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segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Igreja de Nossa Senhora da Assunção (antiga Sé de Elvas)


Fachada principal da igreja de Nossa Senhora da Assunção


Portal principal (1550) projecto de Miguel Arruda.



Nave Central, manuelina, atríbuida a Francisco de Arruda.  

Nave Lateral


Abóbada nervada assente em mísulas  - uma originalidade na cobertura das Igrejas Manuelinas


Entrada da Sacristia

Localização: no Centro da cidade de Elvas no limite norte da Praça da República. Descrição histórica e caracterização artística: Iniciada a sua construção em 1517 foi aberta ao culto em 1537 quando a jovem cidade de Elvas completava os seus vinte anos. Do traço do arquitecto régio do baluarte de Belém, Francisco de Arruda foi todavia o mestre pedreiro Diogo Mendes que dirigiu as campanhas de obras no referido templo e nomeadamente na composição dos alçados, do espaço, na solução da sua iluminação e nas combinações dos volumes que se inserem no plano das edificações religiosas do gótico final português. Ou seja, a antiga Sé de Elvas cujo estatuto vigorou durante um pouco mais que três séculos (1570-1882) é um espaço estruturalmente do gótico final. Embora com os princípios inovadores do estilo manuelino no âmbito decorativo e estrutural ainda que só a nível da estrutura da sua cobertura. De facto, quando se contempla a fachada principal da antiga igreja de Nossa Senhora da Praça, depois de Nossa Senhora da Assunção e finalmente Sé de Elvas, verifica-se que a sua frontaria de matriz gótica tem apenas uma torre robusta coroada por uma outra, sineira de três olhais e de arco de volta perfeita nas quatro faces de coroamento piramidal. Esta solução construtiva encontra inclusivamente exemplos nos templos românicos como a Igreja de S. Martinho dos Mouros (Lamego) ou a do Priorado do Rosário (Goa) edificada durante o ciclo da expansão. Por outro lado, o portal do gótico final, desenhado por Miguel Arruda em 1550 foi definitivamente substituído pela solução classizante em 1657 e que persistiu até aos nossos dias. Então onde persiste o Manuelino na Sé de Elvas, no exterior nas portas laterais e no interior nas naves onde a gramática decorativa da época da expansão comercial e marítima quinhentista é indiscutível. Também é inquestionável a solução arquitectónica de cariz manuelina, na organização das três naves, cujas abóbadas nervadas e que se projectam a partir das mísulas adjacentes nos dois andares da nave central, coroadas pela Ordem da Cruz de Cristo que guiaram os portugueses sob os ventos que sopravam nas caravelas que percorreram os mares de além-mar. Classificação: Monumento Nacional Decreto de 16-6-1910, Z.E.P., DG, 2ª série de 7-4-1953.  

segunda-feira, janeiro 09, 2012

O Palácio ou Fortaleza de S.Lourenço: Notas históricas.


Topo da baluarte Joanina do Forte de S.Lourenço


Gravura da zona oeste do Fortaleza de S.Lourenço (1866) 
( edição do Gabintete do Representante da República)   


Vista Sul da Fortaleza ou Palácio de S.Lourenço 





Vista norte da Fortaleza ou Palácio de S.Lourenço (foto de Élvio Gouveia)

Planta da Fortaleza de S.Lourenço (edição do Gabinete do representante da República)

A Fortaleza central do Funchal, actual Palácio de S.Lourenço, resultou de uma série de intervenções com vista à cobertura das defesas da cidade, que inicialmente era servida por uma  “ baluarte torre” datada de  1540, que tinha uma planta semi-oval, ostentando as armas reais na sua fachada. A sua, pouca eficácia na defesa defensiva durante o assédio seguindo-se  saque do saque, sob comando do Marechal Bertrand de Montiuc, determinou o envio pela Coroa para a Madeira, do arquitecto régio Mateus Fernandes, que elaborou uma nova planta para a Fortaleza do Funchal datada de 1567 e como resultado da presença no Funchal dos mestres italianos, Pompeu Arditi e Tomás Beneditino, era um projecto ambicioso, que pressupunha um importante complexo defensivo, que tinha como base o morro da Pena e desenvolvia-se até ao Bairro de Santa Maria ( actual Zona Velha). O referido projecto não seria aprovado pela Coroa e nascia assim a Fortaleza de São Lourenço, ainda que sob orientação de Mateus Fernandes que procedeu ao planeamento da respectiva edificação, a partir da Fortaleza central que se limitava à baluarte Joanina ( baluarte torre). Do ponto vista, arquitectónico seguiu algumas das ideias da arte de fortificar que pretendia empreender no seu plano de fortificação do Funchal proposto em 1567. Assim a fortaleza de São Lourenço, definia-se a partir de dois baluartes pentagonais do mesmo tipo, colocados ou virados para norte e um quadrangular, a proteger a zona ocidental. Mais tarde, no início do séc. XVII, foi acrescentada uma nova baluarte semi-pentagonal, projecto de Jerónimo Jorge, para proteger a porta, baluarte denominada de São Lourenço, santo devoto da Coroa dualista no período da União Ibérica, esta denominação mais tarde foi alargada a toda a edificação. A fortaleza de S. Lourenço ao longo da sua história distinguiu-se fundamentalmente em três funções: desde espaço defensivo, a comando militar ou de representação dos poderes da República.                 

domingo, dezembro 21, 2008

As Artes Menores no Ocidente Medieval

Leitura Formativa: 10º Ano de escolaridade História e Cultura das Artes - As imagens românicas cumprem duas funções básicas: uma didáctica e uma outra estética.A primeira é a mais importante, pois a segunda é-lhe totalmente inerente. A iconografia e a simbologia românticas pretendem educar ideologicamente a população, amendrontada e atemorizada por imagens cujo significado não consegue compreender . A escultura românica desenvolve-se de uma maneira particular nos portais dos edifícios religiosos, era usual representar-se o Pantocrator, geralmente acompanhado por tetramorfos ( Chama-se tetramorfos à representação simbólica dos quatro Evangelistas.S.Mateus era representado por um anjo, S. Lucas pelo Touro, S.Marcos pelo Leão e S. João pela Águia) , e no mainel figuras humanas quase isoladas. Os relevos também cobriam o lintel e as ombreiras. As arquivoltas eram geralmente reservadas a temas ornamentais, embora existem alguns exemplos com figuras. As restantes esculturas do templo, como as dos capitéis ou das absides, podiam ser simplesmente ornamentais ou representar cenas do Antigo e do Novo Testamento ou animais do bestiário, ( São figuras que personificam o mal, o pecado e o Inferno, como a serpente, o dragão ou a sereia. No entanto, algumas imagens também simbolizam o Bem, por exemplo o leão, a àguia ou a cegonha ) . A pintura apresenta fundamentalmente três tipos de suporte: mural, sobre madeira e iluminura. Em todas as manifestações predomina o tratamento linear e as cores são lisas e sem volume. As figuras são apresentadas com contornos grossos que exageram os traços e a expressão. As composições são regidas pela lei da frontalidade, ou seja, as imagens apresentam-se de frente e são estereotipadas. A ornamentação, da mesma forma que na escultura, parte principalmente de motivos geométricos e vegetais e, em muitos casos, serve para demarcar a composição. Encontramos fundamentalmente três tipos de pintura: mural, sobre madeira e a iluminura. A pintura mural era realizada no interior das igrejas, de preferência na abside central, nas cúpulas e nas paredes. A técnica mais utilizada foi a do fresco, mas foi igualmente usada a têmpera. As cores empregues eram o azul, o vermelho e o amarelo. O preto estava reservado para delinear os contornos das figuras com traço grosso. A pintura sobre madeira, desenvolveu-se na decoração de frontais de altares, pequenos retábulos e baldaquinos. A composição era geralmente realçada no centro por uma mandorla com a figura do Pantocrator ou da Virgem e do Menino. Os lados eram reservados às cenas ou personagens secundárias, compartimentando a superfície em faixas horizontais ou, por vezes, verticais. Frequentemente, as imagens secundárias eram representadas sob arcos de volta perfeita. A enquadrar a composição desenvolvia-se uma faixa decorativa como a moldura. A iluminura desenvolveu-se segundo as influências carolíngias e bizantinas e têm como função a ilustração de bíblias, breviários, missais ou livros de horas. Postado por Arlindo Sena.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

A arte Românica

Leitura formativa: - Módulo nº 3 - A Cultura do Mosteiro : - " A arte românica é essencialmente rural e arquitectónica, considerando que a pintura e a escultura, surgem neste estilo artístico como formas artísticas complementares da arte maior. Na verdade, dada a religiosidade do momento histórico e o protagonismo da Igreja em todos os âmbitos da sociedade da cultura, a construção romântica por excelência foi o templo. As igrejas quanto à planta, eram muito variadas. A planta de cruz latina apresenta-se como o modelo dominante e que se define por três ou cinco naves longitudinais, na tradição das plantas basilicais, diferenciando-se pela introdução de um transepto saliente ou bem marcado. Nas grandes igrejas de peregrinação destaca-se ainda o deambulatório que marca o acesso à abside e aos absídiolos. As de planta cruz grega , são constituídas por duas naves com a mesma dimensão, que se cruzam perpendicularmente no centro. As coberturas de madeira do período paleocristâ mantiveram-se durante os primeiros tempos da "era românica", mas as abóbadas de arestas e de berço foram ganhando espaço na cobertura das edificações românticas, as de berço predominavam nas naves centrais enquanto que as naves laterais eram aplicadas as abóbadas de arestas mais complexas na sua organização estrutural. Os de arco redondo ou de volta inteira asseguravam o suporte da colunata das naves e os vãos do mesmo tipo permitiam a iluminação do interior das edificações. As paredes são de grande espessura e reforçadas com contrafortes, para suportarem o peso das abóbadas. A fachada integra habitualmente um portal monumental, decorado com elementos escultóricos e a cabeceira normalmente apresenta absides de planta semicircvlar. A difusão do romântico no Ocidente apresenta o território francês como o seu centro difusor a partir da organização económica e social da Ordem de Cluny no período consequente à queda do Império Romano do Ocidente, no qual surgem as primeiras igrejas de peregrinação, de cinco naves e deambulatório, a da Borgonha ou Vézelay. Em Itália, o modelo arquitectónico segue a tradição romana e bizantina. Os materiais são o tijolo e o mármore. A originalidade reside na utilização frequente de arcadas cegas e torres adjacentes aos templos religiosos. Em Espanha, encontramos influências de características diferenciadas, deste o modelo do românico da Lombardia que é caracterizado por uma torre única de grandes dimensões, passando pelas igrejas de três ou mais naves, com cruzeiro, deambulatório e absídiolas , na rota do caminho de Santiago ou a influência islâmica no noroeste identificada sobretudo pelas arcadas em ferradura. Em Portugal fruto da reconquista cristã, destaca-se as catedrais de Lisboa, Coimbra e Porto, onde as características acasteladas são visíveis na organização das fachadas das igrejas de três naves com transepto ou de nave única com ou sem o transepto e mais comum nas igrejas paroquiais do Norte de Portugal, região por excelência do românico no nosso país. Por essa mesma razão o românico não vingou no sul de Portugal que em Elvas se limita ao Portal da Igreja paroquial de S. Pedro. Postado por Arlindo Sena.

segunda-feira, julho 28, 2008

Igreja de São Domingos de Elvas

História local e Didáctica da História e Cultura das Artes - Fundada em 1297 só conserva desta época a ábside da capela mor. A sua cabeceira constitui uma das obras primas da arquitectura medieval em Portugal e é sem dúvida tal como o amplo transepto a parte primitiva da referida igreja mandada edificar no reinado de D. Afonso III, chegada até ao nosso tempo.A referida cabeceira organiza-se com base em cinco capelas, com capela-mor composta de um tramo rectangular e de abside de cinco panos, ladeada de capelas com as quais comunica por estreitas passagens. De referir ainda que as quatro capelas que se organizam em torno da capela-mor, são quadradas nas segundas capelas e poligonais nas primeiras. Outras características referidas pelas fontes e em parte visíveis apesar das várias campanhas de obras que alteraram o perfil gótico do templo elvense como o pórtico barroco. É sem dúvida a Planta de cruz latina, a combinação de volumes em função de três naves a diferentes alturas ou o alçado da nave central de dois andares, um primeiro ao nível das arcadas de comunicação e um segundo ao nível das janelas de comunicação. O actual pórtico barroco substitui um elegante portal de arquivoltas com gablete coroado por uma ampla rosácea segundo as reproduções de Duarte de Armas . O actual setecentista mas que se incorpora no contexto das modificações opradas no séc. XVIII, é caracterizado por uma ampla cimalha e frontão ladeado por anjos, que têm a com função o suporte das armas reais e da Ordem de S.Domingos.Dois portais de menor dimensão adjacentes, com frontões e coruchéus, e três janelas sobrepostas, completam a fachada principal na qual se identificam na parte superior outros elementos estruturais/decorativos como as volutas, nichos e pináculos. Este espaço mendicante um dos mais importantes do Gótico Mendicante Nacional foi considerado Monumento nacional por decreto M.N. desde 16 de Junho de 1910. Postado por Arlindo Sena