confiscação ou na expressão da individualidade. Mas uma vez mais, os artistas continuaram a deparar-se com a rejeição pelos organismos oficiais, pelo que as exposições independentes que realizavam, de forma individual ou colectiva, a única forma de afirmação deste novo ciclo modernista que marcou os anos 20 e 30.             

domingo, dezembro 09, 2012

A afirmação da raia luso espanhola no Alentejo ....



A vila de Elvas situava-se no eixo da guerra guerreada ....


Badajoz entre a diplomacia e a guerra foi um palco de conflito na Idade Média

A raia do Alentejo na margem esquerda do Guadiana teatro da guerra medieval
(in João Gouveia Monteira;Os Castelos Portugueses, p.31) 


 A Nobreza senhorial da Extremadura desde sempre assegurou a soberania regional


No Norte Alentejana a cordialidade superou os conflitos nacionais e da região ...



            Na época medieval, a linha de fronteira entre Portugal e Castela no Alentejo, ficou definida sem dificuldade de maior, até ao século XII, mas torna-se um espaço de confrontação, uma vez que a impossibilidade de entendimento, na fixação definitiva da linha de demarcação da raia é uma realidade que atravessa quase dois séculos. A presença muçulmana neste vasto território foi determinante para as aspirações do nosso primeiro monarca, D. Afonso Henriques ainda antes do fim da sua carreira de armas irrompeu várias vezes pela Extremadura Espanhola, chegando a ocupar as cercanias de Cáceres o lendário General Sem Pavor, não deixou de assediar as terras além Guadiana numa tentativa de incorporar as terras castelhanas, no novo reino que estava ainda em pleno alargamento das fronteiras. Ao mesmo tempo, assistia-se no centro e sul peninsular, o avanço sem precedentes das várias forças vários reinos cristãos em formação, tal como a Nobreza da região Entre Douro e Minho, a Leonesa e a Aragonesa, marchava com as suas milícias num processo político que em parte não era mais que uma expansão feudal que era necessário clarificar. Com esta finalidade a diplomacia expressa-se quando se firma o tratado de Badajoz em 1267, que não é mais do que a confirmação de um outro assinado em 1252-1253 e cujas fontes não mencionam em que circunstâncias. Na verdade e apesar, das várias iniciativas luso-castelhanas, a linha que consagrada a realidade peninsular luso-castelhana em terras do sul, foi sem dúvida o Tratado de Alcanices (1297). Os protagonistas foram os monarcas, D. Dinis de Portugal e D. Fernando IV de Castela. Por este acordo Castela cedia a Portugal algumas populações extremenhas como Campo Maior, Ouguela e especialmente Olivença. Se consolidava assim a fronteira mais antiga da Europa. Mas, apesar de tudo, a clarividência da realidade raiana de uma fronteira definida não se deslumbra antes de finais do século XIV, momento em que a conjuntura de guerra, castiga violentamente as populações localizadas na raia de ambos os lados. Nos finais do século e com o tratado de Alcoutim de 1371, sem interesse prático, evidenciava um verdadeiro esgotamento da conjuntura de guerras de assédios e as tréguas, novas negociações surgem em 1393 e 1402, os cenários seleccionados para os encontros diplomáticos ocorreram nas vilas de Olivença e Villanueva de Barcarrota. Mais a paz duradoura só é firmada no Tratado de Ayllón em 1411  e confirmada em 1431 quando se promulga as conclusões do Tratado de Almeirim. Mais uma vez mais, as relações cordiais entre os dois estados foram afectadas com a crise política de 1440-1443 mas sem os efeitos dos conflitos (guerras Fernandinas)  que marcaram as terras do sul do Alentejo e da Extremadura. O Tratado de Elvas assinado em 1456 trouxe a acalmia as hostes da nobreza de armas de ambos os lados, mas a guerra civil castelhana que explodiu em 1475 abre as aspirações ao projecto Ibérico e D. Afonso V sonha ampliar o seu território, as forças portuguesas semeavam o pânico ao entrar em terras extremenhas, semeando o medo mas também a morte em ambos os lados da raia nacional uma realidade dominante na época medieval. Todavia, numa análise mais real e autêntica, com base nas fontes, com exclusão das guerras fernandinas, verdadeiros confrontos entre as hostes nacionais e senhoriais, de Portugal e Castela. A verdade é que a “guerra guerreada” foi a  de facto, o modo de conflito dominante, tratava-se de obter grandes quantidades de gados ou fazer um determinado número de prisioneiros, em troca do respectivo resgate. Não podemos deixar de referir nesta categoria de eventos, os cercos às vilas de Coria (1386); Alcântara (1400) ou os assaltos aos castelos de Cortijo e Lobon (1382) ou ainda a ocupação de Badajoz em 1396. Aliás, esta actividade militar intensa quase sempre gizada a partir de Elvas acabou por provocar o empobrecimento e o desaparecimento temporal de uma parte da população de Badajoz, mas em ambos os lados viveram-se tempos de alerta e de tensão e de descuido da organização económica, por abandono dos campos. Todavia, na raia alentejana uma realidade foi indiferente há guerra, tal como o movimento de pessoas, gados e mercadorias, que passavam aparentemente de um estado para outro, os Melo e os Gama, de Olivença, apesar da sua origem nobre, eram os maiores contrabandistas de cavalos e armas, nomeadamente o pai de Rui de Melo que viria a ser alcaide mor do castelo de Elvas, mas a norte da raia alentejana, a boa vizinhança alimentava as relações entre Marvão e Valência de Alcântara e mais o sul o despovoamento contribuía para um clima bélico pontual, de tal forma que as guerras de fronteira na linha da raia alentejana era compreendida de forma diferenciada em função de uma população que compreendia os conflitos bélicos de forma diferença.                 

quarta-feira, novembro 14, 2012

Nos anos 30 no tempo do "Hidroavião" nas ilhas atlânticas ....


Levantando voo na baía do Funchal (1935)


Amaragem na baía da cidade do Funchal 

Amaragem na baía da Horta 

Preparando a partida na baía da Horta

As vanguardas artísticas e as novas propostas pictóricas ...




Pablo Picasso, Les Demoisells d´Avignon, óleo sobre tela, 24.9 x 233,7 cm 

Umberto Boccioni, A cidade ergue-se, óleo sobre tela, 199.3cm x301 cm.  

Piet Mondrain, Composição em Cor, óleo sobre tela, 50x44 cm

Salvador Dali, Construção mole com feijões cozidos, Óleo sobre tela, 51 x78 cm

A literatura nas artes acompanharam as inovações introduzidas no campo da ciência e técnica. De um modo geral, as mudanças verificadas no campo da criação literária e artística caracterizaram-se pela proliferação de inovações e pela diversidade de experiências de vanguardas culturais que procurando romper com o passado, deram origem ao modernismo. No campo das artes plásticas, as grandes tendências centraram-se na construção de um novo universo plástico através da exaltação da cor, do desmantelamento da perspectiva renascentista e da construção de uma nova visão do espaço. Assim o expressionismo  concebia a arte como a expressão do mundo interior do artista (as suas angústias ou inquietações), pelo que a obra de arte poderia distorcer as formas ou cores dos objectos representados), cujos principais representantes são Ernest Kircher e Edvard Munch, procurou exprimir na pintura os dramas da condição humana (miséria, angústia, injustiças e solidão) através da deformação intencional das formas e dos contornos, da utilização arbitrária da cor e da ausência da perspectiva clássica, substituída por tonalidades contrastantes. A exaltação da cor é, por sua vez, a característica mais saliente do fauvismo  ( Caracterizado pela utilização expressiva e intensa da cor, sem preocupações de exactidão em relação à realidade)  Matisse, Rouault, Dérain) através do uso dos tons puros e fortes, abandono das regras claro-escuro, do permenor de representação do real ou da perspectiva, o que implicou o regresso à bidimensionalidade da pintura. Entretanto, Pablo Picasso e George Braque provocavam uma revolução na arte ao decomporem os objectos e as figuras em formas geométricas (cones, cilindros, esferas), colocadas na tela em planos e perspectivas diferentes, provocando deste modo o desmantelamento da perspectiva renascentista. O cubismo (caracterizado pela decomposição das objectos e das figuras geométricas colocadas em planos e perspectivas diferentes, provocando o desmantelamento da perspectiva renascentista e a emergência de uma quarte dimensão na pintura, conseguida através de diversas visões simultâneas dos objectos) destrói a realidade, não possui qualquer relação com ela, é uma abstracção. Emerge uma quarta dimensão na pintura através de uma visão intelectualizada do espaço, que possibilita a visualização dos objectos sob diversas perspectivas em simultâneo. Por outro lado, com origem na Itália, surgiu o futurismo, propondo a supressão da tradição e a introdução de temáticas relacionadas com a velocidade, a mudança e o dinamismo característicos da vida moderna (máquinas, pontes, aviões), recorrendo a técnicas do cinema e da fotografia, como a decomposição de formas e cores, a alternância de planos ou a sobreposição de imagens. Se, com o cubismo, a pintura já aparece desligada da realidade visual, é, porém com o abstraccionismo (que concebe a obra arte como reflexo do estado de espírito do artista, o que supõe a sua abstracção relativamente ao real e o desaparecimento da representação dos objectos, substituídos por linhas, cores e formas que valem apenas por si )  , iniciado por Kandisky em 1910, que o artista transforma o quadro em pintura não figurativa, rompendo em definitivo com a perspectiva clássica, seja através de uma linguagem matemática onde o jogo da cor e as linhas procuram representar uma realidade oculta ( abstraccionismo geométrico, de Piet Mondrian), seja através de formas orgânicas e cores vibrantes ( abstraccionismo expressionista, de Kandisky. Ligado à psicanálise de Freud, surge o surrealismo (Dali, Max Ernest e René Magrite), cujos princípios assentam na crença da superioridade de algumas formas de associação, na importância para a produção artística de toda a criação gerada a partir do sonho e do inconsciente, fora, portanto, da vigilância da razão e do consciente, na procura da libertação interior. Os surrealistas usam fragmentos fotográficos fazem colagens, pintam sobre velhos painéis, ou seja, fazem surgir a obra de arte a partir das banalidades do quotidiano. É possível, entretanto destacar duas tendências: uma, figurativa, de que se destaca Salvador Dalí, caracterizada pelo recurso à associação interpretativa de fenómenos delirantes, como a alusão a desejos reprimidos ou a resíduos do passado; outra abstracta, de Joan Miró, valorizando o recurso à associação de símbolos provenientes do seu imaginário. Finalmente, percursor do surrealismo, nascido também na Suiça o dadaísmo  ( caracterizado pela recusa do racionalismo, da arte e da literatura tradicionais, que valoriza o acaso, o absurdo, o espontâneo, a dúvida, o instinto, o inconsciente e o indíviduo). Principais representantes , Marcel Duchamp, Francis Picabia e Hans Harp) propunha que a cultura se libertasse das suas regras lógicas, de forma a deixar brotar o instintivo e o escandaloso, através, nomeadamente, do insulto ao talento e ao génio, pelo menos nas formas que eles normalmente assumiam.-                                

domingo, outubro 28, 2012

Edvard Munch um pintor das ansiedades ....



Edvard Munch, O Grito, 91x73.5cm, 1898, sobre papel, Galeria nacional de Oslo 



Edvard Munch, Puberdade, óleo sobre tela, 1895, 151,4 x 109.9cm. Galeria Nacional de Oslo


Edvard Munch, Raparigas numa ponte, óleo sobre tela, 135.9 x 125.4 cm, Galeria Nacional de Oslo

Edward Munch (1963-1944) – sem dúvida uma das referências das vanguardas artísticas, cuja obra se destaca pelas suas intensas e torturadas imagens, de grande carga psicológica, que reflectem ou encarnam a mentalidade depressiva e angustiada da cultura nórdica do fim do século.  Estes sentimentos estão subjacentes no quadro mais famoso de Edvard Munch, "O Grito" que mostra a ansiedade e o medo, que reinava em finais do séc. XIX. A personagem representada, simboliza o desespero humano que marcava essa época de transição num contexto cromático em que o ritmo das linhas longas e sinuosas parece fazer com que o eco provocado pelo grito transborda por todos os cantos do quadro, transformando o céu e a terra em uma grande cena d horror. A sua obra de uma geral foi influenciada pela paleta cromática dos pintores do impressionismo francês. Nas suas obras em relação à representação feminina, a mesma surge vitimizada e ameaçadora e na linha dos seus quadros de um simbolismo subjectivo está patente a sua própria luta interna com as relações sociais e com a sexualidade. Na obra "Puberdade"  Edvard Munch, evoca simultâneamente  a atracção e repulsa do inconsciente explorado por Sigmund Freud. Mas é evidente, que o pintor nórdico, não estava interessado em revelar a vulnerabilidade da rapariga, mas sim em mostrar compreensaõ e empatia. Apesar da perturbação interior, o retrato possui uma austeridade formal e solenidade reminiscente de retratos de Cristo em sofrimento. Tanto no seu estilo como na sua temática, as suas representações foram importantes para a afirmação e consolidação do expressionismo alemão.    

quarta-feira, outubro 24, 2012

O gótico na planície ....



A Catedral de ÉVORA um espaço arquitectónico de transição.

A simplicidade do Portal da Igreja de S.Pedro em Elvas

Vista parcial do transepto da Igreja de São Domingos (Elvas)

A Igreja - Fortaleza de Terena


O Castelo Gótico (Mértola) e a sua posição estratégica 

Na longa planície alentejana em plena da Idade Média edifica-se as primeiras manifestações e influências artísticas oriundas da Ilha de France e da região de Champagne, o sul de Portugal torna-se um feudo da arquitectura gótica. Sem a majestade das grandes igrejas góticas de Chartres, Reims ou Amiens, a igreja monacal domina a paisagem alentejana, são baixas e atarracadas e os vitrais ainda não predominam nos seus alçados, evidenciando uma técnica construtiva mediana num espaço em que o teatro de guerra marca os tempos da vida quotidiana. Com um programa construtivo, modelar destacam-se as três naves cortadas por um transepto saliente, amplo e iluminado, por largas janelas maineladas, que se abrem nos dois topos. As cabeceiras de cinco capelas abobadas que comunicam entre si por estreitas passagens têm um só andar e a capela mor que centraliza os actos de fé nos templos góticos, são normalmente caracterizadas pelos seus amplos vãos, de cinco panos iluminados por estreitas frestas e cobertas por abóbadas de ogivas. Mas na arquitectura gótica, na planície alentejana destacam-se a uma série de intervenções pelos mestres pedreiros medievais que rompem com a vulgaridade construtiva. Na Catedral de Évora, romântica-gótica, a solidez da sua fachada e a elegância dos seus volumes, é perfeita e harmónica, apesar do acabamento das três torres serem de épocas diferente. Exteriormente os volumes das torres harmonizam-se com as fachadas laterais, a que se situa a Norte é amparada por contrafortes e iluminada por frestas, a técnica de construção ainda não permitia a elevação das naves, de resto o arcobotante à maneira gaulesa, só seria introduzido mais tarde na igreja e mosteiro de santa vitória na Batalha. Em São Domingo de Elvas, destaca-se a capela-mor contemporânea da catedral de Évora e com semelhanças na sua tipologia, mas tecnicamente mais evoluída, não é por acaso que é considerada uma das obras-primas da arte gótica em Portugal, tratando-se de uma capela ampla e elevada de magníficas proporções em que os feixes dos arcos terminam à mesma altura. Notável a colocação das ogivas que assentam em colunas de secção poligonal sem capitéis decorados, as frestas rasgam-se desde os panos das abóbadas até perto do solo. Em São Francisco de Estremoz a organização da cabeceira caracteriza-se pela sua originalidade do número de capelas: três e pela suas naves esguias uma características das igrejas mendicantes na região que se observa em São Domingos de Elvas e mais tarde na igreja manuelina de Olivença. Mas a organização das naves aproximam as duas igrejas mendicantes alentejanas, com cinco tramos nas naves e com uma fachada de três corpos alteradas nos séculos XVI e XVII. Num região habituada aos confrontos bélicos, destacavam as igrejas fortificadas como em Flor da Rosa ou Terena, de uma só nave e com  várias torres, em Terena destacava-se a distribuição das massas, que dava ao templo um carácter pesado e baixo.  Na arquitectura militar, os castelos de Serpa, Mourão, Elvas, Niza e Arronches, a planta era regular, mas tinha maior complexidade no caso dos castelos do Distrito de Portalegre. As muralhas eram mais espessas e elevadas, e as torres tinham também maior altura e robustez. As torres de ângulo eram quadradas, e as muralhas eram protegidas por uma ligeira camisa e reforçadas por cubelos. Na maior parte dos castelos do sul de Portugal as diferenças situavam-se sobretudo nas proporções, na planta e nas coberturas da torre de menagem uma vez que a distância entre as torres e a posição da cintura muralhada eram praticamente iguais. Entre a fé e a assistência social a Igreja medieval fomentava indirectamente a arte e a cultura num tempo em que os ritmos diários eram marcados pelas torres sineiras num tempo rígido pela Cristandade.

sexta-feira, outubro 19, 2012

Registos históricos da Ilha Verde - S.Miguel..




Um património histórico que persiste no tempo da arte micaelense 

Lavadeiras nas Sete Cidades na aurora do século XX


O carro de bois micaelense um instrumento de trabalho antes da mecanização dos transportes


Um momento de unidade e de fé que marcou e marca todas as gerações da Ilha Verde... 


O parque Terra Nostra (Furnas) em meados do século XX entre o lazer e o turismo.