sábado, dezembro 31, 2011

Em 1912 foi notícia em 2012 ...???

O  desastre do Titanic a tragédio do ano.... 

O busto de Nefertiti o achado da Sociedade alemã do Oriente

O Voo da mulher piloto Harriet Quimby


Os primeiros jogos em terras nórdicas

As primeiras cisões dos notáveis da I República em Portugal 

Em 1912 foi ano em que ….  No mundo .... Cinquenta mil lavadeiras entram em greve para reclamar novos salários …  A Suiça adoptou medidas para a protecção de trabalhadores em caso de enfermidade … O Congresso argentino aprovou o sufrágio universal, obrigatório e secreto…O Parlamento italiano aprovou uma proposta de lei com finalidade de assegurar a protecção social dos trabalhadores …. Em  Paris termina a rodagem da película “A Dama das Camélias” na qual se destacou a actriz Sarath Bernard…O explorador britânico Robert Falcon Scott e seus acompanhantes perdem a vida no regresso do Pólo Sul … Harriet Quimby  torna-se a primeira mulher a atravessar o Canal da Mancha em avião ….O transatlântico TiTanic considerado o navio mais seguro do mundo colidiu com iceberg perto da Terra Nova perdendo-se cerca de 1.513 vidas ….O serviço de telégrafo regular, sem cabos, assegura as comunicações entre os Grã-Bretenha e os Estados Unidos ….O Pravada é editado em S. Petersburgo pelos defensores do bolchevismo …. Em Estacolmo inicia-se a 5º edição dos Jogos Olímpicos … O Montenegro como estado da aliança balcânica, declara guerra ao império Otomano … A Sociedade Alemã do Oriente revela o achado do busto de Neferitit durante as escavações na antiga cidade de Almarna … A.Carrel recebe o Prémio Nobel da medicina como pioneiro do transplante de órgãos…Em  Rudowska manifestações camponesas desembocaram em perseguição aos judeus no final do ano… Em Portugal,  António José de Almeida funda o Partido Evolucionista e Brito Camacho a União Republicana era o fim da unidade republicana … registaram-se conflitos religiosos um pouco por todo o País … Norton de Matos é nomeado governador geral de Angola após as várias revoltas que se manifestaram no Império Colonial Português … Falecimento na Maratona do célebre atleta Francisco Lázaro… Estreia literária de Sá Carneiro, com a obra  Princípio …como será em 2012 ....

quinta-feira, dezembro 29, 2011

11.1. O Estado Novo e o Poder Local entre guerras.....


D.Duarte Pio (Duque de Bragança)  na fronteira vigilante do Caia (Elvas) 

Doutor Oliveira Salazar nos tempos que convivia com a família Santana Marques.


A guerra civil de Espanha favoreceu a presença militar na administração municipal 

 O viaduto a primeira grande obra do Estado Novo uma ambição da primeira vereação municipal


Com o fim da Guerra civil de Espanha, a cidade de Elvas ao contrário do que se tinha observado durante a I República, aumentou significativamente a sua importância como espaço militarizado iniciando-se uma pré-militarização da Praça que se torna efectiva cerca de trinta anos depois. O seu espaço fronteiriço, afirma-se a partir de finais dos anos quarenta como uma zona de trânsito amplamente controlada e não apenas como uma área fiscal de 1ª ordem, categoria que advinha desde meados do séc. XIX com a reorganização da política e polícia fiscal dos governos da regeneração. Mas entre a legalidade e a clandestinidade tornou-se também um ponto de chegado para os exilados espanhóis e um ponto de partida para os portugueses, ao contrário de Vilar Formoso que se afirmava mais do que nunca como a parte de saída para a emigração, que não era tão evidente a sul da raia portuguesa. Porém, em tempo de paz e normalidade, o poder local continuava a se estruturar segundo a vontade do Poder Central, cada vez mais fechado em si mesmo. Se a República em 1910, em termos programáticos mostrava-se tendencialmente favorável a uma descentralização política, a verdade é que tais ideias não passaram disso mesmo, tal como o municipalismo no séc. XIX . O debate mantinha-se desde as primeiras crises do republicanismo, o sector integralista na personagem de Alberto Monsaraz considerava que a descentralização não tinha tido sucesso na I República porque ela era de natureza monárquica. Por esta razão e pelo nacionalismo que o Doutor Oliveira Salazar pretendia empreender a autonomia do Poder Local não era discutível, de facto na história portuguesa desde a Época Moderna, que o localismo era mais forte que o nacionalismo, porque o conceito de naturalidade (de uma cidade ou vila), atravessou os “séculos da memória” , o nacionalismo e o regionalismo como ideias políticas nascem praticamente na época contemporânea como consequência das revoluções liberais do século XIX e do desenvolvimento dos transportes,  vias de comunicação, da imprensa e do ensino público a partir de meados do séc. XIX, logo o futuro Presidente do Conselho não podia construir um Estado Forte dividido alienando funções e competências pelos poderes locais, era aliás um contra senso num país que vivia próximo da anarquia fruto da instabilidade política de dezasseis anos de experiência republicana e que lhe ia faltando uma identidade própria. Foi nestas circunstâncias que segundo César Oliveira: “As Câmaras nacionais deveriam ter funções de soberania municipal. Entre tais funções, contava-se fazer leis (posturas), regulamentos, funções de gestão patrimonial, funções policiais e de segurança dos cidadãos e funções relativas aos interesses morais e materiais da população. Desde a construção e gestão dos cemitérios, aos abastecimentos de água e aos esgotos até à gestão dos espaços urbanos e a promoção dos interesses económicos concelhios” . A execução de tais funções estavam reguladas pela existência de dois órgãos segundo o Código Administrativo, artigo 71, nº2, cujo modelo era concretizado por um Conselho Municipal e pelo Presidente da Câmara Municipal. Nestes órgãos, a figura predominante era de facto o Presidente da Câmara, na verdade, ele era livremente nomeado pelo governo. Todavia, a nomeação directa do Presidente da Câmara, suscitava alguma polémica mesmo nos sectores mais conservadores da União Nacional, por isso mesmo e mais tarde o II Congresso Nacional da União Nacional, resolvia esta questão com uma ideia já lançada pelo movimento Integralista, como se comprova na reflexão de António Teixeira Santos: “… com base nos argumentos expandidos durante a I República, por António Sardinha, Teoria do Município e Cartilha Monárquica com base nos chefes de família, nos representantes dos grémios, sindicatos e misericórdias e corporações de interesse e espírito”.”O conselho municipal resultava da representação das juntas de freguesia únicos órgãos eleitos ainda que por um colégio eleitoral restringido aos chefes de família ou equiparados” in Decreto lei 27 995, de 27 de Agosto de 1937. Estas limitações eram extensivas aos meios técnicos e humanos, falta de maquinaria, de ferramentas e um quadro técnico inadequado para um corpo de funcionários com habilitações e competências limitas, determinando uma política dependente da vontade do Poder Central. A intervenção central omnipotente, a carência de meios e um presidente de Câmara, nomeado e sem renumeração mensal, limitavam o planeamento e as ambições dos municípios. A Câmara de Elvas, no período de 1926-1945 estava limitada a um orçamento típico, que pouco variava na sua execução: 1.Orçamento típico; 2.Compromissos do município anterior; 3. Execuções fiscais; 4. Obras Municipais; 5.Obras com a comparticipação do estado e a 6.Assistência Pública. Em dezanove anos a cidade conheceu sete presidentes que se destacaram por um conjunto de obras que ultrapassaram o seu rígido orçamento: O Dr. Manuel Santana Marques (1926-1928), figura grata do regime, a sua esposa era amiga de longa data do chefe de Estado e a presença do Doutor Salazar na sua residência era comum nos tempos da formação do Estado Novo. Destaca-se do seu mandato algumas propostas e obras notáveis, nomeadamente, a questão da abertura do Viaduto, a montagem da linha telefónica entre Elvas e Portalegre e o alargamento da estrada para a fronteira entre Elvas e o Caia; o Major Joaquim Melo (1928-1931), foi sobretudo o militar em comissão de serviço tendo sido um dos impulsionadores para os estudos de ligação ferroviária, Elvas e Vila Viçosa. O Dr. João Crisóstomo Atunes (1931-1936), prestigiado médico da cidade, cuja principal preocupação centrou-se na implementação do ensino primário, num período em que a cidade vivia a tragédia da guerra civil espanhol e nesse contexto era uma “urbe” militarizada. O médico, Dr.Januário Machado Cavalheiro (1936-1937, líder da União Nacional, destacou-se sobretudo por prolongar a sua actividade médica com as suas decisões políticas, centradas na Saúde sendo responsável pela construção do Dispensário Anti-Tuberculoso e pelo Centro de Saúde. Mas, a guerra civil de Espanha e os sinais de confrontação bélica entre franquistas e republicanas, adivinhava-se e como prevenção, de novo um militar era nomeado para dirigir a vida municipal, o Capitão Manuel Rodrigues Carpinteiro (1938-1941) que iniciou a electrificação das zonas rurais e o primeiro político de Estado Novo a privilegiar o “mundo rural” então em expansão. Até meados do século, novas personalidades, dirigem os interesses municipais, o Coronel Henrique Lopes Garcia (1942-1943), que é sobretudo um militar numa praça militar de fronteira numa época de conjuntura de guerra e o Dr. Mário Cidraes que chega à Câmara em 1944 mas é sobretudo uma figura distinta da política elvense na segunda metade do séc. XX.        



O Dr. Mário Cidraes uma gestão única ou uma visão geradora de progresso







                          

terça-feira, dezembro 27, 2011

Ponta Delgada, imagens centenárias da capital da Ilha Verde


Ponta Delgada (1900) - Arcos da cidade e cais de embarque


1900 - Largo João Franco - homenagem ao carismático político da monarquia constitucional

Ponta Delgada (1901) - Perspectiva central da cidade


1910 ? - Hotel Americano junto ao Adro da Matriz

Porto de Abrigo (1913) de Ponta Delgada

Ponta Delgada [Calheta] - 1913 


A minha rua  cerca de oito décadas antes dos meus tempos académicos. 

1918 - Canhão americano na defesa da cidade evidenciando já a importância estratégica dos Açores em conflitos intercontinentais.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

1.1.1.O renascimento militar da Praça Militar de Elvas numa conjuntura de guerra….


Os campos agrícolas da raia de Elvas afirmaram-se espaços de exílios para
os extremenhos que passavam a raia.


A aviação germânica que participou na batalha área de Badajoz fez escala numa herdade elvense.

Os arredores em torno do Forte de Santa Luzia faziam parte da rota dos exilados em fuga da violência e da morte que marcava os dias em Badajoz ... 

Os franquistas contaram com a colaboração das autoridades portuguesas na detenção da oposição republicana....

Nos primeiros tempos de vigência do Estado Novo, as suas estruturas de suporte foram crescendo com o seu próprio aparelho burocrático, a censura e a vigilância marcaram necessariamente muitos momentos da vida quotidiana da cidade de Elvas e de um modo particular pela situação estratégica de espaço fronteiriço. Se a nível da vida local, as dificuldades de afirmação de uma acção política favorável ao exercício do poder local foi uma constante pelo menos até meados do séc. XX , a verdade é que a conjuntura de guerra que se viveu no Ocidente  não facilitava qualquer solidariedade com os poderes locais. Mas ao contrário, do que se tinha verificado durante a I República a cidade de Elvas, voltava a ganhar o seu estatuto histórico que tinha “ganho” durante as guerras peninsulares voltando a ser uma praça militarizada, uma placa estacionamento. Ou seja a Guerra Civil de Espanha e em consequência indirecta a 2ºGuerra Mundial, voltava a dar dignidade ao estatuto militar da velha praça militar da época Moderna, praticamente desmilitarizada entre finais da Monarquia Constitucional e a I República. A guerra Civil de Espanha seria o primeiro momento de afirmação, a cidade elvense no Inverno de 1939 tinha se transformado no “centro do mundo”, políticos, jornalistas e equipamentos militares permaneciam instalados nas artérias e nas proximidades de Elvas com ligação à fronteira, descrições da época demonstram esse intenso movimento como a coluna de apoio á causa nacionalista (franquista): “A coluna automóvel do Rádio Clube Português, que na sua longa viagem de Lisboa-Badajoz, transportava donativos em géneros e agasalhos medicamentos. As camionetas alinhadas por distritos e levando à frente o de Lisboa, estendiam-se por quilómetros. Esperava-se ansiosamente a entrada em Espanha. Faziam-se perguntas contínuas aos chefes das colunas distritais e o tempo ia passando. Havia talvez uma hora que ali estávamos quando de Elvas nos chegou o barulho de potentes aviões. Os olhos perscrutaram o espaço ansiosamente até que se descortinavam três aviões que para nós se dirigiam. Eram aviões portugueses das nossas forças aéreas que sobrevoaram as colunas num voo elegantíssimo que despertou o mais vivo entusiasmo. Vivas estridentes ecoaram, pelo espaço numa expontânea de fé nacionalistas, braços bem alto para o céu, em direcção às cruzes de Cristo rubras, que se avistaram na fuselagem dos aparelhos”. O Coronel Passos e Sousa, natural de Elvas, Ministro da Guerra em 1934-1936, era designado pelo regime para assumir o comando da Praça face a qualquer ameaça republicana que eventualmente pudesse ameaçar a soberania nacional face à ameaça de uma vitória republicana em Espanha. O tempo em Elvas parara com a tragédia espanhola, a solidariedade não era palavra vã, as notícias corriam em toda a raia: “As senhoras de Elvas e campo Maior, que tanto carinho e dedicação confeccionaram agasalhos para as tropas que estão batendo na “frente” pede-nos o Consulado de Espanha, nesta cidade que o tomemos público o seu profundo e fervoroso reconhecimento para notável iniciativa”. Nas herdades junto ao Guadiana, os actos de bravura e de humanidade dos proprietários das casas agrícolas elvenses sucediam-se: “O Dr. José Albarran atravessou o rio a nado, seguido de perto de comunistas. A perseguição foi tão feroz que o nosso hóspede chegou aqui em lamentável Estado, não havendo água que o saciasse”. Todavia, um pouco por todo o lado, passavam a salto, homens, mulheres e crianças, independentemente da sua posição política face às facções em conflito, as crianças muitas vezes passavam a raia sob protecção de contrabandistas elvenses e campomaiorenses, sendo depois enviadas para o norte de Portugal, antes de partirem para a América Latina, por via marítima. Mas, sem dúvida que com muitos riscos correram vários homens e famílias de Elvas, que protegeram as centenas de refugiados republicanos espanhóis, que atravessaram a raia. Uma vez que desde finais de Outono de 1936, o Governador Civil de Portalegre e os militares estacionados em Elvas e Badajoz, para além do director da Polícia Internacional de Segurança Pública, tinham ordens para deter e barrar a entrada de qualquer indivíduo identificado com a causa republicana. As detenções entretanto sucediam-se como se lê em documentos rubricados por secreto: “Alguns comunistas fugiram para Portugal, onde foram presos pelas nossas forças de fronteira”. Numa atitude informativa, o Prof.Dr. Vicent Gray, da Universidade de Valhadolid, dava a conhecer aos Elvenses: “A Espanha luta contra o comunismo, e ao denunciar o seu sangue, o mais precioso, o da sua juventude, que renunciou aos amores e à prosperidade e a força do amanhã …”.  Neste teatro de guerra, em que muitos elvenses subiam aos montes para assistir aos bombardeamentos da aviação franquista e germânica sobre a cidade de Badajoz, na cidade de Elvas, Ventura Abrantes defendia que Portugal tinha uma oportunidade única para recuperar Olivença, em 20 de Fevereiro de 1938, declarava que “um grande número de patriotas vão empreender uma ofensiva patriótica “… mas o jornal nacionalista a Defesa, no seu editorial dava conta das pretensões de Ventura Abrantes e denunciava: “Reclamar Olivença nesta altura pode ser um disfarce e neste momento histórico que atravessamos é fazer propaganda dos vermelhos”…. Mas com o fim da Guerra Civil de Espanha ainda com as feridas por sarar na raia luso-espanhola, o elvense Manuel Cayola, no Correio Elvense, previa o desencadear de um conflito à escala mundial:”A Espanha entrou no Eixo das grandes potências totalitárias, a Itália absorveu a Albânia e a Inglaterra, na direcção da linha defensiva da Europa atribulada, decretou o serviço militar” e alguns meses depois, o jovem promissor das letras elvenses Eurico Gama, escrevia: “Assim alastra, como um incêndio tremendo e devastador, pelo mundo inteiro, não poupando crianças, nem mulheres, nem velhos, metralhando e reduzindo a pó, hospitais, misericórdias, asilos  e maternidades, bombardeando escolas e templos ….” ….a guerra na Europa estava no seu início. Em Elvas a vida marcava, passo, a pobreza e a modéstia, fazia parte do homem comum perante a inoperância do poder local, limitado pelo centralismo e pela ordem militar numa época de racionamento e de austeridade económica, que se manifestou durante quase  duas décadas, 1930 e 1940 …..  Em Elvas vivia-se em paz mas numa conjuntura de prevenção que acabou por tornar contribuir para a sua importância militar quase até final do século XX como espaço de estacionamento militar para conflitos armados a longa distância. 

domingo, dezembro 04, 2011

11. A viragem do regime : - O Estado Novo

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A notícia esperada por vários sectores da sociedade elvense

O general Gomes da Costa triunfante em 28 de Maio de 1926

A miltarização da cidade de Elvas entrava na ordem do dia com o novo regime.

A primeira república, continuava a viver num clima de instabilidade política, a ordem imposta pelo Major Doutor Sidónio Pais, não teve continuidade e o regresso, à ordem democrática, não evitou a agitação social nas ruas e nas fábricas. A queda da 1ª República, adivinhava-se face ao défice orçamental crónico, acompanhado pelo crescimento da dívida pública e pela desvalorização da moeda, ao mesmo tempo que a fuga de capitais e inflação crescia num clima de instabilidade política e social, propício à mudança. Na cidade de Elvas como nas principais cidades do país sem viver um clima de conspiração, a facção monárquica órfão do ideário integralista de António Sardinha e da República Nova, associava a instabilidade republicana à corrupção ou à incompetência. As principais personagens da I República, estavam em debandada relativamente à causa republicana, Júlio de Alcântara Botelho, após a sua passagem pela presidência da Câmara, com o apoio do Partido Republicano Liberal em 1919, deixava definitivamente a vida política, mas desde 1913 que se tornara um adversário do radicalismo republicano, face às divisões e ambições, que se faziam sentir no interior do P.R.P.-Partido Democrático.  O guarda livros, José Augusto Cayola, também conhecido pelo nome simbólico de “Pasteur” quando da sua passagem pela Loja maçónica da Emancipação (Elvas), também se afastou das ideais da I República após as eleições locais de 1917, aproximando-se do Partido Republicano Liberal e apresentando-se na lista de Júlio de Alcântara Botelho às eleições de 1919.  André Gonçalves, escrivão notarial figura conceituada na cidade muito cedo tinha abandonado o debate político, embora nunca tenha afirmado publicamente que estava desapontado com os rumos da vida política em círculos mais fechados tal decisão parece ter sido tomada. O Solicitador, José Barroso um devoto republicano desde a primeira hora, abandonara o PRP-Democrático em 1915 e tornou-se um defensor da República Nova e juntamente com Júlio Botelho, lançou a iniciativa para a edificação de um monumento ao Dotor Sidónio Pais, apesar de voltar a surgir numa lista do PRP-Democrático nas eleições de  1922 era outro dos descontentes dos elvenses republicanos da primeira hora. Entre os republicanos elvenses da vanguarda do 5 de Outubro de 1910, apenas dois nomes mantinham-se em pleno, António José Torres de Carvalho e o Dr. João Camoesas que seria deportado para Angola quando da mudança do regime, antes de se exilar nos  Estados Unidos. Mas, se para alguns personalidades locais, a viragem entre fundamental para outros, continuavam no jogo político, a surpresa era vinculada ao boato que uma lista monárquicos que se apresentariam às eleições de 1926 defensora da esquerda democrática, que juntava o Dr .João Henriques Tierno  e outros conservadores, como Estevão Falé, Tello Rasquilha, Alfredo Carvalho e D.Gonçallo Telles da Silva. O tempo histórico, porém não confirmou esta notícia que circulou na Primavera de 1926, quando o tempo republicano se ia esgotando como se lia na imprensa elvense: “ As eleições essa comédia grotesca que o povo está junto lá vai o tempo e a nossa prometida ainda não chegou. Quando é que estes políticos nos deixam em paz”. Mas a mudança estava a pouco mais de três meses e o primeiro mês após o movimento militar de 28 de Maio de 1926, corria com certa moderação e desconfiança, todavia não se compreendia mesmo em certos círculos de opinião pública, o facto de ter passado três semanas e não haver um governo em funções: “Tem causado no público impressão pouco agradável, a morosidade com que após o 28 de Maio, se está montando a máquina governativa. Agora a dificuldade em conseguir a organização do ministério que, até à hora em que escrevemos se não acha completo”. A verdade é que a opinião pública não tinha compreendido o alcance do 28 de Maio, porque este movimento político não tinha objectivos partidários, uma vez que era uma acção de natureza militar por outro não sendo um movi mento liderado por uma força partidária não tinha um programa detalhado, mas a ordem era então a palavra de ordem “Entre a ditadura de farda e disciplinada e uma ditadura de pé descalço esfomeada e parlamentar, não hesitamos um segundo, somos pela primeira”.