sábado, dezembro 31, 2011

Em 1912 foi notícia em 2012 ...???

O  desastre do Titanic a tragédio do ano.... 

O busto de Nefertiti o achado da Sociedade alemã do Oriente

O Voo da mulher piloto Harriet Quimby


Os primeiros jogos em terras nórdicas

As primeiras cisões dos notáveis da I República em Portugal 

Em 1912 foi ano em que ….  No mundo .... Cinquenta mil lavadeiras entram em greve para reclamar novos salários …  A Suiça adoptou medidas para a protecção de trabalhadores em caso de enfermidade … O Congresso argentino aprovou o sufrágio universal, obrigatório e secreto…O Parlamento italiano aprovou uma proposta de lei com finalidade de assegurar a protecção social dos trabalhadores …. Em  Paris termina a rodagem da película “A Dama das Camélias” na qual se destacou a actriz Sarath Bernard…O explorador britânico Robert Falcon Scott e seus acompanhantes perdem a vida no regresso do Pólo Sul … Harriet Quimby  torna-se a primeira mulher a atravessar o Canal da Mancha em avião ….O transatlântico TiTanic considerado o navio mais seguro do mundo colidiu com iceberg perto da Terra Nova perdendo-se cerca de 1.513 vidas ….O serviço de telégrafo regular, sem cabos, assegura as comunicações entre os Grã-Bretenha e os Estados Unidos ….O Pravada é editado em S. Petersburgo pelos defensores do bolchevismo …. Em Estacolmo inicia-se a 5º edição dos Jogos Olímpicos … O Montenegro como estado da aliança balcânica, declara guerra ao império Otomano … A Sociedade Alemã do Oriente revela o achado do busto de Neferitit durante as escavações na antiga cidade de Almarna … A.Carrel recebe o Prémio Nobel da medicina como pioneiro do transplante de órgãos…Em  Rudowska manifestações camponesas desembocaram em perseguição aos judeus no final do ano… Em Portugal,  António José de Almeida funda o Partido Evolucionista e Brito Camacho a União Republicana era o fim da unidade republicana … registaram-se conflitos religiosos um pouco por todo o País … Norton de Matos é nomeado governador geral de Angola após as várias revoltas que se manifestaram no Império Colonial Português … Falecimento na Maratona do célebre atleta Francisco Lázaro… Estreia literária de Sá Carneiro, com a obra  Princípio …como será em 2012 ....

quinta-feira, dezembro 29, 2011

11.1. O Estado Novo e o Poder Local entre guerras.....


D.Duarte Pio (Duque de Bragança)  na fronteira vigilante do Caia (Elvas) 

Doutor Oliveira Salazar nos tempos que convivia com a família Santana Marques.


A guerra civil de Espanha favoreceu a presença militar na administração municipal 

 O viaduto a primeira grande obra do Estado Novo uma ambição da primeira vereação municipal


Com o fim da Guerra civil de Espanha, a cidade de Elvas ao contrário do que se tinha observado durante a I República, aumentou significativamente a sua importância como espaço militarizado iniciando-se uma pré-militarização da Praça que se torna efectiva cerca de trinta anos depois. O seu espaço fronteiriço, afirma-se a partir de finais dos anos quarenta como uma zona de trânsito amplamente controlada e não apenas como uma área fiscal de 1ª ordem, categoria que advinha desde meados do séc. XIX com a reorganização da política e polícia fiscal dos governos da regeneração. Mas entre a legalidade e a clandestinidade tornou-se também um ponto de chegado para os exilados espanhóis e um ponto de partida para os portugueses, ao contrário de Vilar Formoso que se afirmava mais do que nunca como a parte de saída para a emigração, que não era tão evidente a sul da raia portuguesa. Porém, em tempo de paz e normalidade, o poder local continuava a se estruturar segundo a vontade do Poder Central, cada vez mais fechado em si mesmo. Se a República em 1910, em termos programáticos mostrava-se tendencialmente favorável a uma descentralização política, a verdade é que tais ideias não passaram disso mesmo, tal como o municipalismo no séc. XIX . O debate mantinha-se desde as primeiras crises do republicanismo, o sector integralista na personagem de Alberto Monsaraz considerava que a descentralização não tinha tido sucesso na I República porque ela era de natureza monárquica. Por esta razão e pelo nacionalismo que o Doutor Oliveira Salazar pretendia empreender a autonomia do Poder Local não era discutível, de facto na história portuguesa desde a Época Moderna, que o localismo era mais forte que o nacionalismo, porque o conceito de naturalidade (de uma cidade ou vila), atravessou os “séculos da memória” , o nacionalismo e o regionalismo como ideias políticas nascem praticamente na época contemporânea como consequência das revoluções liberais do século XIX e do desenvolvimento dos transportes,  vias de comunicação, da imprensa e do ensino público a partir de meados do séc. XIX, logo o futuro Presidente do Conselho não podia construir um Estado Forte dividido alienando funções e competências pelos poderes locais, era aliás um contra senso num país que vivia próximo da anarquia fruto da instabilidade política de dezasseis anos de experiência republicana e que lhe ia faltando uma identidade própria. Foi nestas circunstâncias que segundo César Oliveira: “As Câmaras nacionais deveriam ter funções de soberania municipal. Entre tais funções, contava-se fazer leis (posturas), regulamentos, funções de gestão patrimonial, funções policiais e de segurança dos cidadãos e funções relativas aos interesses morais e materiais da população. Desde a construção e gestão dos cemitérios, aos abastecimentos de água e aos esgotos até à gestão dos espaços urbanos e a promoção dos interesses económicos concelhios” . A execução de tais funções estavam reguladas pela existência de dois órgãos segundo o Código Administrativo, artigo 71, nº2, cujo modelo era concretizado por um Conselho Municipal e pelo Presidente da Câmara Municipal. Nestes órgãos, a figura predominante era de facto o Presidente da Câmara, na verdade, ele era livremente nomeado pelo governo. Todavia, a nomeação directa do Presidente da Câmara, suscitava alguma polémica mesmo nos sectores mais conservadores da União Nacional, por isso mesmo e mais tarde o II Congresso Nacional da União Nacional, resolvia esta questão com uma ideia já lançada pelo movimento Integralista, como se comprova na reflexão de António Teixeira Santos: “… com base nos argumentos expandidos durante a I República, por António Sardinha, Teoria do Município e Cartilha Monárquica com base nos chefes de família, nos representantes dos grémios, sindicatos e misericórdias e corporações de interesse e espírito”.”O conselho municipal resultava da representação das juntas de freguesia únicos órgãos eleitos ainda que por um colégio eleitoral restringido aos chefes de família ou equiparados” in Decreto lei 27 995, de 27 de Agosto de 1937. Estas limitações eram extensivas aos meios técnicos e humanos, falta de maquinaria, de ferramentas e um quadro técnico inadequado para um corpo de funcionários com habilitações e competências limitas, determinando uma política dependente da vontade do Poder Central. A intervenção central omnipotente, a carência de meios e um presidente de Câmara, nomeado e sem renumeração mensal, limitavam o planeamento e as ambições dos municípios. A Câmara de Elvas, no período de 1926-1945 estava limitada a um orçamento típico, que pouco variava na sua execução: 1.Orçamento típico; 2.Compromissos do município anterior; 3. Execuções fiscais; 4. Obras Municipais; 5.Obras com a comparticipação do estado e a 6.Assistência Pública. Em dezanove anos a cidade conheceu sete presidentes que se destacaram por um conjunto de obras que ultrapassaram o seu rígido orçamento: O Dr. Manuel Santana Marques (1926-1928), figura grata do regime, a sua esposa era amiga de longa data do chefe de Estado e a presença do Doutor Salazar na sua residência era comum nos tempos da formação do Estado Novo. Destaca-se do seu mandato algumas propostas e obras notáveis, nomeadamente, a questão da abertura do Viaduto, a montagem da linha telefónica entre Elvas e Portalegre e o alargamento da estrada para a fronteira entre Elvas e o Caia; o Major Joaquim Melo (1928-1931), foi sobretudo o militar em comissão de serviço tendo sido um dos impulsionadores para os estudos de ligação ferroviária, Elvas e Vila Viçosa. O Dr. João Crisóstomo Atunes (1931-1936), prestigiado médico da cidade, cuja principal preocupação centrou-se na implementação do ensino primário, num período em que a cidade vivia a tragédia da guerra civil espanhol e nesse contexto era uma “urbe” militarizada. O médico, Dr.Januário Machado Cavalheiro (1936-1937, líder da União Nacional, destacou-se sobretudo por prolongar a sua actividade médica com as suas decisões políticas, centradas na Saúde sendo responsável pela construção do Dispensário Anti-Tuberculoso e pelo Centro de Saúde. Mas, a guerra civil de Espanha e os sinais de confrontação bélica entre franquistas e republicanas, adivinhava-se e como prevenção, de novo um militar era nomeado para dirigir a vida municipal, o Capitão Manuel Rodrigues Carpinteiro (1938-1941) que iniciou a electrificação das zonas rurais e o primeiro político de Estado Novo a privilegiar o “mundo rural” então em expansão. Até meados do século, novas personalidades, dirigem os interesses municipais, o Coronel Henrique Lopes Garcia (1942-1943), que é sobretudo um militar numa praça militar de fronteira numa época de conjuntura de guerra e o Dr. Mário Cidraes que chega à Câmara em 1944 mas é sobretudo uma figura distinta da política elvense na segunda metade do séc. XX.        



O Dr. Mário Cidraes uma gestão única ou uma visão geradora de progresso







                          

terça-feira, dezembro 27, 2011

Ponta Delgada, imagens centenárias da capital da Ilha Verde


Ponta Delgada (1900) - Arcos da cidade e cais de embarque


1900 - Largo João Franco - homenagem ao carismático político da monarquia constitucional

Ponta Delgada (1901) - Perspectiva central da cidade


1910 ? - Hotel Americano junto ao Adro da Matriz

Porto de Abrigo (1913) de Ponta Delgada

Ponta Delgada [Calheta] - 1913 


A minha rua  cerca de oito décadas antes dos meus tempos académicos. 

1918 - Canhão americano na defesa da cidade evidenciando já a importância estratégica dos Açores em conflitos intercontinentais.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

1.1.1.O renascimento militar da Praça Militar de Elvas numa conjuntura de guerra….


Os campos agrícolas da raia de Elvas afirmaram-se espaços de exílios para
os extremenhos que passavam a raia.


A aviação germânica que participou na batalha área de Badajoz fez escala numa herdade elvense.

Os arredores em torno do Forte de Santa Luzia faziam parte da rota dos exilados em fuga da violência e da morte que marcava os dias em Badajoz ... 

Os franquistas contaram com a colaboração das autoridades portuguesas na detenção da oposição republicana....

Nos primeiros tempos de vigência do Estado Novo, as suas estruturas de suporte foram crescendo com o seu próprio aparelho burocrático, a censura e a vigilância marcaram necessariamente muitos momentos da vida quotidiana da cidade de Elvas e de um modo particular pela situação estratégica de espaço fronteiriço. Se a nível da vida local, as dificuldades de afirmação de uma acção política favorável ao exercício do poder local foi uma constante pelo menos até meados do séc. XX , a verdade é que a conjuntura de guerra que se viveu no Ocidente  não facilitava qualquer solidariedade com os poderes locais. Mas ao contrário, do que se tinha verificado durante a I República a cidade de Elvas, voltava a ganhar o seu estatuto histórico que tinha “ganho” durante as guerras peninsulares voltando a ser uma praça militarizada, uma placa estacionamento. Ou seja a Guerra Civil de Espanha e em consequência indirecta a 2ºGuerra Mundial, voltava a dar dignidade ao estatuto militar da velha praça militar da época Moderna, praticamente desmilitarizada entre finais da Monarquia Constitucional e a I República. A guerra Civil de Espanha seria o primeiro momento de afirmação, a cidade elvense no Inverno de 1939 tinha se transformado no “centro do mundo”, políticos, jornalistas e equipamentos militares permaneciam instalados nas artérias e nas proximidades de Elvas com ligação à fronteira, descrições da época demonstram esse intenso movimento como a coluna de apoio á causa nacionalista (franquista): “A coluna automóvel do Rádio Clube Português, que na sua longa viagem de Lisboa-Badajoz, transportava donativos em géneros e agasalhos medicamentos. As camionetas alinhadas por distritos e levando à frente o de Lisboa, estendiam-se por quilómetros. Esperava-se ansiosamente a entrada em Espanha. Faziam-se perguntas contínuas aos chefes das colunas distritais e o tempo ia passando. Havia talvez uma hora que ali estávamos quando de Elvas nos chegou o barulho de potentes aviões. Os olhos perscrutaram o espaço ansiosamente até que se descortinavam três aviões que para nós se dirigiam. Eram aviões portugueses das nossas forças aéreas que sobrevoaram as colunas num voo elegantíssimo que despertou o mais vivo entusiasmo. Vivas estridentes ecoaram, pelo espaço numa expontânea de fé nacionalistas, braços bem alto para o céu, em direcção às cruzes de Cristo rubras, que se avistaram na fuselagem dos aparelhos”. O Coronel Passos e Sousa, natural de Elvas, Ministro da Guerra em 1934-1936, era designado pelo regime para assumir o comando da Praça face a qualquer ameaça republicana que eventualmente pudesse ameaçar a soberania nacional face à ameaça de uma vitória republicana em Espanha. O tempo em Elvas parara com a tragédia espanhola, a solidariedade não era palavra vã, as notícias corriam em toda a raia: “As senhoras de Elvas e campo Maior, que tanto carinho e dedicação confeccionaram agasalhos para as tropas que estão batendo na “frente” pede-nos o Consulado de Espanha, nesta cidade que o tomemos público o seu profundo e fervoroso reconhecimento para notável iniciativa”. Nas herdades junto ao Guadiana, os actos de bravura e de humanidade dos proprietários das casas agrícolas elvenses sucediam-se: “O Dr. José Albarran atravessou o rio a nado, seguido de perto de comunistas. A perseguição foi tão feroz que o nosso hóspede chegou aqui em lamentável Estado, não havendo água que o saciasse”. Todavia, um pouco por todo o lado, passavam a salto, homens, mulheres e crianças, independentemente da sua posição política face às facções em conflito, as crianças muitas vezes passavam a raia sob protecção de contrabandistas elvenses e campomaiorenses, sendo depois enviadas para o norte de Portugal, antes de partirem para a América Latina, por via marítima. Mas, sem dúvida que com muitos riscos correram vários homens e famílias de Elvas, que protegeram as centenas de refugiados republicanos espanhóis, que atravessaram a raia. Uma vez que desde finais de Outono de 1936, o Governador Civil de Portalegre e os militares estacionados em Elvas e Badajoz, para além do director da Polícia Internacional de Segurança Pública, tinham ordens para deter e barrar a entrada de qualquer indivíduo identificado com a causa republicana. As detenções entretanto sucediam-se como se lê em documentos rubricados por secreto: “Alguns comunistas fugiram para Portugal, onde foram presos pelas nossas forças de fronteira”. Numa atitude informativa, o Prof.Dr. Vicent Gray, da Universidade de Valhadolid, dava a conhecer aos Elvenses: “A Espanha luta contra o comunismo, e ao denunciar o seu sangue, o mais precioso, o da sua juventude, que renunciou aos amores e à prosperidade e a força do amanhã …”.  Neste teatro de guerra, em que muitos elvenses subiam aos montes para assistir aos bombardeamentos da aviação franquista e germânica sobre a cidade de Badajoz, na cidade de Elvas, Ventura Abrantes defendia que Portugal tinha uma oportunidade única para recuperar Olivença, em 20 de Fevereiro de 1938, declarava que “um grande número de patriotas vão empreender uma ofensiva patriótica “… mas o jornal nacionalista a Defesa, no seu editorial dava conta das pretensões de Ventura Abrantes e denunciava: “Reclamar Olivença nesta altura pode ser um disfarce e neste momento histórico que atravessamos é fazer propaganda dos vermelhos”…. Mas com o fim da Guerra Civil de Espanha ainda com as feridas por sarar na raia luso-espanhola, o elvense Manuel Cayola, no Correio Elvense, previa o desencadear de um conflito à escala mundial:”A Espanha entrou no Eixo das grandes potências totalitárias, a Itália absorveu a Albânia e a Inglaterra, na direcção da linha defensiva da Europa atribulada, decretou o serviço militar” e alguns meses depois, o jovem promissor das letras elvenses Eurico Gama, escrevia: “Assim alastra, como um incêndio tremendo e devastador, pelo mundo inteiro, não poupando crianças, nem mulheres, nem velhos, metralhando e reduzindo a pó, hospitais, misericórdias, asilos  e maternidades, bombardeando escolas e templos ….” ….a guerra na Europa estava no seu início. Em Elvas a vida marcava, passo, a pobreza e a modéstia, fazia parte do homem comum perante a inoperância do poder local, limitado pelo centralismo e pela ordem militar numa época de racionamento e de austeridade económica, que se manifestou durante quase  duas décadas, 1930 e 1940 …..  Em Elvas vivia-se em paz mas numa conjuntura de prevenção que acabou por tornar contribuir para a sua importância militar quase até final do século XX como espaço de estacionamento militar para conflitos armados a longa distância. 

domingo, dezembro 04, 2011

11. A viragem do regime : - O Estado Novo

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A notícia esperada por vários sectores da sociedade elvense

O general Gomes da Costa triunfante em 28 de Maio de 1926

A miltarização da cidade de Elvas entrava na ordem do dia com o novo regime.

A primeira república, continuava a viver num clima de instabilidade política, a ordem imposta pelo Major Doutor Sidónio Pais, não teve continuidade e o regresso, à ordem democrática, não evitou a agitação social nas ruas e nas fábricas. A queda da 1ª República, adivinhava-se face ao défice orçamental crónico, acompanhado pelo crescimento da dívida pública e pela desvalorização da moeda, ao mesmo tempo que a fuga de capitais e inflação crescia num clima de instabilidade política e social, propício à mudança. Na cidade de Elvas como nas principais cidades do país sem viver um clima de conspiração, a facção monárquica órfão do ideário integralista de António Sardinha e da República Nova, associava a instabilidade republicana à corrupção ou à incompetência. As principais personagens da I República, estavam em debandada relativamente à causa republicana, Júlio de Alcântara Botelho, após a sua passagem pela presidência da Câmara, com o apoio do Partido Republicano Liberal em 1919, deixava definitivamente a vida política, mas desde 1913 que se tornara um adversário do radicalismo republicano, face às divisões e ambições, que se faziam sentir no interior do P.R.P.-Partido Democrático.  O guarda livros, José Augusto Cayola, também conhecido pelo nome simbólico de “Pasteur” quando da sua passagem pela Loja maçónica da Emancipação (Elvas), também se afastou das ideais da I República após as eleições locais de 1917, aproximando-se do Partido Republicano Liberal e apresentando-se na lista de Júlio de Alcântara Botelho às eleições de 1919.  André Gonçalves, escrivão notarial figura conceituada na cidade muito cedo tinha abandonado o debate político, embora nunca tenha afirmado publicamente que estava desapontado com os rumos da vida política em círculos mais fechados tal decisão parece ter sido tomada. O Solicitador, José Barroso um devoto republicano desde a primeira hora, abandonara o PRP-Democrático em 1915 e tornou-se um defensor da República Nova e juntamente com Júlio Botelho, lançou a iniciativa para a edificação de um monumento ao Dotor Sidónio Pais, apesar de voltar a surgir numa lista do PRP-Democrático nas eleições de  1922 era outro dos descontentes dos elvenses republicanos da primeira hora. Entre os republicanos elvenses da vanguarda do 5 de Outubro de 1910, apenas dois nomes mantinham-se em pleno, António José Torres de Carvalho e o Dr. João Camoesas que seria deportado para Angola quando da mudança do regime, antes de se exilar nos  Estados Unidos. Mas, se para alguns personalidades locais, a viragem entre fundamental para outros, continuavam no jogo político, a surpresa era vinculada ao boato que uma lista monárquicos que se apresentariam às eleições de 1926 defensora da esquerda democrática, que juntava o Dr .João Henriques Tierno  e outros conservadores, como Estevão Falé, Tello Rasquilha, Alfredo Carvalho e D.Gonçallo Telles da Silva. O tempo histórico, porém não confirmou esta notícia que circulou na Primavera de 1926, quando o tempo republicano se ia esgotando como se lia na imprensa elvense: “ As eleições essa comédia grotesca que o povo está junto lá vai o tempo e a nossa prometida ainda não chegou. Quando é que estes políticos nos deixam em paz”. Mas a mudança estava a pouco mais de três meses e o primeiro mês após o movimento militar de 28 de Maio de 1926, corria com certa moderação e desconfiança, todavia não se compreendia mesmo em certos círculos de opinião pública, o facto de ter passado três semanas e não haver um governo em funções: “Tem causado no público impressão pouco agradável, a morosidade com que após o 28 de Maio, se está montando a máquina governativa. Agora a dificuldade em conseguir a organização do ministério que, até à hora em que escrevemos se não acha completo”. A verdade é que a opinião pública não tinha compreendido o alcance do 28 de Maio, porque este movimento político não tinha objectivos partidários, uma vez que era uma acção de natureza militar por outro não sendo um movi mento liderado por uma força partidária não tinha um programa detalhado, mas a ordem era então a palavra de ordem “Entre a ditadura de farda e disciplinada e uma ditadura de pé descalço esfomeada e parlamentar, não hesitamos um segundo, somos pela primeira”.                            

segunda-feira, novembro 21, 2011

Renascimento: o Papa Júlio II, um "guerreiro" que também destacou-se como mecenas...

Júlio II , Rafael -1512, Galeria Nacional, Londres.  
Cúpula da Basílica de S.Pedro ( observada do exterior a partir do forum de Trajano)

A cúpula interior executada por Miguel Ângelo sobre o projecto de Bramante. 

Perspectiva parcial do tecto da Capela Sistina, de Miguel ângelo (tema - Juízo Final)

O Papa Júlio II, nasceu em Giuliano della Roverre em Albisola. Em 1471 foi nomeado cardeal por seu tio, o Papa Sixto IV e eleito Papa em 1503. Na sua biografia, os cerca de dez anos de pontificado estiveram marcados por uma sucessão de conflitos militares e manobras diplomáticas. Restabeleceu a autoridade nos Estados Pontifícios mediante uma fulgurante campanha em 1506, derrotando uma coligação internacional que se organizara contra Veneza em que pretendia arrebatar amplas possessões em torno de Ferrara. Mas o seu grande êxito, obteve em 1512, quando, através dos exércitos da Santa Liga, logrou impedir as ambições francesas e deu aos Estados Papais a sua máxima extensão.  Aliás, Júlio II em 1510 assumiu o comando do exército que procurou expulsar as potências estrangeiras de Itália, foi também um grande mecenas da cultura da sua época. Assim os melhores artistas italianos beneficiaram da sua protecção, a Bramante encarregou-o do grande projecto de reconstruir a Basílica de S.Pedro no Vaticano, que foi edificada durante mais de um século. Em 1508 convidou a  Roma Rafael Sanzio e encomendou a decoração dos aposentos papais e os soberbos frescos que decoram aquele espaço. A Miguel Ângelo, Júlio II confiou a decoração da capela Sistina, também no Vaticano, construída umas décadas antes, assim como um grande monumento funerário inacabado em sua memória e uma colossal estátua em bronze que ocupou uma das praças de Bolonha quando da sua conquista, que todavia não chegaria até nós. Miguel Ângelo viria a complementar os trabalhos de Bramante na Basílica de S. Pedro a partir de 1588.             



S.Pedro Patrono da Basílica

Fachada principal da Basílica de S.Pedro.


Mas sem dúvida que a intervenção de Baramante e Miguel Ângelo, foram fundamentais na edificação da "sede espiritual da cristandande", assim a Basílica de S.Pedro, edificada sobre uma igreja constantiniana, demolida em 1506. No projecto de Bramante, apresenta uma cúpula gigantesca ao centro de uma cruz grega. O mesmo sistema é repetido nos quatro cantos, formando-se assim outros cantos mais pequenos, em que se inserem as torres. O conjunto da construção forma um quadrado com pavilhões centrais. É uma adição clássica de espaços independistas, idênticos uns aos outros. A cúpula é semicircular. O projecto de Miguel Ângelo, baseia-se também na cruz grega, mas renuncia às quatro cúpulas secundárias dos braços da cruz e às torres. Os três quadrados concêntricos de Bramante são reduzidos a dois, os pilares do cruzeiro tornam-se colossais. Em contrapartida, Miguel Ângelo, procedeu ao reforço estático, pórtico de colunas nas entrada a leste, cúpula monumental de duas calotes, a nave de 255 metros e a fachada, ultrpassam já o Maneirismo anunciando o Barroco.                 

sábado, novembro 19, 2011

10.1 -As novas formas de lazer nos actos de sociabilidade (1880-1929)

  A locomotiva a Vapor "Badajoz" nos primórdios da Linha de Leste ( in CP-GHM).

         Estação del FF.CC - ponto de partida da Linha de Leste e das viagens de Badajoz/Elvas
         (Arq. José Ángel Vicente)

Parque da Piedade outrora (ainda hoje) centro da diversão popular nas festas anuais do São Mateus

As casas nobres recebiam as elites raianas nos tempos de diversão

Os novos gostos e comportamentos sociais, na transição para o século XX o lazer e as práticas de sociabilidade, ganhavam cada vez mais popularidade nos grupos privilegiados, o gosto pelas viagens, com a chegada da Linha de Leste ao Caia, permitia às famílias mais endinheiradas da região e da cidade de Badajoz, satisfazer um gosto que então era moda da burguesia do último quartel do séc. XIX. A praia era o destino das poucas famílias de Elvas que se juntavam às pacenses a caminho dos areais da Figueira, ainda que as famílias espanholas preferissem a Costa do Sol . "De Badajoz para as nossas praias têm passado muitas famílias para a Figueira, Espinho, Cascais, por toda esta razão a demora do trem na estação (posto de desinfecção ), têm sido de duas horas”. De resto a Companhia Real de Transporte, publicava nos jornais de Elvas e Badajoz o seu serviço em direcção às praias na época balnear …” É no dia 9 de corrente que começas nas linhas férreas da companhia real a venda dos chamados bilhetes de banhos, serviço combinado com os caminhos-de-ferro do Minho e Douro, e Porto à Póvoa e Famalicão. Nas linhas espanholas a venda deve começar em 15 de corrente, havendo ano uma nova estação balnear, a de Bayona de Vigo, praia bastante concorrida. Passageiro vai, em caminho de ferro até Valença do Minho e de ali a Bayona de deligência” … O cinema chegava ao Alentejo e as primeiras projecções cinematográficas, ocorriam no final da primeira década do século, a 13 de Março de 1909, a empresa “Portuguesa Cinematógrafo” levava a cabo a primeira sessão, cuja duração não ultrapassava mais que dez minutos, mas para muitos elvenses da época era mais interessante esses breves minutos do que as duas horas de concentração e imobilidade que as empresas teatrais da capital determinavam nas suas representações na cidade raiana. Em finais da década de vinte, o cinema tinha conquistado o público elvense nomeadamente as projecções da “Invicta Filmes” que tinha sede no Porto e que chegou a produzir alguns filmes em que a paisagem do Alto Alentejo surgia como cenário, já que a referida companhia também se destacou como produtora cinematográfica. Em pouco tempo o cinema mudo, ganhou espaço ao teatro ambulante, primeiro chegaram os projectores ambulantes depois as companhias e mas muito mais tarde as salas de cinema e neste contexto, a primeira surgia na Vila de Campo Maior corria o ano de 1928 por iniciativa das firmas “ José Rodrigues Valente & Irmão “ e pela José Ramos & Irmão”. As corridas de touros, não era propriamente uma novidade, mas as praças de touros eram então a novidade, mas para os elvenses e para as “gentes da raia” nos finais do século XIX as touradas eram em Badajoz, para as quais ocorriam multidões de espectadores portugueses, as mesmas eram anunciadas na cidade e nos jornais e as famílias de referência passavam a frente ao mesmo tempo que as classes populares, mas uma vez na praça espanhola, instalavam-se nos camarotes das famílias pacenses enquanto as autoridades ficavam junto com as autoridades espanholas, numa verdadeira selecção e ordenação social, que os distinguiam das massas populares que seguiam exaltados e ao sol os acontecimentos que decorriam em plena arena. Na década de 1870, o projecto de uma praça na cidade de Elvas era então o desejo da “classe dos lavradores”, o Club Taurino dedicado à tauromaquia, ginástica e jogo de armas, tinha esse objectivo, ao contrário do que se passava na maior parte das vilas alentejanas onde o espectáculo ocorria nas praças públicas, nas cidades de Portalegre e Elvas, os touros corriam já em praças, a de Elvas bastante rudimentar e situada fora das muralhas recebeu as primeiras corridas por volta de 1872, mas com a condição em que os toureiros fossem espanhóis ara garantir a presença de público, mas o projecto de uma praça propriamente dita ficava adiada para o Estado Novo. Outros acontecimentos sociais que envolviam a população eram sem dúvida, a música, o arraial do São Mateus e a popularização dos desportos. Os concertos eram acontecimento social e popular, com dois cenários semanas como palco, a Praça D. Manuel I e o Jardim Público que a partir de 1880 era uma alternativa ao Passeio da Alameda e um lugar de recreio, e em especial para o público feminino que exibia as novidades da moda, as bandas militares eram as vedetas de cartaz, nomeadamente a Filarmónica do Recreio Artístico e as duas militares a Banda da Infantaria nº4 e a Charanga do Regimento da Cavalaria nº1. A Festa e o arraial de S. Mateus era sem dúvida o acontecimento religioso, económico e popular da época, no final da Monarquia quando a festa popular ganhava renome em toda a região e tornava-se conhecida na Extremadura Espanhola. A vasta zona agrícola dos arredores de Elvas, não cultivada era marcada por zonas próprias de estacionamento, para as populações do Alentejo e nesse contexto, a Olivença já integrada em Espanha tinha a zona de estacionamento demarcada junto aos actuais prédios defronte da retaguarda da actual Escola Secundário D.Sancho II. Mas a presença espanhola era também expressiva, algumas famílias da aristocracia e alguns oficiais do aquartelamento de Valverde, assistiam aos actos religiosos, mas a festa propriamente dita ocorria longe dos olhos dos populares, nos espaços fechados das casas nobres locais mas em especial  no palacete dos marqueses de Alegrete até de madrugada. Enquanto a multidão a cantar e a bailar invadia o Parque da Piedade, onde grande parte da “massa camponesa”, em tendas ou ao relento, vendiam o produto do seu trabalho ao longo de nove meses, numa época em que o dinheiro circulava uma vez que os salários semestrais ou trimestrais eram pagos na altura do São Mateus. Mas nem sempre a euforia, era musical mas pautada pela violência, nomeadamente pela numerosa presença das classes populares do país vizinho, que encontrava no palco da “Piedade” motivo para o confronto com os seus vizinhos. Aliás a partir da década de 1870, as forças militares entravam de prevenção quando as centenas de espanhóis desembarcavam na estação das Fontainhas, uma vez que numa das vindas a Elvas, tinham queimado integralmente uma carruagem e destruídos outros bens materiais … de resto os documentos sobre o assunto abundam …."A concorrência dos nossos vizinhos foi grande, como costuma ser no terceiro dia. A classe baixa dos nossos vizinhos, que há anos costumava fazer desordens, este ano portou-se dignamente, livrando-se assim de um castigo, que consta estava a ser preparado pelas autoridades espanhóis, sendo estes prevenidos antes da partida para esta cidade”. O desporto tornava-se uma paixão, para as elites locais o ténis na Quinta da das Queimadas atingia a excelência na organização e no trato social, as gincanas automóveis marcavam o gosto pelos automóveis, em Elvas e Campo Maior. Mas, o 2º lugar de Manuel Serra Candeias, acompanhado pela filha do Major Teixeira, Helena Morais Teixeira, na Gincana de Badajoz, foi o primeiro resultado expressivo numa prova oficial de automobilismo organizada pelo Real Clube Extremenho de Badajoz, que fica sem dúvida para a história daquele desporto. O desporto, na sua essência torna-se uma realidade popular já durante a I República, o ciclismo era a grande paixão, na medida em que nas primeiras voltas a Portugal, os ídolos da modalidade passavam por Elvas e o futebol dava os primeiros passos, num terreno preparado para o efeito na Fonte Nova mas nem toda a cidade partilhava o gosto popular e havia que olhasse para essa prática com desdém: “Chamamos atenção para o vergonhoso e degradante que quase assistimos no recinto onde se joga o futebol. Rapazes sem grande preparação física, raquíticos, amarelentos e doentios, entregam-se durante duas horas a esse desporto violento” . Chegava ao fim uma época, onde a Primeira República ainda estava fortemente marcada pelo espírito da Monarquia Constitucional.

O Iluminismo e o tempo da Ilustração

Voltaire (1778)  - Jean Antoine Houndon in National Gallery Art

"Liberdade guiando o Povo", Óleo sobre tela, de Eugène Lacroix, Museu do Louvre 

"Experiência de uma bomba", Óleo sobre tela, de Joseph Wright, 1768, Tate Gallery

O século XVIII é o tempo da ilustração ou do iluminismo …como afirmava Kant : “ a Ilustração consiste no facto de o homem sair da sua menoridade” … As suas ideias forças estavam assentes  na Razão (ou seja tratava-se de sujeitar tudo a uma rigorosa análise racional);   no Progresso ( tratava-se não tanto de um progresso material, como do acréscimo de conhecimentos dos mais variados sectores, designadamente no campo científico e técnico);  na Paz ( O clima de animosidade e luta entre os homens resulta da superioridade de uns sobre os outros. A razão, porém, diz-nos que os homens são iguais e irmãos. Daí que o espírito de fraternidade deva substituir o de agressividade.   Mas, se é certo que o iluminismo encontrou a sua inspiração nas ilhas britânicas a sua glória e apogeu, encontrou o seu expoente máximo em França com o pensamento de alguns filósofos nomeadamente no pensamento de Françóis Marie Arouet, mais conhecimento por Voltaire, que está para o Iluminismo tal como Lutero para a Reforma ou Miguel Ângelo para o renascimento. Nas suas reflexões e obras posteriores ao Dicionário Filosófico, Cândido, expôs uma doutrina que “o mundo é governado por leis naturais e que a razão e a experiência concreta são os únicos guias seguros que os homens e as mulheres podem seguir”. Voltaire é também conhecido como um campeão da liberdade individual. Considerava como totalmente bárbara todas as restrições à liberdade de expressão  e opinião. Jean Jacques Rousseau, exaltou a vida das civilizações primitivas com mais fervor ainda que qualquer um dos seus companheiros. Interessou-se particularmente pela  liberdade e igualdade das massas do que outros reformadores do seu tempo. Os dogmas de Rosseau sobre a igualdade e soberania do povo, ainda que amiúde mal interpretados, tornaram-se as palavras de ordem  dos revolucionários do século XVIII e de milhares de adversários mais moderados do regime vigente. Entre outros filósofos contam-se os “enciclopedistas”, Denis Diderot e Jean Alembert, que colaboradores da Enciclopédia, pretendia que a mesma fosse uma suma completa dos conhecimentos filosóficos e científicos da época. De um modo geral, ambos concordavam com o racionalismo e o liberalismo de Voltaire. Diderot, por exemplo, afirmava que “os homens jamais serão livres enquanto não seja enforcado o último rei com as tripas do último padre”. D` Alembert, embora com tendências racionalistas e individualistas do Iluminismo, deferia da maior parte dos seus companheiros por defender a difusão de novas doutrinas entre o povo. A atitude geral dos seus contemporâneos, sobretudo de Voltaire, era desprezar o homem comum e considerá-lo como um imbecil, sem possibilidade de salvação, dada a sua ignorância e grosseria. Para D´Alembert, porém, a única garantia de progresso estava no esclarecimento universal. Sustentava, por isso, que as verdades da razão e da ciência deviam ser ensinadas às massas, na esperança de que um dia o mundo inteiro pudesse libertar-se do obscurantismo e da tirania. O espírito humanitário do iluminismo encontrou expressão também em outras direcções . Vários cientistas e filósofos movidos pelo ideário iluminista denunciaram os males da escravidão tal como o pacifismo, numa época em que o racionalismo e o iluminismo prestaram sem dúvida uma contribuição para melhorar a condição humana.                           

segunda-feira, novembro 14, 2011

As villaes romanas do Sul de Portugal


Planta da Villa de Milreu

Ruínas da Basílica de Torre de Palma (Monforte)

Mosaico das Musas (Torre de Palma)

Pars Urbana do Baixo Império, Quinta das Longas (Elvas), 2004  

Troço da Via XII a Sul das Quinta das Longas e a Oeste do Monte de Alcobaça 

As villas romanas de um modo particular desenvolveram-se sobretudo no sul de Portugal. Segundo, Jorge Alarcão, a villa (Villae) era comparável, pela área e pelo tipo de exploração, ao "monte" alentejano, foi uma das formas da propriedade rural romana. Cuja dimensão média tinha uma extensão que oscilava entre os 1500 a 8000 hectares, segundo Jean Gérad Georges. O que se conhece destas unidades de produção de matriz romana, tem sido o resultado de várias campanhas arqueológicas e da sua inventariação sistemática e exaustiva de vestígios arqueológicos. Nesta perspectiva, a propriedade rural romana, organizava-se em duas partes fundamentais, a pars urbana e a pars rústica. A pars urbana, não era mais que uma vivenda urbana ou rural da época, na Villa de S.Cucufate, cuja fachada, voltada para a sul, corria um pórtico de colunas. Do lado poente, perpendicular à fachada, ficavam as termas, em cujo enfiamento se instalou um corpo rectangular, dividido em sete compartimentos de cerca de 15 metros quadrados, cada um com a sua lareira. Do lado leste, um outro corpo incluía um lagar e armazéns; separado dele, talvez para minimizar o perigo de incêndios e garantir melhor arejamento, construiu-se o celeiro ( in Relatório da Villa de S.Cucufate, 1990). Estas villas, eram também reveladoras do nível sócio económico, do proprietário, pela riqueza que se expressava pelo conforto do espaço doméstico ( ou pelos objectos que utilizava na vida quotidiana (ex. nomeadamente objectos de cerâmica de vários tipos de sigillata) . A pars rústica, integrava um conjunto de instalações para os criados domésticos, que podiam ser mão de obra escrava ou assalariada e que asseguravam pelo seu trabalho a auto suficiência da villa, mas também o celeiro, o lagar, a adega e os estábulos. Por vezes a estas villas estava associada a existência de uma barragem que permitia o abastecimento das termas mas também fundamental para a irrigação das hortas e pomares que integravam a área agrícola, que nas villas situadas no actual Alentejo, estavam orientadas para a produção de cereais, mas também do vinho e do azeite. Na região de Estremoz, vila Viçosa, segundo o arqueólogo, José da Encarnação, a base essencial das villas do ponto de vista de exploração mineira, estaria centrada na exploração privado de mármores, assegurado pelo trabalho escravo, como se confirma na inscrição de um escravo, Hermes propriedade de Aurélia Víbia Sabina. A indústria da cerâmica não foi indiferente aos proprietários do sul de Portugal como comprovam os grandes fornos para o fabrico de tégulas e tijolos. Outra, forma de exploração económica, discutível mas atribuída por alguns arqueólogos, uma vez que tal actividade para outros poderia ter uma dimensão industrial, referimo-nos à exploração do peixe salgado e aos molhos de peixe ( nomeadamente o Garum). Fundamentais na indústria de conservas que era objecto de exportação para Cartago, Sabrata (Líbia), Sebaste (Palestina) e para outras parte do velho continente na época imperial. Os tanques e as setárias para a produção do garum predominavam na Península de Tróia e em toda a margem esquerda e em pouco por toda a costa algarvia.

O conhecimento do Corpo Humano e a Ciência médica.

Franz Hals, Rapaz com caveira, Óleo sobre tela
( in National Gallery, Londres)

Rembrandt Harmensz, A lição da autonomia do Dr.Nicolas Tulp, Óleo sobre tela.
in Mauritshuis, Haia 

Londres centro da ciência médica na época do Iluminismo.

Os progressos científicos é uma realidade que marca a História do Ocidente nos séculos XVII e XVIII, período em que se observa o desenvolvimento da fisiologia e da medicina que progrediu apesar de tudo muito lentamente.  Várias razões, podem ser apontadas como o preparo insuficiente da “classe médica” da época, que na verdade era inexistente, considerando que a cirurgia era praticada por pessoas comuns como os barbeiros e os ferreiros, cuja preparação para tais actos simplesmente não existia. Outra das razões, que limitava a prática da medicina, tinha haver com a dissecação de cadáveres que era então considerado um preconceito pelas sociedades da época e que limitava desde logo o estudo da anatomia. Em meados do século XVIII, as intervenções cirurgicas praticamente eram inexistentes e observadas com desconfiança, considerando que não era por acaso que a “opinião pública”, se manifestava contra a existência de escolas de medicina que praticassem tais intervenções. Apesar de tudo, por volta de 1680, Malpighi e Leeuwenhoek confirmaram a famosa descoberta do inglês Wiliam Harvey, que observando diretamente o fluxo de sangue através da rede de capilares que ligam as artérias às veias. Mais ou menos,  na mesma éoca, Thomas Sydenham, eminente médico de Londres propôs uma nova teoria de febre como um processo natural para expelir matérias mórbidas do organismo. Durante o século XVII os progressos da medicina acelaram ou pelos menos foram mais rápidos. Entre as conquistas mais notáveis da ciência médica, destacamos a descoberta da pressão sanguínea, o início da hostologia, o desenvolvimento da autópsia como auxiliar no estudo de moléstias e a identificação da escarlantina como uma doença diferente da varíola e do sarampo. Mas, o avanço médico, na época de Setecentos  deve-se sobretudo a adopção da inoculação e o desenvolvimento  de uma vacina contra a varíola. (De referir que a prática da inoculação tem a sua origem no Próximo Oriente e a notícia chega à Inglaterra por volta de 1717 por carta de Lady Montagu). A prática da inoculação torna-se uma prática no Ocidente em Inglaterra e nos Estados Unidos e em finais do século (1796), o inglês Edward Jenner descobriu um método mais brando para a vacinação. Abandonando a prática da inoculação direta nos seres humanos com o vírus mortífero da varíola: nas suas experiências, provou que uma vacina fabricada no corpo de um animal era tão eficaz quanto ela  e tinha menos probalidade de provocar resultados secundários e desastrosos. Estavam criadas as condições para a eliminação de doenças contagiosas e melhoria das condições da vida humana um objectivo,  um desígnio dos homens da ciência e das convicções do iluminismo em que as leis da natureza deviam estar orientadas no sentido de melhorar a condição humana.         

sábado, novembro 12, 2011

A raia de Portalegre no contexto das Guerras Peninsulares (Síntese da publicação).


"O Pelourinho a única revista transfronteiriça que se publica actualmente na região Alentejo e Extremadura, dedica a edição nº15 às Guerras Peninsulares na região da Raia"

O regimento nº86 estacionava em Elvas na acção de libertação da raia nacional a partir do Caia


 O general D.José Galluzo iniciou a libertação da Praça militar de Elvas a partir da ocupação do Monte da Graça


O estacionamento anglo-português ao longo do Guadiana foi outras das iniciativas face às operações dos exércitos franceses na raia ibérica internacional.  


A Praça Fortificada da Juromenha estabelecia o controlo e vigilância das margens do Guadiana e da Estrada Real que permitia a mobilização rápida dos exércitos a sul das obras anexas da Praça Militar de Elvas.


The Peninsular War in Alentejo as a theatre of wear

The situacion of war marked the first quarter of the 19 th century in Alentejo and Extremadura.In certain moments they were in conflict but their unity would be essential for the liberation in the Iberian Peninsula in the context of the Peninsula War.

O teatro de guerra no Alto Alentejo no contexto das Guerras Peninsulares

A conjuntura de guerra, marcou o primeiro quartel do séc. XIX no Alentejo e na Extremadura, em determinados momentos estiveram em oposição, mas a sua unidade seria determinante para a sua libertação da Península Ibérica no contexto das Guerras Peninsulares.


1. Portugal nas vésperas das invasões francesas: o contexto geopolítico.



Com o aproximar do fim de Oitocentos a Coroa Portuguesa vivia com alguma expectativa face aos ventos revolucionários que sopravam da Revolução de 1789, mas era sobretudo a sua independência nacional que preocupava a classe dirigente e a vigilância permanente sobre a Espanha tal como a preservação do seu Império e das suas rotas marítimas, contando para o efeito com a manutenção da velha aliança britânica e com o seu poder naval hegemónico. Vivia-se uma conjuntura de mudança, em Portugal as novas ideias de liberdade, igualdade e fraternidade proliferavam e eram motivo de esperança para uma burguesia emergente que ansiava a mudança de regime e uma maior abertura do sistema económico. Por outro lado, a colónia francesa constituída por artistas, livreiros, militares, homens de negócios, intelectuais e e exilados por razões políticas, teve um forte impacto neste ambiente de projecção de ideais de matriz revolucionária que mereceu a maior preocupação do Intendente Geral, Pina Manique que tomou medidas adequadas com vista ao controlo e expansão de tal ideário revolucionário. Do ponto vista económico, apesar da histórica e secular ligação com a Inglaterra que remontava ao tratado de Windsor (1386), merecia alguma reflexão em certos sectores da sociedade portuguesa face à forte dependência económica com sérios prejuízos nomeadamente no sector fabril estagnado ou quase existente.E face aos interesses nacionais e as suas dificuldades de se posicionar na diplomacia internacional, Portugal optava por uma neutralidade no quadro das relações com as potências europeias dominantes (Inglaterra e França). Porém, ao participar ao lado da Espanha, na Campanha do Rossilhão (1793/94) entrava em conflito directo com a França. Por outro lado, esta expedição seria desastrosa para Portugal em termos militares e diplomáticos, na medida em que enfraquecera as capacidades defensivas da nação e por outro lado, passava a estar sob a ameaça da coligação franco-espanhola, na medida que o País vizinho abandonara a coligação e chegara à paz com a França. Entretanto a posição da diplomacia portuguesa, ponha em risco a soberania nacional, na medida que insistindo na manutenção da sua neutralidade, não era compreendida pela França que desconfiava da sua inoperacionalidade diplomática face ao arrastamento das negociações com vista à celebração da paz. E Foi nestas circunstâncias, que o desejo de Godoy com o apoio ou mando de Napoleão invadisse Portugal na chamada “Guerra das Laranjas”, marcada por perdas de recursos, materiais, humanas e territoriais, com a perda de Olivença. 2. A conjuntura política e militar Peninsular no período de ocupação das forças Napoleónicas.A conjuntura política - militar, no início do século XIX, anunciava a guerra a qualquer momento e um pouco por todo o território nas regiões chaves da raia nacional o estacionamento militar das forças lusas tornava-se evidente com concentração da infantaria, artilharia e cavalaria, nas principais fortificações de defesa da fronteira nacional. As razões políticas eram várias e a situação na Península Ibérica estava sob ameaça das ambições napoleónicas, a Espanha começa por ser uma aliada da França, cujos exércitos ali estão quase em permanência desde 1801; o Estado espanhol e o francês têm acordos diplomáticos entre si para a partilha de Portugal, que de resto estão na base do avanço das tropas espanholas em cooperação com as ambições de Napoleão (Guerra das Laranjas -1801). A viragem, ocorre por volta de 1808, quando a Casa Real espanhola é coagida a abdicar do trono a favor de Napoleão, que nomeia seu irmão José como rei de Espanha, de jure e de facto, neste contexto, não podemos ignorar que o exército espanhol está sob jurisdição do rei José Bonaparte (irmão de Napoleão). De resto, a população espanhola só toma posição após sete anos de ocupação em 2 de Maio de 1808, quando depois da prisão do último dos Bourbon se revolta contra os franceses. Em Portugal a ameaça das invasões francesas é evidente, pelo menos desde 1801, o território nacional era observado por Napoleão como uma província britânica e os dois estados são considerados e tratados como inimigos . A invasão de Junot, em Novembro de 1807, violava o direito internacional e a resistência da população civil face às forças ocupantes foi evidente apesar da “directiva” da regência que aconselhava moderação, como forma de evitar o derramamento de sangue, situação não cumprida em determinados momentos, como o içar da bandeira francesa no Castelo de S. Jorge, onde a repressão francesa foi exprimida com fuzilamentos indiscriminados como também ocorreu no país vizinho, neste contexto de oposição a presença francesaDo ponto vista, militar as forças armadas espanholas e francesas até ao Levantamento de 2 de Maio de 1808, eram aliadas. Foi neste contexto, que Godoy invadiu Portugal (1801). Todavia é fundamental sublinhar que a unidade do exército espanhol, tinha desaparecido com a entronização de José Bonaparte que não conta com várias unidades militares, assim era possível distinguir - se no âmbito do exército espanhol duas realidades, o legítimo e os revoltosos ou revolucionários. Em Portugal, o exército estava simplesmente desarmado pelas forças de Junot e com a maioria dos oficiais no Brasil para onde se tinha deslocado a família Real e outros estavam ao serviço da Legião Francesa. Em Julho de 1808 com o desembarque em Lavos do exército inglês a pedido do governo legítimo iniciou-se o processo de reconstituição do exército português sob comando de Wellington, que irá enfrentar os franceses em Vimieiro e Roliça, obrigando os franceses a abandonar o território nacional. 3. O teatro das operações na raia Alentejo no contexto das guerras peninsulares.  A perspectiva de uma invasão do território português, pelo menos desde a Idade Moderna implicava desde logo a defesa da sua raia nacional como forma de defender qualquer ofensiva terrestre que tinha como objectivo prioritário o avanço sobre a capital, fundamental para a existência do estado português . E nesse contexto o teatro de Operações do Alentejo, era prioritária na organização da defesa nacional na medida em que pela sua configuração geográfica, plana sem obstáculos relevantes, capaz de suster os avanços dos exércitos inimigos, sobre a capital do Reino. Por outro lado, no plano geo - estratégico e militar, a planície alentejana não era mais que um prolongamento da Estremadura Espanhola, assumindo-se, simultaneamente, como teatro fronteiriço e central, que permitia atingir de forma rápida, eficaz e directa, Lisboa - Península de Setúbal. Ou seja os corredores de entrada no território nacional por via da região Alentejo, eram verdadeiros eixos de aproximação relativamente à capital, nomeadamente os seguintes itinerários: Moura -Évora-Montemor -o.-Novo e Lisboa; Elvas-Estremoz e Lisboa e Serpa-Beja e Ferreira do Alentejo. E no último decénio de Setecentos uma vez Portugal preparava-se para a confrontação bélica, a ameaça da guerra determinava o fecho e o controlo de todo o espaço fronteiriço e especialmente dos principais eixos de entrada em território nacional. A ameaça agora vinha da França, em primeiro lugar, devido à participação de Portugal na Campanha do Rossilhão (1793-1795), ao lado de outros estados inimigos da coroa francesa, a Espanha e a Inglaterra e em segundo, devido à aliança firmada pela França e a Espanha em 8 de Agosto de 1796 no Tratado de Santo Ildefonso.Relativamente à Campanha do Rossilhão, a evolução das alianças seriam alteradas a partir do momento em que a Espanha por via diplomática chega à paz com os franceses em 7 de Junho de 1795, o que alterou significativamente o quadro político-militar, peninsular. Uma vez que Portugal se manteve no campo de batalha e só assinou a paz dois anos mais tarde em 10 de Agosto de 1797, mas acabaria por não cumprir as obrigações estabelecidas pelo tratado, em relação às indemnizações de guerra por um valor de 10 milhões de libras, na concessão de facilidades comerciais com a França, na interrupção da ajuda militar à Inglaterra e na revisão das fronteiras na zona das Guayanas.Neste contexto político e diplomático, um avanço dos exércitos franceses tornava-se evidente há medida que Luciano Bonaparte desenvolvia uma intensa actividade diplomática junto da corte espanhola, que culminou com o segundo Tratado de Santo Ildefonso assinado em 26 de Janeiro de 1801, que permitia o livre-trânsito dos exércitos franceses por Espanha com a finalidade de realizar uma invasão sobre o território português, considerando que Portugal mantivera os portos abertos aos navios ingleses, entre outras condições.Nestas circunstâncias a Espanha declarava guerra a Portugal a 27 de Fevereiro de 1801, tendo como resultado imediato uma concentração muito significativa das forças militares nas cidades e vilas mais próximas da região do Caia. Assim, em Badajoz e nos seus arredores estacionaram cinco divisões espanholas que integravam um número de 40.000 a 50.000 homens e que em 20 de Maio sob o comando do Marquês Solana atravessavam a fronteira do Caia para realizar uma serie de campanhas vitoriosas em terras do Alto Alentejo. Os primeiros combates, sem consequência para ambas as partes ocorreram junto da praça militar de Elvas, dirigindo-se mais tarde as tropas espanholas para os núcleos populacionais a norte da praça, onde as forças lusas foram facilmente derrotadas junto das localidades de São Vicente, Barbacena e Monforte. Mas a primeira derrota assinalável das forças portuguesas ocorreu na praça militar de Arronches, cuja capacidade militar era muito frágil, a própria fortaleza estava em ruínas desde o tempo das guerras da Restauração e a sua função prática, justificava-se no âmbito de ajuda a qualquer assédio o cerco que ocorresse na vizinha praça da vila de Campo Maior. Mas este acontecimento demonstrou desde logo que o exército português não estava preparado para a guerra, segundo a opinião de António Ventura: “ A derrota foi rápida e só não assumiu a forma de catástrofe total pela pronta intervenção de Bernardim Freire, que enviou algumas tropas de Mosteiros para proteger a retirada dos que estavam em Arronches. A confusão não podia ser mais completa: a cavalaria portuguesa debandou no meio do maior caos, atropelando a infantaria. Os soldados fugiam cada um para o seu lado, encurralado entre o rio e os muros da vila, abandonando, bagagens e armas” . O cenário do combate de Arronches acabaria por repetir-se nos vários cenários de guerra no Alto Alentejo, como é exemplo o combate em Flor da Rosa, a norte da cidade de Portalegre: “O desastre de Arronches não serviria de lição ao comando português. Num vale tão exíguo, a coordenação entre a infantaria e a cavalaria, num vale seria impraticável em caso de ataque inimigo. Por outro lado, o terreno situado entre a vila e o rio Tejo não estava ocupado militarmente, nem sequer nele foram colocados vigias, confiando os chefes militares portugueses na inacessibilidade do terreno” .Assim, as diferentes vitórias obtidas pelas diferentes divisões do exército espanhol em todo o Alto Alentejo, foram facilitadas pela circunstância de que as tropas portuguesas tomaram posições estritamente defensivas e retirando-se de forma estratégica a fim de evitar um possível aniquilamento. O tratado de paz (Tratado de Badajoz), que determinou o fim da “Guerra das Laranjas” em 6 de Junho de 1801, determinava que Portugal devia fechar os seus portos à navegação inglesa, cancelar as relações comerciais com a Grã-Bretanha, impedir a persistência do contrabando que afectava negativamente os interesses de Espanha e indemnizar os súbitos espanhóis pelos danos sofridos, entretanto o estado espanhol comprometia-se a restituir todas as praças conquistadas (Juromenha, Arronches, Barbacena, Portalegre, Castelo de Vide, Campo Maior e Ouguela), a excepção seria Olivença. Segundo, a opinião de António Ventura “ …a Espanha conseguia concretizar uma velha aspiração, fazer coincidir, naquela zona, a fronteira política com a fronteira natural, o rio Guadiana” .Cinco anos mais tarde Portugal voltava estar de novo sobre a ameaça da França, ao ignorar o primeiro Bloqueio Continental imposto pela França decretado por Napoleão em 21 de Novembro de 1806 por não ter fechado os portos à sua velha aliada, a Inglaterra. A partir do momento em que a França e a Inglaterra, assinaram o Tratado de Fontainebleau em 27 de Outubro de 1807, a integridade do território nacional estava ameaçada até que esse tratado determinava a ocupação e a divisão do território, estabelecendo-se que as terras situadas entre o Douro e o Minho, passavam a pertencer ao rei da Etúria, com o nome de Lusitânia Setentrional, enquanto o Alentejo e o Algarve recebiam o nome de Principiado dos Algarves e seria doado a D.Manuel Godoy e as províncias da Estremadura (portuguesa), Beiras e Trás-os-Montes, ficaria nas mãos do Imperador, ainda que poderia manter-se na Casa de Bragança, mas dependente da coroa espanholDe realçar também que esta situação em que o estado português se torna refém da França e da Espanha, deve ser entendida pela dificuldade em que Portugal então tinha em optar. De facto, a classe política portuguesa estava consciente que a manutenção da aliança histórica com a Inglaterra significava a invasão do território nacional. A França não podia admitir em nenhumas circunstâncias esta santa aliança, uma vez que não se tratava de uma potência marítima e nesta perspectiva, Portugal do ponto vista estratégico e militar tornava-se uma plataforma marítima favorável aos interesses britânicos que após a vitória sobre a França na famosa batalha naval de Trafalgar surgia como a principal potência marítima do Ocidente. Por outro lado, uma aliança com a França, significava desde logo uma mudança radical na diplomacia portuguesa que tinha que chegar a acordo com o seu adversário político sem garantias do respeito pela sua integridade territorial face às ambições da França napoleónica. Mas a hostilidade com a Inglaterra implicava desde logo a possível perda dos territórios ultramarinos e a dificuldade de manter as suas tradicionais rotas marítimas com o devido impacto na economia nacional. Assim a neutralidade era a solução possível numa conjuntura internacional, em que tal realidade era simplesmente impossível até que a Espanha, já tinha iniciado a sua aproximação com a França e como tal só restava organizar a defesa face às ameaças veladas à integridade do território português. Em Portugal face aos desastres sofridos pelo exército português nas campanhas mais recentes, a classe política e os militares, chegavam a um consenso da necessidade de proceder a uma reforma militar que acabaria por ser promulgada em 27 de Setembro de 1805, associando-se a esta nova reforma, duas finalidades por um lado, tratava-se de diminuir os gastos e por outro aumentar a capacidade operacional das praças e fortalezas, terrestres e marítimos. Pouco depois um novo Decreto Real promulgado em 19 de Maio de 1806 determinava que o exército português se formaria exclusivamente em linha, integrando-se estas em diversos regimentos de infantaria, artilharia e cavalaria nos quais se integravam as milícias e as ordenanças como alguns corpos militares e civis .Em véspera da primeira invasão francesa estas unidades estavam já estacionadas ao longo da fronteira portuguesa, sobretudo na região do Caia onde se localizava a praça militar de Elvas, que se destacava das demais pelo número de efectivos acantonados, uma vez que se admitia que a entrada do exército invasor por esta zona da raia lusa. Foi de resto, esta presença militar efectiva que permitiu o domínio efectivo da província do Alentejo de tal forma que no final da primeira década de novecentos (1810), a capacidade de abastecimento do exército de ocupação era nula, uma vez que a correspondência coeva refere que a partir das cidades de Cádiz, Elvas e Badajoz, todo o curso do Guadiana estava sob domínio das forças peninsulares enviabilizando por exemplo o abastecimento de cereais que chegava à Península Ibérica por via do Norte de África. A guerra estava já bem delineada nos seus contornos gerais. Para os generais franceses as entradas e pontes haviam permitido balancear as suas forças, de norte para sul, e delinear modalidades de acção conjugadas contra Portugal, através das duas entradas, enquanto podiam acorrer com facilidade à Andaluzia, onde a guerrilha espanhola não lhes dava tréguas. Para Wellington, a posse das entradas e das pontes permitia fazer de Portugal a zona interior segura do seu teatro de operações em Espanha e delinear estratégicas ofensivas em território espanhol semelhantes às dos Franceses, mas de sentido contrário.Welligton percebera que a expulsão de Massena do território português era o começo de uma retracção francesa definitiva que o marechal francês desejava adiar, e que chegara à altura de iniciar uma contra-ofensiva fulminante que expulsasse todos os exércitos franceses da Península Ibérica” Apesar das preocupações dos estrategas militares, durante a guerra peninsular frente aos exércitos napoleónicos só uma das três invasões realizadas pelos franceses, que atravessaram o país semeando medo, violência e morte, tornou o território alentejano num teatro de guerra convencional. No entanto, o sul do país não esteve impune às movimentações militares do exército napoleónico que marchou sobre a planície a partir de finais de 1807. A 2 de Dezembro, as forças espanholas que estavam estacionadas em Badajoz entravam na cidade de Elvas, no âmbito do compromisso do Tratado de Fontainebleau e do Bloqueio Continental imposto pela França em 27 de Outubro de 1807 e que a Espanha comprometera-se a cooperar. Estas forças que tomaram posse sem resistência das praças militares de Elvas e Badajoz, estavam sob comando do General D. Francisco Maria Solano Ortiz Rozas, Marquês do Socorro e Capitão - General da Andaluzia, que deixou na cidade de Elvas três dos seus batalhões e um regimento, o de Córdova na vila de Campo Maior, dirigindo-se para Estremoz os invasores estabeleceram o seu quartel militar em Setúbal, de salientar também o “carácter ordeiro” da força de comando espanhola que recomendava aos seus soldados o maior respeito para com os portugueses e suas propriedades . Entretanto nova Ordem Geral datada de 31 de Dezembro, reforçava este respeito pela dignidade da nação portuguesa, louvando a amizade entre os portugueses e espanhóis e reafirmando em nome de Sua Majestade os empregos de todos os corregedores e governadores civis do sul de Portugal, numa estratégia puramente política que tinha como finalidade a constituição do principiado de D. Manuel Godoy prevista na partilha do território nacional entre Portugal e Espanha. Outras medidas denunciam claramente a preparação do futuro principiado, de facto o sul do país, chegou a ser dividido em distritos, procedendo-se para tal a nomeação de um comissário de polícia que tinha por obrigação zelar pela manutenção da ordem pública. Em Setúbal onde estava sediado o quartel-general foi criado um Tribunal Superior de Paz que era constituído por um Juiz Maior e com quatro juízes desembargadores cuja função era a avaliação dos processos civis e apelações que seriam apresentadas no decurso da conjuntura política e militar que então se vivia.O volte face ocorria no início da Primavera de 1808, quando a concentração de efectivas militares junto as fronteiras nacionais espanholas, denunciavam uma vez mais as ambições napoleónicas e mais do que uma provocação era uma ameaça e que de resto, era uma nítida violação do artigo nº8 do Tratado de Fontainebleau . E as forças espanholas sob comando do General Solando receberam ordem para abandonar o território português. Ao mesmo tempo, que a forças francesas são obrigados à sua reposição no espaço nacional como forma de dominação do mesmo, Junot para evitar o vazio deixado pela retirada das forças espanholas coloca a terceira divisão em Setúbal enquanto o General Maurian recebia ordens para se deslocar para o Algarve, evidenciando já uma clara intenção dos franceses de ocuparem definitivamente o território português e o sul que pela partilha, franco-espanhola, seria atribuída a Manuel Godoy. A necessidade de dominar o sul de Portugal era uma emergência e a 28 de Março Junot nomeava o General Kellerman como comandante superior de toda a margem esquerda do rio Tejo. E com a recomendação que o mesmo se deveria deslocar para a cidade fortaleza de Elvas com a sua cavalaria, assim um batalhão de 1.000 homens ao qual se juntou o regimento nº 86 com 1.700 homens entrou na maior praça terrestre do sul de Portugal. Entre as forças que acabariam por estacionar em Elvas, destacava-se cerca de metade do regimento da cavalaria dos Dragões com uma finalidade específica, estabelecer o controlo e a respectiva prevenção relativamente a qualquer manobra ofensiva do exército espanhol da Extremadura . Entretanto Junot mostrava-se preocupado com as manifestações populares anti-francesas ocorridas em Badajoz a 4 de Maio e que poderiam de alguma forma alastrar a Portugal como de resto viria a ocorrer mais tarde.Aliás desde a revolta de 2 de Maio em Madrid, que o movimento revolucionário anti-francês, se manifestou por toda a Espanha desde as Astúrias, Galiza e Leão até à Andaluzia e em Portugal emergiu em toda a sua raia fronteiriça um movimento geral contra as tropas francesas. Que em resposta às manifestações populares das “gentes” alentejanas utilizou a violência e a repressão, mas o sentimento anti-francês crescia e em 19 de Junho de 1808 e por influência de um grupo de espanhóis que se deslocaram a Juromenha, a população de Vila Viçosa revoltou-se contra a guarnição dos 3.000 homens ali estacionados sob comando do General Avril. Em socorro, das forças napoleónicas deslocava-se o 86º Regimento a mando do General Kellerman com o objectivo de punir os revoltosos, os confrontos entre as forças francesas e portuguesas, sucederam-se e a repressão sobre a população da vila alentejana foi inevitável mas o sentimento anti- francês crescia e propagava-se por todo o sul de Portugal No sul de Portugal, a população pegava em armas contra os franceses, em Beja tal atitude corajosa terminava com uma elevada mortandade nas hostes nacionais e a própria Igreja, tomava partido dos ocupantes, a nota pastoral “Sacro Collegio Patriarchal “, era clara, estavam todos os portugueses excomungados que ousassem pegar armas contra os franceses . Os apoios à causa da libertação do jugo francês mantêm-se, no início de Julho, as forças militares espanholas passam a fronteira e ocupam a vila de Campo Maior, onde se constituiu a primeira Junta Governativa do Alentejo, mas a presença espanhola era evidente em Castelo Vide, Portalegre, Arronches e Juromenha onde estacionou D. Francisco Moretti com uma força de 200 infantes e 20 cavaleiros, na primeira semana de Julho, cobrindo uma série de espaços fundamentais na defesa da raia ibérica, numa época em que a Espanha (?), defendia as suas fronteiras territoriais em solo português. A pressão sobre a presença francesa aumentava com a chegada de uma força naval de 10.000 ingleses que desembarcava nas proximidades da capital e Junot, receando o pior reunia o seu Conselho de Guerra a 26 de Junho na qual se determinou:
1.- Apenas deveriam permanecer as guarnições de Peniche, Almeida e Elvas;
2.- Todas as outras forças deviam ser concentradas em Lisboa;
3.- Setúbal, bem como as posições localizadas na margem esquerda do Tejo em frente à capital deviam ter prioridade no comando francês.
4.- Deviam merecer uma vigilância atenta em função da sua posição estratégica, aos seguintes aglomerados: Leiria, Ourém, Tomar, Santarém, Rio Maior, Óbidos e Peniche. E ainda, Sacavém e Sintra, no contexto do avanço sobre Lisboa.
5.- A cidade de Lisboa, devia ser defendida até exaustação e as forças militarizadas só deveriam recuar para Elvas quando fossem pressionadas e onde uma vez reorganizadas deveriam passar a Elvas.
Entretanto na Praça militar de Elvas, o General Kellerman abandonava as suas campanhas no Alentejo, fixando-se na cidade dando ordens para a realização de reconhecimentos na zona da Juromenha e nas proximidades de Badajoz, organizando ao mesmo tempo a sua defesa e o seu aprovisionamento face a qualquer cerco que pudesse acontecer, deslocando -se em pleno Verão para a capital. Na principal cidade da Extremadura as notícias da chegada do General francês, determinava uma intervenção rápida das forças de comando que contava com cerca de 20.000 soldados, provisões e artilharia. Enquanto tal acontecia os focos de resistência no Alentejo, em Beja e Vila Viçosa reacendiam-se. E a situação no Alto Alentejo tornava-se explosiva e em 17 de Julho de 1808, o tenente-general Francisco Paula Leite, aceita a nomeação para governador militar do Alentejo, os corpos do exército incluíam não só portugueses como espanhóis a que se juntavam os civis. No final do Outono numa tentativa de pôr termo ocupação da praça militar de Elvas, que estava sob comando Girod de Novilard, os portugueses auxiliados pelo exército espanhol sob liderança do General D. José Galluzo, que assentou baterias sobre o Monte da Graça, onde estavam estacionados os franceses, obrigando-os à sua retirada sem antes que antes alguns militares fossem vítimas da justiça popular da população elvense que aprisionou três oficiais galeses e um sargento que seria morto e arrastado pelas ruas da cidade. Estas movimentações militares que ocorreram entre 1807 e 1808, em pleno Alentejo, demonstraram que a resistência à presença francesa foi inexistente nas zonas onde implantação francesa era notável como era os casos de Elvas e de Estremoz, onde a falta de armas e de comando determinava a submissão das populações. Não podemos ignorar que estes focos de resistência, resultavam de um recrutamento feito na sua grande maioria nas ordenações concelhias e nas próprias milícias regimentais que actuaram sob a forma de guerrilha. A sua actuação baseava-se não só em actividades colectivas e que se integravam os próprios aglomerados urbanos, mas também em actividades singulares, tais como ataques às retaguardas das colunas, aos depósitos, destruindo recursos logísticos e, sempre que possível, liquidando elementos ou forças militarizadas. Todavia estes focos de resistência por iniciativa local, também não trouxeram a desejada libertação, como foram as iniciativas dos núcleos populacionais de Vila Viçosa, Beja, Montemor-o-Novo e Évora, que sofreram as maiores crueldades do exército napoleónicas. A viragem ocorreu a partir do momento em que as forças espanholas prestaram um notável apoio às portuguesas, em termos materiais e humanos que foram decisivos para a sublevação de um grande número de aglomerados populacionais junto à raia portuguesa. Perante a incapacidade de pacificar a resistência que se foi levantando em todo Alentejo perante um exército desmoralizado por inúmeras baixas provocadas pelas batalhas, altas temperaturas, falta de víveres, água e alimentos durante dias inteiros de marcha. Mas à medida que o conflito foi se desenvolvendo, as forças inglesas ganhavam projecção no interior da orgânica do exército português, quando por Decreto Real de 21 de Janeiro de 1809, era nomeado, o Major General Wiliam Carr Beresford para Comandante do Exército Português e com essa finalidade, fez-se acompanhar de um conjunto de jovens oficiais que na fase de preparação e aprontamento do exército, introduziram não só novos procedimentos, novas regras disciplinares, novas tácticas e novas armas. Em todos os Regimentos e Batalhões, Beresford procurou evitar a preponderância de uma nacionalidade com vista à sua coesão, assim se o Coronel era inglês o Tenente Coronel era português e vice-versa. Mas seria durante a terceira invasão que a província alentejana tornar-se-ia efectivamente num teatro de guerra, chave nas operações militares desenvolvidas a partir das praças alentejanas, com o fim de evitar a ocupação das terras da raia e da Extremadura, nomeadamente de Badajoz e de Albuquerque.Terminada a resistência ao êxito às forças napoleónicas na zona portuguesa, o conflito manteve-se nas localidades vizinhas já em solo espanhol e nessa conjuntura de guerra, os reforços anglo - lusos, sob comando do General Beresford que tinha sido destacado da zona militar de Abrantes para a Praça militar de Elvas por Wellington com a finalidade de aliviar a pressão francesa, seriam decisivos para a primeira derrota significativa das forças francesas junto da ponte de Albuera. Na qual a cavalaria lusa irrompeu sobre os forças francesas provocando um número elevado de baixas junto às muralhas. Onde pela primeira vez as forças peninsulares constituídas por um exército composto de portugueses, espanhóis e ingleses, cuja coordenação de esforços foi fundamental para o desencadear com êxito as operações da campanha militar . De realçar que uma vez mais a praça militar de Elvas desempenhou um papel fundamental não como espaço militar mas como hospital de retaguarda, para onde eram deslocados em sucessivos comboios os feridos do teatro de guerra onde lhes era prestada assistência médica .Uma pouco antes em Janeiro, havia sido ocupada pelos franceses sem resistência a praça de Olivença, libertada alguns meses depois em meados de Abril por um exército anglo - português, uma vez desocupada outra fortificação fronteiriça, a Praça militar de Campo Maior em 25 de Março, por imposição do exército de Mortier, comandado pelo barão Girard que impôs a rendição da vila. Este acontecimento ocorre na transição entre a segunda e terceira invasão francesa, quando Massena e os franceses continuavam a pôr cerco às praças situadas próximas do raia, Alentejo e Extremadura, na verdade após a tomada de Badajoz, a divisão francesa, resolveu invadir o território português propondo de imediato a rendição do governador da praça, José Joaquim Talaia, o qual rejeitou tal proposta. Ficando de imediato sujeito às hostilidades, com os franceses abrindo fogo sobre as posições portuguesas em 15 de Março e continuando até 21 de Março, quando o governador aceitou a capitulação face à ausência de socorro das forças aliadas. Mas a ocupação desta praça por parte das forças napoleónicas não iria durar muito tempo, pois Beresford aproximou-se da mesma e três dias depois ponha termo ao cerco à praça portuguesa e estabelecia o corte de comunicações com Badajoz, ainda sobre controlo dos franceses. A 25 de Março finalmente quebrava-se a resistência francesa …”nesta ocasião fizerão os Franceses, tiverão de evacuar a praça com perda de mais 600 homens entre mortos, feridos e prisioneiros ... ".E, alguns dias depois a conquista de Badajoz, cujo plano de libertação seria gizado por Wellington que tinha montado o seu quartel-general nos arredores de Elvas. A tomada de Badajoz, já tinha sido tentada pelo General Beresford que apesar das dificuldades de defesa daquela praça que apresentava alguns danos conseguiu resistir até 16 de Marco de 1812, data do início da sua afirmação. Todavia, os ataques lançados às tropas francesas pelas forças militares e civis de Elvas e Campo Maior, acabaram por se inserir numa nova etapa, a chamada Guerra Peninsular. Na qual as forças militares estacionadas na cidade de Elvas acabariam por ter um papel fundamental na medida em que integradas no exército anglo - inglês no qual se destacavam também as forças militares espanholas, iniciariam o processo de expulsão dos franceses da Península ibérica. Neste âmbito as unidades militares estacionadas em Elvas, as Batalhão de Cavalaria nº1, as Regimento de Infantaria nº4, as Regimento da Infantaria nº 8 e o Regimento de Infantaria nº 17, acabariam por evoluir no teatro das operações gizado por Wellington na libertação da Península Ibérica. Num primeiro momento, fazendo parte da composição do exército de 60.000 homens que se colocou estrategicamente defronte da cidade de Salamanca, que em 22 de Julho de 1812 procedeu à sua libertação. A batalha de Arapilles ou de Salamanca, abria uma nova era em solo espanhol, deixava de ser uma guerra de exércitos para se tornar numa guerra total, com intervenção não só das tropas como da população. Nesta batalha era já evidente as deficiências de organização dos exércitos franceses e as causas foram variadas: - A incapacidade para reabastecer de forma eficaz as tropas de víveres, efectivos, fardamento, equipamentos e cavalos a partir da retaguarda, uma vez que a aquisição de recursos locais tornava-se quase impossível devido ao clima de hostilidade que se vivia em toda a península; - A indisciplina e os desentendimentos entre a oficialidade francesa eram evidentes e reflectia-se na condução operacional do exército e sobretudo na sua conduta operacional e por último, a subestimação do valor e possibilidades do adversário, sobretudo no campo dos reabastecimentos devidamente organizado e operacional. Em finais de 1812, uma vez mais as referidas unidades elvenses voltam a ser convocadas para a ofensiva final em Espanha integradas agora na força militar sob comando do General Hill. A hora de libertação da Península Ibérica ocorre na Batalha da Vitória em 21 de Junho de 1813 quando o exército aliado se organiza em três frentes, a direita onde se integrava as forças portuguesas lideradas pelo Major General Hill, o centro e a esquerda pelos estrategas militares, Cole e Graham. No campo de batalha, as forças peninsulares organizaram-se como três exércitos diferenciados e que actuavam em três combates distintos, fragmentando a extrema resistência das forças comandadas por Reille obrigado a bater em retirada abandonando o cabo de batalha, com inúmeras baixas e com a perda de importante material bélica. A partir de então estavam criadas todas as condições para a vitória das forças aliadas sob comando do General Hill nas operações militares que se sucederam e que ficaram conhecidas por “Batalhas dos Pirinéus” de resto determinantes para a libertação da Península Ibérica das ambições da França imperial e napoleónica.
Fontes:
London Gazette, nº 16231 de 21 de Janeiro de 1809.
Gazeta de Lisboa, nº246, 18 de Outubro de 1814.
Gazeta de Lisboa, nº 116, 18 Maio de 1818.
Ofício de Lord Wellington a D.Miguel Pereira Forjaz, de 2 de Outubro de 1810.
Ordem do Dia, nº31, de 25 de Dezembro de 1820.
Bibliografia
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